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When the wild wind blows

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When the wild wind blows

Mensagem por CerealKiller em Sab Abr 18, 2015 1:02 pm


Bom, essa é minha primeira fanfic e não fez muito sucesso no outro site onde postei, o Nyah! Fanfiction. Então, trouxe ela pra cá. Ela é dividida em capítulos, onde cada um é um registro no diário desse sobrevivente. Espero que gostem!

Sinopse
Um rapaz luta para sobreviver num mundo pós-apocalíptico, onde um ataque biológico em grande escala consegue derrubar o governo, o exército e destrói todo o mundo que todos conheciam.
O Doutor K, um 'cientista revolucionário' que dava voz a única rádio que funcionou depois do Último Dia, a K-Radio, foi o que mais forneceu detalhes sobre o Vírus, que ele mesmo deu o nome de Vírus-Y.
'O vírus começa como uma gripe normal', foi o que o Doutor K disse. 'Tosse, dor de gargante, febre altíssima e dor de cabeça. Vai evoluindo, a tosse para e o paciente começa a se sentir fraco. Depois de poucas horas, o paciente falece e depois de minutos, ou horas, ele revive, como um ser irracional, violento e com tendências ao canibalismo. A mordida é altamente infecciosa, matando quem quer que seja mordido em poucas horas. Não há cura. Minha sugestão?
Matem todos.'

27/01/14, Washington D.C.:

Consegui escapar da zona segura de Washington, depois de doze dias escondido em um BTR quebrado, jogado num canto de uma das ruas. Dentro dele, mal havia espaço para sequer se deitar, mas o BTR foi a única coisa que me escondeu da horda.
A maior besteira que fiz foi ter vindo para a zona segura. Já havia visto alguns Deles por aí. Aparência cansada, trôpegos, desfigurados e mal-cheirosos. Mas isso não era surpresa. Há um tempo atrás, me lembro de minha época de fã de filmes e jogos de zumbi. Passava as tardes e noites vendo filmes do Homero, jogando Resident Evil e Left4Dead. Parece que nem tudo foi inútil.
Depois de sair do BTR, me vi numa avenida. Haviam alguns deles jogados nos becos ou dentro de alguns estabelecimentos, mas nenhum deles seria perigoso se eu fosse rápido. Muito rápido.
Nesse tempo que passei, tanto na Zona Segura quanto no BTR, eu compreendi duas coisas: existem dois tipos Deles. O primeiro, mais fraco e mais comum, é o que todos conhecemos (ou todos conheciam): lentos, trôpegos e burros. O segundo, mais raro e também só aparece durante a noite: é mais rápido, forte e ágil e deve ter o cérebro mais preservado, pois é consideravelmente mais inteligente. Não faço ideia de qual dos dois eu temo mais. Porém, a luta continua.
Tenho comigo poucos alimentos e apenas uma garrafa de um litro de água. Não sei quanto tempo vai durar... mas tenho certeza que vão durar mais do que eu.

07/02/14, Rivnat:

Nunca fiquei tão contente em estar errado. Agora, vou me aprofundar mais um pouco na minha fuga de Washington. Após muitas horas ou talvez dias, eu ouvi tiros. Não apenas um ou dois, distantes e que logo paravam. Não.
Tiros de rifles de assalto, de pistolas, metralhadoras. Parecia que haviam dezenas de atiradores, pois quando um parava, outro prosseguia. Porém, depois de alguns minutos, os tiros súbitamente pararam. E foi ali que vi minha janela para fugir de Washington.
Ao botar a cabeça para fora do BTR, confirmei o que pensava: todos os malditos haviam ido em direção aos tiros. Pela primeira vez em um bom tempo, a rua estava limpa. Então, em cerca de segundos, recolhi minha mochila com os meus últimos mantimentos: a garrafa de um litro que já havia sido reduzida a 200ml e duas latas de atum. Sempre tive frescuras para me alimentar e agora toda a comida que eu tinha era um pouco de água e atum. Nem sequer uma Coca-Cola, nem sequer uma barrinha de chocolate. cocozinho.
O BTR fedia. Fedia muito. É óbvio que um ser humano precisa fazer suas necessidades, mas isso não tornava o cheiro mais agradável. Então, sai do BTR, me preparando para correr. Mas, quando encostei o pé no chão, quase não consegui me afirmar. Talvez o tempo encolhido no BTR tenha me feito mal, mas eu não tinha tempo para pensar nisso agora. Olhei em frente e me pus a correr.
Existiam tantas coisas que poderiam dar errado naquela situação e, como a Lei de Murphy diz, todas deram errado.
Minha fuga levou aproximadamente cinco ou seis dias. Nesse meio tempo, minha comida e água acabaram, fugi de uma horda passando por cima dela, lutei contra três zumbis e quase perdi minha cabeça para um sniper psicopata.
Mas, vamos detalhar melhor. Depois de um bom tempo correndo, encontrei Eles novamente. Ocupavam uma rua inteira, mas só fui percebê-los depois que virei a esquina e entrei nela. Era uma verdadeira multidão de canibais apodrecidos que estavam ansioso para me mandar direto para o game over. Mas eu não iria deixar. A multidão era separada por vários carros e até um ônibus. Todos estavam abandonados, manchados de sangue e alguns tinham buracos de bala. Porém, elaborei um plano, enquanto me escondia atrás de um dos carros.
Os carros estavam praticamente enfileirados e, quase no fim da rua, um ônibus escolar estava quase em cima da calçada e, de cima dele, era possível pular para a janela de um apartamento. Não pensei duas vezes - e nem tive tempo para isso - e me lancei no primeiro carro.
Não olhei para baixo, não olhei para os lados. Apenas para a frente. Corria, pulava de carro em carro e gritava de pavor cada vez que algum dos mortos-vivos conseguia encostar a mão nos meus pés. Pular de carro em carro não é nada silencioso: em poucos segundos toda a rua estava tentando me matar. Mas, como meus inimigos eram lentos e, literalmente, podres, eu consegui fugir antes de que algum tivesse a sorte de segurar minha perna e me derrubar.
Quando fui pular para o ônibus, um dos mortos-vivos soltou um grunhido que me gelou a espinha. Olhei para trás e vi a multidão que tentava desesperadamente me alcançar, de boca aberta e os braços estendidos na qual minha direção.
Pau no cu de vocês, seus filhos de uma chata! – soltei, apresentando o dedo do meio para eles todos, com toda a educação que eu já havia recebido.
Agora, eu sorria descontroladamente. Da parte de cima do ônibus, eu me sentia intocável. Nenhum dos mortos-vivos fazia algo além de bater nas laterais do ônibus. Mas, quando ele começou a ser sacudido pelos desmortos, decidi pular pela janela do apartamento.
Tirei meu moletom e enrolei ele na mão, dando um soco na janela, que se rompeu em centenas de cacos de vidro. Desenrolei o moletom e vesti ele novamente, sem pressa, esperando que se algo estivesse dentro do apartamento, já teria reagido.
Pulei pela janela, tomando cuidado para não encostar nos pontudos cacos de vidro. Me vi em uma cozinha, passando por cima de um balcão. A cozinha era pequena, cerca de 3x3. Mas parecia uma imensidão comparada ao BTR.
Havia um balcão na frente da janela, pelo qual eu havia passado, uma pia bem grande ao lado dele, um armário do meu tamanho do lado da pia e, do lado do armário, uma geladeira.
Ao passar por cima do balcão, eu havia chutado uma garrafa de plástico, cheia de um conteúdo transparente. Depois de observá-lo, vi que era álcool. Uma garrafa de vodca pela metade que estava jogada em cima da pia chamou minha atenção: já sabia o que fazer. Criaria uma distração maior ainda, enquanto eu corria ao lado contrário.
Peguei a garrafa de álcool e derramei seu conteúdo dentro da garrafa de vodca. Rasguei um pedaço da manga da minha camiseta, enrolei e coloquei dentro da garrafa, com uma pequena parte de fora. O pavio do meu molotov.
Fui até a janela e vi que os desmortos ainda estavam tentando derrubar o ônibus. Eles sacudiam o ônibus de um lado para o outro - afinal, era uma multidão. Ao me ver na janela, alguns deles estenderam os braços para mim, soltando grunhidos aterrorizantes. Mas não para mim. Não aqui.
Peguei meu isqueiro e acendi o pavio do molotov. Ao ver o fogo começando a consumir a manga da camiseta, joguei a garrafa no meio da multidão, do lado de lá do ônibus. Passou por entre dois mortos vivos e, subitamente, uma chama subiu no meio deles. O fogo começou a consumir a pele em decomposição dos desmortos. Sorri ao dar as costas a ele e ir em direção a porta que ficava do lado contrário da cozinha.

08/02/14, Rivnat:

Vou continuar minha história. Após me divertir poucos segundos observando os mortos-vivos queimarem, segui direto para o outro lado do apartamento. O quarto de um casal, aparentemente, com uma cama de casal e um grande guarda-roupa. O quarto parecia ter sido esvaziado com rapidez, pois ainda haviam roupas no chão. Então, ainda afetado pela visão dos zumbis queimando, tive outra ideia. Fui até o fogão, abri o gás de cozinha e deixei-o vazando. Então, fui até o quarto do casal, abri a janela que dava a um beco (e uma grande lixeira estava aberta, o que amorteceria minha queda), que seria minha rota de fuga. Então, coloquei fogo em um livro didático de física. Nunca gostei de física.
Fui até a janela e pulei na lixeira. O cheiro de lixo estava quase agradável, considerando o odor de decomposição, fezes e urina que infestava as ruas. O cheiro de chorume chegava a ser um perfume.
Então, sai da lixeira e já me pus a correr. Meu plano era chegar a Rivnat, local onde o Doutor K dizia estar operando. Rivnat ficava a poucos quilômetros de Washington, era uma cidade não muito grande. O Doutor K dizia que ele estava em um container, provavelmente no jardim de sua casa, em um bairro de classe média quase no centro da cidade. E é pra lá que eu vou.
Quando a bateria do meu celular, que era cuidadosamente administrada, acabou, o Doutor falava sobre militares formando um perímetro ao redor de Rivnat, depois que Washington havia caído. Parece ser a melhor coisa a fazer.
Além disso, quando as antenas ainda funcionavam, consegui contatar Billie, Bruce, Kim e o Rick. São quatro amigos, que trabalhavam na mesma empresa que eu. O ponto de encontro era Rivnat, mais especificamente na casa do Doutor K.
Então, segui meu rumo. Consegui encontrar uma bicicleta jogada no meio da rua. Seu antigo dono, um homem de meia idade com o rosto desfigurado devido as mordidas, provavelmente não precisaria mais dela.
De Washington até Rivnat eram, aproximadamente, trinta quilômetros. Pedalando como nunca pedalei antes, consegui cobrir quase todo o caminho até a noite. Quando a noite chegou, fui forçado a me abrigar pela noite. Já que nenhum dos estabelecimentos de beira de estrada parecia confiável, decidi montar acampamento no lugar onde os mortos-vivos não alcançariam: os galhos mais altos de uma árvore.
Estou, agora, escrevendo isso apenas com a luz da Lua e uma caneta azul que já está começando a falhar. Espero achar outra: esse diário foi uma boa idéia. Parece que estou conversando com outra pessoa, dá pra acreditar? Hahah. Vou descansar um pouco, pretendo chegar a Rivnat antes das dez horas da manhã. Quero almoçar, pela primeira vez em semanas.

09/02/14 - 10/02/14. Rivnat:

09/02/14

O dia começou mal. E tá cada vez pior. Não tô no clima pra escrever hoje... Vou deixar pra amanhã.

10/02/14

Ok. Tô escondido em uma casa perto do lugar onde deveria ser a casa do Doutor K. Ainda é meio-dia e tem muitos Deles lá fora.
Ontem, me acordei cedo e já me preparei para caminhar. Quando estava chegando perto da cidade, percebi que os pneus da bicicleta estavam furados e quase vazios. Decidi jogá-la num canto da estrada e seguir o resto do trajeto a pé.
Faltavam cerca de dois quilômetros quando eu vi, ao longe, a cidade. Morta como todas as centenas de mortos-vivos que estavam naquele trecho da estrada. Subi em outra árvore e percebi que, antigamente, havia sido montado um perímetro militar naquele trecho, com direito a uma enfermaria improvisada, uma horrorosa vala cheia de corpos queimados que me deu náuseas e alguns jipes militares perfeitamente estacionados. Infelizmente, toda essa zona estava infestada.
Minha esperança começou a minguar conforme eu me aproximava daquela área. Ah, agora eu tenho uma pistola, 9mm com quatro pentes. Provavelmente nunca irei usá-la: um mísero disparo alertaria todos Eles, num raio de vários quilômetros.
Voltando ao relato. Em minha cabeça, se a estrada estava naquela condição é porque todos os mortos-vivos haviam saído da cidade, tornando-a um lugar seguro. Na verdade, algo dentro de mim implorava para que eu estivesse certo.
Então, saindo da estrada e seguindo abaixado, contornando aquela 'mini-base' militar, cheguei a cidade. Uma placa anunciava 'Bem vindos a Rivnat. 341 180 habitantes.' Um arrepio cruzou minhas costas quanto me perguntei 'onde estão esses habitantes?'.
Mortos, eu diria. Desses 341 180 habitantes, provavelmente 80 sobreviveram. Os outros 341 100 morreram e agora estavam espalhados pela cidade, prontos para jantar qualquer sobrevivente desavisado.
Então, tentando enfrentar o desânimo, segui por algumas ruas secundárias. A princípio, a cidade parecia vazia. Vazia mesmo. Sem militares, sem sobreviventes. Até os mortos-vivos não eram muito comuns pelas ruas.
Com a pistola – que havia sido gentilmente tirada do corpo de um tal de Sargento Killborn – na cintura e a mochila quase vazia nas costas, decidi parar e entrar em uma casa. Era uma casa pequena, um andar só. O pátio era bem maior, com um escorregador e um balanço que provavelmente divertiam uma criança há pouco tempo.
A visão do balanço abandonado tocou fundo em mim. Crianças. É de mais pensar que crianças morreram, que crianças vagam por aí junto com as hordas canibais. Que, em um futuro próximo, eu poderia ser forçado a matar uma criança. droga, é demais pra minha cabeça.
Bom, perdoem-me meu palavreado, caros leitores (que leitores?), mas foi nesse momento que eu fiz uma grande cagada.
Peguei minha pistola, minha única arma. Não sabia nem sequer atirar e contando apenas com a experiência de todos os Call of Duty zerados e de muitas noites jogando paintball, abri a porta da frente e adentrei a escuridão.
Estava segurando a arma da mesma maneira em que via nos jogos. As duas mãos segurando-a, dedo no gatilho, arma destravada e com passos extremamente cuidadosos. Bati algumas vezes com o pé na porta, fazendo barulho para que qualquer pessoa – ou monstro – que estivesse lá dentro ouvisse.
A escuridão me assustava – alguns trechos estavam mal iluminados pelas poucas janelas. A porta da frente levava direto a um corredor, que levava aos outros cômodos. O corredor estava vazio e todas as portas estavam abertas. O odor desagradável de putrefação que era comum em todos os lugares era mais forte ali dentro. Havia alguém morto ali. Minha esperança é que esse ser estivesse realmente morto e não no meio termo.
Haviam quatro portas, uma de cada lado do corredor. A primeira a esquerda levava a um banheiro sujo de um líquido vermelho-escuro. Parecia sangue, mas estava escuro demais para ser. O banheiro estava vazio.
O primeiro a direita era uma pequena sala de estar, iluminada por uma janela. Não estava suja e, por incrível que pareça, era extremamente agradável. Uma televisão, um sofá em L e uma mesa de centro. Uma pequena prateleira expunha alguns livros que me agradavam: O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams; a trilogia do Senhor dos Anéis, de Tolkien; e, por fim, Drácula, de Bram Stoker.
Já que minha mochila estava praticamente vazia, depois que eu revirasse a casa poderia levar alguns livros. Daria a alma por ter um deles pra ler em meu período no BTR.
Então, dei um passo a frente para ver os outros dois cômodos. O segundo a direita era um quarto, com uma cama de casal num canto e um guarda-roupa na parede. Um computador antigo ocupava uma mesa de escritório, com o gabinete em baixo e um monitor de LCD em cima. O mouse e o teclado estavam cobertos por uma camada de pó.
O quarto estava vazio. E o cômodo a esquerda era outro quarto, dessa vez menor e com apenas uma cama de solteiro. E foi ai que as coisas começaram a ficar tristes. Uma criança, provavelmente a que antigamente brincava no balanço e no escorregador da frente da casa, estava deitada na cama, amarrada.
Ele não havia me visto. Ele havia se transformado por algum motivo que eu não sabia: não tinha nenhuma marca de mordida. Podia ter sido infectado por comidas contaminadas, água contaminada.
Ele estava limpo, mas ele não tinha mais lábios. Provavelmente, a fome (será que essas coisas sentem fome?) havia forçado ele a comer os próprios lábios. Ele também havia alcançado o antebraço e havia mastigado uma boa parte dele. Uma lágrima solitária caiu conforme eu fechava a porta silenciosamente, para me afastar daquela amostra grátis de inferno.
Se Deus existe... Ele não é um cara legal.

11/02/14, Rivnat:

Continuando. Peguei o que podia da casa, como dois livros e cinco garrafas d'água que estavam na geladeira. Bebi uma inteira, enquanto comia duas barras de cereal. Parecia que os donos gostavam bastante de barras de cereal. Tinha duas caixas delas num dos armários, uma das poucas coisas que ocupavam os armários.
Pão mofado, frutas podres e mais pão mofado. Aparentemente, apenas as barrinhas de cereal e as garrafas de água estavam comestíveis naquela casa. Passei o dia inteiro ali e a noite no quarto do casal, com a porta trancada devido ao outro 'habitante' da casa. Mas, aparentemente, a criança havia percebido minha presença ali, no começo da manhã. Talvez por causa do som da minha mastigação, ou dos meus passos, ou da porta fechando. Ou será que Eles conseguem farejar os seres humanos saudáveis?
Resumo da história: quando estava me preparando para sair, a porta do quarto da criança se abriu e ela surgiu.
Mal tive tempo de erguer a arma e o monstro já avançou na minha direção. Talvez por reflexos, medo ou qualquer outra coisa, apontei a arma para a cabeça do morto-vivo que se aproximava e quando ele estava bem perto, quando era impossível errar, puxei o gatilho e o projétil acerto bem no meio da testa da criança. Não senti pena ou remorso: a minha sobrevivência estava em jogo.
A bala atravessou e acertou a parede atrás da criança, que caiu no chão como um saco de carne. O barulho do tiro foi ensurdecedor, provavelmente deve ter sido ouvido por diversos quarteirões, no mínimo.
'Hora de fugir', pensei. Coloquei a mochila no ombro e sai correndo pela porta. Pensei em seguir em direção a casa do Doutor K, mas desisti quando vi que vários mortos-vivos estavam vindo daquela direção. E quando digo vários, não são meia dúzia. São mais de cinquenta.
Olhei para os pátios das casas e vi algo que me chamou a atenção: uma casa na árvore. O esconderijo perfeito. Então, sai correndo em direção a ela. Pulei a cerca de uma casa, que tinha mais ou menos um metro e meio. Apenas um portão de madeira me separava do pátio onde ela estava. O portão era alto demais para pular, mas enquanto corria na direção dele percebi que era frágil.
Então, quando estava perto, pulei na direção dele e joguei todo meu peso contra ele. O portão se quebrou ao meio e meu braço começou a doer. Caído no chão, junto a vários pedaços de madeira quebrada, eu não demorei nem dois segundos para me levantar. O pátio estava vazio e a parte de trás da casa estava totalmente fechada. Uma escada de madeira – várias tábuas pregadas na árvore – levava a casa na árvore. Subi rapidamente e me escondi lá dentro – sendo que o interior da casinha era 2x2 e com, no máximo, um metro e 80 de altura. Ela era escura e estava completamente vazia, a não ser por algumas folhas de ofício e um estojo cheio de lápis de cor.
E cá ainda estou. As ruas estão cheias Deles e aparentemente não vou sair daqui tão cedo. Daqui, tenho uma visão ótima de toda a rua e de toda a movimentação Deles. Consegui ver mais três mortos-vivos 'especiais'. Um Deles foi atraído por um som, pois passou a noite inteira correndo e se jogando contra a porta da frente de uma das casas, que provavelmente era bem mais forte que ele.
Vou dormir. Espero poder chegar a casa do Doutor amanhã. Preciso de respostas. E, acima de tudo, preciso de comida de verdade.

12/02/14, Rivnat:

Vocês não vão acreditar no que aconteceu. Estou na casa do Doutor, encontrei Billie e Kim. Bruce e Rick saíram para procurar mantimentos num supermercado que fica perto do centro da cidade, voltam antes do anoitecer.
Consegui fugir pelos quintais das casas daquela zona. Depois de alguns minutos caminhando, sempre me escondendo ao menor barulho, encontrei algo que me fez sorrir.
Cercado por um muro de dois metros de altura, estava um terreno bem grande. Em volta do muro, estavam diversas casas normais, o que lhe dava destaque. Atrás do muro, dentro daquele terreno, estava algo simplesmente maravilhoso: nem
Uma fortaleza feita com containers. Estranho, não? Realmente, parece uma fortaleza medieval feita com containers de diversas cores. Subi em uma árvore próxima para tentar olhar para dentro dos muros, para ter certeza de que era seguro ali. Um grande portão de ferro levava até o pátio da fortaleza do Doutor K.
De cima da árvore, consegui ver que o 'primeiro andar' tinha dois containers de altura. Em cada ponta do castelo haviam torres, com um container em vertical e uma abertura em cima. Várias chapas de metal pareciam juntar um container ao outro.
Já esperançoso, desci da árvore e fui correndo em direção ao portão de ferro, aproveitando que apenas três mortos-vivos estavam na rua, e na outra ponta dela. Ao chegar na porta, comecei a bater diversas vezes nela.
Depois de alguns segundos, ouvi uma voz masculina do outro lado, seguida do barulho de uma pistola sendo engatilhada.
Quem é? – disse a voz, que reconheci como a de Billie. Era a versão 'grossa' da voz dele, que ele sempre fazia quando queria falar sério.
O Batman, quem mais? – eu disse. Falar era algo que eu raramente fazia: não tinha o costume de falar sozinho. Afinal, pra que falar sozinho se eu 'converso' bastante aqui, com meu diário?
A porta se abriu depois de vários segundos, onde alguém estava abrindo vários ferrolhos extremamente barulhentos. Então, vi Billie, incrédulo, com um sorriso congelado no rosto. Ele tinha uma pistola antiga, uma Luger (aquela pistola alemã, da Segunda Guerra). Reconheci imediatamente devido aos meus anos de experiência com jogos que retratavam combates da época.
droga, cara! – ele disse, me dando um abraço. Billie sempre foi adepto ao abraço: para ele, o aperto de mão era muito 'impessoal'. E eu concordava.
droga mesmo! – concordei, sorrindo. Então, entramos e ele fechou a porta. Dezenas de ferrolhos reforçavam ela e, por fim, dois grandes bastões de ferro selavam a porta.
Não demorou muito e outra pessoa surgiu das portas metálicas do container: Kim. Era uma programadora, mil vezes melhor que eu e mil vezes mais organizada. Tinha cabelos curtos e espetados. Pele escura, olhos castanhos penetrantes e uma voz firme.
Até que enfim... Achávamos que tinhas te perdido no meio do caminho, Zeke. – ela disse, olhando pra mim. Um sorriso surgiu no rosto dela enquanto ela vinha na minha direção e me dava um abraço.
Não, só queria deixar vocês com um pouco de saudade. Hahaha. – eu disse, abraçando os dois. Então, o motivo de estarmos ali voltou a minha cabeça. - Cadê o Doutor K?
Tomando café. Ele vai querer falar contigo, certo que sim. – Billie disse, me conduzindo para dentro dos containers.
Eu esperava uma 'casa' fria, toda de metal, mas me enganei. O chão de todo o 'primeiro andar' da casa era tapado por um tapete vermelho, o que dava um ar bem aconchegante a todo o local.
As paredes eram cobertas de desenhos, quadros com cálculos, estranhos e fotos de mortos-vivos em diferentes estados. Todos estavam amarrados a uma mesa, provavelmente num laboratório. Não prestei muita atenção, prestei mais atenção num hippie usando um jaleco encardido, sentado numa poltrona e bebendo uma xícara de café.
Então você é o tal Ezekiel? – ele perguntou. Ele tinha cabelos loiros, um óculos estilo John Lennon e alguns colares estranhos, feitos com pedras coloridas. Ele tinha uma barba curta e seus cabelos estavam quase no ombro.
Sim. E você é o Doutor K? – eu respondi, apertando a mão dele. Ele parecia ser frágil, com um aperto de mão fraco.
Exato. Quanto tempo você esteve lá fora, rapaz?
Umas três semanas. Passei quase duas semanas num BTR e depois vim pra cá. Não sei dizer com exatidão.– relatei.
Então, ele pediu um relatório mais demorado sobre minhas semanas de sobrevivência. Falei sobre a situação da capital, falei sobre a quantidade de mortos-vivos na estrada para cá, falei sobre a minha teoria sobre os 'tipos de zumbis'. Ele achou extremamente interessante e fez algumas anotações, num pequeno caderno que ele trazia escondido entre as roupas. Kim e Billie estavam sentados a minha volta, imersos em minha história.
Então, chegou a hora deles contarem a história deles, que, infelizmente, havia sido tão horripilante quanto a minha. Daqui a pouco eu escrevo sobre elas, agora vou aproveitar e conversar mais um pouco com meus amigos.

A História de Billie:

Minha história já começa mal, cara. Já faz um mês, mas parece que foi ontem. Meus pais vieram pra minha casa quando a coisa começou a ficar feia: se negaram a ir pras zonas seguras. 'Um monte de gente aglomerada, fazendo barulho e sob controle do Exército? Claro, muito seguro', me lembro dele dizendo. Ele estava certo, ainda que a minha casa não fosse tão segura quanto esperávamos.
Eu morava naquela casa, bem longe da Casa Branca e da 1ª Zona Segura. Estoquei água e comida assim que ocorreu o primeiro caso na Costa Leste. Depois que tudo estourou, lá estava eu, meu pai e minha mãe, escondidos na minha casa.
Parecia uma manifestação, um protesto. Centenas e centenas de pessoas indo em direção a 1ª Zona Segura. A gente demorou alguns segundos pra perceber que a multidão que cercava nossa casa na verdade eram as vítimas do Vírus.
Lembra do meu cachorro, o Yoda? Então, assim que um grupo de infectados passou pela janela, ele começou a latir incontrolavelmente. Atraiu a atenção de todos os infectados lá fora, que começaram a surrar a porta da frente e as janelas da casa.
Levei todos pra garagem, mas um dos infectados pegou o Yoda antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Eles já haviam entrado na casa: as janelas não tinham nenhuma proteção e enquanto meu pai corria até a cozinha para pegar uma mochila de emergência, um dos infectados arranhou o braço dele. Deixou três marcas de unha, perto do ombro, uma delas sangrava em uma pequena ferida aberta.
Subimos no carro, apertei o botão para abrir a porta e arranquei com a camionete. Vim pra cá, o nosso ponto de encontro. Logo que saímos, meu pai começou a ficar febril e delirar. Alguns minutos depois, ele morreu. Parei o carro para ver o que poderia fazer, mas um grupo de infectados surgiu do acostamento e tivemos que continuar dirigindo.
Ele se transformou no meio do caminho, mordeu minha mãe e me fez capotar o carro. Ele e minha mãe ficaram presos e o carro começou a pegar fogo. Eu tive que fugir, sabe?
Em um dia eu perdi meu pai, minha mãe e meu cachorro. Tive que caminhar uns dez quilômetros e quando cheguei na cidade, as coisas estavam bem ruins. A estrada estava cheia de mortos vivos e aqui perto também. Demorei alguns dias pra chegar até aqui.
Achei essa pistola em uma casa aqui perto. Deveria ser de um colecionador, já que ele tinha vários artigos da Primeira e da Segunda Guerra Mundial. Queria pegar uma MP40 que estava lá mas eu não tinha como levar.
Bom, essa é minha história. Uma cocozinho, né? Acho que ninguém tem uma história boa, ultimamente.

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