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As Crônicas de Calradia

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As Crônicas de Calradia

Mensagem por Garaf em Dom Jul 06, 2014 11:52 am


As Crônicas de Calradia se trata de uma fanfiction em formato de websérie escrita.
 
Ela conta a história de um mundo perdido governado por imortais e as mudanças que ocorrerão graças a um semideus na terra, Peter Heidmann. O mundo possui apenas um continente, chamado Calradia, muito embora existam algumas ilhas ao redor dele, como a grande ilha de Nordland.
 
Sua construção se baseia no jogo Mount and Blade: Warband, onde eu descrevo os caminhos que eu mesmo sigo durante o jogo, muito embora boa parte da história (o episódio piloto, principalmente) não segue o enredo original do jogo. Apesar disso, todos os nomes de cidades, reinos e personagens serão mantidos e alguns adicionados. Para quem interessar, recomendo jogar o jogo, para se familiarizar com os locais mencionados e divertir-se com o melhor jogo de guerra feudal que conheço.
 
Os episódios saem todas as quartas e sábados às 18h00 em seu site oficial, que também possui diversos outros dados sobre a fanfic (incluindo cronologia e uma enciclopédia). É postado também em alguns fóruns, como este, e páginas de fanfic alguns minutos (caso eu esteja online) ou horas depois.
 
Sinopse
 
As Crônicas de Calradia conta a história de um mundo perdido governado por imortais e as mudanças que ocorrerão graças a um semideus na terra, Peter Heidmann. O mundo possui apenas um continente, chamado Calradia, muito embora existam algumas ilhas ao redor dele, como a grande ilha de Nordland. Durante sua jornada, Peter enfrentará muitos desafios. Mas será possível que um único homem mude toda a história de uma civilização?
 
Primeira Temporada

Episódio 01 - Prólogo
Spoiler:
Há muito tempo, cinco deuses vieram ao mundo e cheios de poder, eles caíram sobre os mortais e procriaram uma linhagem de imortais que governaria o mundo para sempre. Assim surgiram os grandes reinos do mundo. Sahara, a deusa da terra deu a seu filho, Ayzar, o controle sobre o deserto de Sarranid. Savas, o deus do sangue e da vida, deu a seu filho, Janakir, o controle sobre as montanhas Khergit. Luna, a deusa do gelo, deu a seu filho, Burelek, o controle sobre as planícies Vaegir, onde o inverno nunca termina. Hryssur, deus das águas, dos raios e das tempestades, deu a seu filho, Hakrim, o controle sobre as ilhas Nordland, que posteriormente invadiu o lado norte do continente de Calradia e fez de lá sua nova morada. Feuer, deus do fogo, deu a seu filho, Esterich, o controle sobre as florestas de Swadia e as montanhas Rhodoks.

Durante toda a eternidade, Calradia seria governada por semideuses, porém, o deus da morte, sentiu-se traído pelos seus cinco irmãos e decidiu dar um fim a isto. Ao vir a terra, 200 anos depois, Leiden teve um filho com uma mulher swadiana das montanhas e lançou uma maldição sobre o mundo, de que nenhum homem, imortal ou não, viveria mais que mil anos. Seu filho, Spektrum, foi instruído a liderar uma rebelião contra o Rei Esterich, para que dominasse sobre as montanhas Rhodoks. Skaberen, o pai de todos os deuses e criador do universo, deixou uma lei de que um deus só poderia visitar as terras uma única vez e por causa disto, Spektrum facilmente conseguiu os exércitos de Rei Esterich, tomando-lhe uma parte do reino. Ao ver que agora possuía uma parte sua em Calradia, Leiden foi embora da terra, para reunir-se com seus irmãos novamente. Uma guerra foi travada entre os deuses e durante 1015 anos terrestres ela afetou os céus.

1237 anos após os deuses plantarem suas sementes sobre a terra, Skaberen acordou de seu sono profundo e viu tudo o que havia sido feito. Furioso com a atitude de seus filhos, Skaberen acabou com a guerra entre os deuses e caiu sobre a terra, tendo um filho com uma mulher nórdica da cidade de Odasan, cujo deus, Hryssur, estava neutro durante a guerra. Por nove meses, Skaberen vagou pelas terras nórdicas como um mortal, abençoando o útero daquela mulher, para que seu filho nascesse forte e saudável, até que ele nasceu causando a morte de sua mãe durante o parto. Peter tinha o rosto pálido como a neve, um cabelo ruivo claro e seus olhos eram negros como a sombra de seu pai.

– Você possui dentro de si o sangue de um deus. Um dia, meu filho, você será o governante de toda a Calradia. E todos os homens e mulheres desta terra, reverenciarão você como o único semideus presente – disse Skaberen, segurando seu filho.

Skaberen foi até a casa de Sir Albert Heidmann, o barão de Odasan e provando-lhe ser um deus, ordenou-lhe que cuidasse de seu filho na terra, como se fosse seu. Albert Heidmann era casado com Lady Suzana e irmão de Lady Dria, esposa do Duque de Wercheg, Sir Irya. Skaberen sabia que nascendo em uma família nobre, ele teria muito mais chances de reinar, além disto, Albert Heidmann era ruivo e sua esposa tinha os olhos negros. Assim, ninguém levantaria suspeita.

– Dê-lhe o nome de Peter, para que todos saibam que ele é duro como uma rocha e poderoso como um rei – disse Skaberen, dissolvendo no ar e levando seu espírito de volta para a Terra da Luz.

Albert ficou muito confuso com todo o ocorrido, mas sabendo que sua mulher não podia engravidar, decidiu ter aquele filho como sendo dele e convenceu Lady Suzana disso, que juntos, forjaram um parto e anunciaram para toda a comunidade de Odasan que haviam tido um filho. Em 23 de Março de 1257, Lady Suzana foi assassinada, pelo líder de um pequeno exército de 20 corsários do mar que invadiram as terras de Odasan, enquanto Albert voltava de uma campanha com seu filho e os 50 homens de sua guarda. Ao ver o pequeno exército de corsários invadindo a aldeia, Albert avançou com seu exército de homens nórdicos e mataram todos os corsários, exceto o líder que estava em sua casa. Ao ver a porta aberta, Albert correu para dentro e, vendo sua mulher morta, enfureceu-se, avançando contra o corsário e segurando-lhe o pescoço apontou a espada no rosto do homem que havia matado sua esposa, enquanto ele apenas dava risadas. Neste momento, Peter entra no quarto.

– Mãe! – gritou Peter, correndo para os braços ensangüentados de sua mãe e abraçando-a, em prantos. – Mate-o, pai. O que está esperando?

– Faça o que o garoto diz milorde, hahahaha – dizia ele, com sarcasmo e risos. – Não sabe quem sou eu, não é mesmo?

– E por que eu deveria bandido imundo? – disse Albert, encostando a ponta da espada na parede e imprensando-a contra seu pescoço.

– Acha que pode me matar, milorde? – disse o bandido, mexendo o pescoço para que a espada de Albert o cortasse. Sangue azul começou a sair do bandido, que continuou – eu sou um imortal, milorde. Assim como você. Mas fui expulso de minha casa, em Nordland, e por isso vim aqui foder com a primeira mulher nobre que eu achasse. O que achou disso? Hahahahah!

– Bandido imundo! – disse Albert, jogando sua espada e batendo no bandido com sua luva. – Eu conheço um destino pior do que a morte. – disse, agarrando seu casaco e jogando-o pela janela de seu quarto. – Amarrem-no! E coloquem uma mordaça em sua boca. Não quero mais ouvir este verme falar. – Peter, fique aqui. Tenho que fazer uma visita à Sargoth. Providencie a cremação de sua mãe. Eu tratarei de vingá-la. Depois que a cremarmos, vá para Wercheg e me espere lá. Pegue isto – disse Albert, embainhando sua espada e retirando três bolsas. – Nessas bolsas tem um montante de 30 moedas de ouro e 200 moedas de prata. Guarde bem esse dinheiro, pois você pode precisar caso eu demore a voltar.

– Mas, pai. Não é justo! – disse Peter a Albert. – Quero vingar a morte dela também. Ela era minha mãe! Pelo menos, me diga como aquele bandido vai pagar por isto. Vai prendê-lo num calabouço até que ele escape?

– Não, Peter... – disse Albert, jogando a bolsa de dinheiro na cama e sentando ao lado de seu filho e olhando em seus olhos. – Somos nórdicos, lembra? Nós temos honra. Ele é imortal, como nós, filho. Infelizmente, sua querida mãe não era – disse Albert, pegando na mão de sua mulher morta. – Um dia isso ia acabar acontecendo. Eu só não esperava que fosse desse jeito.

– Mas então... Como se mata um imortal, pai? – perguntou, enxugando suas lágrimas.

– Não se mata... Ele morre de velhice ao completar 1000 anos na terra – disse o pai, apoiando seus cotovelos em suas pernas e cruzando suas mãos, enquanto olhava para o chão cheio de fúria. – Se eu cortar-lhe um membro, ele se regenera alguns dias depois. Se eu deixá-lo com fome, ele apenas hibernará até que sua morte chegue ou que alguém o alimente. Se eu tentar queimá-lo, o fogo não afetará seu corpo. Há somente uma coisa que nós podemos fazer, mas só posso executar sob autorização do Rei Ragnar. Vá para Wercheg, meu filho, e me espere lá. Na volta, se tudo ocorrer bem, você aprenderá como se mata um imortal.

– Certo pai. Vou para Wercheg e providenciarei para que a cremação de minha mãe esteja pronta até o senhor voltar – disse Peter, pegando a bolsa de dinheiro.

– No dia 30 deste mês, esteja me esperando na taverna de Wercheg. Até lá, a cremação de sua mãe já deve ter sido providenciada e eu já terei voltado de minha audiência com o rei – disse Albert, levantando da cama e se retirando do lugar.

Peter foi até a janela, para ver seu pai partir da aldeia. Seus homens estavam batendo no bandido imortal, ao sair de sua casa, Albert deu mais um soco no bandido e ordenou que seus homens o amarrassem e carregassem como um prisioneiro. A viagem de Albert até Sargoth foi tranqüila, sem interrupções, durando três dias.

– Seja bem vindo, Sir Albert – disse um dos guardas da casa real.

– O Rei está em casa, soldado? – perguntou Albert.

– Sim, milorde – disse o guarda. – Este homem é seu prisioneiro, milorde? – falou, olhando para o bandido. – posso ordenar que o carcereiro o leve para uma cela. O senhor sabe que é proibida a entrada de bandidos na casa real.

– Não, soldado. Este homem deverá entrar comigo para uma audiência com o rei – disse Albert. – Permita nossa entrada, este não é um simples bandido.

– Como desejar, milorde, mas isto será de sua responsabilidade – disse o guarda. - Suas armas, por favor.

Albert entrega seu escudo, sua espada e seu capacete a um dos guardas. O bandido era escoltado por guerreiros nórdicos, que também entregaram suas armas para os guardas. Assim, os quatro entraram na casa real, acompanhados do guarda que falava com Albert.

– Eu o saúdo, vossa majestade – disse Albert, batendo seu punho direito fechado em seu peito esquerdo e inclinando sua cabeça para baixo. – vim aqui para tratar de um assunto delicado.

– Seja bem vindo à minha casa, Sir Albert. Já faz algum tempo que não lhe vejo. O que o traz de tão longe e com um prisioneiro entrando em minha casa? – disse Ragnar, sentado em seu trono. – Você conhece as tradições muito bem. É proibida a entrada de bandidos na casa real. O que lhe veio à cabeça para manchar minha casa trazendo-o aqui?

– Perdão, majestade – disse Albert. – Mas este homem não é um bandido qualquer. Ele é um imortal, senhor.

– Um imortal? Está me dizendo que um bandido possui linhagem real, Sir Albert Heidmann? – disse o Rei, levantando-se. – Guarda, corte o rosto deste homem. Vamos ver se isto é verdade.

– Sim, majestade – diz o guarda, curvando-se.

Desembainhando sua espada, o guarda a encosta no rosto do bandido, que olha fixamente para ele. O guarda rasga-lhe uma parte do rosto, do qual começa a sair sangue azul.

– Mas como isso é possível, Albert? – disse o Rei, espantado.

– Ele é de Nordland, meu senhor. Eu o encontrei em meu quarto, ao lado de minha falecida mulher, que estava sangrando por várias partes do corpo – disse Albert, erguendo sua cabeça. – Rei Ragnar, soberano das terras nórdicas do noroeste de Calradia – continuou, ajoelhando-se. – Eu o imploro por minha vingança. Nós, da casa Heidmann, somos conhecidos por navegar como nenhum outro lorde de Calradia. Peço-lhe autorização para enterrar este homem para sempre no mar do norte.

– Levante-se Sir Albert e vocês, levem este homem lá para fora. Conversarei em particular com seu comandante – disse o Rei, aproximando-se de Albert. – Sinto pela morte de sua esposa. Você tem minha permissão para navegar pelo mar do norte e enterrar este homem. E não apenas isto. Eu estou cansado de tantos corsários vindo para Calradia daquelas terras a quem meu pai há muito tempo abandonou. Já está na hora de reinar por lá também, não é mesmo? – disse Ragnar, tocando seu ombro. – Você irá para Nordland, com a missão de dominar aquelas terras novamente. Se conseguir para mim esta conquista, eu lhe darei metade das terras que lá forem encontradas. A propósito... Já está em posse de um navio?

– Serei sempre grato ao senhor, majestade – disse Albert, mexendo sua cabeça em sinal de aprovação. – O navio que este homem possuía é bom, se aguentou uma viagem até aqui, estou certo que aguentará até lá, meu senhor. 20 dos meus homens estão o guardando neste momento. Além disto, meu cunhado Sir Irya também possui um navio. Acredito que, com algumas moedas de ouro, eu o convencerei a vendê-lo para mim.

– Não, Albert, ele não o venderá – disse o Rei, virando-se e dirigindo-se até seu trono. – Eu o darei 120 homens de minha frota pessoal, incluindo 10 huskarls – disse o Rei, enquanto escrevia uma carta. – Quanto à Sir Irya, leve esta carta para ele. Aqui diz que ele deve ceder 30 homens de seu exército e seu navio para que você cumpra esta missão – terminou, entregando a carta para o ministro selá-la.

– Como eu disse majestade, serei sempre grato ao senhor por isto – disse Albert, reverenciando-o novamente com a batida no peito. – No entanto... Eu gostaria de saber. Como ficará meu filho? Peter completará 19 anos no final deste mês, mas não sei se ele está pronto para viver sem a proteção de seus pais, meu senhor. E creio que ele não esteja pronto para uma viagem tão longa quanto esta... Ele nunca entrou em um navio na vida, majestade.

– Ele não precisará mais da proteção dos pais, Albert – disse o Rei. – Idade é apenas um número e, além disso, alguém precisará cuidar do que é seu enquanto você está ausente. Nomeio-o Sir e ordene que venha até mim com um pequeno exército. Eu o farei meu vassalo assim que ele chegar aqui. Sebastian, entregue a carta selada para Sir Albert. Boa sorte, Albert. Tenha cuidado com o mar.

– Sim, majestade – disse o ministro.

– Obrigado, meu senhor – disse Albert, pegando a carta e a guardando. – Eu tomarei.

– Sven – disse o rei dirigindo-se ao líder de seus huskarls. – Acompanhe Sir Albert até a parte externa do castelo e certifique-se de que 120 homens de meu exército o seguirão.

Albert bate novamente em seu peito, reverenciando o rei e, virando-se para a porta, dirige-se até seus homens. Do lado de fora, Albert aguarda os 120 homens do rei e assim que chegam, segue viagem, sendo escoltado pelos 10 huskarls que o rei enviara. Três dias depois, Albert chega à grande cidade de Wercheg, aproximadamente ao meio dia e dirige-se até a taberna, onde seu filho está lhe esperando.

– Olá, meu filho – disse Albert, sentando-se ao seu lado, na taberna. – trago algumas notícias para você. A cremação de sua mãe já está pronta?

– Sim, meu pai – disse Peter. – Sir Irya preparou tudo para mim. É bom ver que o senhor voltou. Mas que notícias são essas?

– Você fará 19 anos amanhã, meu filho – falou Albert. – Após a cremação, falarei com Sir Irya para preparar uma cerimônia. Você se tornará Sir.

– Sir? – disse Peter, espantado. – Mas amanhã eu estarei fazendo 19 anos, não 21...

– E como diria o Rei Ragnar, idade é apenas um número, meu filho – disse Albert, sorrindo. –Rei Ragnar ordenou que eu fizesse uma viagem, meu filho. Eu e outros 200 homens nórdicos partiremos para Nordland. O Rei Ragnar concorda que os corsários do mar estão se tornando uma ameaça cada vez maior e preciso descobrir se há outros imortais por lá. Aquelas ilhas voltarão a ser uma parte de nosso reino, meu filho. Enquanto eu estiver fora, você ficará em meu lugar.

– Mas meu pai... – disse Peter, entristecido. – Eu não me considero pronto para ser um lorde. O senhor me ensinou tudo o que eu precisava aprender sobre armas, me ensinou como cavalgar e até como persuadir os homens a me seguir, mas não sei se estou pronto para sair de casa.

– E eu também não estava quando meu pai me nomeou Sir – disse Albert. – Amanhã, eu vingarei a morte de sua mãe e navegarei pelo mar do norte para pilhar e conquistar. E você, meu jovem Peter, vai passar pelas aldeias que encontrar no caminho até Sargoth e recrutar o máximo de homens que conseguir. É uma viagem de três dias. E ao terceiro dia, você verá o Rei Ragnar pela primeira vez.

– Sim, meu pai – disse Peter. – Como eu disse não me considero pronto para ser seu sucessor no comando de Odasan, no entanto, se o senhor pretende me dar esta honra, eu farei todo o possível para não decepcioná-lo.

– Lembre-se, meu filho – disse Albert, levantando-se da cadeira em que estava. – Quando vir o rei, você já será um lorde do reino dos Nords. Qualquer um que lhe vir deverá lhe chamar de Sir Peter. Lordes não se ajoelham perante o rei a menos que queiram pedir-lhe alguma coisa. Neste caso, deverá lhe cumprimentar batendo no peito direito e curvando-se para frente – continuou Albert, mostrando-lhe como fazer. – O mesmo gesto deve ser feito aos demais nobres, mas sem se curvar. Isso demonstrará suas intenções de amizade para com eles.

– Entendi pai... – disse Peter, levantando-se também. – Há essa hora a cremação já deve estar pronta. Devemos ir...

– Certamente, meu filho... – disse Albert, saindo com seu filho em direção a sala de cremações de Wercheg. – Venha... A propósito, quer saber como daremos um jeito naquele bandido infeliz?

– Sim, eu gostaria. Como se faz para matar um imortal? – perguntou Peter, enquanto caminhava a seu lado.

– Como eu disse anteriormente, não se mata um imortal – falou Albert. – No entanto, existe uma prisão da qual ele nunca mais poderá sair e para ele, será uma agonia eterna. Nós o colocaremos dentro de uma jaula. E amarraremos seus membros nela, para que ele não possa se locomover ou tentar sair. Depois, é só jogar a jaula no mar e esperar que seu período de mil anos nesta terra acabe.

– Nossa... – disse Peter, espantado. – Isto certamente é pior do que a morte. Não consigo sequer pensar na agonia que deve ser para alguém passar por isto. Certamente, nossa vingança estará feita quando o senhor fizer isto.

– Vingança? – perguntou Albert a seu filho. – Isto nada tem haver com vingança. Ele cometeu um crime e agora será punido com o sofrimento eterno. Isto não é vingança, meu filho, é justiça. Aprenda isto.

– Perdão, pai – disse Peter, baixando a cabeça. – Prometo nunca mais usar esta palavra.

– Ótimo – disse seu pai. – Bom... Como você nunca participou de uma cremação, devo dizer-lhe como se comportar. Você deverá entrar lá e ficar calado. É de tradição de nós, nórdicos, que apenas um homem seja escolhido para falar e este mesmo homem deve pôr fogo à pessoa. Quando todo seu corpo estiver queimando, eu direi as palavras: “Nós a honramos e Hryssur a honrará”. Você deverá repeti-las.

– Nós a honramos e Hryssur a honrará. – disse Peter, abrindo a porta do crematório.

Peter e Albert entraram no crematório, onde o corpo de Lady Suzana estava deitado sobre uma mesa de ferro, com bordas que a fechavam para que as cinzas não escapassem e uma única abertura na parte onde ficavam os pés, que ligava a mesa a um vaso de prata. No local estavam Sir Irya, ao lado de sua esposa Lady Dria e seus filhos, Sir Bulba e Lady Glunde. Albert olhou para Sir Irya, cumprimentando com uma batida no peito esquerdo.

– Seja bem vindo a Wercheg, Sir Albert – disse Sir Irya, devolvendo o cumprimento de Albert. – Venha jovem Peter, junte-se a nós. Já está na hora de começar a cerimônia – continuou, dirigindo-se a Peter e balançando sua cabeça em sinal de confirmação para dois huskarls de sua guarda que também estavam presentes.

Peter foi até sua tia, Lady Dria, posicionando-se ao seu lado. Os dois huskarls, de imediato, pegaram um balde cada, com líquido inflamável e começaram a lentamente derramar sobre Lady Suzana.

– Estou eu, Sir Albert Heidmann, diante do corpo de Lady Suzana, minha esposa – disse Albert, pegando uma tocha em chamas que estava posicionada em frente ao corpo de Lady Suzana. – Uma mulher que dedicou sua vida a seu marido e a seu filho Peter. Uma mulher que não possuía o sangue dos deuses, mas que se tornou nobre por merecimento de seu pai, Sir Ralf. Nós a honramos e Hryssur a honrará.

– Nós a honramos e Hryssur a honrará – disseram todos que estavam na sala.

Os huskarls ajoelharam-se diante do corpo de Lady Suzana, virando-se para ela, cada um de um dos lados da mesa. Albert então colocou a ponta da tocha próxima a seus pés, incendiando seu corpo, colocando sua mão direito em seu peito esquerdo. Todos fizeram o mesmo e a fumaça podia ser vista subindo por uma chaminé de ferro que ficava suspensa acima da mesa. Todos ficaram em silêncio até que o fogo consumisse todo o corpo de Lady Suzana. Logo, as cinzas espalharam-se pela mesa. Os dois huskarls levantaram-se e pegaram espanadores que estavam em cima da mesa. Seu cabo era de prata e seus fios eram brancos. Cuidadosamente, foram varrendo as cinzas de Suzana até o orifício da mesa, ao qual ficava acoplado o vaso de prata.

Depois que as cinzas foram guardadas, um dos huskarls desacoplou o vaso e o entregou para Albert, baixando a cabeça. Albert pegou o frasco e o huskarl voltou à sua posição inicial.

– Tome filho, segure as cinzas de sua mãe. Preciso tratar de alguns assuntos com Sir Irya – disse Albert, indo até seu filho.

– Sim, pai – disse Peter, com algumas lágrimas no rosto, enquanto pegava as cinzas de sua mãe.

– Vão para a mesa de jantar. E diga para servirem o almoço. Logo estaremos lá – disse Sir Irya a sua esposa. – Sinto pela sua esposa, Albert. Vamos até o salão de minha casa. Conversaremos lá – falou, apertando o antebraço de Albert, como era de costume entre lordes.

Assim, cada um foi para o local designado por Sir Irya. Ao chegar ao salão de Wercheg, Sir Irya sentou-se em sua cadeira, apontando sua mão para a cadeira que ficava logo à frente, onde Albert se sentou.

– Agradeço a cordialidade, Irya. Acabo de chegar da capital... Trago uma carta de Rei Ragnar para você. – disse Albert, retirando a carta selada de um de seus bolsos e entregando para Sir Irya.

– Espero que sejam boas notícias, Albert – disse Irya, abrindo o envelope e retirando a carta.

– Veja você mesmo – disse Albert.

– Solicito a você, Sir Irya, duque do Reino dos Nords e protetor de Wercheg; trinta homens de sua guarda para seguir em uma missão de exploração e conquista das ilhas de Nordland. Além disto, você deve ceder seu navio para que seja possível a travessia. Como recompensa, terá direito à quarta parte de todos os feudos que forem conquistados pelo exército nórdico comandado por Sir Albert. Cordialmente, Rei Ragnar, suserano das terras nórdicas, protetor de Sargoth, filho do semideus Hakrim e herdeiro de Hryssur, deus do mar, dos raios e das tempestades – disse Irya, enquanto lia. – Existem 88 homens em minha guarda pessoal no momento. Ceder 30 homens vai enfraquecer um pouco o exército, mas posso recuperar este número ao visitar algumas vilas da redondeza.

– Agradeço pelas tropas, Irya. A amizade entre nossas famílias tem sido bastante fortalecedora nos últimos 200 anos – disse Albert. – Mas há mais uma coisa que eu gostaria de lhe pedir.

– Se estiver ao meu alcance... – falou Irya.

– Com a minha ausência, será necessário que alguém cuide de Odasan para mim. O Rei Ragnar sugeriu que eu nomeasse Peter a lorde, no dia de seu aniversário de 19 anos, mesmo que ele ainda não possua a idade necessária para tal nomeação – prosseguiu Albert. – Você poderia organizar-lhe uma pequena cerimônia aqui neste salão?

– Acredito que não haveria problema nenhum, Albert – disse Irya. – Se o rei aprovou esta nomeação e sendo ele sobrinho de minha esposa, não vejo problema algum em organizar um pequeno banquete. Mas agora estou com fome. Vamos até a mesa de jantar, se nós demorarmos mais, a comida certamente se esfriará.

Enquanto Albert e Irya almoçavam com suas famílias, na grande cidade de Sargoth, um mensageiro vaegir chegava até Sargoth com uma carta. Após entregar a um dos guardas do castelo, o mensageiro seguiu viagem para Reyvadin. O guarda esperou até que se passasse a hora do almoço, para entrar e entregar a carta a Sebastian, ministro do rei, que a recebeu.

– Pode ir, soldado – disse Sebastian.

– Leia Sebastian – disse o Rei, enquanto o guarda saía.

– Uma vez que o deus Hryssur desceu a terra para controlar as ilhas de Nordland, acredito que sua estadia em Calradia não seja merecida. Sendo assim, em nome da gloriosa Luna, deusa do gelo e mãe de Burelek, fundador do Reino Vaegir, eu o mantenho informado sobre minha intenção de controlar e ocupar o território pertencente ao Reino dos Nords, para que nossa deusa reine por todo o norte de Calradia. Caso você desejar pôr um fim à guerra, deverá reunir-se com seus lordes e navegar até Nordland, deixando suas cidades, castelos e aldeias para trás. Garanto-lhe que seu povo será bem tratado, desde que aceitem nossa deusa Luna, que cobrirá todo o norte de gelo. Se desejar permanecer aqui, abra mão de sua coroa e jure fidelidade a mim ou morra tentando nos derrubar – disse Sebastian, lendo a carta. – Sem mais, Rei Yaroglek, suserano das planícies Vaegir, protetor de Reyvadin, filho do semideus Burelek e herdeiro de Luna, deusa do gelo.

– Mas o que significa isto?! – exclamou o Rei. – Yaroglek perdeu o juízo de vez? Ordene a um dos meus huskarls que vá até a torre das fogueiras. Ele deve pôr fogo nas quatro fogueiras da muralha. Envie também um mensageiro para cada cidade e castelo do reino. Se for guerra que Yaroglek quer, é guerra que ele terá. Vá!

– Sim, majestade! – disse Sebastian, levantando-se de sua cadeira e indo em direção à casa dos Huskarls.

Em poucos minutos, as quatro fogueiras de Sargoth estavam acesas e toda vila ou castelo que avistava as chamas ao longe, ascendia as suas também, até que todo o reino pudesse saber que havia uma guerra sendo declarada.

Episódio 02 - Batalha entre Reis
Spoiler:
Nas vésperas da nomeação de Peter Heidmann, Sir Irya recebeu uma carta o convocando para a batalha. O Castelo de Alburq, cujo protetor era seu irmão, Sir Knudarr, estava sendo sitiado pelos exércitos do Reino Vaegir. Na carta também dizia que, independente disto, a nomeação de Peter deveria ser feita e Albert deveria prosseguir com sua missão, mas Sir Irya deveria imediatamente dirigir-se até o campo de batalha, para se encontrar com Rei Ragnar e seu exército. Não vendo alternativa, Sir Irya preparou-se para a viagem e deixou a cidade sobre os cuidados temporários de Sir Albert, até que ele nomeasse seu filho e fosse em direção a Nordland. Assim que partiu, Sir Albert convocou Peter até o centro do castelo, cujas testemunhas de sua nomeação seriam apenas Lady Dria, sua irmã, e Lady Glunde, sua sobrinha. Sem muita demora, Peter ajoelhou-se perante seu pai.

– Peter Heidmann, filho de Albert e Suzana Heidmann. Estou eu aqui, Sir Albert, protetor do vilarejo de Odasan e vassalo de Rei Ragnar, suserano do Reino dos Nords, retirando minha espada e a apontando para você – disse Albert, desembainhando sua espada e a apontando para Peter. – na esperança que você honre os mitos e tradições do povo nórdico e faça seu juramento.

– Em nome da casa Heidmann, eu, Peter, juro consagrar minhas palavras, minhas armas, minha força e minha vida em defesa da honra, da bravura, da lealdade e da virtude.

– Jamais tenha medo de encarar seus inimigos, diga sempre a verdade, proteja aqueles que te seguirem e jamais desonre sua casa. Em nome do criador Skaberen e de nosso deus protetor, Hryssur – disse Albert, levantando sua espada para os céus. – Eu o nomeio – continuou, colocando a parte plana de sua espada em seu ombro direito – lorde da casa Heidmann – prosseguiu, colocando a parte plana de sua espada em seu ombro esquerdo. – Levante-se, Sir Peter. Que você possa carregar esta bandeira por todos os cantos deste mundo, até que seu período de 1000 anos nesta terra acabe.

– Eu o honrarei, meu pai – disse Peter, levantando-se.

– Tenho certeza disso meu filho. Como eu estarei fora, você usará o meu brasão. Na hora de fazê-la, lembre-se de seus detalhes. Metade azul, metade dourada, com cortes verticais em zigue-zague na cor branca – disse Albert, dando-lhe uma de suas bandeiras. – Tome este como exemplo. Agora vou indo... Adeus, meu filho.

– Adeus, meu pai. Obrigado por tudo que o senhor me ensinou. Mostre aos corsários do mar que em Calradia nós honramos nosso nome – disse Peter, apertando o antebraço do seu pai, em cumprimento.

– Eu mostrarei – disse Albert. – Adeus minha irmã, espero nos revermos logo – falou, dirigindo-se a Lady Dria.

– Adeus, irmão – disse Dria, abraçando-o.

– Cuide bem da sua mãe, Lady Glunde – disse Albert, sorrindo.

– Pode deixar tio – disse Glunde.

– Bom... Agora vou indo. Lembre-se, Peter, de reunir um pequeno exército e ir até Rei Ragnar para jurar fidelidade ao Reino dos Nords – disse Albert, enquanto saía do lugar.

– Sim, meu pai. Eu reunirei – falou Peter.

– Lady Dria, Lady Glunde... Até uma próxima oportunidade.

– Até, Peter – disseram.

Assim, Sir Albert saiu com seu exército de 200 homens, em direção ao porto de Wercheg. Peter, por outro lado, seguiu para Odasan, em busca de homens que pudessem seguí-lo. Ao cair da noite, ambos chegaram a seus destinos e Peter logo foi até o ancião de sua aldeia.

– Olá, Robert. Meu pai me nomeou nobre da casa Heidmann – disse Peter. – No entanto, ainda não possuo um exército. Você tem alguns homens que poderiam unir-se a mim? O pagamento será o justo. Darei 10 moedas de prata para cada homem que me seguir e mais uma moeda de prata por semana, cujo salário pode aumentar dependendo do desempenho deles.

– Oh sim, milorde. É o mesmo valor que seu pai pagava – disse Robert. – Veja... Esses cinco homens estavam esperando seu pai voltar de viagem para serem recrutados para o seu exército. Acredito que eles lhe servirão bem.

– Obrigado, Robert – disse Peter. – É melhor se prepararem, homens. Nós estamos em guerra. E assim que eu conseguir mais homens para o exército, nós entraremos nela. Mas esta noite, dormiremos aqui.

Assim, Peter foi até sua casa e abrigou os cinco recrutas nórdicos que fariam parte de seu exército. Enquanto isso, Albert saia do porto de Wercheg, com seus dois navios, junto a seus 200 homens e seu prisioneiro enjaulado.

– Adeus, Calradia – disse Albert, na popa de seu navio. – Espero poder vê-la em breve.

Um dos huskarls de Albert levou até ele o vaso com as cinzas de sua mulher, entregando para ele.

– Obrigado, huskarl – disse Albert, pegando o vaso e abrindo-o. – Minha querida esposa – disse Albert, enquanto jogava suas cinzas no mar. – Que Hryssur guie sua alma pelas águas e que você seja uma força para nossas preces.

Cabisbaixo, Albert foi para o quarto do capitão, onde pôde descansar durante sua viagem. Ao amanhecer, Peter ordenou que os homens carregassem um saco de peixes cada um e colocou mais 28 peixes em cima de um cavalo de carga, que foi com eles até Wercheg. Chegando lá, Peter foi até o mercado e comprou mais um cavalo de carga, um arco longo, uma aljava com 30 flechas de madeira, um escudo de madeira, onde solicitou a pintura de seu emblema, um capacete de senhor da guerra nórdico e uma luva de couro, que acompanhou sua bota e casacos, também de couro. Tudo lhe custou 20 moedas de ouro e 82 moedas de prata. Ao sair do mercado, Peter seguiu em direção à taberna para ver se havia algum homem disposto a seguí-lo. Lá ele encontrou um homem ruivo e metade careca que, ao cortar-se acidentalmente com uma faca enquanto comia, deixa escorrer um pouco de sangue azul.

– Não vejo seu emblema em suas roupas, imortal. Você não é um lorde, é? – disse Peter, sentando-se ao seu lado.

– Perdão, milorde – disse o homem. – Possuo sangue divino em meu corpo, no entanto minha família não era nobre. Meu nome é Jeremus. Venho das ilhas Gandig. Lá eu estudava para ser um médico e agora que estou formado, pretendo conseguir um emprego aqui nas terras nórdicas.

– Entendo – disse Peter. – Já ouvi falar sobre as ilhas Gandig. Bom... Eu acabo de me tornar lorde. Sou Sir Peter da casa Heidmann e procuro homens que se unam ao meu exército. Posso lhe garantir uma moeda de prata toda semana em que acompanhar meu exército, além de comida e estadia sempre que formos a algum lugar. Este salário pode aumentar de acordo com seu trabalho, no entanto devo-lhe perguntar se você conhece alguma arte de luta, pois deverá saber como se defender quando o inimigo vier.

– Bom... As coisas estão um pouco difíceis para mim, então aceitarei sua oferta, Sir Peter – disse Jeremus. – Posso lhe garantir que sei ferir um homem tanto quanto sei curá-lo. Apenas me dê um tempo para partir e me unirei a seu exército, milorde.

– Ótimo – disse Peter. – Eu irei até o castelo para almoçar e logo mais estarei aqui. Meus homens estão almoçando fora da taberna, junto às outras tropas do castelo. Assim que você terminar seu almoço, vá a procura deles. Todos carregam meu emblema no ombro.

– Sim, milorde – falou Jeremus. – Estarei com ele logo mais.

Peter levantou-se da cadeira e foi até o castelo de Wercheg, onde encontrou Lady Dria, que mostrava estar em desesperado. Assim que Peter se aproximou, Lady Dria foi abraçá-lo.

– Peter, meu sobrinho! – disse Lady Dria, segurando seus braços. – Você precisa me ajudar!

– O que foi que houve tia? – disse Peter, abraçando-a.

– É seu primo Bulba – disse, após abraçá-lo. – Sir Knudarr acaba de me dizer que ele foi feito prisioneiro do inimigo e está agora no Castelo de Slezkh, mas Knudarr perdeu todo seu exército na guerra e está ferido demais para tentar resgatá-lo. E Irya, meu marido, viajou para encontrar-se com Rei Ragnar e até agora não recebi notícias dele.

– Não se preocupe tia... – disse Peter. – Eu estou reunindo um exército. E irei resgatá-lo na calada da noite e seu filho voltará em segurança. Se eu encontrar com Sir Irya no caminho, eu pedirei para que ele venha até sua casa.

– Faça isso, meu sobrinho – disse Dria. – E tome cuidado! Não deixe que os guardas lhe vejam.

– Pode deixar tia – disse Peter. – sempre fui bom em andar durante a noite sem ser notado.

Assim, Peter foi atrás de seus homens e partiu em direção ao Castelo de Slezkh. Primeiro, passou pela aldeia de Ruvar, cujo senhor é Sir Aeric. Lá ele recrutou mais três nórdicos para seu exército. Enquanto isso, não muito distante dali, Rei Ragnar e Rei Yaroglek conversavam, enquanto seus exércitos acampavam um pouco distante deles.

– E então, Rei Ragnar, vai se render a nós? – perguntou Yaroglek.

– Jamais aceitarei uma humilhação como esta vinda de você – disse Ragnar. – Seu pai não lhe ensinou sobre as tradições de paz em Calradia?

– A era dos imortais terminou há mais de 50 anos, Rei Ragnar. – disse Yaroglek. – Já está na hora de alguém se proclamar rei das terras ao norte de Calradia. E você sabe muito bem que seu pai invadiu Calradia! A princípio, o lugar de vocês era em Nordland. Não aqui.

– As terras nórdicas estavam vazias quando chegamos aqui – disse Ragnar. – Nós construímos este lugar. Você mais do que ninguém deveria saber disto.

– Não importa – disse Yaroglek. – Você e seus nórdicos não têm chance alguma contra meus soldados. Meus arqueiros são conhecidos por nunca falhar contra um alvo e minha cavalaria massacrará seus homens antes sequer de você se dar conta disso. Se não se render agora eu ordenarei a meus homens que massacrem seu exército.

– Um nórdico nunca se rende, nem foge de uma batalha – disse Ragnar, subindo em seu cavalo. – É melhor que as espadas de seus homens estejam tão afiadas quanto sua língua, pois até o fim desta luta, o sangue de seu exército estará espalhado em nossos machados.

Rei Ragnar deu as costas a Rei Yaroglek e retornou até seu acampamento, onde também estava o exército de Sir Irya. Rei Yaroglek fez o mesmo. Ao chegar a seu acampamento, Rei Ragnar ordenou aos huskarls que soprassem seus chifres de boi, chamando os homens para a guerra que logo se posicionaram atrás de Rei Ragnar.

– É melhor que seus homens estejam prontos, Sir Irya – disse Ragnar, olhando para seu lado esquerdo.

– Eles estão. – disse Irya, desembainhando sua espada. – Vamos cortar algumas cabeças hoje, meu senhor?

– Não tenho interesse por prisioneiros – disse Ragnar. – O único que quero levar para Sargoth chama-se Yaroglek.

– Sendo assim, vou tratar de encharcar minha espada com sangue – disse Irya – Ao sinal do Rei, mostrem o inferno! – gritou enquanto olhava para seu exército, que estava à esquerda do exército de Ragnar.

Rei Ragnar tirou de suas costas um longo machado e apontando-o para cima, Rei Ragnar baixou-o num corte vertical, posicionando-o para frente. Então Rei Ragnar, Sir Irya e seus exércitos começaram a marchar em direção ao inimigo. Do outro lado do campo, Rei Yaroglek ordenou que sua tropa de cavalaria fosse à sua frente. Ao ver que apenas a cavalaria estava à frente, Rei Ragnar ordenou que todos parassem e se amontoassem uns próximos aos outros. Então correu junto a Sir Irya em direção aos cavaleiros. Alguns metros antes de se encontrarem, Rei Ragnar e Sir Irya separaram-se e correram para as extremidades do grupo de cavalaria, cortando a cabeça dos dois homens que estavam nas pontas. O grupo continuou avançando em direção ao exército de nórdicos que se mantiveram na posição designada, enquanto que Rei Ragnar e Sir Irya retornaram na direção de seu próprio exército.

Assim que se os cavaleiros vaegirs chegaram próximo ao exército de nórdicos, os huskarls que estavam à frente passaram a lançar vários arpões na direção dos cavalos, fazendo-os cair. O exército nórdico então avançou contra seus inimigos, massacrando-os sem dó. Do outro lado, Rei Yaroglek ficava enfurecido com o que presenciava e ordenou que seus arqueiros se preparassem. Chegando até seu exército que havia massacrado os cavaleiros vaegirs, Rei Ragnar e Sir Irya descem de seus cavalos e se posicionam lado a lado com seus huskarls.

– Formação contra arqueiros ao meu comando! – gritou Rei Ragnar. – Avancem!

O exército nórdico começou a correr na direção do exército vaegir, todos em uma mesma velocidade para manter suas formações. Do outro lado do campo, Rei Yaroglek dava um sorriso.

– Nórdicos tolos. Foi até sábio o que eles fizeram com seus arpões. Mas será que eles conseguiriam se defender de uma saraivada de flechas certeiras? – disse Yaroglek. – Arqueiros! – gritou ele, erguendo sua espada para o alto.

Os arqueiros, que estavam posicionados logo atrás da infantaria vaegir puxaram suas flechas e apontaram-nas para cima, com uma pequena curvatura que descia vagarosamente conforme o exército nórdico se aproximava.

– Atirar! – gritou Rei Yaroglek, apontando sua espada o exército.

– Formação! – gritou Ragnar, do outro lado do campo.

Os arqueiros vaegirs lançaram suas flechas no ar, fazendo uma saraivada. Enquanto isso, ao grito de seu rei, todos os nórdicos se abaixaram e posicionaram seus escudos para cima, exceto os huskarls que estavam à frente, que se abaixaram e posicionaram seu escudo à frente. Devido ao formato redondo de seus escudos, algumas flechas penetraram as pernas de alguns soldados, que as quebraram e continuaram andando em direção ao inimigo. Os que não foram atingidos continuaram correndo em sua direção.

– Nórdicos tolos! Tentando utilizar uma estratégia rhodok para se defender de flechas. – disse Yaroglek, posicionando novamente sua espada para o alto enquanto seus arqueiros recarregavam seus arcos. – Atirar! – gritou, baixando novamente sua espada.

– Formação! – gritou Ragnar, novamente.

Outra saraivada de flechas guiou-se contra os exércitos nórdicos, que novamente se pararam e abaixaram-se, posicionando seus escudos contra as flechas. As flechas novamente bateram em alguns dos soldados nórdicos e dessa vez, na panturrilha esquerda de Rei Ragnar, que a arrancou e a jogou no chão, enquanto se levantava. Ao ver que estavam próximos de chegar ao exército inimigo, Rei Ragnar olhou rapidamente para trás.

– Caçadores! – gritou Ragnar, ordenando que seus arqueiros atirassem suas flechas.

– Infantaria – gritou Rei Yaroglek. – Avante!

Enquanto os arqueiros de ambos os lados trocavam flechas, os dois exércitos avançavam um contra o outro. Assim que se aproximaram, os huskarls lançaram arpões no exército infante de Sir Yaroglek e logo pegaram seus machados para a batalha. Os exércitos se encontraram e sangue voou por toda a parte, causando mortes de ambos os lados. Muitas foram as flechas que voaram por cima dos exércitos e muitas espadas e machados brandiram, até que apenas Rei Yaroglek e alguns de seus arqueiros sobraram. Avançando sem piedade, os nórdicos correram sem medo contra o que sobrou do exército arqueiro de Rei Yaroglek que virou seu cavalo e tentou fugir, mas não teve sucesso graças às flechas dos arqueiros de Sir Irya que lhe derrubaram do cavalo.

– Esperem! – disse Ragnar, quando um dos huskarls levantou seu machado contra Yaroglek. – Esta honra só pertence a mim.

– Acha que pode me derrubar, Rei Ragnar? – disse Yaroglek. – Acha que pode usar apenas um machado contra um homem que utiliza espada e escudo?

– Sim, eu posso – disse Ragnar, aproximando-se de seu adversário e levantando seu grande machado todo constituído por ferro, segurando-o com ambas as mãos e o colocando ao seu lado direito.

– Que seja! – disse Yaroglek, levantando-se.

O exército de Ragnar e Irya afastou-se e formando um círculo, observaram a luta. Ragnar avançou contra Yaroglek e apoiando sua perna direita em uma rocha de tamanho médio, saltou em direção a ele dando um grito de bravura, com seu machado logo acima de sua cabeça e diferiu-lhe um golpe vertical. Numa tentativa desesperada, Yaroglek posicionou seu escudo para cima, que se partiu em dois quando o machado de Ragnar o atingiu, fazendo com que Yaroglek caia novamente no chão. Indefeso e desesperado, Yaroglek se levanta rapidamente a avança sua espada frontalmente contra a cabeça de Ragnar, para perfurá-la. Num movimento rápido, Ragnar inclina-se para trás e levanta seu machado, batendo na lâmina da espada com o cabo de ferro de seu grande machado, que a desviando para a sua direita, retorna seu machado contra Yaroglek, rasgando seu peitoral e ferindo seu peito. Yaroglek cai no chão e Ragnar volta a sua posição inicial, esperando que ele se levante.

Yaroglek, com raiva, se levanta respirando forte. E com um grito de bravura, segura suas espadas com suas duas mãos e avança contra Ragnar, num golpe vertical. Ragnar desvia de seu golpe apenas saltando para a esquerda e com um golpe vertical de seu machado fere o ombro direito de seu adversário, fazendo-lhe soltar a espada. Ao ver que estava indefeso, Yaroglek deu as costas para Ragnar e correu em direção a seu reino, mas foi impedido por Irya que segurou seu peitoral próximo a seu pescoço e o jogou no chão.

– Um verdadeiro rei luta à frente de seu exército e não por trás de seus homens – disse Ragnar. – Você não tem honra alguma Yaroglek. E agora vai apodrecer em minha prisão até que eu decida libertá-lo.

– Você se arrependerá por isso, Ragnar! – disse Yaroglek. – Meus fiéis vassalos perseguirão os seus até que todo o reino nórdico seja tomado.

– Não me faça rir, Yaroglek – disse Ragnar. – Seus homens não lutam com honra e por isso perderão todas as batalhas. Um verdadeiro rei de Calradia luta à frente de seu exército e não por trás dele. Agora, amarrem-no e usem alguma coisa para tampar sua boca. Não quero ouvi-lo desrespeitar o povo nórdico nem por um minuto – disse Ragnar a seus huskarls, virando suas costas para seu adversário e seguindo em direção a seu cavalo.

– Só se declara uma guerra quando há a certeza da vitória – disse Irya, seguindo em direção a Ragnar, para acompanhá-lo.

Enquanto isso, Peter passava por Jayek, aldeia de Sir Bulba, que ao dizer que estava indo resgatar seu barão, conseguiu mais cinco homens para seu exército, totalizando 13 recrutas nórdicos e um médico em seu exército. Ragnar e Irya tomaram caminhos diferentes. Ragnar foi à direção sudoeste, onde ficava Sargoth, seu lar e Irya, tomou a direção noroeste, onde ficava Wercheg. Ao cair da noite, Peter encontrou com Sir Irya em meio à estrada.

– Sir Irya – disse Peter, cumprimentando-o com a batida no peito. – Tenho notícias de sua casa.

– Olá, Sir Peter – disse Irya, retribuindo o gesto. – Vejo que seu pai já lhe nomeou Sir e que você já começou a recrutar um pequeno exército. O que acontece dentro de Wercheg?

– Não é dentro, é fora... – disse Peter. – Seu filho foi aprisionado pelo Reino Vaegir. Estou indo para o castelo, a pedido de minha tia, com o intuito de resgatá-lo na calada da noite.

– O que? – exclamou Irya. – Isso é um absurdo! Não posso acreditar que meu filho esteja preso. Bem... Acabo de voltar de uma batalha contra o exército de Rei Yaroglek está sendo prisioneiro de Rei Ragnar. E eu carrego Boyar Nelag como prisioneiro, cuja batalha eu venci antes desta. Se você não conseguir resgatá-lo de forma sadia, diga-lhes que ofereço Boyar Nelag em troca de meu filho.

– Farei isto, sir – disse Peter.

– A propósito. Rei Ragnar está indo para Sargoth e preciso enviar uma carta para um amigo que está lá – disse Irya, retirando a carta e mais uma bolsa com 30 moedas de prata. – Você pode levá-la para Sir Rayeck quando for jurar fidelidade a Rei Ragnar? Aqui estão algumas moedas, pela coragem de ir à busca de seu primo.

– Claro Sir Irya – disse Peter, pegando a carta e a bolsa. – Mas antes farei o que sua esposa me pediu. Obrigado, Sir Irya. Logo enviarei seu filho de volta em segurança.

– Confio em você, meu jovem – disse Irya, apertando o antebraço de Peter com sua mão. – Confio em você.

– Até mais, Sir Irya – disse Peter, retribuindo o aperto.

Peter foi até o Castelo de Alburq, lar de Sir Knudarr, onde descansou durante a noite com suas tropas. Durante a madrugada, Albert ordenou que lançassem a jaula do bandido em alto mar, condenando-o para sempre a viver seus 1000 anos agonizando em baixo d’água. Ao amanhecer, Peter partiu com seu pequeno exército para o Castelo de Slezkh, mas ao chegar próximo ao Castelo de Jeirbe, cujo mestre é Boyar Vlan, Peter avistou um bando de 10 desertores vaegirs que corriam para cima de seu exército.

– Amarre os cavalos, Jeremus! – gritou Peter, pegando seu grande arco e correndo em direção aos bandidos.

Enquanto Peter e seus recrutas nórdicos corriam em direção ao grupo de bandidos inimigos, Jeremus amarrava os dois cavalos de carga a uma árvore do local. Peter que era o mais veloz de seus homens, logo alcançou a última árvore antes de um campo aberto, onde se abrigou e passou a lançar flechas nos homens que corriam em sua direção. Após atirar quatro flechas, Peter conseguiu acertar dois dos bandidos, tempo suficiente para que seu exército fosse à frente dele, em direção aos inimigos. Logo, Peter guardou seu arco e, pegando sua espada nórdica, correu na direção dos desertores. Enquanto seus homens lutavam com a maior parte deles, Peter diferiu um golpe horizontal de espada, vindo da esquerda para a direita, matando outro desertor. Ao término da batalha, dois recrutas nórdicos ficaram feridos e nenhum desertor sobreviveu.

– Jeremus, cuide das feridas desses dois homens. Veja se eles podem andar. Quanto aos outros, procurem por itens que possam nos servir e amontoem-nos nos cavalos de carga. Os peixes, vocês mesmos carregarão.

Os homens de Peter encontraram uma moeda de ouro e algumas moedas de prata, além de alguns escudos, espadas, machados, lanças e vestes. Após guardas suas armas e averiguar todos os itens, vendo que nada era melhor do que aquelas que ele já estava usando, Peter decidiu equipar Jeremus com alguns itens dos soldados, então lhe deu um grande escudo antigo que estava levemente fendido, uma espada nórdica e um capacete com pele. O resto ele distribuiu entre alguns homens que lutaram bravamente durante a batalha e lhes nomeou soldados nórdicos. Enquanto todos se vestiam e Jeremus tratava da ferida dos dois recrutas, outros 10 desertores avistaram o exército de Peter, correndo para cima deles assim que viram os corpos mortos. Ao ver eles se aproximando, Peter aponta para a outra direção e os mostra vindo.

– Quantos mais tentarão nos matar hoje? – disse Peter, retirando novamente seu arco de suas costas e indo em direção aos desertores. – Avante, homens!

Garaf

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