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Fragmentos de Uma Mente

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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Anonymus_fulano em Seg Out 22, 2012 10:11 pm

Miriam Salvatore escreveu:Sassinhora macabro
Se ela não é vampira é mutante ou psicopata kkkk
Mas eu adorei isso o modo como ela parece hipnotizar o Cristian que el não consegue mais entnder o que é certo e errado..
E o hot foi romantico
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Uhauhauhauhaua mutante? Essa é nova.Como sempre que bom que está gostando.
Bjusss
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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Anonymus_fulano em Seg Out 22, 2012 10:13 pm

Bom pessoal. Devido ao feriado acabou atrasando as coisas por aqui rs. Mas vamos ao capítulo 6.
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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Miriam Salvatore em Seg Out 29, 2012 9:37 am

O Senhor ... affraid
Quem era os carinha da ponte???
Nussa acho que Dayse despertou a raiva que Cristian tem do pai de proposito...
Nussa ele começam a transar ai derrpente ele ta no hospital Shocked
Cara agora to pensando sinceramente que a Dyse é uma coisa da mente dele e que ele é psicotico affraid

kkkk Poste mais logo ok
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Miriam Salvatore

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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Anonymus_fulano em Dom Dez 02, 2012 12:53 pm

Capítulo 07 - Um Lençol de Sangue
Spoiler:
Retomei a consciência, ouvindo uma voz bem baixa em meus ouvidos.

– Abra seus olhos devagar, você deve estar sensível à luz por ter passado tanto tempo dormindo.

Minha visão ainda estava meio turva, porém conseguia agora distinguir a figura de um médico ao meu lado.

– Como se sente? - Ele perguntou chegando um pouco mais perto.

– Pesado, quanto tempo eu passei desacordado?

O médico preparava o aparelho para tirar minha pressão enquanto conversávamos.

– Um dia inteiro meu rapaz... Você perdeu bastante sangue.

Virei minha cabeça para o lado oposto em silêncio.

– Não precisa falar nada agora, porém gostaria de conversar com você mais tarde. – O médico começou a apertar a bombinha para encher o aparelho de pressão - Seu pai o trouxe para cá sangrando muito e disse ter encontrado um estilete ao seu lado. Sei que não foi tentativa de suicídio já que você escolheu uma área não muito comum para fazer isso... Mas você fez isso sozinho?

– Não. - Respondi em um tom quase robótico.

– Certo, eu volto mais tarde, sua pressão esta normal.

A figura de jaleco branco deixou o quarto... Eu queria ver a Daisy... Adormeci novamente.

***

Acordei na hora da janta, uma sopa não muito quente entrava no meu quarto, trazida pelo médico que me examinou mais cedo.

– Acho que você, com certeza, está com fome. A propósito, sou o doutor Benz. - Armava a bandeja no meu colo para que eu pudesse comer.

Estava começando a ficar irritado com aquela presença, sabia que o interrogatório iria começar em breve. Ele sentou em uma cadeira ao lado da cama enquanto eu começara a comer. Realmente estava faminto.

Perguntas como onde eu estudo, o que gosto de fazer foram sendo feitas. Odeio pessoas que não vão direto ao assunto, sabia o que ele queria saber. Porém, não esperava pelo próximo movimento.

– Você não gosta muito do seu pai, não é Cristian?

A pergunta surgiu como um soco no meu estômago.

– É tão evidente assim? – O encarei com uma expressão meio desconcertada.

– Na verdade sim, eu conversei com ele há pouco. Ele me contou que vocês estão afastados... Porém, impossível não sentir o leve cheiro de álcool em seu hálito.

– Para variar...

O doutor chegou um pouco mais perto, percebi que seus cabelos loiros eram penteados com gel.

– No entanto, senti uma grande urgência na voz dele para te tirar daqui.

Olhei para o doutor confuso, será que nem que eu vivesse meu pai queria?

– Por quê?

– Não sei, queria que você me ajudasse com essa.

– Meu pai nunca ligou para mim, acredite, estou tão confuso quanto você. - dei mais uma colherada na sopa.

– É essa a razão desses cortes? Olha Cristian, tem algum deles que estão bem profundos, é um milagre você ter conseguido fazer o sangue coagular rápido o suficiente, vai ficar uma cicatriz feia. E se por um acaso foi seu pai que fez isso... Podemos ajudar...

– Não foi ele... - olhei para o antebraço e percebi que agora continha um curativo mais profissional.

– Então foi você?

– Cinqüenta por cento... - não acreditava que estava contando aquilo para aquele estranho, talvez ele tenha me ganho ao cogitar a possibilidade de prender meu pai.

O Dr. Benz relaxou na cadeira e começou a coçar a bochecha na altura da barba que não tinha.

– Cinqüenta por cento? Tem outra pessoa nisso tudo?

– Na verdade sim... Minha namorada.

– Ah! Era ela que, o enfermeiro me contou que você estava chamando?

– Deveria ser, não me lembro do que aconteceu enquanto estava aqui no hospital até o momento... - estava ficando envergonhado.

– Tesão?

– Mais ou menos... É um pouco mais complicado que isso... Acredite não posso explicar para não expor ela.

O doutor Benz se levantou, sentou ao meu lado na cama, fazia uma cara séria informando que o bate papo havia chegado ao fim.

– Olha Cristian, você parece um garoto inteligente então vou direto ao assunto com você. Batemos esse papo porque eu não posso liberar um paciente sem saber se os ferimentos causados nele foram feitos por terceiros, e neste caso poderia chamar a policia e mandar prender seu pai sob acusação de tentativa de assassinato. – fez uma pausa - E descobrindo que os ferimentos foram causados pelo próprio paciente por qualquer motivo que fosse, neste caso, tenho carta branca para te internar agora sobre alegação de problemas psíquicos e iniciar tratamento com você - me assustei muito.

O Doutor pareceu ter percebido e continuou logo em seguida.

– Mas como disse, pela região dos seus ferimentos você não tentou se matar, você apenas mantém uma relação sado masoquista com a sua namorada, então vamos fazer o seguinte. Fique uma semana sem cortes novos, e venha me ver. Quero bater um papo melhor com suas idéias mais no lugar. Ok?

Não havia percebido o quão forte estava segurando o lençol.

– Ok... – respondi.

O doutor deu um leve sorriso e começou a se levantar.

– Então vou preencher sua alta, seu pai já esta aí fora. A propósito, traga a sua namorada, gostaria muito de conhecer a garota que consegue fazer um homem se sacrificar tanto por ela, prometo não comentar nada com ela.

Assenti com a cabeça.

Quando estava já em frente à porta, parou novamente.

– Outra coisa Cristian ... Por que esta região da coxa? Tinha algo aí?

Olhava para minha coxa por cima das cobertas.

– Uma marca de nascença...

– Certo... Uma semana Cristian.

Ele nunca iria compreender o que eu sinto. Ele não conhecia a garota que eu amava.

Amanhã fará uma semana desde que esse episódio aconteceu.

***

Eu e meu pai andávamos pela rua do hospital, calados. Como não tínhamos carro, nosso principal meio de transporte era o ônibus, e em direção do ponto é que seguíamos.

Procurava ficar o mais distante possível dele, não sabia que tipo de atitude teria sobre mim, agora que achava que o filho era um desequilibrado. Andávamos até o ponto, distantes, tanto fisicamente quanto ao que aparentava, mentalmente. Uma sensação horrível não me deixava desde que acordei, tinha certeza que não tinha nada haver com o fato de quase ter morrido.

Ele decidiu romper o silêncio enquanto estávamos no ponto.

– Você está se sentindo bem? - perguntava sentado em um dos bancos na ponta direita do banco.

Eu apenas balancei a cabeça informando que sim, enquanto estava em outra extremidade do ponto.

– Não quer se sentar?

– Já disse que eu estou bem - minhas palavras saíram com raiva.

O efeito no meu pai foi imediato, fechou a cara e assumiu sua posição de arrogância como sempre.

– Desculpe, só estou tentando entender como eu abro a porta do quarto do meu filho e o encontro ensanguentado e inconsciente na sua cama.

Como sempre as palavras dele pesavam mais do que eu imaginava... Mas, minha perplexidade se deu por um fato que não tinha tomado consciência até agora...

Daisy não estava ao meu lado quando meu pai me encontrou. Um nó imediatamente se instalou na minha garganta.

Meu pai continuou.

– Por que diabos você está fazendo isto com você, Cristian? E me responda agora!

O nó não desapareceu, porém, fechei minha cara em uma expressão de raiva.

– Você quer saber isso agora! Quer saber de mim agora! Depois de todos esses anos!

Meu pai levantou tão rápido que parecia que ia levar todo o ponto junto.

– Olha aqui, nunca duvide da minha preocupação com você, seu moleque!

Colocou a mão em sua face, parecia controlar algo.

– Cristian... Eu não faço a mínima ideia do que passa na sua cabeça... Sei que os últimos anos foram difíceis... Mas eu nunca deixei de me preocupar com você, meu filho...

O ônibus estava chegando, ao fim da rua.

– Percebo esse seu zelo todo dia... Principalmente aqueles que você chega bêbado.

Percebi que ele não olhava para minha cara agora. O ônibus parou no ponto. Só tinha mais uma coisa para falar com meu pai.

– Fiz isso por um motivo simples... Encontrei alguém que me ama... E por favor, pegue o próximo ônibus.

Embarquei... Não olhei para como ele havia ficado depois da minha fala... Só percebi pela janela que ele sentou novamente com a mão em sua face.

***

Cheguei rapidamente em casa. Estava um pouco manco e por isso não pude sair correndo para o meu quarto, mas andei o mais rápido que pude. Não queria ver nada nem ninguém, só queria minha cama.

Subi as escadas, atravessei o pequeno corredor até meu quarto e me deparei com a cena que ia começar a mudar minha vida.

A quantidade de sangue que tinha em meu quarto era impressionante, facilmente poderia ser dito que alguém morrera ali. Tanto que parte do meu lençol ainda tinha sangue em estado líquido. Uma grande mancha que se iniciava na borda da cama podia ser vista claramente escorrendo ate o chão de taco do quarto. A distância que o sangue se afastou da cama era igualmente impressionante, seria possível dizer que eu fui arrastado alguns centímetros da cama e parei para sangrar e fazer uma nova poça. Só sei que isso não ocorreu porque achei o rastro de sangue que deixei quando meu pai me pegou, havia sido retirado pelo lado da frente da cama e fui claramente pingando sangue por todo o corredor.

Não acreditava que tinha sangrado aquilo tudo. Isso quer dizer que fiquei bastante tempo parado ali inconsciente... Quer dizer que a Daisy não fez nada esse tempo todo. Uma tristeza grande tomou conta de mim novamente.

Tentei retirar aqueles pensamentos da cabeça, não fazia a mínima ideia de como ia limpar aquilo tudo, decidi começar pelo lençol: lixo era seu destino. Arranquei-o rapidamente com a maior forca que pude, estava começando a ficar com nojo daquilo tudo.

Perguntei-me onde estava minha mãe.

Quando me virei me deparei com ela me olhando da porta. Os olhos cheios de lágrimas...

– Cristian meu filho, você esta bem?

Rapidamente ela veio me abraçar, ignorei completamente o lençol sujo, o soltei e retribui o abraço. Acho que era tudo que eu precisava, desabei a chorar.

Ficamos alguns minutos assim, até ela me afastar um pouco e afagar meu rosto.

– Cristian... O que houve para você fazer isso?

Não conseguia conter as lagrimas.

– Não sei... Não posso te contar...

– Meu filho, você sabe que pode me contar tudo. - sua voz era doce apesar do choro.

Não conseguia falar, voltei a abraçá-la com força.

Minha mãe continuava me abraçando e falou tão ternamente as próximas palavras que pareceram um suspiro.

– Por favor, tome mais cuidado com você mesmo. Você é um menino maravilhoso. Não se acabe ou se martirize deste jeito, pelo motivo que for.

Só consegui assentir com a cabeça enquanto a abraçava.

– Agora vamos... Vamos limpar essa sujeira. - minha mãe tentava me reanimar.

Desci levando o lençol ensanguentado. Enquanto o jogava no lixo na parte de trás de casa, minha mãe pegava produtos de limpeza diversos. Subimos de volta.

Eu simplesmente não sabia por onde começar, não sei se era o fato de ter sido o protagonista daquela cena ou se ainda estava sobre efeitos de remédios, mas estava desnorteado.

– Primeiro, coloque essas máscaras, esse cheiro está insuportável. - ela estendia uma máscara do tipo que carpinteiros amadores compram.

Olhei meio surpreso por ela parecer ter lido meus pensamentos.

– Desde quando temos máscaras aqui em casa?

– Ah, seu pai já teve um momento carpinteiro na vida.

Depois ela me passou um pano e um produto que não identifiquei. Começamos a esfregar o chão cada um de um lado.

Não estava fácil retirar aquilo tudo, o tempo havia fixado uma parte. Apesar disso, minha mente vagava em outro lugar... Como tudo que você fica remoendo, uma hora tem que colocar para fora.

– Mãe, você viu meu pai me retirar?

– Sim...

– Eu estava sozinho?

– Claro... Não deveria?

***

Conseguimos limpar boa parte daquela loucura. O quarto estava habitável novamente, apesar de não 100% limpo, pelo menos o odor de sangue em decomposição havia sumido.

A pergunta da minha mãe ficou no ar, não havia respondido. Porém, é claro que ela não ia se encerrar ali. Ela tentou uma segunda intervenção.

– Cristian... Sente-se aqui um minuto. – Ela dizia me puxando suavemente pelo braço em direção ao seu lado na cama.

– O que aconteceu para desencadear isso tudo dentro de você? – Sua face era serena como sempre.

Estava extremamente envergonhado, conversas com seus pais podem ser extremamente embaraçosas... Mas, quando o assunto envolve você ter se cortado e estar aparentando um doente mental, isso tudo vai para outro nível. Sentei-me ao seu lado, simplesmente não conseguido descrever o que se passava na minha mente nesta hora, eram tantos pensamentos tão rápidos. Sobre tudo e todos, surgiam em pequenos flashes, o que eu sentia na época vinha junto. Era como se minha mente estivesse despedaçada... Havia se tornado fragmentos...

A beijei na testa após o breve momento de paralisia.

– Desculpe minha mãe... Vou ficar te devendo a resposta para essa pergunta... Por mais estranho que isso soe agora, só segui meu coração.

Menti... A resposta sempre esteve na minha mente... Daisy...

***

Minha mãe não insistiu muito, acabei adormecendo nos seus braços. Após algumas horas acordei assustado, o vento berrava do lado de fora da minha janela, o tempo havia virado completamente. A ventania estava consideravelmente forte, as árvores se de gladiavam intensamente. O chiado das folhas se chocando era alto.

Fui fechar a janela... E então avistei a silhueta de uma garota. Estava de costa, seus cabelos chicoteavam ferozmente por causa do vento. Daisy permanecia imóvel como uma estaca fincada no meio do rio. Era como se tudo a sua volta colidisse entre si e ao redor dela.

Ela virou somente o rosto para traz, ajeitou o cabelo atrás da orelha e ficou me olhando. Os olhos verdes pareciam ter ganhado vida, seus cabelos tentavam entrar na frente deles, cobri-los, mas era impossível apagar a intensidade deles. Seu rosto era sério, não sorriu, não se moveu.

Decidi descer, precisava falar com ela. O ódio de vê-la ali... Imóvel... Como deveria ter ficado enquanto eu me esvaia em sangue.

– Qual o seu problema? – Gritei, percebi que minha voz era quase inaudível ao barulho do vento.

Ela apena se virou, a cabeça baixa. Seus longos cabelos chicoteavam no meu corpo agora devido à pequena distância que nos separava. Ela ergueu a cabeça, a expressão séria, seus olhos verdes brilhavam. Não falamos nada... O vento castigava nossos corpos... Nossas roupas se rendiam a sua força seguindo a direção que ele soprava.

Tive raiva da Daisy àquela hora... O que ela queria de mim? Ver se eu estava vivo... O problema de quando se ama é que a raiva é passageira, basta um gesto para mudar tudo...

Daisy chegou mais perto devagar, tocou meu rosto com a ponta dos dedos, sua boca permanecia semi aberta. Nos beijamos...

Foi intenso. Foi como se o vento seguisse nossas ações, quanto mais eu a apertava mais forte ele urrava, se debatia contra nós.

– Vamos subir, sim... – Daisy sugeriu. Assenti em seguida.

***

– O que você quer? – Me recostei na parede, a observava enquanto sentava na cama.

– Saber como você está... – Sua voz era baixa, porém havia certo tom de firmeza.

– Estou vivo... Está vendo?

Já ia abrir a porta da frente, estava me sentindo estranho com a presença dela. Era um misto de auto preservação... E uma vontade de deixar tudo para trás. Não prossegui muitos passos, as mãos de Daisy vieram ao encontro do meu braço rapidamente.

– Desculpe-me... Desculpe-me... Não era para ser assim... Não era para eu existir... Desculpe-me... – As lágrimas rolavam ressaltando as Iris verdes.

Meu coração sentia agonia.

– Sabe o que é pior... Saber que você me abandonou...

Daisy se assustou com minhas palavras.

– Não te abandonei... Se eu não tivesse batido na porta... Seu pai nunca iria subir...

Espanto, espanto foi com certeza a cara que eu fiz.

– Desculpa não ter ficado ao seu lado, Cristian... Mas, o que você queria que eu fizesse... Seu pai nunca ia me perdoar se me encontrasse aqui. Ninguém iria entender, teria que explicar a todos o que houve.

Paralisei, não sabia o que responder... Ela não havia me abandonado.

– Não queria que as coisas fossem assim... Eu te amo, Cristian... Eu te amo intensamente. Ver você inconsciente, foi a pior coisa do mundo, não queria que tivesse sido assim... Apenas imaginar em te perder já me dói.

– Fica comigo! – Daisy se jogou em cima de mim, estava aos prantos, chorava incontrolavelmente.

A abracei e percebi que chorava também. Eu amava a garota do broche de coração.

Não notei que ela pegou o estilete, ela me afastou um pouco, fez um grande corte abaixo do seu próprio ombro. Apenas observei. Ela pegou minha mão; meus dedos tateavam a ferida aberta vagarosamente. Ela forçou um pouco, eles foram entrando por debaixo da sua pele, fazendo relevos.

– Agora te tenho, debaixo da minha pele.

Abraçamos-nos, podia sentir meu coração batendo ternamente.

Capítulo 08 - Um nariz quebrado
Spoiler:

No dia seguinte, foi anunciado na TV que os ventos da noite passada foram atípicos e que os pesquisadores estavam buscando uma resposta para esse fenômeno, sem muito sucesso.

Os ventos não foram a única coisa sem explicação na noite passada...

Porém, hoje eu iria descobrir o porquê.

Encontramo-nos na manhã seguinte.

Expliquei para Daisy o que aconteceu no hospital, que precisávamos parar um pouco com nossas loucuras na cama. Ela assentiu sobre tudo, percebi que havia ficado perturbada à medida que ia evoluindo a história.

Ignorei.

No entanto, ela concordou com minha opinião, sempre dizia que queria meu bem. Decidimos dar um tempo de encontros no meu quarto. Voltamos à floresta aquela manhã, havia várias semanas que não visitávamos aquele lugar.

Estávamos andando por uma das estradas de chão que eram abertas para locomoção das pessoas por ali. Não era uma trilha pela largura e pela terra estar batida, era realmente uma estrada contendo até alguns postes antigos ao longo do seu percurso.

– Cristian... - Daisy se virou para mim, claramente tinha algo a me dizer, mas somente me deu um beijo no rosto e continuamos nossa caminhada, calados e de mãos dadas.

Quando eu descrevo aqui as vezes que eu e Daisy ficávamos calados, não era por que faltava assunto ou simplesmente não aguentávamos um ao outro... Era porque nada precisava ser dito. É estranho pensar nisso, mesmo sabendo agora o que a Daisy significava para mim, não consigo descrever o que sentia quando estava com ela. Era como se alguém me lesse, me entendesse sem eu pedir.

Naquele momento, lembro-me de ter olhado para o topo das árvores, elas dançavam suavemente, me fazendo perceber que um vento calmo e quente passava sobre nós. Olhei para Daisy, uma sensação transbordava por mim. Era um misto de vontade de agarrar ela ali e mantê-la só para mim, com um pouco de receio pelos acontecimentos recentes.

Ela apertou minha mão na mesma hora com um pouco de força.

Decidimos parar em uma árvore não muito longe da borda da estrada. Sentamos abraçados, tomei cuidado para não encostar no corte no braço dela ao passar meu braço pelas suas costas.

– Cristian... - ela olhou para meus olhos, tentando falar novamente - Você voltou diferente daquele hospital...

Olhei para ela confuso - Como assim, diferente?

– Não sei como te explicar... Só te sinto diferente - ela disse mexendo no broxe.

– Olha... Ele está rachado? - peguei no broxe enquanto ela também mexia, havia uma rachadura, pequena, mas perceptível nos fios de prata que se emaranhavam em volta do coração.

– Sim, rachou - Daisy assumira seu olhar distante.

– Também você não o tira nunca.

– Realmente... Já te disse que é para me lembrar de algo... - Daisy pareceu relaxar, deixou sua cabeça cair sobre meu peito - É para me lembrar de você...

– Como? - A dúvida não teve tempo de se instalar minha mente, ouvi imediatamente uma voz vinda da estrada.

– Cristian?!

Avistei a silhueta de um garoto acenando para nós, levei alguns segundos para reconhecer que era Sebastian, ele estudava comigo desde os primeiros anos. Levantei com Daisy abraçada ao meu braço, claramente a tensão tomava conta daquela garota novamente.

Não entendia. Ainda.

Cumprimentamo-nos com um sonoro aperto de mãos...

Os próximos acontecimentos seriam tão rápidos...

– E aí, está falando sozinho aí? - O garoto de cabelos negros raspados me perguntou em um tom de sarcasmo.

Daisy apertou meu braço com uma força extrema.

Sussurrou ao meu ouvido - Não deixa ele falar assim.

Uma fúria cega tomou conta de mim. Lembrei do primeiro pedido que Daisy me fez, era como se aquela parte de mim fosse ativada novamente.

Dei um empurrão em Sebastian quase urrando: - Está maluco? Como você fala isso?

O garoto que já apresentava uma musculatura bem desenvolvida se deslocou dois passos para trás, sua cara era de total espanto.

– Se eu estou maluco? Você que estava falando com o nada e eu que estou louco?

Olhei rapidamente para Daisy. Ela desviou seu olhar do meu. Ao virar sua face para esquerda com tamanha rapidez, foi possível perceber um par de lágrimas voando. Elas brilharam refletindo a luz do sol. Ouvi Daisy soluçar.

Vi Sebastian virando de costa, ele fez um sinal de adeus com dois dedos. Eu bufava de raiva, procurei a pedra mais próxima de mim. A atirei com o máximo de forca que consegui. O atingi na altura dos ombros. Ele se virou rapidamente, veio correndo em minha direção, seu punho estava cerrado. Acertou um grande soco em minha face, lembro muito bem do barulho oco do seu punho atingindo meu nariz.

Cai desacordado.

***

Ao abrir meus olhos, não fazia ideia de quanto tempo havia ficado desacordado. Minha cabeça estava em cima das coxas de Daisy, ela estava de joelhos, chorava muito.

– Desculpe Cristian, desculpe-me, desculpe... - ela soluçava incontrolavelmente.

– O que houve Daisy? Por que ele disse aquelas coisas? – falava com certa dificuldade.

– Não pense nisso agora, preciso te levar para casa, vamos, levante.

Daisy me ajudou a ficar de pé. Passou meu braço pelas suas costas e me ajudou a caminhar. Não trocamos uma palavra durante o caminho até minha casa. Estava desnorteado, além do soco, por causa do que havia acabado de fazer. Não me reconheci, nunca havia sentido tanto ódio.

***

Chegamos à frente da minha casa, minhas narinas ardiam como se estivessem queimando de dentro para foram. Daisy apenas estava do meu lado agora

– Desculpa, preciso ir.

Não tive tempo de reagir, no segundo seguinte ela havia batido em minha porta e saiu correndo pela estrada de volta. Estendi a mão, tentei gritar, mas foi inútil.

Meu pai atendeu.

– Mas que diabos aconteceu!?

O empurrei forçando minha entrada em casa.

– Não foi nada, somente caí.

– Caiu de um desfiladeiro, só se for isso! - Meu pai urrava, me agarrou forte pelo braço enquanto eu passava por ele.

Sua mão estalou ao agarrar meu braço. Arregalei os olhos com medo do seu próximo movimento. Ele me puxou, segurou minha cabeça com as duas mãos. Me debati, tentei empurrá-lo para longe. Era inútil! Meu pai tinha, pelo menos, três vezes o meu tamanho. O pânico tomou conta de mim. Ele pressionou os dois polegares contra a base do meu nariz.

– Isso vai doer.

Um estalar de ossos ressoou pelo cômodo que estávamos como um tiro. Gritei de dor, várias vezes, seguidamente. Foi como se meu osso estivesse exposto e se chocasse contra uma pedra.

Caí no chão, lágrimas nos meus olhos. Lembro-me de ter olhado para meu pai por um instante, havia um olhar de pena em sua face... Fazia anos que não via aquele olhar.

– Chega de médicos para você por um tempo. - Ele ia em direção à sala.

***

Fiquei o resto da tarde em meu quarto. Não conseguia fechar os olhos, parecia que estava em pânico por tudo que tinha acontecido. Meus sentimentos eram uma mistura, não conseguia sentir algo enquanto vasculhava minhas memórias sem que outros sentimentos fossem desencadeados. Dúvida, medo, ressentimento, raiva, angústia, tristeza, incredulidade. Todos me batiam como ondas em momentos diferentes.

Decidi me levantar da cama, tomar um banho... E depois, não sabia o que fazer.

Retirei minha roupa até ficar somente de cueca. A porta do meu armário estava mais uma vez aberta. O espelho foi minha primeira revelação. Avistei um Cristian bem diferente do que estava naquela mesma posição à frente deste mesmo espelho várias semanas atrás.

Meu rosto continha olheiras, estava pálido, cansado. A área ao redor e meu próprio nariz estava avermelhada, repleta de sangue pisado. Emagreci, os ossos da minha clavícula estavam mais aparentes. Um curativo se encontrava na área do meu antebraço esquerdo, decidi retirá-lo, revelando uma série de cortes. Alguns grandes quase da mesma largura do meu antebraço, outros menores, alguns cicatrizados, outros que quase amostravam minha carne. Um mosaico do horror... Das muitas noites que passei com a Daisy. Por fim, minha coxa. Um curativo também se encontrava agarrado ao mesmo. Esse retirei com mais cuidado, ainda sentia a dor do ferimento. Contemplei um pedaço de pele que não era minha, implantada, enrugada e lutando para se fixar ao resto da pele que me pertencia.

Se alguém de fora me visse naquele momento, facilmente diria que fui espancado e era justamente este o sentimento que eu tinha. Não pela minha aparência física, mas, pelos últimos acontecimentos. Ainda não os compreendia. Era como se surgido do nada alguém chegasse e me batesse com tanta força, que toda minha realidade fosse desconfigurada.

A noite começava a cair, virei meu rosto para avistar o pôr do sol pela janela. Ao voltar meus olhos para o espelho, avistei Daisy atrás de mim.

***

Silêncio.

A Daisy que me olhava parecia uma pessoa totalmente diferente.

Tinha o rosto sério, seus olhos verdes me fitavam pelo espelho. Parecia que havia perdido o jeito de garota. Parecia que havia amadurecido neste pouco tempo desde a última vez que a vi.

Tentei decifrá-la. Nossos olhos se encontravam através do espelho, procuravam um ao outro, se sustentavam. Cada detalhe daqueles olhos me pareciam novos. Eram os mesmos, ainda continham sua beleza estonteante, porém era como se os tivesse vendo pela primeira vez. Falhei ao tentar obter qualquer informação do que se passava em sua mente.

O broxe ainda estava sobre seu peito. As rachaduras tomavam conta dele todo agora, era como se fosse esfarelar-se ao primeiro toque. Assustei-me ao perceber.

Ela estava com as mãos para trás, apoiada na parede, imóvel. A tensão começou a se espalhar no ar como uma nuvem venenosa. O primeiro que começasse a falar desencadearia uma reação em cadeia destrutiva.

Fechei o curativo da coxa, levantei a calça e decidi começar.

– O que é você?

Nenhuma palavra.

Daisy virou a cabeça de lado. Seus cabelos seguiram seu movimento deslizando suavemente pelo seu pescoço. A graça ainda estava impressa em seus movimentos. Respondeu.

– Eu sou o que você quiser...

Obviamente não entendi, decidi me virar para conversamos olho a olho. Senti-me em um jogo de xadrez, como se cada movimento tivesse que ser calculado. Percebi que estava com medo... Medo de perdê-la.

– Como assim?

Ela jogou o corpo para frente deixando a parede. Seus passos eram lentos. Atravessou a cama por fora e ficou na minha frente.

– Eu... - Daisy falava suavemente - Não existo, Cristian... Eu sou a sua imaginação...

Dei uma risada de incredulidade, virei meu rosto.

Negação.

Não poderia ter sentindo o que senti por alguém que não existe. Era algo tão forte, tão vivo. Algo que mexia com cada célula do meu corpo. Havia momentos que tudo que eu queria era olhar naqueles olhos verdes, me perder no reflexo do sol em sua íris e dizer... Eu te amo.

Não poderia não ser real isso tudo... Ou poderia?

– Sou aquilo que você mais deseja... Sou sua escapatória... Sou sua desculpa... – Daisy brincava com as pontas dos dedos no broxe em frangalhos.

Cada palavra era como um novo martelar na estaca que estava em meu coração agora.

– Não é possível... Eu te sinto... – Disse, virando novamente para ela.

– Sim... O seu desejo por alguém era tão forte... Que me criou a ponto de você me sentir.

Ela continuava, havia perdido qualquer traço de sentimento em sua voz.

– Cristian, sei que o que vou te falar será difícil, porém tudo chegou a um ponto que é necessário que as coisas sejam ditas.

A puxei para perto rapidamente, não queria que ela continuasse.

– Pára! Eu quero você, não me importa como, eu quero você. – Daisy me olhava, lágrimas começavam a escorrer dos seus olhos. – Viu! Você também me quer, estas lágrimas são as provas, você está chorando.

Daisy abaixou um pouco o rosto: – Não, Cristian... – Pegou devagar a minha mão, a ergueu a altura dos meus olhos. – É você quem está.

Eu estava chorando, não havia percebido. Fiquei surpreso, não consegui mais pronunciar nenhuma palavra.

Entorpecido.

Agora o mundo poderia explodir ao meu redor. Uma onda de choque poderia me acertar fazendo meu corpo reverberar e se dobrar da maneira que eu não imaginaria. Nada me tiraria da inércia. Não estava acreditando no que estava acontecendo, no que eu estava vivendo e o que eu estava ouvindo.

Daisy continuava parada na minha frente... Uma visão tão bela... Irreal.

Ela aproveitou para retomar do ponto que havia parado. Ao contrário de mim, parecia não medir seu movimentos. Cada gesto seu, cada simples levantada de mão, era feita com tamanha graça.

– Tudo que aconteceu até agora, foi você quem fez. Eu sou apenas uma ilusão. Seu desejo por algo diferente, para se soltar desse mundo você me criou. Sou a personificação dos seus desejos, resposta para suas angústias.

Apesar do entorpecimento, tentei reagir, contradizê-la.

– Como essas cicatrizes podem ser falsas? – levantei o braço – Cada beijo nosso, cada toque na sua pele macia, cada onda de calor que eu sentia ao olhar nos seus olhos?

Daisy abaixou a cabeça, seus cabelos cobriram qualquer traço da pele na sua face. Levantou apenas um pouco deixando sua boca à vista, um sorriso no canto da sua boca apareceu.

– Sendo... Eu estou segurando a sua mão desde que cheguei perto de você e você simplesmente não sentiu.

Olhei rapidamente para minha mão, a mão de Daisy estava por cima, tentava em vão apertar a minha.

– Sua menta já está ciente de que eu não existo... – Ela disse largando da minha mão.

As lágrimas se intensificaram no meu rosto. Daisy não parou, as lágrimas no rosto dela também aumentavam.

– Tudo que... “Vivemos”, acho que posso por assim... De alguma maneira foi criado... Desejado... E vivido por você mesmo...

– Pára! – Esbravejei – Por favor, pára! Daisy, eu preciso de você... Você foi a melhor coisa que aconteceu para mim... Você não tem ideia do tamanho do amor que sinto por você...

– Na verdade... Cristian... Eu sei. É tão grande que fez a mim mesmo sendo sua imaginação... Me sentir viva... E também me apaixonar intensamente por você... – Daisy assumiria para mim, pela última vez, seu olhar ao longe.

Desabei, não conseguia mais falar, as lágrimas e o desespero tomavam conta de mim. Queria abraçar, beijar intensamente a Daisy, ouvir que tudo o que foi dito ia ser esquecido... Porém agora algo dentro de mim me segurava.

– Apesar desse amor tão intenso que tenho por você Cristian... Estou te fazendo mal. Seus desejos autodestrutivos que se emanam através de mim estão acabando com você. Eu estou te fazendo mal. – Daisy segurou seu próprio braço esquerdo com a mão direita, assumira uma posição de insegurança.

– Não! Eu não me importo Daisy! Eu faria tudo de novo quantas vezes você pedisse para estar ao seu lado... Você me faz bem, fazia anos que não sentia vontade de me entregar plenamente a alguém. – minha respiração era ofegante.

Daisy acariciou meu rosto.

– Não, Cristian... Se você realmente não se importasse, sua própria mente não teria o desejo de dar um basta nisso tudo. E no entanto eu estou aqui para dizer que você nunca mais irá me ver...

– Não! Não, Daisy... Quero você...

Percebia no rosto de Daisy que ela realmente sentia minha angústia... Era meu próprio rosto.

Daisy começou a andar em direção a janela.

– Cristian... - Daisy virou somente sua cabeça para olhar para mim, contorcia seu tronco para me olhar.

Olhei bem nos fundos dos seus olhos. Aquele verde intenso corroía minha alma, eles estavam trêmulos. Era a última vez que os veria, tenho essa cena tão perfeita cravada em minha mente até hoje.

– Adeus... Cuide-se. – Pulou por ela.

– Não! Não! Não! – Eu gritava repetindo sem parar. Corri para a janela. Não havia ninguém lá em baixo.

Continuava gritando em negação. Caí de joelhos. As lágrimas no meu rosto deformado por causa da dor. Apertava meu peito... Era como se estivesse sendo pressionado, rodeado por uma pressão monstruosa. Batia contra ele, amassava minhas roupas.

Minha mãe entrou rapidamente no quarto.

– Cristian, o que houve? – Ela também chorava. – O que está acontecendo?

Não respondi. Deixei meu corpo cair no chão, só conseguia chorar.

Você está apaixonado pela sua própria imaginação... Não há problema... Porque eu a quero tanto...

Capítulo 09 - Uma carta
Spoiler:

Abri meus olhos vagarosamente na manhã seguinte. Meu corpo se recusava a me obedecer. Estava imóvel, fixo a meu colchão como se a gravidade fosse mais forte naquele lugar. Os raios de sol penetravam fortes e vivos pela janela semiaberta. Dividiam-se e podiam ser vistos claramente como lâminas.

Meus olhos ardiam, estavam pesados. Acordei com a sensação de que uma guerra havia acontecido na noite anterior. Meu corpo estava doía como se tivesse feito um esforço sobre-humano. Minha mente tentava se ajeitar a realidade.

Ela não existia... A garota que eu amava não existia.

Meus olhos reviravam o quarto, tentava lembrar a noite anterior.

Daisy... Sumira.

Lembrava-me de minha mãe entrar após meus gritos de negação. Tentou entender o que acontecia, tentou me acalmar. Mas era impossível. Por mais que ela perguntasse o que aconteceu, que eu precisava me acalmar, eu não conseguia fazer o que me pedia. As lágrimas, o desespero, a revolta, eram as únicas coisas que passavam na minha mente. Meu choro e ranger de dentes eram sufocantes. Puxava o ar constantemente enquanto tentava inutilmente limpar as lagrimas do meu rosto molhado.

Então foi a vez do meu pai.

Imediatamente, quando minha mãe o avistou na porta do meu quarto, foi correndo para seu encontro. Ela o suplicava calma, compreensão. Ele começou a avançar quarto adentro devagar, passo a passo. As suas súplicas eram inúteis, ele seguia seu curso até mim a ignorando, quase a arrastando ao impor sua presença.

Minhas lágrimas já haviam diminuído em intensidade, o silêncio já havia voltado a habitar aquele cômodo. Uma voz séria e abafada surgiu no meio da cena confusa.

– O que houve? - ele me questionava agora parado em minha frente.

Não respondi, não conseguia. Estava entorpecido, meu cérebro ainda não conseguia processar os últimos acontecimentos.

– Vamos, me diga o que houve. - tinha um pouco de fúria em sua voz agora.

Ele me agarrou pelo braço, me ergueu. Seu rosto agora estava a alguns centímetros do meu. Minhas narinas inalaram o leve odor de álcool, apesar de não surtir qualquer efeito em mim.

– Você tem que aprender a se levantar... Independente de qual foi o motivo por ter caído.

Minha cabeça apenas pendia para frente.

Poucas vezes, de uns tempos para cá, eu vi meu pai ter algum gesto de complacência com alguém. Principalmente comigo. Agora era tarde demais, não ia começar a escutá-lo. Dessa vez não por mágoa ou raiva... Mas porque, o que ele pedia... Era muito para mim

Ele me largou. Deixou o quarto. Foi a última vez que o vi até hoje.

***

Meu quarto se tornou mais um dedo na ferida aberta que agora habitava em meu peito. Inúmeras memórias dividiam espaço com meus móveis. Passei muitos dias com Daisy naquele cômodo.

Na verdade... Muitos dias eu passei ali. Era triste lembrar essa realidade.

Não conseguia mais ficar lá. As cortinas grossas agora pareciam ter assumido a função de me sufocar. A cama, o espelho, até mesmo o estilete, tudo parecia banhado pela minha insanidade. Decidi que precisava sair... Precisava fugir de mim mesmo.

Avancei porta afora de casa sem nenhum destino, sem saber ao certo o que procurava. O que deveria fazer agora.

Apenas comecei a caminhar.

Encontrei uma manhã ensolarada do lado de fora. O dia claro era totalmente incompatível com o que eu sentia. Mesmo assim, me deixei vagar junto aos meus pensamentos.

O rio. Uma memória de como ele era passou, rasgando meus pensamentos. Ele acabou se tornando meu destino. Ali foi a primeira vez que a vi. Linda e intocável. Pelo menos na minha mente distorcida. Tudo fruto da minha imaginação...

Não corri, não acelerei o passo. Deixei o sol que, após alguns minutos começou a castigar minha pele, me acompanhasse na caminhada.

Estava agora no mesmo local onde a avistara. Uma onda de nostalgia se espalhou como uma droga injetada diretamente na veia. Seus olhos verdes vieram à minha mente. Lembrei-me exatamente de como me sentira quando a vi pela primeira vez. Meus olhos se encheram de lágrimas. Minhas memórias eram reais, era como se mais uma vez Daisy passasse ao meu lado.

Eu precisava de mais...

Corri para a beira do rio. Já estivera tantas vezes naquele lugar que estava sendo como reencontrar um velho amigo... Lembranças... Eu queria mais. Estava tudo do mesmo jeito. Era como se o tempo tivesse tirado uma foto e a guardado com extremo zelo. Os intensos raios de sol batiam na água, fazendo-a cintilar. Comecei a seguir até a pilastra da ponte, através do tapete de pedras. Meu peito começava a apertar a cada passo. Eu sentia extremas saudades da Daisy. Apesar de ser tudo imaginação, ou justamente por esse motivo, era como se uma parte do meu corpo houvesse sido dilacerada. Continuei acompanhado do fraco barulho de atrito das pedras abaixo dos meus pés.

Calmaria.

Foi tudo o que encontrei ao apoiar meu corpo na base da pilastra. Apenas o barulho do curso do rio seguindo seu fluxo ao fundo.

Tomei ciência de que estava em pedaços, tantos que não seria possível quantificar. Não sabia o que fazer, para onde seguir... Só conseguia me lembrar dela.

Nostalgia.
Comecei a me lembrar do nosso primeiro beijo. Seus lábios macios e delicados de encontro ao meu. O simples fato de a minha boca encostar na dela liberava uma reação em cadeia que fazia todo meu corpo vibrar. Nossas bocas se movendo lentamente me davam a sensação de paz. Ao mesmo tempo aquela sede. A sede de querer mais e mais estar ao lado dela. A cada movimento compassado de nossas bocas a apertar e senti-la mais.

Lembrei que tinha uma marca que demonstraria que tudo foi real. Levantei uma das longas mangas da blusa que usava e depois abaixei um pouco as ataduras que cobriam grande parte do meu antebraço. Lá encontrei o sulco que se formou devido ao choque dele contra aquela mesma base que me apoiava agora.

Seria a prova inegável para todos que aquilo tudo aconteceu... Se eu não fosse a única parte real disso tudo.

Então de repente lembrei-me de seu perfume. Foi como se o tempo ao meu redor se acelerasse. Eu estava sentindo o cheiro de seu perfume.

Fiquei perplexo.

Agora era como se ela estivesse perto e todo ar estivesse inebriado pelo seu cheiro.

Mais uma dose de nostalgia... Meu coração acelerou... Precisava de mais.

Saí correndo de volta à estrada. Estava agitado, a calma escapara de mim. Peguei impulso para correr após parar no fim da ponte. A floresta estava a apenas alguns metros. Tinha a ideia na cabeça de que procurava algo. Não sabia o que ao certo, mas era algo que me fizesse lembrar ela. Corria. O mais rápido que conseguia. Com um senso de urgência de uma catástrofe iminente, o que aconteceria por procurar resquícios da existência da minha mente. Enquanto me deslocava até a floresta, diversos flashes de Daisy apareciam e desapareciam com igual velocidade a que eu corria.

Um sorriso. Um olhar. Seu cabelo. Seus lábios. Sua roupa. Seu broche... Seus olhos.

Apesar de como sempre, aquele local estar vazio, meus sentidos ficaram atentos para detectar a presença de alguém. Não que fossem me oferecer algum perigo, mas era ela quem eu esperava encontrar.

Tive que parar e me apoiar em um dos postes que estavam na estrada de terra para recuperar o fôlego. Por mais que minha mente houvesse disparado, as leis da física ainda eram totalmente aplicáveis a mim. Ofegava tentando recuperar o fôlego.

Comecei a entrar no emaranhado de árvores. Não sentia mais o perfume dela, o cheiro da floresta era dominante agora. Caminhava lentamente, deslizando as mãos pelos diversos tipos de troncos que rodeavam meu caminho.

Alguns metros à frente, deixei meu corpo cair na mata rasteira, a face para cima. Decidi fechar os olhos. Uma brisa bem fraca começou a soprar e a pedir passagem pelas árvores. Algumas folhas levantaram, seguindo a direção do vento que me transpassava, elas arrastavam lentamente em meu rosto.

Lembrei-me do seu toque. Como era leve, delicado.

Mais uma dose de lembranças...

Achava que algo iria acontecer, que poderia ver a Daisy mais uma vez, que pudesse a invocar novamente de fundo da minha mente. Mas, não, após alguns minutos, nada aconteceu. O vento cessou, o silêncio voltou a habitar aquele lugar e meu corpo também se acalmou. O efeito da última dose também cessara.

Você não consegue mais ver o quanto te quero?

Nada mais fazia sentido. Era como eu tivesse acordado naquela manhã em outro mundo.

Decidi continuar minha caminhada novamente sem rumo.

***

Pessoas.

Toneladas delas se espalhavam em algo que se assemelhava a um tapete interminável que se estendia a minha frente. Havia chegado ao início do centro comercial daquela região. Não havia me dado conta do quanto havia caminhado... Na verdade, isso não me importava nem um pouco.

O sol havia ficado mais forte. Estava chegando ao meio daquele dia. Decidi entrar e me misturar àquela cena.

Fazia tempos que não botava os pés ali. A principal característica que me lembrava daquele lugar era que tudo parecia ser marrom. Isso se devia à maioria dos prédios serem antigos e feitos de tijolos sem nenhum acabamento extra por fora. Grandes, pequenos, todos reforçavam aquela cor predominante devido aos tijolos industriais. Mais as coisas haviam mudado um pouco, alguns novos edifícios haviam sido erguidos. Perto da entrada agora havia uma Apple Store com suas largas vidraças que deixavam todo seu interior ser visto claramente. Uma pizzaria nova aqui, uma loja de marca mais à frente. Caminhava entre a multidão percebendo essas sutis mudanças.

Multidão. Meu lado pensativo se agarrou a essa palavra de repente. Elas passavam sem se importar pelos meus flancos. Eu permanecia imóvel e a cena que vinha em minha mente era igual àquela clássica de filmes, onde uma pessoa parece ter sido congelada no tempo e todos passam a seu redor acima da velocidade normal.

Milhares.

Não é possível vê-las completamente, somente vultos.

Sempre pensei que isso era um clichê, mas era real naquela hora, era como eu realmente me sentia. Parado no tempo, mas, acima de tudo, invisível a todos. Devia ser por isso que eu amava tanto a Daisy... Éramos invisíveis para todos, a não ser para nós mesmos.

Decidi seguir rua acima, tentando desviar de todos andando junto às vitrines. Prestava atenção somente ao chão, passo a passo, pé direito passando o pé esquerdo. O chão mudava de tempos em tempos.

Não sei ao certo o porquê, mas comecei a pensar, a cair na real para ser exato, que realmente nunca mais veria a Daisy. Nunca mais poderia tocar a sua pele, ouvir a sua voz, brincar com minhas mãos por seus cabelos... Nunca mais veria seus olhos verdes. Uma sensação de solidão intensa começou a surgir do centro de mim. Era como se todo meu corpo começasse a se concentrar em um ponto de agonia no centro do meu peito. Esse sentimento começava a me desencadear pânico.

Nunca mais...

Cambaleei um pouco desnorteado.

Lembrando agora eu não sei o porquê, mas parecia que algo me mandava olhar para frente naquele momento.

Era uma loja pequena. Fora construída para lembrar uma casa, mas a fachada era composta por uma vidraça que ia mais ou menos do teto a altura de meus joelhos. A vitrine amontoava uma série de objetos. Estes conseguiam estar ao mesmo tempo aglomerados e dispostos perfeitamente sem sobreposição de um sobre o outro. Era uma loja de antiguidades.

Bonecas de gesso, vitrolas, relógios, joias...

Um pouco à esquerda, havia um pequeno pedestal, localizado bem perto do vidro. Estava com os olhos fixos nele desde que havia chegado. Corri para perto do vidro. Se pudesse, apertava minha cara contra ele para ter certeza que não era mais uma ilusão.

Um broche de coração, vermelho vivo, com fios de prata envolvendo-o, jazia naquele pedestal.

Insanidade.

Não acreditava que estava vendo aquilo. Queria entrar, mas a loja estava fechada. Não acreditava em mais nada que via, tentava me afastar daquilo tudo andando para trás.

O que está acontecendo, o que isso quer dizer? Por que não consigo desligar minha mente?

Agora era como se o mundo ao meu redor começasse a se distorcer. Uma sinfonia igualmente distorcia brotava em minha mente, como se desse a trilha perfeita para meu delírio.

Até que tudo parou. Perdi o ar. A incredulidade tomava conta de qualquer pensamento remanescente. Por entre o espaço de duas pessoas que caminhavam, eu os vi.

Um par de olhos verdes.

Eles não me viram, não olhavam em minha direção. Apenas piscaram ainda em câmera lenta e sua dona começou a virar as costas.

Agora tudo se movia rápido demais, inclusive eu. Corri desesperado em direção àqueles olhos. Não estavam lá. Virei-me, olhava em todas as direções tentando encontrá-los novamente.

É ela...

Um ritmo alucinado tomava conta de mim. Corria, passava por meio de pessoas, procurava-a em cada espaço. Tudo girava ao meu redor, não via mais ninguém, só borrões. As pessoas a minha volta pareciam o mar, eram infinitas, se estendiam para todas as direções as quais eu não conseguia identificar onde terminavam. Minha respiração estava acelerada. Espremia meu corpo tentando abrir caminho por entre a multidão.

Por fim, desisti... Caí de joelhos sem esperanças.

Silêncio... O som devia ser ensurdecedor naquele momento, mas eu não escutava nada.

Lágrimas escorriam dos meus olhos.

Eu a perdi...

Não sabia o que fazer, só queria me tacar ao solo e chorar, tentar afastar essa dor que se implantava em meu peito novamente. O ar me faltava.

Até que os vi, incrédulo, aquele par de olhos verdes estava a minha frente agora. Olhavam para mim. Só que agora sua dona tinha os cabelos totalmente brancos.

– Cristian?

Porque a Layla me lembrava tanto da Daisy? A semelhança entre as duas estava me assombrando mais uma vez.

Mas talvez eu tivesse feito a pergunta errada a mim mesmo. Não era a Layla que me lembrava da Daisy... E sim a Daisy que me lembrava da Layla. Pela primeira vez em tempos, a lógica ocupava a minha mente agora. Um pouco de nexo em acontecimentos aparentemente inexplicáveis.

A semelhança me incomodou um pouco naquele momento... Talvez ela fosse o mais real que eu pudesse chegar da Daisy... De mim mesmo.

– Está tudo bem? Por que as lágrimas? Está machucado? - ela perguntava, ajoelhando à minha frente.

Mais do que você imagina.

– Não é nada - não percebi, mas meu coração acelerou ao perceber a proximidade de nós dois.

Silêncio. Ela me olhava calmamente. E aí sorriu.

– Vamos, levante daí então.

Estava desnorteado com Layla à minha frente. Percebia que seus lábios se moviam, mas não escutava sua voz. No seu lugar, aquela mesma sinfonia distorcida de antes começava a tocar.

– Cristian, tudo bem aí? - ela parou repentinamente ainda ali, nossos corpos quase se chocaram.

– Ah, sim, sim. Desculpe-me, estava com a cabeça em outro lugar.

Mais um sorriso.

– Estou percebendo. Você está passando bem? Pensei que tivesse passando mal lá no chão.

Havia corado um pouco ao me imaginar na visão dela.

– Não, está tudo bem... É só o calor, eu acho...

– Ah, então vamos tomar um sorvete! - agora aquela pequena garota me arrastava pelo meio da multidão quase correndo, me puxando pelo braço.

Espontaneidade. Essa era a melhor palavras para descrevê-la. Conhecia a Layla desde criança. Pouquíssimas vezes a vi triste. Nas minhas recordações, ela sempre estava sorrindo. E sempre me sentia mais leve quando estava com ela... Crianças.

Senti algo com um gosto de lembrança. Layla antigamente quase que tinha um poder sobre mim. Ela me dava a capacidade de esquecer o mundo ao meu redor, de me fazer sentir como se eu não fosse só um garoto tímido, que eu podia ter minhas próprias histórias, bancar uma de louco, simplesmente viver... Mas esse sentimento se foi tão rápido quanto veio... Eu estava em frangalhos sem poder me sentir daquele jeito naquele momento.

Estávamos em um daqueles pequenos quiosques do Mc Donald’s que só vendiam os sorvetes.

– Duas casquinhas mistas, por favor! – Layla conseguia expressar levemente grande excitação na voz.

Ela ainda lembra.

– Toma! Para tentar melhora essa sua cara.

Estava desnorteado, começava a responder tudo no automático.

– Ah... Obrigado...

Por que isso tudo, mente? Por que querer brincar mais comigo a essa altura?

– Bem, vamos caminhar um pouco... Como andam as coisas? – a garota dos cabelos brancos dava uma pequena lambida em seu sorvete enquanto me perguntava.

Andamos alguns minutos até nossos sorvetes serem terminados lado a lado. Eu falava pouco, deixava que as respostas mais elaboradas de Layla preenchessem o vazio.

Até que paramos de repente.

– Ei... Você lembra o que tem aqui perto? – Layla me olha com os olhos verdes brilhando.

– Claro que lembro... Faz tempo...

E, quando percebi, estava sendo arrastado novamente. Dessa vez, sabia exatamente o caminho. Passamos algumas ruas à direita e avistamos o grande conjunto de prédios comerciais. Entramos no pequeno espaço entre dois prédios mais à frente. O espaço estreito servia de caminho para uma área comum entre eles. Pela altura dos prédios, a luz do sol mal penetrava ali e, por causa da tubulação, era bem úmido. Era o melhor lugar para se refrescar naquela região.

– Quanto tempo não vinha aqui... – Layla girava com os braços abertos.

Não avancei muito. Parei e encostei-me a uma das paredes. Layla percebeu e retirou o sorriso da cara. Decidiu ir para o lado oposto e sentar em cima de uma lixeira daquela que parecem um container.

– Cristian... Sinto saudades daquela época...

Alguns flashes passaram rapidamente na minha mente. Eu e Layla brincando, correndo um atrás do outro. Minha mãe sorrindo mandando a gente entrar porque o lanche estava pronto. Meu coração batendo disparadamente alguns anos depois enquanto olhava nos olhos dela.

– É... Eu também... Mas o tempo avança em uma linha reta, não dá para voltar atrás – Dizia um pouco sem graça pelas minhas lembranças.

Layla retomava seu sorriso.

– Sim! Claro que não volta. Mas isso talvez seja o mais legal dele... Ele pode não voltar... Mas nos oferece uma nova chance a cada dia baseado no que vivemos.

Chance...

– Ou não...

– Cristian... O que está acontecendo com você? – Layla levantou com um pulo da onde estava sentada.

Dei um passo para trás. Não queria qualquer contato com ninguém. Porém, nossos olhos se encontraram. Apesar de um pouco distantes, conseguia ver seus detalhes. Seus olhos davam-me uma sensação de déjà vu, porém percebi que não eram da mesma tonalidade dos de Daisy.

Eram como uma versão com um pouco menos de brilho... Infinitamente mais reais.

– Desculpe, não estou muito bem. – tentava abaixar a cabeça, mas a sensação de déjà vu aumentou, agora se misturara com minhas verdadeiras lembranças.

– Eu percebi... Mas... Vamos conversar, me conte o que está acontecendo... – o olhar dela se tomou de emoção subitamente.

– Desculpe, Layla... Mas não... Eu não tenho mais salvação.

Não aguentava mais ficar ali. Não por causa da Layla e o fato de ela querer me ajudar. Mas por estar lembrando Daisy desde que colocara os olhos nela, por saber que elas não eram a mesma e que nunca mais iria vê-la.

Saí correndo, aquilo tudo era sufocante. Deixei Layla sozinha e não olhei para trás.

Daisy. Layla. Meu pai. Minha vida. Minha mãe. Meu colégio. O rio. A ponte. A floresta. Meus amigos. Meu passado. Meu presente. Tudo começava a passar em minha mente em flashes enquanto eu corria. Não procurava pensar em nada, deixei que meu cérebro mostrasse o que quisesse.

Olhos verdes.

Um sorriso.

Um beijo.

Lembrei-me dos seus lábios encostando-se aos meus pela primeira vez. Ela havia me desmontado por dentro. Sentia-me leve.

Como isso não pode ser real?

Sentia-me como se tivesse sido aberto ao meio. Meu peito fora aberto e era possível escutar minhas costelas se partindo. Doía, estava exposto. Minha insanidade me distorcia ao me imaginar naquela cena. Daisy vinha caminhando lentamente, todo seu rosto estava coberto pelas sombras, somente seus olhos verdes, brilhando como pedras recém-lapidadas podiam ser vistos. Ela se ajoelhava me olhando nos olhos. Com um toque, lentamente, inseria seus dedos delicados pela cavidade e apertava meu peito.

Chacoalhei a cabeça, tentando afastar minha imaginação.

Foram diversos dias ao lado daquela pessoa. Foram dias em que realmente me senti feliz. Que, por um breve momento, pensei que não morreria sozinho, que talvez existisse alguém que me compreendesse, alguém com que eu quisesse estar junto.

Tudo invenção da minha mente.

Sinto saudades de você, Daisy... Sinto muitas saudades.

Não aguentava mais, as lágrimas começaram a rolar dos meus olhos, vagarosamente, se intensificando a cada segundo.

Eu te amo, Daisy...

Ela não estava lá para ouvir isso, nunca estaria. Mas eu não queria acreditar nisso. Percebi que meu coração doía, não literalmente, mas era como se o estivessem apertando. Eu ainda não queria acreditar naquele momento que nunca a teria.

Lembrei-me do dia em que a vi, de como estava me sentindo. Minhas asas negras voltaram a mim. Dessa vez me envolviam enquanto eu me encolhia no chão. Eu estava sozinho novamente. O mundo não me via...

A pessoa perfeita para mim... Não existia.

****

Voltei a correr. Não sabia onde estava, mas tudo que queria era chegar em casa. Não queria me esquecer daquilo tudo que havia vivido. Foi ali que decidi escrever essa carta. Tentaria mais uma vez antes disso ver a Daisy novamente.

Era como se ela tivesse acabado de sussurrar em minha mente... Se corte para mim.

Abri a porta da frente, empurrando-a enquanto partia em disparada escada acima. Não percebi se tinha alguém em casa. Meus passos eram pesados e faziam um grande barulho contra o piso de madeira. A porta do meu quarto foi aberta com a mesma força. Joguei tudo que estava em cima da minha escrivaninha para o chão.

Achei o estilete.

Apoiei meu braço esquerdo em cima daquela pequena mesa. O direito fez a lâmina deslizar para fora da proteção plástica. Minha respiração era ofegante. A ponta da lâmina fria encontrou minha pela na parte mais musculosa do meu antebraço. Meus pelos se arrepiaram.

Fechei meus olhos...

Num único movimento, abri minha pele de quase do início do meu antebraço até o meio. Dor. Uma dor angustiante tomou conta de mim, me fez tremer. Eu uivei de dor imediatamente. Ela era grande, nunca havia sentido nada igual. Passei mal, quase vomitei. Comecei a apertar meu músculo na tentativa de estancar o sangramento. O cômodo girou à minha volta.

Cambaleando, consegui chegar ao banheiro. Abri o chuveiro e deixei a água banhar o ferimento. O sangue caía junto com a água para o ralo. Corri para o armário que ficava de baixo da pia. Peguei o grande rolo de bandagens que deixava ali. Consegui aplicar um torniquete, a ferida era extensa para conseguir parar de sangrar sozinha. Rapidamente enfaixei tudo.

Deixei meu corpo cair no chão ligeiramente mais aliviado.

O que eu fiz?

Quando eu fazia esse tipo de coisa com a Daisy, nunca sentia uma dor tão forte, mas dessa vez realmente achei que iria morrer.

Daisy não voltaria, nada mais seria como antes. Essa era apenas a realidade me dando um tapa na cara e tentando me acordar.

Era por isso que ela havia alegado que estava me fazendo mal... Me autodestruindo... O sumiço dela foi só um sistema de defesa do meu corpo. Tive vontade de gritar que não me importava... Que a falta dela era a maior das feridas e que eu já não conseguia suportar mais.

Tudo que eu queria era que ela entrasse pela janela uma última vez.

Saí do banheiro. Cansado, larguei meu corpo na cadeira à frente da escrivaninha. Com um pouco de dificuldade, peguei algumas folhas do chão e uma lapiseira.

***

Estou nesse quarto há alguns dias, ninguém parece notar muito minha falta. Tentei ao máximo detalhar e relembrar o que eu vivi e o que eu senti desde que vi aquela garota com um broche de coração.

Peço desculpas à minha mãe... Não sei se ela merece isso.

Está impossível para mim. Eu quero tanto a Daisy, abriria mão da minha própria alma para que pudesse ver ela mais uma vez... Mas ela não existe.

Desde que comecei a escrever, tomei essa decisão.

Eu o estou vendo, está do meu lado. Nesse momento, tenho o broche de coração ao lado dessas páginas, estarei segurando ele.

Por ele ter reaparecido, acho que o que estou fazendo está certo ao final de tudo.

Daisy... Saiba que, por mais que você não exista... Você foi capaz de despertar o máximo que eu pude amar uma pessoa.

Cristian.

***

O quarto está claro devido à luz das janelas que estavam abertas pela manhã após muito tempo.

O garoto, agora magro, ajeita o chumaço de folhas. Para um minuto para admirar sua obra recém-criada. Ele tem a face triste apesar de tudo.

Ele pega algo do lado das folhas. Puxa a cadeira alguns centímetros para trás. Ela parece ficar no centro do quarto. Está tudo muito quieto agora, como se um pouco de paz pudesse penetrar na mente retalhada dele. Tudo que ele deseja é descansar.

O garoto sobe em cima da cadeira. Respira fundo mais uma vez... O tempo parou para ele.

Um estouro de uma cadeira encontrando o chão.

Um estalo de um pescoço se quebrando.

Silêncio...

As mãos do garoto se abrem lentamente... Elas estão vazias.

***

Um caixão negro se encontra no meio do altar. Um senhor chora desesperadamente apertando o cadáver.

Um grupo de familiares chega perto para tentar consolá-lo.

– Calma... Não há nada que você podia ter feito... – uma senhora dizia enquanto passava a mão em suas costas.

– Nada! – o senhor esbravejou afastando todos com o braço – Nada?! Cristian estava assim desde que sua mãe falecera... Eu sabia... Eu via... E, no entanto, com medo do que eu tinha que lidar, eu ignorava! A culpa é toda minha! – o senhor apertava um chumaço de folhas nervosamente com uma das mãos.

Inconsolado, deixou seu corpo cair de volta em um dos bancos de madeira da igreja. Pela segunda vez, pegou uma das primeiras folhas e releu algumas frases. Seu inconsciente imaginou uma garota de longo cabelos negros ao lado do caixão.

Mais ao longe, uma garota admirava a extensão do altar que abrigava o caixão negro. Seus cabelos brancos brilhavam com os raios de sol que entravam dos vitrais. Ela não queria chegar perto.

Ela tinha lágrimas em seus olhos verdes.

Epílogo – Olhos Verdes
Spoiler:

O que Cristian via agora não podia ser descrito.

Era infinito em todas as direções, ao mesmo tempo podia se ver claramente tudo que o rodeava. Apresentava todas as cores e às vezes a ausência delas. Olhou para si mesmo, estava nu. Não compreendia onde estava, o que havia acontecido. A dúvida o inundava e fazia-o raciocinar inutilmente.

Até que algo chamou sua atenção.

Havia outra pessoa ali, um pouco mais distante, seus olhos o fitavam. Eles eram de um verde intenso, chegavam mais e mais perto vagarosamente e brilhavam com uma intensidade incrível.

Cristian estava incrédulo; lembrava daqueles olhos. Uma onda de emoções bateu de frente contra ele.

– Daisy?

– Cristian.- A voz doce chegou aos seus ouvidos trazendo milhões de lembranças.

– Mas você não existe... - O garoto agora sorria sem parar, visivelmente emocionado.

– Sim, eu não existia... - a garota de longos cabelos negros dava alguns passos para frente - mas você me amou com tanta intensidade que eu acabei sendo criada.

Cristian não conseguia falar, no momento sua vista estava embaçada com lágrimas de emoção.

– Eu nasci algum tempo depois da sua existência. - a garota continuou. - Seu amor foi tão forte que foi capaz de me dar vida.

A garota se encontrava apenas a alguns centímetros do seu criador, do seu amor. Cristian vagarosamente levantava as pontas de seus dedos com a intenção de tocar Daisy. Hesitava apenas por ter medo de que aquilo fosse sua mente pregando peças novamente.

E então seus dedos encontraram a pele de Daisy. Ela era macia e suave como em suas memórias. Ficou alguns segundos desenhando círculos imaginários no braço dela e depois não se conteve. Avançou para sua amada em um abraço caloroso e suave.

– Realmente é você? - as lágrimas eram intensas enquanto os dois se abraçavam.

– Sim Cristian, sou eu. Só agora entendo porque sentimentos de saudades sempre me rondavam... Eram saudades suas.

Um beijo. E então para os dois eram como se as cores ao redor deles começassem a brilhar. Como se infinitos diamantes reluzissem uma luz ao mesmo tempo agora.

O garoto não se continha de alegria, acabou levantando e girando a garota num gesto bobo de pura alegria. Ela retribuía com um grande sorriso e se deixava ser levada.

– Quanto tempo eu tenho com você dessa vez? - Um traço de preocupação surgiu nas feições dele.

A garota parou um pouco seria para olhar nos fundos dos seus olhos. Um semblante verde que já o hipnotizara antes.

– Agora é para sempre.



Última edição por Anonymus_fulano em Sab Mar 23, 2013 4:01 pm, editado 3 vez(es)
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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Anonymus_fulano em Dom Dez 02, 2012 12:55 pm

Bom pessoal, demorei mas não esqueci isso aqui não. Segue o capítulo 7.
Ah aparentemente estourei o limite de uma mensagem, então os capítulos novos vão ficar aqui na página 2. Vou pensar em um jeito legal de dar para ver.
Aguardo os comentários, vou tentar não demorar muito rsrsr.
Beijos e abraços.
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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Miriam Salvatore em Ter Dez 18, 2012 2:56 pm

Bom achei toda essa conversa com o medico necessaria,estou relamente pensando que Cristian tem problemas .. scratch
OMG que perrengue Cristian tem com o pai..Apesar de tudo eu acho que o pai de Cristian relamente se preocupa com ele e apesar de ser bebum não faz de proposito pra machucar o filho ..
Eu achei tão fofis o momento entre mãe e filho..
O que a mãe de Cristian diz é muito importante..Gostei da frase dela scratch
A não ..To indgnada ..Cristian tinha que brigar com Dayse ..
Não to gostando dela e pior que ela engana ele direitinho...
Sei lá mas ela me parece manipuladora de mais...
E que historia de q ela não podia existir ..Aiai
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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Anonymus_fulano em Sab Mar 23, 2013 4:06 pm

Oi para aqueles que ainda estão aqui. Tudo bem?
Fazem alguns meses desde a última postagem né? Acabei dando uma sumida, não sei exatamente se vou reaparecer mas tinha que terminar de postar pelo menos fragmentos que comecei.
A história está completa com direito a um Epilogo. Com relação a esse encarem como um final alternativo na verdade, também não tem a ver com nenhuma crença especifica, acreditem no que quiserem XD.
Beijo e abraços vou terminar de responder o que estava aqui rs
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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Lolita-DirtyIceCream em Dom Mar 24, 2013 9:21 pm

O que dizer sobre esta historia? Simplesmente foi a primeira que li aqui no forum e simplesmente AMEI, é um verdadeiro pedaço de ARTE! Grande historia e grande imaginação. Adorei as suas descrições, assim como as metáforas, realmente escreve bastante bem! Fico à espera então por mais historias suas ou se já tiver mais algumas publicadas por aqui, mande-me o link delas por mp porque vou de certeza adorar lê-las!
Vemo-nos por ai! Wink
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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Miriam Salvatore em Seg Mar 25, 2013 9:31 pm

OMG Acho que vou imprimir isso e dar pra minha prof fe psicanalise ler e analisar pq eu dei varios nós no meu cerebro ...
fato

CAP 8

No dia seguinte, foi anunciado na TV que os ventos da noite passada foram atípicos e que os pesquisadores estavam buscando uma resposta para esse fenômeno, sem muito sucesso.

Aposto que é coisa da Dayse

Expliquei para Daisy o que aconteceu no hospital, que precisávamos parar um pouco com nossas loucuras na cama.

Cristian mandava ver hein huhulll

– E aí, está falando sozinho aí? - O garoto de cabelos negros raspados me perguntou em um tom de sarcasmo.


BINGO SABIA QUE A DAYSE NÃO EXISTIA
E ainda por cima manipuladora cara Crsitian é Esquizofrenico só pod

Se alguém de fora me visse naquele momento, facilmente diria que fui espancado e era justamente este o sentimento que eu tinha. Não pela minha aparência física, mas, pelos últimos acontecimentos. Ainda não os compreendia. Era como se surgido do nada alguém chegasse e me batesse com tanta força, que toda minha realidade fosse desconfigurada.

Nossa quanto sofrimento Crsitian recomendo uma psicoterapia e um psiquiatra urgente...
Sacas q ao se encararem ele estava de cueca macabro isso


– O que é você?

Finalmente algo neurotico (neurotico é considerado saudavel ta)

– Sim... O seu desejo por alguém era tão forte... Que me criou a ponto de você me sentir.

TO EM CHOQUE
Essa parte que ela chora mas na verdade é ele .Nussa complexo muito complexamente lindo...
OH Deus fiquei estatica diante do sofrimento com partida de Dayse..
Crsitian estava tão depressivo que se perdeu no seu prorio delirio de tentar aliviar a dor..

Nussa ....

CAP 9

– Você tem que aprender a se levantar... Independente de qual foi o motivo por ter caído.

Esse é um bom ensinamento

Poucas vezes, de uns tempos para cá, eu vi meu pai ter algum gesto de complacência com alguém. Principalmente comigo. Agora era tarde demais, não ia começar a escutá-lo. Dessa vez não por mágoa ou raiva... Mas porque, o que ele pedia... Era muito para mim

Isso se chama FUNDO DO POÇO DEAR a unica defesa rui pobrezinho
Acho que a saudade de Dayse que ele fala é saudade do conforto de como ela bloqueava toda a dor real dele..Tadinho

Tomei ciência de que estava em pedaços, tantos que não seria possível quantificar. Não sabia o que fazer, para onde seguir

oin
E agora ele surta pela cidade por causa do Broche..
Então o broche é real ???Sassinhora
E a Layla vai ser a salvação dele ???Que romantico


Por que isso tudo, mente? Por que querer brincar mais comigo a essa altura?

Achei uma graça ele conversando com o psiquismo dele. kkk
Nuss ele foje dela fiqui confusa
Esse ultimo surto de ele se cortar foi pesado ainda bm q ele entendia de primeiros socorros...

AI DEUS ele morreu pq caiu da cadeira OOOO
Dsculp mas eu ri dessa..


ADIO SANTO
A Mãe dele tinha morrido e isso tudo foi a depressão maluca dele ??
JESUS
a Dayse tava lá OMG


EPILOGO

Coisa complexa ele morreu foi pro ceu é la Dayse podia existir???
Ou a Dayse tinha nascido antes e ela morreu junto com ele ??



Senhor Thiego PARABENS sua história fui muito sugadora de cerebro ..Bem pelo menos pra mim q tentei aplicar todas as psicologias que a prendo na facul aqui ...
E acho que embora seja invenção sua Existem muitos Crsitian por ai em pleno sofrimento ..

Ah e não esqueça nosso desafio muuuuuuuaaaaaaaa ideia
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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Anonymus_fulano em Sex Mar 29, 2013 10:18 pm

Lolita-DirtyIceCream escreveu:O que dizer sobre esta historia? Simplesmente foi a primeira que li aqui no forum e simplesmente AMEI, é um verdadeiro pedaço de ARTE! Grande historia e grande imaginação. Adorei as suas descrições, assim como as metáforas, realmente escreve bastante bem! Fico à espera então por mais historias suas ou se já tiver mais algumas publicadas por aqui, mande-me o link delas por mp porque vou de certeza adorar lê-las!
Vemo-nos por ai! Wink

Oi Lolita.
Muito obrigado pelos elogios a historia. Esse tipo de coisa que me da animo a continuar escrevendo.
Fiquei especialmente feliz com o fato de ter sido a primeira que você leu aqui no fórum.
Tenho algumas outras historias aqui, estão na minha assinatura os links.
Beijos e até a próxima!
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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Anonymus_fulano em Sex Mar 29, 2013 10:28 pm

Miriam Salvatore escreveu:OMG Acho que vou imprimir isso e dar pra minha prof fe psicanalise ler e analisar pq eu dei varios nós no meu cerebro ...
fato

CAP 8

No dia seguinte, foi anunciado na TV que os ventos da noite passada foram atípicos e que os pesquisadores estavam buscando uma resposta para esse fenômeno, sem muito sucesso.

Aposto que é coisa da Dayse

Expliquei para Daisy o que aconteceu no hospital, que precisávamos parar um pouco com nossas loucuras na cama.

Cristian mandava ver hein huhulll

– E aí, está falando sozinho aí? - O garoto de cabelos negros raspados me perguntou em um tom de sarcasmo.


BINGO SABIA QUE A DAYSE NÃO EXISTIA
E ainda por cima manipuladora cara Crsitian é Esquizofrenico só pod

Se alguém de fora me visse naquele momento, facilmente diria que fui espancado e era justamente este o sentimento que eu tinha. Não pela minha aparência física, mas, pelos últimos acontecimentos. Ainda não os compreendia. Era como se surgido do nada alguém chegasse e me batesse com tanta força, que toda minha realidade fosse desconfigurada.

Nossa quanto sofrimento Crsitian recomendo uma psicoterapia e um psiquiatra urgente...
Sacas q ao se encararem ele estava de cueca macabro isso


– O que é você?

Finalmente algo neurotico (neurotico é considerado saudavel ta)

– Sim... O seu desejo por alguém era tão forte... Que me criou a ponto de você me sentir.

TO EM CHOQUE
Essa parte que ela chora mas na verdade é ele .Nussa complexo muito complexamente lindo...
OH Deus fiquei estatica diante do sofrimento com partida de Dayse..
Crsitian estava tão depressivo que se perdeu no seu prorio delirio de tentar aliviar a dor..

Nussa ....

CAP 9

– Você tem que aprender a se levantar... Independente de qual foi o motivo por ter caído.

Esse é um bom ensinamento

Poucas vezes, de uns tempos para cá, eu vi meu pai ter algum gesto de complacência com alguém. Principalmente comigo. Agora era tarde demais, não ia começar a escutá-lo. Dessa vez não por mágoa ou raiva... Mas porque, o que ele pedia... Era muito para mim

Isso se chama FUNDO DO POÇO DEAR a unica defesa rui pobrezinho
Acho que a saudade de Dayse que ele fala é saudade do conforto de como ela bloqueava toda a dor real dele..Tadinho

Tomei ciência de que estava em pedaços, tantos que não seria possível quantificar. Não sabia o que fazer, para onde seguir

oin
E agora ele surta pela cidade por causa do Broche..
Então o broche é real ???Sassinhora
E a Layla vai ser a salvação dele ???Que romantico


Por que isso tudo, mente? Por que querer brincar mais comigo a essa altura?

Achei uma graça ele conversando com o psiquismo dele. kkk
Nuss ele foje dela fiqui confusa
Esse ultimo surto de ele se cortar foi pesado ainda bm q ele entendia de primeiros socorros...

AI DEUS ele morreu pq caiu da cadeira OOOO
Dsculp mas eu ri dessa..


ADIO SANTO
A Mãe dele tinha morrido e isso tudo foi a depressão maluca dele ??
JESUS
a Dayse tava lá OMG


EPILOGO

Coisa complexa ele morreu foi pro ceu é la Dayse podia existir???
Ou a Dayse tinha nascido antes e ela morreu junto com ele ??



Senhor Thiego PARABENS sua história fui muito sugadora de cerebro ..Bem pelo menos pra mim q tentei aplicar todas as psicologias que a prendo na facul aqui ...
E acho que embora seja invenção sua Existem muitos Crsitian por ai em pleno sofrimento ..

Ah e não esqueça nosso desafio muuuuuuuaaaaaaaa ideia

Oi Miriam!!
Wow gigante esse teu comentário final hein, nem sei por onde começar rs.
Não vou consegui citar tudo o que você citou, então vou tentar fazer um resumo de comentários. Sim você acertou que a Dayse não existia, mas como te disse não ia entregar o ouro tão rápido kkkkk.
O broche é "real". Como também te disse tem uma one-shot explicando um pouquinho o que aconteceu antes desses acontecimento que explica o broxe. E como vc já leu, não, a Layla não foi a salvação dele.
Duas coisas que te falei que não ficaram claras. O Cristian se matou enforcado, ele não morreu caindo da cadeira. Era a Layla no velório não a Dayse.
Como sempre obrigado por ter lindo esse pedaço de loucura ^^. Fico extremamente feliz que tenha gostado e com seus comentários. Se for imprimir mesmo me fala qual foi a reação dela kkkkkkkkkkkkkkkk.
Beijos e até a próxima!
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Re: Fragmentos de Uma Mente

Mensagem por Lolita-DirtyIceCream em Ter Abr 23, 2013 12:55 pm

Anonymus_fulano escreveu:
Lolita-DirtyIceCream escreveu:O que dizer sobre esta historia? Simplesmente foi a primeira que li aqui no forum e simplesmente AMEI, é um verdadeiro pedaço de ARTE! Grande historia e grande imaginação. Adorei as suas descrições, assim como as metáforas, realmente escreve bastante bem! Fico à espera então por mais historias suas ou se já tiver mais algumas publicadas por aqui, mande-me o link delas por mp porque vou de certeza adorar lê-las!
Vemo-nos por ai! Wink

Oi Lolita.
Muito obrigado pelos elogios a historia. Esse tipo de coisa que me da animo a continuar escrevendo.
Fiquei especialmente feliz com o fato de ter sido a primeira que você leu aqui no fórum.
Tenho algumas outras historias aqui, estão na minha assinatura os links.
Beijos e até a próxima!

Ora essa, de nada! Tem tantas historias que estao por aqui pelo forum, mas ainda nao tive tempo de ler mais nenhuma, ja pra nao falar que tenho uma enooorme vontade tambem de publicar as fics... mal posso esperar por um tempinho! bounce
Mostrei também esta historia ao meu namorado, já que ele adora historias deste género e como ele quer seguir psicologia, ele ficou mesmo maravilhado com a historia! Shocked
Ele também deu a sugestão que no final, ficaria giro se ele também se reencontrasse com a mãe, mas o final como ele está também está fantástico! Very Happy
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