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DEPOIS DA MEIA NOITE...

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DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Dom Dez 18, 2011 5:42 pm

AVISO: esta fic em breve vai conter cenas de sexo, embora não muito explícitas. Linguagens impróprias, por isso o NC-MATURE.

GÉNERO: Vampiros, Romance, Acção.
RATED: Mature/ +17
NOTAS DO AUTOR: Esta fic foi postada no Fanfic Portugal.
A cidade de Bliton me pertence, assim como os seus habitantes. Qualquer similaridade, é pura coinscidência!


Spoiler:
DEPOIS DA MEIA NOITE..

“ don´t follow me, i can change the target any time...”

Primeiro capítulo- descobrindo uma vampira../ parte I


O posto policial era muito pequeno, com duas celas mesmo de frente a mesa secretária, com papéis abarrotados, um telefone fixo, uma chávena de café fria, e um polícia sentado em frente a um computador.
Escutava-se o barulhos dos botões que ele digitava rapidamente.
― Preciso de sair daqui.. ― a voz dela era intimidante. Mais parecia um tom ameaçador do que um apelo. O policial ergueu a face devagar e a olhou, não a conseguia distinguir no escuro da cela.
― Ainda vai ter de prestar umas declarações, mas como é réu primária, penso que em menos de trinta e duas horas estará fora. E terá que pagar uma fiança. ― afirmou calmo e parou de escrever, tentava ver a face da dona da voz. Era como se não estivesse ali.
― Não posso, e falo muito á sério quando digo que não posso ficar aqui! Não pelo menos até ao amanhecer. Eu prometo que volto na noite, mas tenho que sair. ― disse ela sem conseguir passar a sua real necessidade de sair. A sua voz era normal, sem angústia, sem medo.
― Parece que na minha testa vem escrito idiota? Eu te deixo sair e tu voltas na noite? ― riu-se e coçou a testa ― Todo mundo que vai preso precisa de sair. E já lhe disse que o seu caso é fácil, e que vai sair em pouco tempo.
Ela permaneceu calada, não sabia como explicar. Olhou para a janela e viu a lua aos quadrados.
Em poucas horas ia amanhacer.
― Se eu não sair antes do amanhecer, eu morro. ― confessou, estava sentada em um banco.
O policial levantou-se. Deu para perceber que era muito alto, pois tudo pareceu pequeno á sua volta. Vestia a farda azul da pequena cidade de Bliton, com uma estrela de distintivo no peito. Caminhou devagar até as grades da cela. Tinha o cabelo preto um pouco desarrumado, os olhos eram castanhos muito claros e a sua face era angular. A boca pequena, e um ar de poucos amigos.
― Porquê? A droga que tinhas contigo era de algum traficante? Eles vão te matar se não a entregares? ― perguntou e uniu o sobrolho que era grosso e escuro.
Ela riu em uma gargalhada fria, que o arrepiou. Mas não se mexeu.
― Tinha menos de uma grama de coca, acha mesmo que algum traficante me iria matar por isso? ― perguntou ela impaciente ― Algo muito menos grave que isso me mata, mas que para mim é uma arma letal.
Ele fez uma cara despercebida.
― Poderias ser menos enigmática e ir directo ao assunto? Já deves imaginar que não te posso tirar daqui, por mais que quisesse. E confesso que não tenho a mínima vontade ― afirmou a cruzar os braços.
Ela não se pronunciou. Continuou na penumbra camuflada.
O policial esperou mais alguns segundos, mas depois voltou-se e virou em direcção a sua mesa de secretária.
― Espera! ― disse ela ao perceber que não o venceria apenas com argumentos.
Ele voltou-se e aproximou-se novamente até as grades da cela.
Ela saiu da escuridão, e aproximou-se dele. Era um pouco alta, e magra. Tinha um cabelo quase avermelhado, mas curto, num penteado da moda, todo para o lado e quase a cobrir o olho esquerdo. Os olhos esses eram grandes e verdes claros, á contrastar com tudo o que possuía. Começando pela sua pele morena, mas estranhamente pálida. As sombras muito bem feitas, um nariz arebitado com um pequeno brinco que cintilava no escuro. E lábios volumosos sensuais, bem pintados de rosa escuro. Tinhas seios grandes, e vestia uma blusa de renda, justa, que mostrava um decote, como se fosse uma lingerie. Por cima tinha um casaco de leda escuro, usava uma saia curta e justa, e tinha meias de vidros e botas. Tinha um ar sensual exagerado, e usava um conjunto caro de jóias, de pulceiras e colares. Dava para ver apenas pelo brilho.
Ele a olhava ainda admirado, era a mulher mais diferente que havia alguma vez visto.
― Sim? ― perguntou ele que tentava não se mostrar desconcertado.
― O sol. O sol é a minha fraqueza ― confessou por fim, e parada a olhar para ele seriamente.
Ele pestanejou, e depois riu baixo. Não pareceu convencido.
― Sou uma vampira. ― contou baixo, e suspirou.
Ele não se conteve e riu alto, e em gargalhadas até ficar com os olhos molhados. Olhou para ela fixamente.
― E eu sou o Papa. ― declarou com ironia, e voltou em passos largos até a sua secretária. Não acreditava que tinha perdido o seu tempo de trabalho para escutar uma parvoíce daquelas. Sentou-se muito indignado, e olhou para as paredes rugosas, cheias de recortes de jornais com cara de criminosos, e declarações de tribunais.
Ela andou passos atrás e sentou-se no banco de madeira longo que ali havia.
― Então dás-me uma manta, ou algo que possa cobrir a janela por favor? Não vais querer uma morta aqui. ― continuou a insistir no assunto, e ele mostrou-se aborrecido.
― Ahmm.. então diz-me lá senhora “vampira” se és o que dizes ser, como é que te deixaste capturar? Vocês não tem super poderes e tudo mais? ― perguntou numa ironia exagerada, e cruzou os braços sobre a mesa e as apoiou no seu queixo.
― Sim, mas eram muitos e eu não poderia hipnotizar a todos. Então pensei que não seria muito boa ideia matar á todos, e enquanto eu pensava o que fazer, eles deram-me um eletro-choque porque lutava melhor que muitos.. e pff acordei aqui ― explicou calmamente com uma voz sensual.
― E.. pelos filmes que mostram ai, não deverias ser imune a um “simples” choque elétrico? ― ele ergueu a sombrancelha.
― Sou uma vampira nova e criada, ainda não sou tão forte assim.. ― confessou calmamente, e olhou novamente para a janela preocupada com a madrugada que se desvanecia contra seu favor.
Ele não percebeu nada, mas continuou quieto. Abanou a cabeça negativamente.
― Deves ser mais uma dessas loucas, fanáticas por vampiros. Mas quando o dia chegar, e a droga te passar. Vais ter a incrível sensação que o sol te faz bem, a essa pele pálida. ― estava calmo, e levantou-se até a máquina de café que estava ali. Aquela era de facto uma boa anedota e conversa da manhã com os seus colegas de trabalho ― Aceitas um café?
― Meu estômago não digere isso. ― respondeu ela friamente, e ligeiramente abalada. Escutou-o rir mais uma vez com gosto ― O que queres que eu faça para to provar?
Ele virou-se com um ar irónico e fitou-lhe com um olhar de gozo.
― Que tal se me mostrásses os teus dentes? ― sugeriu, e ela mexeu-se.
Era um pedido óbvio, mas muito pessoal.
― Nenhum vampiro saí por ai a mostrar os dentes. É algo íntimo, como mostrar a intimidade a um desconhecido. Só o faço quando estou prestes a atacar a presa, não era isso que ias querer.
Ele encolheu os ombros e continuou a beber o café quente enquanto se dirigia á sua secretária e sentou-se. Tinha muito trabalho por despachar, e não se iria prender naquela conversa absurda.
― E eu não me drogo. Não era minha ― seu tom de voz era claro ― Alguém a esqueceu no meu carro.
― Pois.. pois sempre a mesma conversa de sempre ― balbuciou sem lhe prestar atenção, e fixou-se no computador. Tinha que trabalhar e acabar até ao fim da noite, que era quando o seu turno terminava.
Ela também não disse mais nada, permaneceu sentada e imóvel até quando o dia começou a clarear. Escondeu-se debaixo do banco, e encolheu-se. O céu ficava cada vez mais claro, e a sombra era ocupada por alguns raios de sol, que começavam a surgir. Ela tremia debaixo do banco, e era como se de alguma forma parecesse mais fraca a luz do dia.
Ele levantou-se e foi até ao armário velho de ferro que estava ali em um dos cantos, tirou de lá uma manta.
― Meu turno terminou, o meu colega vem substituir-me. Tens aqui a manta, não quero que tenhas uma dor de coluna ai dobrada ― disse e esticou a mão entre as grades.
― Não posso sair de baixo. Se me queres ajudar, poderias vir aqui e cobrir a janela. ― disse ela num tom baixo.
― E depois dás-me um pontapé, e foges pela esquadra fora ― falou com graça.
― Achas mesmo que arriscaria sair daqui e ir até a janela? Morria antes. E estou fraca não poderia te atacar, sem contar que tem policiais lá fora. Ou pensas que não sei?
Ele respirou fundo. Aquela maluca tinha idéias coerentes, e era muito pequena para o atacar. Não sabia porquê tinha pena dela, mas um pequeno gesto não ia mudar nada na sua vida. Tirou as chaves que estavam penduradas na sua cintura, e abriu a cela.
Entrou devagar, e viu que ela não se mexeu. Aproximou-se da janela, e cobriu-a com a manta que tapou o sol. A cela ficou ligeiramente mais escura, e ela saiu debaixo do banco de madeira meio partido. Olhou para ele.
― Pronto.., está tudo bem agora. Daqui a pouco o teu processo resolve-se e vais para casa. ― declarou, afastou-se dela mas sem lhe tirar os olhos.
Ela abriu a boca devagar, e os seus caninos salientaram-se devagar até ficarem grandes e pontiagudos.
― Vês? ― perguntou ela.


Última edição por miaDamphyr em Seg Dez 19, 2011 4:55 pm, editado 1 vez(es)
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por Clara Lockwood em Dom Dez 18, 2011 6:33 pm

Gostei muito desse cap., muito bem escrito parabéns. Vc já tem uma leitora garantida.
Ansiosa por mais um cap. Very Happy
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http://www.eraumavez-aspalavras.blogspot.com.br/

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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por Susy em Dom Dez 18, 2011 8:31 pm

2ª leitora...
Gostei muito do capitulo..
Quero mais, viu!
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Seg Dez 19, 2011 3:01 pm

Obrigada Clara e Susy, fico feliz que tenham gostado. Estava a achar o cap. meio longo, porque a maioria dos que vi por aqui são curtinhos, lol! O próximo cap. vem daqui a pouco.

um beijão para vocês
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Seg Dez 19, 2011 4:55 pm

Bem mais um capítulo, espero que gostem.

Spoiler:

DEPOIS DA MEIA NOITE...

“ don´t follow me, i can change the target any time...”

Segundo capítulo- descobrindo uma vampira..


― Vês? ― perguntou ela.
Ele tropeçou sobre as pernas, e saiu da cela ainda a cambalear. Deixou cair as chaves ainda trémulo e nervoso, e a trancou em uma luta conflituosa de susto e curiosidade. Trancou-a apressadamente, embora ela nem sequer tivesse se movimentado. Ele deu passos para trás, e apontou-lhe o dedo acusador.
― Não era o que querias ver? ― perguntou sem compreender aquela reacção.
Ele negou com a cabeça, e aproximou-se até a sua secretária. Colocou a mão na boca. tinha o seu coração a bater a velocidade da luz, engoliu várias vezes sem conta antes de voltar a falar.
― C.. como? ― inquiriu baixo sem saber se era verdade o que tinha acabado de ver. olhou para ela novamente, tinha um ar mais duro. Perguntava-se afinal porque ele a olhava como se ela fosse uma aberração? Vampiros não eram sexy's e tudo o resto.
― Mostrei-te a minha intimidade. ― declarou carregando no tom da última palavra ― Senti-me em dívida contigo, por teres ao menos te resignado a cobrir a janela, e decidi mostrar-te.
― Existem outros como tu? ― perguntou ele com a tez pálida e a face suada. Sentía-se em perigo constante.
Ela sentiu uma aversão a aquele Tu.
― Claro que sim, muitos.. milhares espalhados por todo mundo. E aqui em Bliton, pelo menos 35% da população, é sobrenatural. Entre vampiros, e outras espécies. ― respondeu, sentou-se e passou a mão pelos cabelos lisos como seda.
― .. Outras espécies? ― repetiu e atreveu-se a aproximar devagar sem acreditar ainda no que seus olhos tinham visto. Fechou os olhos e abanou a cabeça, como se quisesse visualizar perfeitamente na sua mente o que estava na sua frente. Estava a ficar maluco, isso era mais do que certo.
Ela não respondeu e cerrou os dentes indisposta.
― Tenho que avisar uma comissão. Temos de exterminar isso. ― deu-se conta visivelmente alterado, e de olhos muito abertos.
― Essas “espécies” vivem entre vocês a mais tempo que possas imaginar. Muito antes dos teus tataravós estarem sequer vivos, e não queiras te internar em um hospício qualquer porque ninguém vai acreditar em ti.
Ele calou-se céptico, e rasciocinou melhor. Olhou-a de relance, e sentia seu coração acelerado.
― Tenho te a ti como prova. Atiro-te a luz do sol e prontos.
Ela conseguiu rir-se, mas era um riso frio e o olhou.
― Será exatamente assim. E prontos. Prefiro morrer a que revelar identidades vampíricas e cair nas mãos dos piores seres que podem existir. ― afirmou calma, a abanar a cabeça ― É muito mais do que está ao teu alcance. Por isso aconselho-te a esqueceres o que viste e a manteres-te fora disso.
Ele continuou calado, e a olhar para ela anormalmente. Quando o telefone fixo tocou, assustou-se sentindo a sua expressão o trair e acordou dos seus pensamentos para a dura realidade. Caminhou em passos apressados para a mesa secretária, e atendeu o telefone.
― Alô? Sim... o quê? quando? ― exclamava a cada vez que se calava para escutar, e a sua expressão facial mudava cava vez que lhe era desenvolvido o assunto. Desligou o telefone ainda com um ar sério, mas sem tirar a mão do auscultador. Na verdade tremia ligeiramente.
Ela olhou para ele.
― Meu colega não poderá me substituir.., houve uma.. espécie de carnificina. Encontraram vários corpos mortos juntos a um desfiladeiro. ― falava alto e a processar a informação.
Ela levantou-se rapidamente.
― O baile de sangue.., Damian não está a medir esforços! ― exclamou e começou a andar de um lado para o outro. Colocou a mão no queixo, e tinha os olhos inquietos.
― Quem? Tu.. sabes? ― perguntou, saiu da mesa mais uma vez, até a cela e aproximou-se.
― Tens que me deixar sair daqui! Senão coisas piores acontecem. ― garantiu, e ele a olhou.
― Seja lá o que for, não poderás sair daqui sem passar pelos trâmites legais. Terás de esperar, e me explicar muito bem que história é essa toda. ― rosnou num tom ameaçador, e ela nem pestanejou.
― Isso não é para ti mero mortal.., cuida desses casos sem solução.. que é o melhor para ti. ― disse-lhe e voltou até ao banco exasperada. Sentia-se fraca, precisava de revigorar as forças com um bom descanso, e de beber um bom sangue quente. Mas ainda tinha um longo percurso para aguentar passar por aquele longo dia. Sentou-se inquieta.
― Deverias comer alguma... ah, claro que não! Sinto muito não posso fazer nada por ti, mas eu tenho que comer. Vou passar o dia todo aqui. ― disse sério ― Talvez se eu comprasse um bife no talho e chupásses o sangue..
― Olha aqui eu gosto de sangue de verdade. Se me desses um pouco do teu já me dava por agradecida. Mas como não tencionas fazer isso, é melhor ires te refastelar. ― respondeu-lhe friamente ― Essa porcaria de certo que me faria mal.
Ele não respondeu e saiu do posto policial. Ordenou um de seus subordinados para que fossem vigiar a jovem que ali estava. Mas ordenou para que não chegássem perto.
Desceu até a um dos carros policiais que ali haviam. Eram todos brancos, com barras azuis e sirene no topo. Entrou ainda desconcertado com o que vira, era realmente verdade. Pensava se já havia estado com algum vampiro antes, sem o seu conhecimento. Arrepiou-se por saber que poderia ter estado na mira de algum deles por várias noites em que passava a fazer patrulha.
Bliton não era uma cidade grande, era constituída por muitas casas, a maioria grandes, com muros e portões. Poucas árvores, e muito comercial. Os edifícios que tinham eram hotéis, bares, discotecas, shoppings, restaurantes e casinos muito bem frequentadas e movimentadas. Ali reinava a vida nocturna, onde quase todos os dias as pessoas saíam para se divertir. Ele vivia naquela cidade já há alguns anos, havia sido transferido depois de terminar a academia do exército militar nacional. A sua família vivia longe, em outra cidade onde ele só os ia visitar nas férias, e havia ido exatamente no início daquele ano, o que queria dizer, que não voltava lá tão já. Ele vivia sozinho, e de vez em quando sentia saudades da sua mãe, seu pai que era um militar reformado, e a sua irmã mais nova.
Foi ao restaurante pôr-do-sol, que era simples e caseiro. Com mesas bem organizadas, e toalhas enquadrilhadas. Não estava cheio logo pela manhã, mas ele sempre o frequentava com os seus colegas de trabalho. Viu Verónika, aquela que costumava ser sua companheira de trabalho algumas vezes quando estava de patrulha. Ela era de uma beleza simples, tinha os cabelos espessos, escuros, e longos amarrados em um rabo de cavalo. Os olhos era amêndoados, tinha os olhos cinzentos escuros, e era pouco alta, com um corpo bem estruturado e definido. Vestia a farda policial, e tomava um café.
― Ai estás tu! ― disse ela como se já esperasse vê-lo, e sorriu. Ele sentou-se ainda atordoado.
― Como estás Verónika? ― perguntou com um ar ainda preocupado.
― Cansada, passei a noite na rua como bem sabes. E foi a outra patrulha quem encontrou algo de interessante.., os corpos como já deves saber.
― Sim.., ― coçou a cabeça ― Eu fiquei toda noite no escritório, a tentar ver os casos que não tem solução., nunca tem ninguém a quem culpar, e no entanto mais crimes acontecem. ― Lembrou-lhe e sentiu um arrepio, ao lembrar-se da ocupante que estava na cela.
Ela olhou para ele, não parecia nada bem. Conhecia-o muito perfeitamente, desde que ele chegara em Bliton. Mas também sabia que ele tinha um caráter introvertido.
O servente que tão bem conheciam chegou, e atendeu-o. Depois retirou-se, e deixou-os á sós.
― Não me pareces muito bem. ― falou por fim, e ele inclinou-se mais para frente.
― Acreditas.. em vampiros? ― perguntou de súbito, e Verónika o olhou. De facto ele não estava nada bem, talvez precisásse descansar. Trabalhava sempre mais do que a conta.
― Queres que te substitua no posto policial durante o dia? Poderias descansar um pouco e ficares preparado para a noite. ― sugeriu amigavelmente.
Ele negou com a cabeça, e estreitou os olhos.
― Se.. eu te provasse que existem vampiros Nika! ― quase gritou, mas depois segurou o seu timbre, e encostou-se novamente a cadeira. Não poderia perder o controle, ele nunca perdia. Fechou o punho da mão, e bateu devagar na mesa.
― .. Bem, seria algo a relevar tendo em conta que.. ― calou-se. Não encontrou argumentos, afinal achava tudo uma parvoíce.
Serviram-lhe o pequeno almoço, e ele começou a comer os ovos e o pão torrado sem parar. Era como se não quisesse pensar, e nem sequer a olhava.
― Eu também terei a noite de folga hoje, queres que venha fazer um jantar e trago um dvd? ― sugeriu ela baixo, mesmo sabendo que eles sempre faziam aquele plano quando não estavam a trabalhar.
― E esses corpos que foram encontrados..? sabes se eles tem alguma informação? ― trocou de assunto sem a responder.
― Não, ainda não. Passei por lá com o Dirk, mas a equipe forense acabava de chegar. ― respondeu desanimada por o ver assim ― Não pensas que.. foram vampiros pois não?
Ele olhou para ela vivamente, os seus olhos claros na luz davam um reflexo muito bonito.
― E se fossem? ― perguntou num tom sério, o que não a permitiu rir. Mas vontade não lhe faltou. Segurou-se e bebeu um copo do seu sumo de frutas matinal, para poder pensar o que dizer a um amigo que acreditava que vampiros existiam.
Ele percebeu no olhar de sua amiga que não acreditava nele, não a criticava, afinal até alguns minutos atrás, também não achava que aquilo fosse possível. Respirou fundo.
― Esta noite vou sair para dar umas voltas.. pela cidade, preciso de apurar alguns factos. ― disse por fim quando terminou de comer.
― E posso vir contigo? ― perguntou empolgada.
― Acho melhor não. É melhor que descanses. ― decidiu, abriu a carteira e tirou de lá dinheiro para pagar a conta. Deixou em cima da mesa ― encontrámo-nos aqui como sempre, amanhã para o pequeno almoço.
Ela assentiu com a cabeça, mas não parecia satisfeita.
― Bem.. falámos.. ― levantou-se e despediu-lhe com um aceno.
Saiu do restaurante devagar, e entrou no carro novamente. Queria a todo custo ter a certeza da nova informação que tinha. Entrou no carro, e conduziu devagar pela estrada agitada como sempre. Parecia uma infinita movimentação todos os dias.
Chegou novamente ao posto policial, que era pequeno. Os criminosos piores eram transferidos para outra prisão que ficava fora de Bliton. Desceu do carro, e entrou devagar. Encontrou o guarda policial estacado a olhar para a vampira.
― O que fazes? ― perguntou ele que se apressou até ao guarda, que estava inerte.
― Estava a praticar um pouco dos meus talentos, sem contar que ele falava muito e queria vir tirar a manta da janela. ― ela estava deitada no banco.
― Imagina se entra alguém aqui e o vê assim? Estás louca? ― enervou-se agressivamente.
― Louca estaria se o deixasse tirar essa manta que cobre a janela. Antes ele assim, que eu morta. Sem contar que se ele passasse por essas grades, eu o matava. Isso sim, seria pior.
― Acorda-o já! ― gritou sem se conter, e ela respirou fundo. Olhou para ele e estalou os dedos.
O guarda pestanejou quando voltou a si, e olhou para os lados ainda meio desconectado. Não sabia o que havia acontecido, sentia como se tivesse dormido.
Ela riu com gosto.
― Podes ir, já voltei. ― ordenou o policial firme, e viu seu guarda deitar um olhar para a mulher antes de sair dali para fora.
Ela olhou para aquele homem que a encarava.
―.. E o que te importaria se alguém entrasse? Afinal não querias mostrar a todos o que eu sou? ― perguntou calma, e com um ar de quem estava a divertir-se com a cena.
― Deixa-te de histórias! ― praguejou agora indisposto e voltou a adquirir o ar ameaçador. Dirigiu-se até a mesa e sentou-se na sua secretária, mas sem tirar os olhos dela que o olhava fixamente. Tinha grandes olhos verdes, pareciam como os de um gato, de tão felinos que eram. Ele estava calado, sentia algum medo e ela conseguia cheirar isso a correr nas suas veias. De repente teve uma sede de sangue, que parecia como não ter água em pleno deserto.
― Gostava de ouvir uma história na verdade. Como vieste parar aqui? ― perguntou ele a imprir folhas do que estava no seu computador, através da impressora que estava por baixo da mesa.
― Se não acreditas em mim do que adianta? ― perguntou ela calmamente e com um ar misterioso.
― Talvez comece a acreditar.., se podes me hipnotizar porque nunca o fizeste?
― E porquê o faria? ― colocou outra pergunta sobre a sua, ― Podia te hipnotizar, tirar-te as chaves e depois? Ia para a rua queimar com sol? ― ele nada disse. Olhou para uma folha mal imprida, e amarrotou com a mão. Depois atirou-a no cesto de lixo.
― Não me vais contar? Ainda é cedo, e o dia até que escureça é longo. ― lembrou-lhe calmamente.
― Antes quero que me entregues uma coisa. ― disse num tom frio, e ele olhou inquisidor ― Nos meus pertences.. tem uma caixa, muito valiosa e preciso que esteja aqui comigo antes do anoitecer.
― Os teus pertences estão muito bem guardados e ninguém os vai roubar. Garanto-te.
― Eu preciso dela comigo, porque me conforta. É só uma caixa, nada que me faria levitar, ou teletransportar. Isso só os vampiros com mais de um século o fazem, eu ainda sou muito nova. ― garantiu ela por sua vez.
Ele levantou-se e foi até ao armário que ficava do lado, onde tinham os cobertores. Tirou o molho de chaves e o abriu, viu uma bolsa média e escura de marca. E levantou em direcção a ela, cujos olhos brilharam.
― É esta? ― perguntou ele calmamente e em um tom cinicamente óbvio, uma vez que era a única que ali estava. Fechou o armário novamente, e andou devolta a mesa onde abriu a bolsa ao olhar perscrutor dela: tinha um estojo com todo tipo de maquilhagem completa da Avon. Tinha escovas de cabelo, um maço de dinheiro, uma caixa de prata de cigarros, uma garrafa de perfume francês, e outra de creme, e desmaquilhantes, viu também, a carteira de documentos, uma chaves de carro que era de um BMW. Ele procurou e encontrou a caixa que era simples, de madeira, com uns bordados arcáicos na tampa.
Ela precipitou-se contra as grades, mas embateu-se nelas. Ofegava fundo.
― Dá-me! ― ordenou ofegante e com os olhos dilatados. Havia perdido toda sensualidade, e estava mais animalesca. Ele a olhou primeiro, e depois para a caixa que ocupava toda a sua mão, tentou abrí-la com a mão livre mas não conseguiu ― Por favor..
― Dei-me conta de que não sei o teu nome.. ― ele percebeu que mal havia olhado nas fichas daquela estranha. Apenas sabia o que lhe fora dito pelo seu colega.
― Polyna.., meu nome é Polyna. ― respondeu sem pausas e com a mão esticada para ele, por entre as grades.
Ele virou-se para ela ainda curioso, e andou devagar.
― Vais me contar a tua história?
Ela respirou fundo..
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por Vichan em Seg Dez 19, 2011 6:43 pm

Nossa, adorei muito o capt.

Plyna tá muito misteriosa, fiquei curiosa pra saber o que tem dentro da caixa. Quando teremos mais? :3
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Seg Dez 19, 2011 6:49 pm

Oieee Vichan, obrigada por passar por aqui. Primeiro dizer que adorei a tua assinatura, soberba!!! My Chemical Romance forever!
Segundo, amanhã mesmo vou atualizar! A fic já está terminada, o que tenho de fazer é só postar. Fico feliz que tenhas gostado. ownn Beijooo
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por Susy em Seg Dez 19, 2011 7:05 pm

Adorei o capitulo.
To loca pra saber da história da Polyna!!
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Seg Dez 19, 2011 7:13 pm

Obrigada Susy, lol! por continuar fiel, e por continuares a gostar.

Uma dúvida, és apenas leitora? É que gostava de ler algo teu.

Vichan teu também, se me puderem passar o link das vossas fics seria estupendo, porque adoro ler. beijoooo
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por Vichan em Seg Dez 19, 2011 7:21 pm

miaDamphyr escreveu:Oieee Vichan, obrigada por passar por aqui. Primeiro dizer que adorei a tua assinatura, soberba!!! My Chemical Romance forever!
Segundo, amanhã mesmo vou atualizar! A fic já está terminada, o que tenho de fazer é só postar. Fico feliz que tenhas gostado. Beijooo

Of Course! Depois que eu comprei o CD do The Black Parade, não consigo ouvir mais nada! Fico feliz em saber que a fanfic vai ser atualizada amanhã. Por, você sabe, curiosidade mata!

miaDamphyr escreveu:Obrigada Susy, lol! por continuar fiel, e por continuares a gostar.

Uma dúvida, és apenas leitora? É que gostava de ler algo teu.

Vichan teu também, se me puderem passar o link das vossas fics seria estupendo, porque adoro ler. beijoooo

Bom, estou postando uma fanfic aqui dia sim, dia não. Time to Change

Dá uma lida e diz o que achou, de uma escritora tão boa, adoraria ouvir um comentário!
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Vichan

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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Seg Dez 19, 2011 7:27 pm

Já estou a caminho da tua fic, mas não poderia deixar de agradecer pelo elogio, devo ter engordado alguns quilos, tamanho ego insuflado. ownn
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Ter Dez 20, 2011 7:08 pm

Mais um novo capítulo, espero que gostem do meu vilão.

Spoiler:
DEPOIS DA MEIA NOITE...

“ don´t follow me, i can change the target any time...”


Terceiro capítulo- A presença de Damian

«FLASHBACK..»

Polyna havia conseguido se afastar levemente da multidão que festejava o baile de sangue do Louis, o vampiro criado por Damian. Este que por sua vez, estivera tão distraído, em se regozijar porque uma de suas criações havia atingido a idade adulta, mal sentira a presença dela.
Sem contar que haviam mais de seiscentos convidados, e como não imaginava que ela tivesse regressado a Bliton meses antes, não a esperava. Ela tinha aquele traje sensual, mas que não se destacava perante as figuras ilustres que ali estavam, era exatamente com esse propósito de não chamar atenção.
O salão de festas ficava no primeiro piso da enorme mansão, do estilo medieval, tinha as paredes rugosas e escuras, com candelabros espalhados e pendurados. A música era tocada por uma Orquestra habilidosa, e que no final do espetáculo, fariam de certo parte do jantar. Serventes deslizavam devidamente trajados, com fatos preto e branco e colarinhos de um lado para o outro, e serviam todo tipo de bebidas, inclusive sangue.. A festa estava espetacular, cheia de sangue fresco drenada diretamente dos humanos, e com muita música. Ela escolhera o momento certo, quando todos prestavam atenção ao desejo que Louis iria escolher como por direito. Afastou-se das multidões de pessoas, e subiu o lance de escadas de ferro, em forma de espiral. Conhecia tudo muito bem. Havia vivido ali, durante muitos anos, onde partilhara o mesmo leito com Damian, o seu criador. Havia bebido do seu sangue, pertencia a ele por direito.
Chegou ao último andar, onde agora a música se escutava de fundo, e caminhou por aquele corredor mal iluminado. Sentia-se com medo, qualquer falha seria fatal. Passara muito tempo longe á procura de saber como encontrar a localização daquele ítem, e só a meses atrás é que se dera conta de que Damian o guardava com ele. Não confiava em mais ninguém, a não ser em seus próprios instintos. Abriu a porta pesada de madeira, e encontrou o quarto gigante.
As memórias dela e Damian a fazerem amor, e flutuarem pelo ar, vieram-lhe a cabeça. Mas as reprimiu, teve medo que ele as tivesse também.
Por incrível que fosse, ele conseguia se conectar à sua cabeça, e viajar pela sua mente. Por isso tinha que ter muito cuidado.
O quarto era normal, com uma cama de base baixa, e muito grande. Tinham castiçais de ouro com velas do lado, as cortinas eram longas e avermelhadas. E grandes guarda-fatos ocupavam mais da metade de uma parede. Tinham também quadros, de mulheres nuas, que ele gostava de as pintar, e aquilo era algo que incomodava Polyna aos longos dos anos. Damian adorava mulheres, e as tinha todas diferentes. Ela ainda tinha algo de humana que havia resistido em si, acreditava no amor sincero e fiel. Não entendia como ele a podia amar, e mesmo assim dormir com tantas outras.
Polyna empurrou a cama devagar, e esta cedeu para o lado, revelando umas escadas de metal que desciam para um buraco a dentro. Exalava ar frio, e ela desceu devagar. Outro imperdoável erro de Damian, lhe mostrar onde repousava.
Encontrou o santuário daquele ser despresível, nada mais nada menos que, terra por todos os lados, e ar condicionado ligado na temperatura muito baixa. Ela andou de um lado para o outro, sem saber onde poderia estar o seu túmulo, mas sentia com toda presença que o que procurava estava ali. Confiou nos seus instintos e começou a cavar com as mãos, não precisou de muito, encontrou o caixão negro e brilhante dele e o abriu: estava ali a caixa. Sentiu-se eufórica por alguns momentos, havia conseguido. Não conseguia acreditar que ele lhe deixara tantas pistas, afinal pelo que se sabia de Damian ele era um vampiro reservado, falava pouco, e não deixava ninguém entrar no seu quarto. Polyna não poderia se dar ao luxo de ter lembranças do quanto fora tratada como especial nos braços daquele homem. Não se deu ao trabalho de cobrir a areia, apenas levou a caixa e saiu apressada para fora dali, subiu os degraus, e empurrou a cama de volta. Tinha as mãos trémulas, e saiu do quarto enquanto deixava areia para trás.
Sacudiu, e desceu os degraus rapidamente, sabia que não podia demorar, ou seria o seu fim. Carregar aquele objecto precioso em suas mãos, era a melhor coisa que poderia existir. A cada vez que descia, conseguia sentir o som da música e vozes animadas. Sempre pensava como seria o seu baile, que tipo de festa Damian faria para ela, e que desejo ela iria pedir. Louis era seu irmão por criador, mas ele não tinha partilhado do sangue de Damian, aliás, não se lembrava de ninguém que o tivesse feito.
Abandonou o salão, e saiu agora a correr sem parar. Esbarrava-se com algumas pessoas que ali estavam, e rezava para não ser reconhecida. Saiu dos jardins da casa, e entrou no seu BMW vermelho e preto, que era clássico. Respirou fundo, guardou a caixa na sua bolsa. Procurou as chaves e preparava-se para ligar a ignição, quando alguém bateu seu vidro e ela pela primeira vez em anos, assustou-se. Virou-se e viu um rapaz que estava vestido com um fato comum e simples, não era bonito, nem charmoso. Ela baixou o vidro.
― Podes me levar contigo? Quero sair daqui o mais rápido possível. ― pediu calmo e com um ar triste.
Polyna hesitou, não sabia se era boa ideia ou não. Mas decidiu destrancar a porta do carro, ele entrou devagar. Era um vampiro novo, sentia-se pelo cheiro que ainda exalava.
― Obrigada, espero que não te incomodes, meu nome é..
― Nada de nomes! ― cortou-lhe, acelerou o carro a uma velocidade incrível. O rapaz segurou-se, e olhou para ela admirado ― Apenas diz me onde vais!
Polyna continuou a conduzir em velocidade máxima, e escutava atenta as indicações do rapaz. Embora as ruas cheias de carros dificultassem, o seu movimento. Tinha que chegar rápido ao seu esconderijo, e tentar abrir aquela caixa. Era difícil saber que tinha Damian em suas mãos.
― Ei!!! ― exclamou Polyna ao ver o rapaz que tentava abrir um embrulho transparente com meia grama de coca, tirou os dentes e rosnou assustando-o. Mas de repente perdeu a direcção do carro, bateu contra um poste. Irritou-se ainda mais, mesmo sabendo que o seu carro continuava meio intacto.
― O que..?
― Desce do meu carro, agora! ― falou com uma calma assustadora, e ele engoliu em seco. Abriu a porta do carro, e saiu á correr assustado.
Polyna já se arrependia de o ter levado com ela, aqueles rapazes criados por vampiros, e deixados ao Deus dará, sempre acabavam em um caminho desconcertante. Sentiu uma dor percorrer-lhe o crânio, e a espinha cervical. Sentiu, era a fúria de Damian. O melhor era ir embora dali o mais rápido possível.
― Minha senhora, parada aí.. ― a voz de polícias que vinham na direcção dela irritou-a. Desceu do carro indisposta.
― Foi um acidente mas está tudo bem, eu pago o poste e todos os danos. Não vou fugir porcausa disso. ― declarou impaciente.
― Tem droga aqui.. ― disse um outro polícia que havia espreitado pelo vidro, e visto a droga no banco do carro.
― Eu não consumo drogas meu senhor, não é minha e de certo não a deixaria assim á vista.
― Terá que vir connosco a delegacia senhora. ― disse o outro, e Polyna tentou reagir. Lutou com um, derrubando-o, e depois com outro.
Mais carros de polícias vieram, e ela lutava com força e habilidade, contra cada que lhe aparecia. Não poderia se dar ao luxo de ir presa naquele momento.
De repente sentiu um choque forte, e sentiu-o bem.


***

Polyna olhava para ele agora que não mostrava se estava convencido ou não. Mas aquela era a verdade.
― .. E foi isso que aconteceu. ― concluiu sempre impaciente ― agora dá-me a caixa.
Ele andou devagar mas não se aproximou o suficiente, ainda parecia com dúvidas.
― Polyna.. é teu nome de nascência?
Ela respirou fundo para segurar os nervos.
― O Damian me deu esse nome. ― declarou a tentar parecer calma.
― E isso aqui, pode destruir o... tal de Damian?
Ela revirou os olhos.
― O que isso te interessa? Dá-me apenas.
― Estava a ponderar guardá-lo para mim... ― provocou-lhe.
― Não podes! Porque é meu. E sem contar que não te traria nenhuma utilidade, nem sequer o saberias abrir. E pior ainda, se te encontrasse ele te mataria de uma forma muito triste.
Ele ainda revirou a caixa. Era muito normal, para ser algo com tamanha importância, e ter sido achado por ela tão facilmente.
― Bem, vamos fazer o seguinte. A caixa ela não passa entre as grades, e é contra as regras que eu ta entregue antes de seres solta. Então a vou guardar novamente na tua bolsa.. ― colocou dentro da bolsa, e fechou-a ― está segura aqui. Eu vou guardá-la no armário.
― O quê?! ― não acreditou e bateu com as mãos nas grades zangada. ― Contei-te a minha história.
― Não poderei abrir a cela novamente, sinto muito. ― ele foi guardar a bolsa no armário, e o trancou.
Ela afastou-se e foi se sentar no banco. O dia ainda mal havia chegado ao meio. O bom de tudo era que Damian agora estava a repousar, e ela corria menos riscos.
Ele sentou-se novamente na secretária, e recebeu alguns telefonemas, inclusive de Verónika que queria saber se estava tudo bem. Na hora do almoço, um de seus guardas trouxe o almoço, e ele comeu ali, enquanto trabalhava. Dois de seus colegas passaram por ali, para levarem alguns materiais precisos e documentos, e mal olharam para Polyna que permanecia quieta de olhos fechados, e tentava se recordar como era dormir daquela maneira, sem terra á sua volta.
― Tenho uma curiosidade óbvia, como ocorre a transformação de humano para vampiro? É exatamente como nos livros? E a tua vida antiga, não sentes falta? ― perguntou ele á dada altura, enquanto enviava alguns faxe's com a ficha criminal de alguns dos mortos que haviam sido encontrados pela manhã.
― E você? Como se sente? Tendo feito parte do exército, ido à guerra em nome de uma população, e agora está aí, sentado por trás de uma secretária a redigir documentos e passear na cidade pequena de Bliton?
Aquela pergunta o atingiu diretamente, e ele estreitou os olhos olhando para ela friamente. Embora Polyna parecesse não se incomodar.
― Como sabes disso?
Ela soltou um risinho pragmático e continuou calada e de olhos fechados. Ele cerrou os punhos das mãos devagar, e encostou-se na cadeira. De facto, aquele era um assunto que assombrava a sua cabeça durante aqueles anos em que começara a viver em Bliton.

A noite finalmente caiu em Bliton, e ele conseguiu ver pelos olhos dela que já não se sentia ameaçada. Tinha a escuridão á seu favor.
― Capitão Jonathan Marshall. ― aquela voz fez Polyna saltar de alegria e virou-se. Correu até as grades e seus olhos brilharam de alegria.
O homem que até então estava a dormitar naquele posto policial monótono, acordou. E olhou para o homem que estava na sua frente: era magro, e menos alto que ele. Tinha a pele pálida, os cabelos aos caracóis suaves pela cabeça, e uns olhos escuros. Vestia-se muito bem, á antiga moda inglesa, e tinha inclusive uma corrente que se prendia ao relógio de ouro que ficava no bolso do seu fato.
― Sou eu.. ― levantou-se, e recebeu o aperto de mão.
― Meu nome é Jason, e vim buscar a Polyna. ― disse este com um ar elegante, e delicado.
― A senhorita Polyna ainda não se pode retirar. ― disse Jonathan sério, e viu Jason sorrir-lhe com agrado.
― O juíz não concorda com o senhor. ― Jason esticou a mão muito branca, e entregou uma folha a Jonathan que lêu tudo devagar ― A fiança está paga, e o júri a liberou.
― Como isto é possível? Como o juíz assinou isto? ― perguntou Jonathan sem acreditar no que seus olhos estavam a ver. O papel timbrado e assinado pelo juíz, era verdadeiro.
― Duvido que goste de saber. ― disse-lhe Polyna com um ar duro e confiante ― Agora abra a porta, já passei muito tempo aqui.
Jonathan mesmo contra vontade, desfez-se do molho de chaves que estavam na sua cintura, e abriu a cela. Polyna correu para os braços de Jason e abraçou-o feliz.
― Tive medo que tivesses queimado na cela, quando me ligaram daqui a avisar já era quase manhã. Não daria tempo de vir e voltar sem me cruzar com o sol. ― sussurrou ele baixo ao ouvido dela.
― Não te importes, ele sabe. Como achas que aquela manta foi parar ali?
― O quê?! ― protestou Jason, virou-se para o policial que abria um armário e tirou a bolsa dela, deixando-a eufórica novamente.
― Explico te depois. Foi muito bom teres vindo. ― ela recebeu a bolsa, e a agarrou contra o peito, como se fosse seu maior tesouro. Conseguia sentir a presença de Damian ali.
― Por favor, assinem aqui. ― pediu Jonathan, entregou papéis, e eles assinaram rapidamente ― Obrigado, até um dia.
Era visível na cara dele não estar a aceitar aquilo de bom agrado, mas não tinha outra forma de a reter ali.
― Onde estão os outros? ― perguntou ela.
― Estão em casa e te esperam, agora temos que ir e sabes porquê. ― lembrou-lhe Jason e ela acenou para o policial, que os viu sair ainda juntos e a conversarem.
Ele abanou a cabeça. Detestava sentir que as coisas lhe fugiam do controle. Arrumou suas coisas, e esperou até o seu colega chegar, para trocarem de turnos. Passou-lhe as informações e saiu dali exausto. Era mais do que certo que precisava descansar, mas não tinha sono e os seus problemas de insônias o dominavam cada vez mais. Evitava dormir porcausa dos pesadelos, apenas descansava em cantos que se achava confortável.
Entrou no carro, e foi para a sua casa. Ainda tinha muito que pensar.

Dirk era o policial que havia substituido, o capitão Jonathan Marshall no escritório. Ele havia passado a manhã a tentar resolver o caso dos corpos encontrados no desfiladeiro. Na verdade fora sua proesa encontrar aqueles corpos, que agora estavam na morgue para investigação. Ele sentou-se na cadeira, e acomodou-se. Não gostava de estar ali, fora das ruas e da acção. Olhou para os trabalhos de seu colega, haviam sido bem feitos como sempre. Jonathan era sempre excepcional em tudo o que fazia. Embora não falasse muito, a não ser com a sua amiga Verónika.
Desligou o computador, não ia passar a noite a cuidar de papeladas. Outra pessoa que fizesse isso. Cruzou os braços e as mãos atrás da cabeça, e esticou as pernas em cima da mesa. Fechou os olhos, precisava de descansar.
― Boa noite.. ― aquela voz arrepiou o inspector Dirk, o fez abrir os olhos e recompôr-se rapidamente. Olhou para o homem que estava na sua frente. Era muito branco, com o cabelo preto bem arrumado para trás a chegar quase no colarinho da camisa. Tinhas uns olhos castanhos esverdeados claros, como se brilhassem e acendessem. Tinha um nariz recto, lábios finos e barba proeminente a sombrear parcialmente a face. Vestia um longo casaco preto, da cor do resto da sua roupa, e usava sapatos clássicos.
― Sim.. em que posso ajudá-lo? ― perguntou Dirk, olhava atentamente e apesar da calma daquele homem, sentia-se incrivelmente assustado.
O homem fechou os olhos, e respirou o ar a sua volta.
― Procuro pela mulher que pensei estar aqui na cela, o seu nome é Polyna. ― respondeu, andou devagar até as grades da cela, passou as mãos e conseguiu sentir a recente presença dela.
Dirk atrapalhou-se e vasculhou os papéis que Jonathan havia arrumado em cima da mesa.
―.. Po-Polyna Grimhood? ― perguntou sem conseguir pensar, e o homem virou-se ironicamente olhando-o de forma assustadora ― Ah sim claro, ela saiu em menos de uma hora.
O homem caminhou com estilo e elegancia até Dirk, cuja face estava vermelha.
― E... sabe para onde ela pode ter ido? ― perguntou, mesmo já sabendo da resposta.
Dirk negou com a cabeça, e começou a transpirar.
― O senhor queira identificar-se por favor. ― ordenou este. Tentou parecer seguro, mas deslizou a mão para debaixo da mesa, e tirou a arma de fogo que ali estava encaixada. Levantou-a em um movimento, mas o homem foi muito mais rápido. Uma rapidez inexplicável, e segurou a mão dele bruscamente batendo-a com a mesa.
― Não grite se não quiser morrer. ― advertiu com a voz sempre rouca ― Meu nome é Damian.., bem agora já podes gritar!
Dirk olhou para os olhos daquele homem, mas arrependeu-se, pois este sorriu e ele viu os dois caninos que eram os maiores dos dentes que estavam na sua boca. Antes sequer de poder gritar, sentiu dentes se cravarem em seu pescoço e seu sangue ser sugado fortemente. Dirk estremeceu, sentiu dor quando o seu sangue secou pelo seu corpo, e caiu morto para o chão, com a jugular totalmente aberta.
Damian sorriu com o sangue a escorrer dos cantos da boca, tirou um lenço do seu bolso e limpou-se. Saiu a andar devagar para fora do posto policial, e acenou para os guardas.
De noite aquela cidade era sempre animada, mas ele estava decidido a instalar o caos. Colocou as mãos nos bolsos e saiu a andar devagar.
Apesar de ter muitos, ele não gostava de carros. Se tinha tantos poderes de que lhe serviria? Poderia voar, teletransportar, quando bem entendesse. Sem contar que corria á uma velocidade avassaladora.
Polyna achava que havia conseguido escapar dele, mas na verdade ele apenas divertia-se com aquelas brincadeira de persseguição. Mas qualquer dia se cansaria, e então ela se iria arrepender de um dia o ter abandonado.

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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por Vichan em Ter Dez 20, 2011 7:58 pm

Muito bom, muito bom mesmo! ADOORO capítulos grandes, nem vejo o tempo passar. Gostei do Damian (porque me lembra o Damon -riariaria), parece ser tão sedutor.

Mas, sendo sincera, gostei mesmo foi do Jason. Tá, sei que ele apareceu só um pouco mas seilah, achei tão fofo ele ir lá libera a Polyna. Achei que quando ela saísse ia ter que ficar à própria sorte.

Achei maldade o Jonh não dar caixa pra ela. Afinal, EU QUERO SABER O QUE TEM NA CAIXA! Enfim enfim, parando com o ataque histérico, quando seremso agraciadas com mais um capítulo?
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Ter Dez 20, 2011 8:06 pm

ahahahha, Vichan que bom, porque os meus capítulos são longos e as vezes penso que são cansativos, porque as meninas daqui escrevem curtinhos Rsrsrsrsr. Menos vc é claro, seus capítulos estão na medida.

Porquê O Jason cai nas graças de toda gente??? Hm?
A fic está terminada como já disse, amanhã posto mais um cap. Obrigada por ler e acompanhar,

A história ainda vaii rolar muito meu bem, ahahahha, vais ter que te segurar!!!

beijooo
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por Clara Lockwood em Qua Dez 21, 2011 2:28 pm

Li o segundo cap. e adorei, estou muito curiosa pra saber mais sobre a Polyana e sobre a caixa. Mas tenho que sair agora, então volto depois pra terminar de ler. Very Happy
Amei o cap. fato
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por Susy em Qua Dez 21, 2011 5:01 pm

Amei o capitulo!
Também adoro capítulos grandes... e os seus não são nem um pouco cansativos.
Gostei muito do Jason, ele foi tão fofo com a Polyna...
Estou muiito curiosa pra saber o que tem na caixa!
Você posta mais hoje?

P.S. Por enquanto não tenho nenhuma fic, mas ano que vem pretendo começar a escrever...
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Qui Dez 22, 2011 3:47 pm

ehehe Clara não tem problema, a fic está aqui a tua espera!!! obrigado por ter gostado.

Susy estou ansiosa por ler as tuas fics, qualquer coisa se precisar é só dizer. E ainda bem que próximo ano, é já para a semana ahahahah. Que bom que gostaste, estou mesmo muito feliz, o próximo capítulo é para já!!
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Qui Dez 22, 2011 4:07 pm

Aqui temos a continuação, espero que gostem. beijos!


Spoiler:
DEPOIS DA MEIA NOITE...

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Quarto capítulo- cativeiro



Jonathan havia conseguido dormir durante algum tempo, adormecera no sofá da sala com a televisão e luzes acesas como sempre gostava. Tivera pesadelos como sempre, dos seus tempos de guerra. Mas agora havia acordado. Verónika o ligara, e lhe contara a terrível notícia que Dirk fora encontrado morto, com o corpo seco, sem sangue.
Até dias atrás seria mais um mistério, mas agora ele sabia de que se tratava. Nunca gostara muito daquele seu colega, mas não desejava nada de mal, e muito menos uma morte precoce.
Não fora chamado para ajudar a resolver o caso. Devido aos resultados de suas consultas ao psicólogo, haviam-no proibido de participar em casos daquele tipo. E não sabia como se sentir em relação á isso, na verdade expressar sentimentos, que não fossem negativos, não era o seu forte. A única pessoa com quem ainda conseguia conversar era Verónika, que lhe arrancava tudo á força, inclusive os pensamentos. Era como uma psicóloga, uma vez que ele tinha abandonado as consultas que costumava frequentar no hospital.
Tinha que fazer trabalhos suaves, porcausa de seu nível elevado de estress, e para não acentuar os seus pesadelos e problemas de insônias.
Mas aquela vida calma, de prender pequenos delitos não eram de seu agrado, havia se tornado militar para exercer, e não para ficar a passear por uma pequena cidade e ficar atrás de uma secretária. Sabia que muitos colegas falavam mal e o injuriavam pelas costas, e sentiu que se pusesse em causa a questão de vampiros, seria enviado directo para um hospital psiquiátrico. Onde muitos achavam que deveria ser o seu lugar.
Procurou seus comprimidos em cima da mesa cheia de coisas, com uma caixa de pizza que estava pela metade, café, uma garrafa de sprite, bolachas entre várias coisas. Encontrou o remédio para estress e controle de seus batimentos cardíacos, e tomou dois. Sentia-se sempre mais calmo, depois de os tomar, levantou-se.
Saiu da sala apertada, cheia de livros amontoados, e foi até ao quarto de banho onde lavou a sua cara, e humedeceu os cabelos.
Não tinha mais sono, raramente o tinha, essa era a verdade. Levou as chaves, usou o casaco e saiu de casa. Lá fora estava um ar fresco e agradável. Todas as casas, seguiam-se pela rua abaixo, diferentes uma das outras, e com luzes acesas. Entrou no carro que ficava estacionado mesmo em frente e começou a conduzir. Ligou a rádio que tocava Broken dos Lifehouse, e aumentou o volume enquanto conduzia pelas ruas sempre agitadas. As ruas eram sempre muito iluminadas, e cheias de carros e pessoas. Deduziu que não sabia onde ir. Continuou a andar e conduzir pelas ruas, ainda era cedo, o relógio marcava ainda vinte e três horas e meia. Faltava um pouco para a meia-noite. Jonathan sentia a música que lhe preenchia o coração, dedicara-se muito tempo ao exército, e as guerras pelo mundo. Não tivera tempo para amor e paixão desde que era adolescente e se alistara no exército para agradar o seu pai. As mulheres todas que conhecia eram mulheres rápidas, de uma noite e para satisfazer seus desejos. Talvez por isso não tinha aprendido como criar laços verdadeiros.. ou talvez tivesse medo, receio de se apegar a alguém e depois perder.
Agora perguntava-se o que fazer em relação ao seu conhecimento sobre vampiros, e outras espécies? Por mais que tentasse ignorar, aquilo latejava-lhe a alma, queria saber mais, sentia que precisava de mais. Tinha que descobrir algo, uma brecha que fosse. Mas não sabia por onde começar e nem o que fazer. Teria sido sorte ou azar de ter encontrado aquela mulher que lhe revelara algo de género? Decidiu que procuraria qualquer que fosse a luz no fundo do túnel, mas ele tinha que saber.
Estacionou diante de um bar que se chamava platina. Era pequeno com luzes espectro azuis do lado de fora. Ele desceu devagar, e entrou passando pela porta.
― Não pode entrar com arma de fogo aqui! ― disse um dos seguranças que era grande e forte, com uma cara de mau, e um punk skinhead na cabeça.
― Na verdade posso. ― afirmou Jonathan, tirou o distintivo e mostrou ao homem que recuou ao ver a sua patente de capitão do exército nacional. Deu sinal ao outro guarda, que deixou Jonathan passar.
Ele entrou devagar nos seus passos sempre certos. O lugar era pequeno, com música muito alta e fumo. Tinham sofás em lugares estratégicos e distantes da pista, onde tinha um pequeno palco no meio, onde mulheres com corpos maravilhosos dançavam com pouca roupa. Tinham pessoas de todos os tipos, bebiam e conversam, outras dançavam ou fumavam. Jonathan inrrompeu pela multidão até conseguir alcançar o bar, e pediu um duplo de vodca. Olhou a sua volta, tentava em vão conseguir distinguir um vampiro por aqueles lados. Mas na noite era difícil, pior as mulheres, todas pareciam vampiras. Riu com o seu pensamento, mas era verdade, toda mulher, qualquer que fosse na noite, era uma vampira. Bebeu a sua vodca e sentiu o calor queimar-lhe a garganta, soltou um suspiro profundo. Sabia que devia se manter afastado do alcóol, tivera problemas, pois dantes bebia muito para poder dormir, e viciara-se.
Jonathan decidira ir-se embora, quando viu algo que destacou-se entre a multidão. Era muito branca, com um cabelo ruivo curto meio desarrumado com gel, em um estilo muito sensual. Era muito magra, com lábios pintados de vermelhos, e olhos escuros bem pintados. Vestia-se com um vestido colado, sem alças, e botas. Aquele ar confiante o fez de algum modo lembrar-se de Polyna.
Ele saiu do bar, e andou rapidamente até ela que estava sentada do outro lado do bar que era muito extenso, com bases feitas de metal e vidro.
― Desculpe.. ― pediu ele, e ela a olhou sem nenhum interesse ― Meu nome é Jonathan.
Ela não tinha nenhuma expressão facial, e apenas o olhou de relance. O facto de ver que ela nada bebia, fez-lhe suspeitar ainda mais. E as jóias, o brilho, e a classe. Era mais do que óbvio.
Viu ela virar-se novamente.
― Eu sei o que você é. ― declarou Jonathan com precisão, e ela voltou a olhar para ele.
Nada disse, apenas sorriu.
« cocozinho!» pensou ela para si, pensava que ele a poderia atrapalhar na sua caça nocturna. Mas depois pensou melhor, ele a olhava com curiosidade, e poderia ser uma presa fácil.
Levantou-se e saiu a caminhar para fora do bar no seu estilo sensual, sentiu a brisa que tanto gostava e os raios da lua se adequarem a sua face. Andou pela rua, e sentiu que aquele humano á seguia.
― Preciso de falar contigo. ― pediu Jonathan. andava apressadamente para a poder alcançar.
Ela virou se devagar para trás, mas sem parar de andar. Entrou por uma rua, e ele a seguiu apressado. Entrou na rua, e não viu ninguém ― cocozinho! ― praguejou, e correu para tentar alcança-la.
― Ei! ― a voz femenina, o fez virar-se e seguir a voz que estava em cima de um galho de árvore sentada.
Jonathan não soube se era azar, ou sorte. Encontrar duas vampiras em pouco tempo.
― Porque me segues? ― perguntou calmamente, e tinha um cigarro aceso.
Ele pigarreou, e coçou devagar a cabeça ainda a olhar para cima.
― Quero algumas informações. ― disse pausadamente, e ela riu alto.
― Achas que é seguro perseguir uma vampira, durante a noite? ― perguntou com certa ironia, o que o deixou sem compreender. Mas de repente sentiu uma pancada de uma cabeça forte contra a sua, e ele caiu no chão desmaiado.
A vampira desceu da árvore com um riso, abanou a cabeça negativamente e olhou para o outro vampiro que havia atacado á Jonathan.
― Vamos levá-lo. ― disse e deitou fora o cigarro ― Vai nos servir e muito, tem um sangue maravilhoso e fresco.
O vampiro a olhou.
― Tiveste uma boa colecta esta noite... ― disse ele a carregar Jonathan que era pesado, mas nem tanto para ele.
Levaram-no no carro para uma casa que ficava, do outro lado da ponte. Era grande, com quatro quartos, e apenas um andar. Muito bem mobilada, com acessórios electrónicos de última geração, á contrastar com a mobília de estilo renascentista.
Foram atirar o corpo pesado de Jonathan na cave, e prenderam as suas mãos e pernas com correntes grossas, velhas e enferrujadas. A cave era escura, húmida, cheirava a putreficação e estava cheia de corpos secos espalhados pelo chão frio. A vampira levou uma seringa com uma grande bolsa para armazenar sangue, introduziu em uma das grandes mãos dele, e sangue vermelho começou a sair, passar pelo tubo, e cair na bolsa. Devagar, pingo por pingo.
Os dois vampiros observaram-no atento, como se estivessem a presenciar uma obra de arte. Olharam-se com sorrisos confidentes, deram meia-volta e deixaram-no aí, subiram os degraus partidos feitos de pedra e fecharam a grande porta de madeira da cave que ficava debaixo da cozinha, e que fez um som ensurdecedor.
Jonathan abriu os olhos devagar, tinha a cabeça ferida e a doer. Ainda pestanejou antes de se recordar de tudo o que tinha acontecido e assustou-se, tentou se mexer, mas estava muito bem preso, nada cedia, só escutava-se o barulho das correntes que baloiçavam com seus movimentos contínuos.
Estava escuro, e quando seus olhos habituaram-se á visão, assustou-se! Tentou em vão se soltar enquanto via os corpos que ali estavam mortos. Seguiu a sua mão com o olhar, e viu a seringa que lhe estava espetada no braço e lhe drenava sangue. Virou a cabeça para o lado e vomitou sem conseguir reter no seu estômago.
― Socorro! ― gritou e sentiu seu grito rouco ecoar pelas paredes apodrecidas da cave. Mas breve deu-se conta que estava destinado á morte. Sentiu-se estúpido por achar que um vampiro era um ser com quem se poderia conversar, e depois ir embora como se nada tivesse acontecido. Mas eram seres desprezíveis, viviam no seu mundo, e viam os humanos apenas como alimentação. Sentiu-se nervoso, e tentou novamente soltar-se dos grilhões, mas devagar seu coração começou a bater, e perdeu o controle e entrou em desespero. Mas de nada adiantou
.
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por LuanaNunees em Seg Jan 02, 2012 4:17 pm

Leitora Atrasada;

Adoorei a historia, tá ficando cada vez mais interessante. Adoro caps grandes.
Amei o ultimo cap postado.
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Qua Jan 04, 2012 9:28 am

Obrigada Luanna, que bom que estas a ler e a gostar, fico mesmo feliz. Estou atrazada a atualizar, porque meu p.c deu um berro, mas em breve estou de volta e espero que continues a acompanhar. Beijos e feliz ano novo.
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Qua Jan 04, 2012 9:29 am

Obrigada Luanna, que bom que estas a ler e a gostar, fico mesmo feliz. Estou atrazada a atualizar, porque meu p.c deu um berro, mas em breve estou de volta e espero que continues a acompanhar. Beijos e feliz ano novo.
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por Vichan em Qua Jan 04, 2012 8:22 pm

Menina, cadê a fanfic? Eu totalmente ansiosa aqui pela continuação você fazendo suspense? Não vale viu?
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por Susy em Dom Jan 08, 2012 5:04 pm

Muito bom esse capitulo!
Quando vc posta a continuação?
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Seg Jan 23, 2012 8:18 am

Vichan e Susy, obrigada por estarem a ler e a gostar. Bem, estou de volta, mais logo tenho um capítulo novo sim. Beijos
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Re: DEPOIS DA MEIA NOITE...

Mensagem por miaDamphyr em Seg Jan 23, 2012 1:43 pm

( muito bem, aqui vamos conhecer os amigos da Polyna, e um pequeno cheiro do Louis, seu irmão por criador )
Spoiler:



DEPOIS DA MEIA NOITE...


“ don´t follow me, i can change the target any
time...”



Quinto capítulo- processo de drenagem

Sentia sangue sair de si, cada vez que o tempo passava. Não sabia onde estava, nem tinha agora a noção das horas. Sentia sede, e ao longo do tempo tonturas e o rítmo do seu coração diminuir. Sabia que já tinha passado muito tempo naquele lugar, sentia-se fraco e sem forças, seu corpo estava a ficar sem sangue. Reviveu sua vida inteira, sua infância simples, sempre a cuidar da sua irmã e do seu gato Bassus. Seus pais eram presentes, e lhe tinham dado o que podiam. Na secundária não se lembrava de ter tido muitos amigos, nem namoradas fixas. Mas em um resumo parecia que tinha lhe corrido bem, talvez tivesse sido feliz.
A porta da cave abriu-se, e ele escutou passos que desciam novamente até abaixo, ele ainda conseguiu erguer os olhos, e viu a mesma vampira que o tinha atraído para a sua morte.
― Aqui está. Ele é forte! Ainda não se foi, mas já não aguenta mais ― disse ela que colocou as mãos na cintura.
Viu mais três silhuetas se aproximarem.
― Oh não! ― exclamou a voz deslumbrante de Polyna, que correu até Jonathan que sentiu uma ponta de esperança. ― Soltem-no!
― Polyna.., como..? ― a voz de Jason contra, fez-se ouvir, mas ela virou-se fulminante.
― Já tem aqui sangue que chegue. Agora soltem-no! ― ordenou ela, andou até o outro seu amigo que era loiro, com o cabelo ralo, olhos como de uma águia eram castanhos cor de âmbar. Arrancou-lhe as chaves das algemas, voltou até Jonathan e libertou-lhe das algemas. Ele caiu para o lado e fraco.
― Estás maluca, Polyna? ― perguntou a vampira que não compreendia.
― Este é o policial que me ajudou a cobrir a cela, Sareen. ― contou Polyna que tirou a agulha devagar da mão dele. ― Leva o sangue, Ayden.
O vampiro que estava intrigado e nada satisfeito, levou a grande bolsa agora com sangue até a metade, e subiu as escadas. Pensava que devia ter aberto mais o tubo para o sangue correr mais depressa.
― Ajudem-me a carrega-lo. ― pediu Polyna, apoiava Jonathan em seus ombros. Jason foi quem se mexeu mesmo contra a sua vontade, e subiram com ele até a cima.
Deitaram-lhe no sofá da sala, uma vez que nos quartos não tinha cama.
― Jonathan! ― chamou-lhe Polyna que lhe deu uma bofetada ligeira na face, para ele acordar. Olhou para ela com um ar muito fraco. ― Sareen, vai para uma loja compra frutas, vitaminas, e sal ferroso. Temos que cuidar bem dele, compra também soro para desidratação, e ingredientes para sopas. Ah, um pacote de leite também.
Sareen olhou para Jason indignada com a situação, mas este não reagiu á seu favor. Ela abanou a cabeça, levou chaves do seu carro, e saiu de casa.
― Não podemos manter um humano aqui. É nosso esconderijo, vamos deixá-lo num hospital e prontos. ― decidiu Jason que viu Polyna correr e procurar um cobertor, mas tudo o que encontrou foi uma pano de mesa, tirou-o e cobriu a Jonathan.
― Não o podemos deixar assim, antes de falarmos com ele. Ele sabe muito sobre nós ― disse ela, foi a cozinha buscar um recipiente com água, e um pano de cozinha. Não tinha kit de pequenos socorros, e começou a limpar a ferida dele da mão e da cabeça que tinha sangue seco.
― Por isso o deveríamos matar! ― afirmou Ayden que surgiu ainda aborrecido. ― Não compreendo, nunca parámos um processo de drenagem de nenhum humano.
― Isso se não for conhecido. Eu o conheço. ― retorquiu Polyna atenta a limpar. ― Não podemos matar conhecidos.
Jason interveio:
― Mas vamos deixar ele vivo depois de tudo o que sabe? Atirámos-lhe ai na rua, alguém o vai salvar, e ele estava inconsciente, não sabe a nossa localização.
― Mas tem os meus dados.
― Dados mudam-se.
― E minha cara não! Pode me reconhecer em qualquer lugar, não quero que ele espalhe que sou vampira por aí. Já imaginaste não poder sair á vontade pelas noites de Bliton?
Ayden riu com sarcasmo.
― E quem ia acreditar nele? Francamente Polyna.
― É diferente.., as pessoas sempre iam olhar para mim a procura de ver se há verdade no que ele poderia dizer!
― E o que pensas que ele vai fazer quando ficar melhor? Dar-te um beijo de alegria? ― ironizou Ayden que tinha um estilo rock. Cheio de pulceiras com picos, olhos pintados, e botas longas.
― Vou falar com ele. ― garantiu ela. Já havia conversado com Jonathan uma vez, sabia que ele era coerente.
― Estupidez! ― irritou-se Ayden que saiu dali deixando-os na sala á sós.
Polyna olhou para Jason que a olhava.
― O que pretendes exatamente com tudo isto? ― perguntou ele.
― Sinto-me em dívida, eu poderia ter morrido se não fosse ele ― afirmou com os grandes olhos verdes a brilhar. Jason acenou afirmativamente, tentava compreender, mas no fundo não conseguia. Tudo lhe parecia um grande absurdo, afinal desde quando é que vampiros sentiam compaixão por um humano?
Sareen voltou algum tempo depois, com sacos com os pedidos de Polyna que começou a cuidar de Jonathan imediatamente. Depois cozinhou uma sopa, e o fez comer. Cuidou dele durante dois dias seguidos, este que passava mais tempo a repousar, havia perdido muito sangue, mas aos poucos sua pele ganhava cor, e ele sentia-se mais ou menos melhor.
Acordou por acaso numa noite, e assustou-se. Levantou-se á correr e foi até a porta, que estava trancada. Olhou para as janelas que estavam cimentadas, e respirou fundo. Ainda não estava bem, e sentiu tonturas.
― Acalma-te.. ― a voz de Polyna não o deixou seguro, e ela descia as escadas bem vestida. Com uma blusa de gola alta, e calças que lhe desenhavam o corpo bonito. Jonathan olhou para ela com um ar suspeito, e para a sua mão que tinha o pequeno encaixe da seringa.
― Quase morri.. ― declarou ele com o coração a bater.
― Quase. ― concordou ela que lhe piscou o olho. ― É melhor vires te sentar, não estás bem.
Jonathan andou com receio, e sentou-se no sofá. Tinha um cobertor agora, que ela havia comprado.
― Onde.. estão os teus amigos? ― perguntou, mantinha-se distante dela.
― Ainda a descansar. Eu levantei-me cedo para cuidar de ti.
― E cuidar de mim porquê? Primeiro capturam-me, e depois queres que eu me recupere para poder tirar mais sangue de mim?
Polyna riu.
― Parece uma boa ideia, mas não é nada disso. Não te deixei morrer, porque fizeste o mesmo por mim. Lembras?
Jonathan acenou afirmativamente com a cabeça, e tinha o sobrolho unido.
― Maldita hora que o fiz, não?
― E não estarias vivo a uma altura destas. O que te deu na cabeça? Eu avisei-te para não te meteres com vampiros.
Ele encolheu os ombros.
― E achas mesmo que não o teria feito? Ainda mais quando deixaste o posto policial, um homem foi para lá e matou um meu colega... ele foi encontrado seco, e sem sangue.
Polyna estremeceu por dentro, mas não demonstrou. Permaneceu quieta, durante algum tempo. Sabia que se Jason não tivesse chegado a tempo, teria sido o seu fim.
― E ainda assim foste a procura de vampiros? Estás maluco? Achas que és a Buffy?
― Precisava de respostas.., e ninguém me poderia ajudar.
Polyna abanou a cabeça.
― Foi muita sorte eu ter chegado à tempo.
― É isso que vocês fazem? Vi corpos ali em baixo, é horrível.
― Nós drenamos sangue assim, para evitar muitas mortes. Imagina se cada um de nós aqui, se alimente de uma pessoa por dia? Muitas mais mortes. E nós preferimos tirar
sangue de um só humano, e guardar. Dura mais tempo, porque apenas consumimos até nos saciar. Diferente de morder um corpo, saciar e deixar de lado já sem utilidade. São poucos os vampiros que sugam até ficarem secos, esses são os mais famintos, os mais fortes ― explicou Polyna que defendia e concordava com a sua lógica e métodos.
― E porquê não consomem sangue de animais?
Polyna suspirou fundo.
― Faz-nos mal, não nos mata a sede. Mesmo esse método que usámos de drenar, não é totalmente satisfatório, e de vez enquando saímos para morder alguém. Mas diminuimos muitas escalas de morte.
Jonathan sentia-se enojado com aquela toda história e violência. Passou a mão pelo cabelo.
― Deixa-me sair daqui.
― Não posso. Sei que por mais que queiras, vais fazer uma denuncia. Será o teu fim, e o nosso fim. Porque apesar de não saberem onde e como nos encontrar, no fundo começarão a tentar prestar atenção.
Jonathan chutou a mesa de vidro que estava na frente, e tentou segurar os seus nervos. Polyna aproximou-se dele e sentou-se.
― Fiz de tudo para que ficasses melhor, cuidei de ti, até fiz sopas.
― Horríveis e sem gosto.
Ela amarrou a face sem graça.
― Fazem anos que não cozinho ― justificou.
― E o que pretendes? Transformar-me em vampiro?
― Não posso procriar, a lei dos vampiros não me permite sem autorização da assembleia. Os que o fazem sem direito, são considerados profanos.
Jonathan queria entender mas não conseguiu.
― E vais me prender aqui?
― Por enquanto sim, espero que te recuperes na totalidade. E depois veremos. Comprei-te roupas, escova, e alguns mantimentos que estão na cozinha. Podes movimentar-te à vontade. Eu vou sair um pouco, tenho assuntos a tratar.
― Podes trazer-me sopa instantânea por favor? ― pediu ele com ironia, e Polyna aceitou com a cabeça. Em seguida ela apontou para uma mochila sport da Nike que tinham coisas para ele. Levantou-se e saiu em silêncio. Jonathan escutou-a trancar a porta, e sentiu-se incomodado. Levantou-se a respirar fundo, sabia que não tinha nenhuma maneira de sair daquele lugar, mas ficar ali dentro, era demais para suportar. Carregou a mochila com dificuldade, e foi até ao quarto de banho, onde tomou banho e lavou-se muito bem. Depois vestiu a camisa de tecido fino e de marca que lhe fora comprado por Polyna, assim como perfumes e loções masculinas para aplicar na pele. Quando terminou, ele atreveu-se a subir os degraus e passeou pelo corredor com quatro quartos todos com suîte, mas abriu uma porta e apenas encontrou um caixão fechado. Ele andou devagar e abriu: era Jason, que dormia coberto por areia.
Jonathan não sabia como estaria o céu lá fora, mas como Polyna já havia saido sabia que estava escuro. Fechou a tampa, e saiu do quarto ainda com medo. Tinha aversões á caixões, que sempre lhe faziam lembrar a morte. Sentiu-se perturbado por alguns segundos, e respirou fundo. Tinha muitas lembranças da guerra que lhe vinham a cabeça quase sempre. Desceu as escadas e foi a cozinha. Onde encontrou cereais e leite para ele comer. Preparou e foi sentar-se na sala e ligou a televisão.
Sareen foi a primeira a acordar, mas não o comprimentou. Saiu da casa já bem vestida. Ayden fez o mesmo, trancando-o ali dentro. Apenas Jason não aparecia.

****

Louis estava no parapeito de uma janela, via a humana que passava loção pelo seu corpo descoberto, e sensual. Gostava sempre de a apreciar, ela era bonita embora pouco femenina. Não gostava de se pintar, e vestia-se sempre simples. Era isso que mais gostava nela, uma vez que vivia rodeado de mulheresexuberantes. E era virgem, conseguia sentir pelo cheiro, e só por isso não invadia seu quarto, e a agarrava a força. Sentia-se excitado só de pensar nisso.
Escutou-se a campainha, e Louis assustou-se. Estava a ser negligente ao ficar ali na janela dela a aquela hora da noite. Ainda era cedo. Saltou, e desapareceu.
― Já vai! ― gritou Verónika, que usou um robe castanho, e prendeu os cabelos húmidos. Saiu à correr do quarto, e desceu as escadas. Passou pela sala e encontrou a sua irmã, sentada a ver televisão. ― Não podias abrir a porta, Bianca?
A irmã que tinha o cabelo pintado de loiro, e uns olhos grandes bem pintados ergueu a cabeça.
― Não vês que estou a pintar verniz? ― indagou Bianca num tom óbvio, e voltou a baixar a cara concentrando-se nas suas unhas longas da mão. Verónika não disse nada, apenas aproximou-se da porta e a abriu. Foi ofuscada pela figura feminina que estava na sua frente.
― Boa noite, queria falar com.. Verónika.. ― ela espreitou e olhou para
Bianca que era a que mais se parecia a um ser feminino.
― Sou eu. E quem és? ― perguntou esta que estava retraída diante dela.
― Meu nome é Polyna.., e tenho um recado do.. Jonathan.
A face de Verónika mudou como por magia, faziam dias que procurava pelo seu amigo e colega de trabalho.
― Queres entrar? Aceitas um café? ― convidou Verónika que segurava o tom de voz para não parecer emocionada.
Polyna ponderou.
― Acho melhor em uma outra altura. Apenas vim dizer que ele está bem.
Verónika franziu a testa, e voltou a prender os cabelos que escorregavam do elástico.
― Ele desapareceu por quatro dias, não disse nada a ninguém. Todo mundo está a procura dele..., e tu apareces sei lá de onde, e me dizes que ele está bem? ― arqueou a sobrancelha.
― Sim. ― a resposta de Polyna foi curta e fria.
― E quem tu és para ele? Nunca te vi antes!
Polyna sabia que Verónika era uma mulher esperta e atenta, e que aquela conversa não seria muito curta como desejava.
― Sou a namorada do Jonathan. ― mentiu e sorriu ― ele nunca te disse? Pensei que fossem amigos.
Os olhos de Verónika escureceram, engoliu em seco, mas não perdeu a compostura.
― Namorada? ― repetiu. ― Eu e ele somos muito amigos, teria me dito.
― Parece que não. Mas pensa bem, se não fosse verdade como eu saberia que és a Verónika, onde vives? Ele me pediu para te procurar e dizer que esta tudo bem.
― Ele poderia ter me ligado!
― Sim claro, mas o Jonathan teve uma recaída de stress. Anda com umas idéias estranhas que o perturbam, e antes que algo de grave acontecesse, Ajudei-o a retirar-se um pouco. Foi uma atitude rápida, nem sequer planejada. ― afirmou em um tom convincente. ― Mas não te preocupes, ele vai te telefonar hoje mesmo.
Verónika continuou firme.
― Espero bem que sim... ― balbuciou, ela sentia que tinha algo de errado naquela história. Mas também sabia que Jonathan era uma pessoa muito fechada, e discreta. Era mesmo capaz de ter uma namorada sem a contar.
― Bem, tenho que ir. Avisa aos teus superiores que ele está bem. ― concluiu Polyna que despediu com um aceno de mão, balançando as jóias do pulso, e saiu em seus passos moderados até ao carro que ali estava parado.
Verónika ficou a vê-la entrar no carro, e sair da sua rua estreita a velocidade. Fechou a porta, e sentiu-se pequena diante daquela Polyna. Parecia rica, e era de uma beleza atraentemente exótica. Seria por isso que seu amigo nunca tivesse se interessado por ela? Por ser simples, e sempre vestir a farda de policial? Por ser pouco feminina, e lutar lado á lado com homens fortes?
Soltou um longo suspiro, e sentiu-se fraca. Sempre dera tempo ao tempo para conquistar Jonathan, esteve sempre ao seu lado, e o fazia adormecer em seus braços quando ele estava cansado. Mas agora que tivera uma crise, correra para os braços da sua namorada pomposa.
― Bia.. ― chamou-lhe Verónika e a sua irmã olhou-a de sobrolho unido. ― Achas que sou feia?
Bianca riu com gosto, era a mais nova e muito mais elaborada.
― És...
― És linda minha filha! ― cortou-lhes a mãe que saiu da cozinha com uma travessa de arroz de legumes. ― És linda e inteligente. Não usas o teu corpo como fonte de rendimento, e nem a tua beleza para ter sucesso.
Bianca olhou para a mãe e fez uma careta. Detestava que estivessem sempre a dizer-lhe aquilo, e saltou da cadeira. Revelando um corpo magro, e vestidos com uns calções curtos e justos. Saiu da sala zangada e subiu para o seu quarto.
― Mãe... ― protestou Verónika. ― A Bia ainda é nova, não tem noção das coisas.
― Tu também és nova e já tiveste a idade dela. ― lembrou-lhe a mãe a arrumar a mesa. Verónika passou a mão na face suavemente.
― Vou me vestir, e desço para jantar. Tenho que trabalhar esta noite, agora que o Jonathan sumiu fecho-lhe o lugar. ― disse afastando-se e subiu até ao seu quarto.
Entrou e fechou a porta. Já não sentia aquele cheiro perfumado, que sentia todas as noites. Era um cheiro clássico de um perfume masculino caro, mas não conseguia identificar. Procurava nos homens que sempre a rodeavam, mas não era de nenhum.
E era como se já estivesse acostumada, com aquele cheiro dentro de si.
Vestiu a sua farda policial, e penteou os cabelos prendendo-os com um elástico no topo da cabeça. Arrumou as suas coisas e saiu do seu quarto, simples e bem arrumado. Ainda não conseguia parar de pensar em Jonathan, sentia que algo não estava certo naquela conversa toda. Mas de facto não deveria estar muito bem, foi bom ter se afastado, antes de espalhar a sua ideia que vampiros existem. Foi-se sentar com a sua mãe e jantaram as duas.
Bianca desceu muito bem vestida, com roupas caras que a vida que elas tinham não permitiam comprar. Todos em Bliton sabiam o que ela fazia para comprar roupas, sapatos, perfumes caros. E apenas frequentava melhores lugares, com homens diferentes.
Verónika sofria muito com as piadas que as pessoas á sua volta lançavam, mas não se deixava abater. Cada um era livre de falar o que quisesse, liberdade de expressão. Sem contar que todos sabiam que era verdade, que Bianca andava com homens por causa de dinheiro. Ela era fria, nunca namorava ou se apaixonava, apenas se envolvia com um homem por benefício próprio.


Se os capítulos estiverem longos avisem que eu os diminuo. Beijos à todas.
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