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Memórias de Uma Suicida

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Memórias de Uma Suicida

Mensagem por JuhSalvatore em Ter Nov 20, 2012 6:02 pm

Esses dias, estive pensando em como seria maravilhoso escrever um livro. Mas sobre o que seria esse livro, se todos os assuntos estão tão velhos e usados? Todos os romances e histórias de amor já foram contados, todas as tramas e os suspenses já foram lidos, toda a magia já fora colocada no papel... nada mais é novo, nada mais é único.
Aí surgiu uma daquelas ideias que aparecem do nada, e que você provavelmente deveria ignorar. Mas ao invés disso, você para e pensa: Cara, e se eu o fizesse? E foi o que eu fiz. Resolvi que escreveria um livro sobre as minhas memórias, as memórias da minha vida. A vida de uma adolescente suicida que ainda tinha muito por viver, mas que não tinha mais forças para tal. E lá fui eu.
Minha vida, ou minha pré-morte, como preferirem, pode ser dividida em três partes: a primeira parte é a parte da felicidade. A segunda parte se resume a ele. E a terceira, é definitivamente, meu suicídio.
Comecemos pela primeira parte, então. Eu era uma garota rica do interior da Itália. Meu nome era Anabeth, e todos me chamavam de Ana. Minha casa era maravilhosamente grande, bela, luxuosa, espaçosa e confortável. Meus pais me amavam como julgo que nenhum outro adolescente jamais fora amado. Era simplesmente uma vida de rainha.
Com meus longos cabelos ruivos de tom flamejante que caiam em cachos até minha cintura, minha pele branca como leite, mas com a textura de uma pétala de rosa, meus enormes e amendoados olhos verdes claros e minha postura de dama, eu poderia facilmente ser considerada a garota mais bonita da cidade, talvez até da região. Não havia qualquer outra que chegasse aos meus pés, e eu nunca precisei de muita maquiagem para tornar-me radiante. Além disso, sempre fui culta e estudada, o que, vindo de uma família nobre Italiana, era o mínimo que podia se esperar de sua filha mais nova.
Minhas duas irmãs mais velhas, Marta e Elize, já estavam casadas na época. De qualquer maneira, eu ainda era cortejada pelos maridos das duas, que simplesmente não podiam resistir aos meus encantadores traços de criança, e acho que minhas irmãs sentiam inveja de mim. É claro que, na época, eu era apenas uma criança, com meus doze ou treze anos, e não entendia nada sobre nada. Apesar de culta, meus pais sempre tentaram manter a inocência em mim.
As coisas mudaram quando eu passei a estudar numa escola e larguei a minha tutora, por insistência própria. Não queria ser mais uma mimada a ser criada, educada e crescida por entre quatro paredes. Tinha muito mais a oferecer ao mundo, e naquela época eu ainda sabia disso. E então, meus pais me matricularam em uma das melhores e mais conceituadas escolas italianas.
Minhas primeiras semanas na escola foram mágicas. Eu era apenas uma garota de quinze anos que achava conhecer o mundo e percebeu, de repente, que não conhecia nada sobre lugar nenhum. A experiência de interagir com os outros de minha idade e com a maneira de pensar que cada um tinha foi simplesmente a mais memorável de toda a minha vida.
Tive dois grandes amigos: Tony e Marcos. As meninas tinham inveja de mim, por causa da minha beleza e da maneira como todos os garotos olhavam para mim, por isso nenhuma delas jamais quis aproximar-se de mim. Tony e Marcos eram dois dos garotos que me olhavam daquele jeito quando eu cheguei na escola, mas com o tempo foram conhecendo a pessoa que eu realmente era, e acho que o físico deixou de importar. Eram meus amigos, era tudo o que eu queria deles.
Minha vida estava sendo muito boa. Até aí, estava apenas na primeira fase da minha vida. E então, ele apareceu: com seu charme inglês, seus olhos do azul mais profundo que eu já havia visto, seus cabelos negros cor da noite, a barba rala a emoldurar suas feições e o porte galanteador. Somado a tudo isso, a maneira como se movia, falava, respirava... tudo nele emanava um ar de superioridade, magnificência e supremacia que encantaria até a mais fria alma do universo. E eu, que me considerava a mais fria alma do universo, não fui a exceção a confirmar a regra.
Cinco minutos. Foram necessários apenas cinco minutos olhando para ele para saber que eu, Anabeth, tinha me apaixonado pela primeira vez. Justo eu, que julguei que jamais fosse sentir nada como isso, agora estava perdidamente apaixonada por ele. Richard Howen.
Começava aí a segunda fase da minha vida.
Durante um ano, fiquei estagnada esperando que minha beleza fizesse todo o trabalho por mim. Fiquei esperando a reação, esperando que ele me notasse. E ele me notou, realmente. Só não me deu importância, agiu como se eu fosse apenas mais uma garota. Eu jamais tinha vivido algo assim, nenhum rapaz jamais havia deixado de demonstrar interesse por mim. Mas aquele inglês... bem, havia algo de idílico nele, algo que o fazia simplesmente mais do que qualquer outro garoto jamais seria.
Era a pessoa mais inalcançável, mágica e necessária que eu já havia visto em toda a minha vida. Eu precisava dele, e não desistiria até consegui-lo.
Logo fui percebendo que meu amor platônico por esse rapaz havia se tornado uma obsessão. Larguei meus amigos, minha família, meus textos, todo o lado brilhante e colorido de minha vida, e me concentrei no único objetivo que importava: ele. Se não fosse meu, não o veria com mais ninguém.
Me aproximei dele cada vez mais, e passei seis meses sempre junto a ele. Por fim, senti que estava na hora de dar minha cartada final. Então, em uma noite em que meus pais saíram, convidei-o para comer pizza na minha casa, assistir uns filmes, essas coisas de amigos, sabe... me produzi por completa, esperando que aquela noite fosse a mais especial da minha vida.
Ele atrasou-se meia hora para aparecer. Okay, eu podia esperar aquilo, podia perdoar... mas assim que chegou, ao contrário de tudo o que planejei, ao contrário de todas as cenas que se passaram pela minha cabeça, ao me ver, ele riu. Aquela risada cruel, fria e que me feria como uma faca. Me chamou de patética, disse que eu não me dava o valor, que eu não era nada, não passava de uma menina mimada que queria o mundo aos seus pés.
Ele saiu, batendo a porta atrás de si. E eu simplesmente fiz o que achei que fosse certo: tomei uma cartela de remédios e acabei com a minha vida.
Tipo, o que eu tinha na cabeça, afinal? Tudo isso por um cara? Depois que morri, vi que na verdade aquilo havia sido uma idiotice sem tamanho. Mas aí já não tinha volta. O engraçado foi que, no meu velório, bem como no meu enterro, o cara nem compareceu. E eu tirei minha vida por causa daquele idiota.
Claro, vi minha família sofrer, o que foi realmente cruel, mas não havia mais nada a ser feito. Acho que, depois que erramos, mesmo que queiramos consertar, as coisas tornam-se mais complicadas. O importante é que eu aprendi, tarde demais, a lição de tudo aquilo, descobri a moral da história no final do livro da minha vida.
Quem sabe, tenha valido de algo, afinal.
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Re: Memórias de Uma Suicida

Mensagem por Érica em Sex Abr 18, 2014 9:31 pm

COMO ISSO NÃO TINHA NENHUM COMENTÁRIO? isso é a perfeição em forma de texto
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