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Amor Eterno (+16)

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Amor Eterno (+16)

Mensagem por Jo138 em Seg Set 02, 2013 1:22 pm

Uma história de amor. Amor de mãe e pai. O sofrimento de perder um filho e a luta pela sobrevivência. Não contém qualquer tipo de linguagem imprópria penso eu, mas pelo sim, pelo não, maiores de 16 não são recomendados. Contém cenas emocionalmente fortes. O primeiro capítulo vem já de seguida, beijinhos e espero que gostem! Smile
Personagens:
- David, o pai.
- Evelyn, a mãe.
- Wyatt, o filho.
As personagens secundárias vão aparecendo e vocês vão percebendo .


Última edição por Jo138 em Seg Set 02, 2013 3:54 pm, editado 2 vez(es)

Jo138

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Capítulo I - Pain

Mensagem por Jo138 em Seg Set 02, 2013 1:34 pm

A dor era insuportável.  Um sofrimento desesperante e avassalador que dominava o meu espírito já preenchido pela perda. Não conseguia entender como poderia alguém sorrir, não depois do que tinha acontecido, como era possível ser-se feliz, sorrir ou gracejar, quando eu o tinha perdido, para sempre. Para sempre. Obviamente estes pensamentos fizeram-me chorar, mais lágrimas sem vida jorraram dos meus olhos. Como podiam as pessoas ficar indiferentes? O funeral além de desesperante foi monótono e demasiado simples, ele merecia mais. O meu bebé não podia ser assim esquecido. Nem os avós se foram despedir, sabia a aversão que tinham pelo meu menino, pelo meu bebé, filho não planeado de uma relação de adolescentes que provavelmente não duraria. Mas durou. E eles demasiado orgulhosos não queriam desculpar-se, apoiar ou consolar. Problema deles, odiava-os.  O meu filho tinha tido uma vida tão boa... Tinham sido 6 anos de pura perfeição. 6 anos de felicidade e carinho, pelo menos para mim e David. Apesar do que se pensa, ter tido um filho na adolescência não me tirou a vida, não me condicionou a vida ou me separou de David. Na verdade, ter tido Wyatt foi o que deu cor à minha vida, foi o que a completou. Eu, David e Wyatt fomos felizes, mas uma felicidade pura e inigualável durante 6 anos. 6 anos. Wyatt tinha uma vida tão bela pela frente, com uma família que o amava, que o protegia. Ou se calhar não protegia assim tão bem...
- Já vi que não te posso deixar sozinha - disse-me David, sentando-se ao meu lado no sofá e pousando a chávena com chá na mesa em frente ao sofá, rodeando-me os ombros com um braço e encostando-me a si. Com a outra mão tocou-me na face, limpando-me as lágrimas.
Queria conseguir sorrir-lhe, queria não ser egoísta, afinal ele também tinha perdido um filho, devíamos consolar-nos mutuamente, mas não conseguia. Agradecia-lhe por tudo, o apoio, a consolação. Ele estava a ser forte pelos dois.
- Desculpa... - pedi, entre soluços.
- Eve... Não quero que me peças desculpa, quero que não chores... - sussurrou-me ele, beijando-me a cabeça.
- O que é que nós fizemos? - perguntei, irritada com o mundo.
- Nós não fizemos nada... - disse ele, parecendo tentar convencer-se a ele próprio.
- Sinto-me tão inútil - disse-lhe, desabafando.
- Evelyn Hall - disse ele, na sua voz sedutora - Fizemos o que pudemos, tentámos o possível e o impossível, tentámos dar-lhe o melhor e educá-lo o mais correctamente possível. Tentámos protegê-lo do mundo. Fomos-lhe muito úteis acredita. Sem ele cá, sem o nosso bébé, a nossa utilidade passou a ser perante os dois, e a lutar por nós.  - ele agarrou a minha cara entre as suas mãos e olhou-me nos olhos. - Luta comigo por favor, eu amo-te e não te quero perder a ti também.
Eu derramei umas lágrimas, ao ver os olhos dele humedecerem. Ele não ia chorar, conhecia-o demasiado bem, ele nunca choraria, não à minha frente, para ele, orgulhoso, chorar à minha frente era quase como se declarar fraco.
*Flashback*
Eu e David namorávamos à pouco mais de 2 meses.
- Evelyn, Evelyn! - ouvi chamarem o meu nome. Virei-me desnorteada com os cadernos na mão, se não fosse Megan provavelmente tinha batido com a cabeça no cacifo. Era muito desajeitada na altura.
Megan soltou um risinho nervoso, vi que era Mark o rapaz de quem ela gostava, que se dirigia a nós a chamar-me.
-Sim? - perguntei.
- É o D . Acho que partiu o braço. - disse Mark, mas a cara dele mostrava medo, por isso o braço não devia ter bom aspecto.
Larguei a correr até ao campo onde David devia estar a treinar. Vi um amontoado de gente e dirigi-me para lá, seguida de Mark e Megan.
- Tu é que me fizeste uma rasteira oh atrasado mental! - ouvi David gritar.
- Tu é que te atiraste para o chão! Mal te toquei! - ouvi outro da equipa dele gritar.
- Vê lá se não queres que eu te parta a cara toda! - ouvi David.
Vi o rapaz sair dali a bufar, chateado.
- David o que se passa? - perguntei ao aproximar-me.
- Aleijei-me no braço - disse a custo e tentando sorrir para mim.
Ajoelhei-me ao lado dele. Percebia a tentativa falhada dele, em não mostrar em como o braço lhe doía. Tinha o braço numa posição estranha.
- Já tens aqui a tua miúda, já podes chorar - gozou Bruce, colega de equipa de David. Odiei a forma como me chamou miúda.
- Eu não choro, não sou um estúpido de um medricas tipo tu oh atrasado - disse David, irritado.
Bruce fulminou-o com o olhar. David olhou para mim e sorriu, entre um esgar de dor que o percorreu como um arrepio. Agarrou-se ao braço com uma expressão tensa e enjoada.
E foi a partir desse dia que soube que David nunca iria chorar à minha frente, por mais que estivesse mal, David não chorava à minha frente, o que por vezes me irritava.
*Fim do Flashback*
- Eu quero lutar por nós, quero ficar contigo, mas é difícil - disse-lhe, a custo.
David deu-me um beijo leve nos lábios. Depois abraçou-me e encostou-se ao sofá, agarrado a mim e a fazer-me festas na cara. Eu acalmei-me, encostada a ele e a sentir-me protegida.
Devemos ter ficado assim meia hora. Quando o telemóvel dele tocou. David largou-me calmamente e tirou o telemóvel do bolso.
-Tô Tyler? - disse David. Tyler era o irmão mais velho de David.
- Não, não precisamos de nada, obrigado. - disse ele, fazendo um sorriso triste.
- Eu depois digo-te qualquer coisa. Um abraço mano -  despediu-se David.
- Então? - perguntei.
- Era o Tyler, para saber de nós - pronunciou-se David. - Vá agora bebe o chá - pediu ele, agarrando no chá e dando-mo.
Depois de beber o chá, David deitou-me no sofá e pôs uma série a dar.
- Descansa amor, já cá venho ter - disse-me ele, dando-me um beijo.
Eu que sempre que chorava ganhava sono, e não dormia à várias noites, rapidamente adormeci.

"So we'll pretend it's alright and stay in for the night"

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Re: Amor Eterno (+16)

Mensagem por LittleA em Seg Set 02, 2013 2:56 pm

Continua!! Gostei Smile
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LittleA

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Re: Amor Eterno (+16)

Mensagem por Jo138 em Seg Set 02, 2013 3:19 pm

LittleA escreveu:Continua!! Gostei Smile
Oh, obrigado, a sério ! Smile

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Capítulo II - Pregnant

Mensagem por Jo138 em Seg Set 02, 2013 3:53 pm

Acordei e já era noite cerrada, estava tudo escuro, percebi que estava na cama, David devia ter-me levado enquanto dormia. Olhei para o relógio na mesa de cabeceira e vi que eram 3hoo da manhã. Mexi-me debaixo do lençol e não percebi que David estava tão perto de mim por isso dei-lhe uma cotovelada sem querer.
- Hmm - fez ele, a resmungar.
- Foi sem querer - sussurrei-lhe, fazendo-lhe uma festa no peito e encostando-me a ele.
Ele rodeou-me com o braço e chegou-me para si. Dei-lhe um beijo no nariz e tentei adormecer.
Pus-me a pensar e a pensar, o que me levou a derramar lágrimas. Deviam ser quase 4 horas da manhã, hora que Wyatt deveria aparecer, sorri ao pensar nisso.
*Flashback*
- Papá, papá - chamava Wyatt, baixinho.
David largava-me e resmungava.
- Q'é q'foi? - sussurrava, tentando não acordar-me. Em vão, já estava acordada, mal deixava de sentir o seu toque.
- Xixi...  - dizia Wyatt, logicamente. Na verdade Wyatt já se sabia desenrascar sozinho na casa de banho, mas ainda não tinha perdido o hábito de chamar o pai para ir ajudar caso fosse preciso.
- Se voltas a acordar-me para te ir ver fazer xixi juro que tranco no quarto - resmungava sempre David, mas prontamente levantava-se, ia à casa de banho com Wyatt e ia deitá-lo outra vez. Só quando sentia David agarrar-se a mim é que descansava e voltava a adormecer.
*Fim do Flashback*
Fiquei algum tempo deitada, na esperança de que o meu bébé entrasse, ensonado, a chamar pelo pai. David pareceu sentir a falta da sua presença também, porque deixei de ouvir a sua respiração. Ele também estava acordado, à espera de Wyatt.
Só passado muitas horas consegui adormecer e a consequência foi acordarmos os dois com um telefonema por volta do meio dia.
Quando David pegou no telemóvel, desligaram a chamada, atirou-o para o tapete e virou-se para mim. Que de olhos fechados conseguia sentir o seu olhar sobre mim.
-Sim? - perguntei, com uma voz rouca.
- Estava a apreciar a tua beleza - disse David.
Eu revirei os olhos quando os abri.
Ele aproximou-se e beijou-me. Um beijo quente e protector, num abraço do qual não queria sair. Fiquei assim algum tempo a descansar no seu peito.
-Tenho de ir trabalhar - sussurrou-me.
Eu sabia que já tinham passado 15 dias, ele precisava de voltar para o trabalho, o chefe dele era um sacana de cocozinho.
- Não... - suspirei, em tom de desabafo.
- Não me faças isto. Sabes que queria ficar aqui contigo para sempre... - disse, beijando-me suavemente.
- Eu sei, vai lá... - disse-lhe, despedindo-me e logo sentido um vazio maior em mim.
Agora sozinha em casa que iria fazer? Faltavam 2 semanas para as férias de Natal, não iria sequer pôr os pés no trabalho.
Sem David, sem Wyatt aquela casa estava silenciosa e deprimente. Pus-me a relembrar memórias que nunca iria esquecer, coisas que me iriam perseguir a vida toda. Não sei o que andava a fazer na Terra, podia ter desaparecido com Wyatt, ficado com ele, David viria connosco claro, não imaginaria uma vida sem ele.
Relembrei o quando soube da gravidez de Wyatt. Um momento tão triste e deprimente, mas que agora me fazia sorrir e desejar tudo outra vez.
*Flashback*
Eu sabia que o tínhamos feito sem preservativo, e numa época que eu sabia ser a ideal para gravidezes. Tive uma réstia de esperança quando fiz o teste, mas ele deu positivo e as minhas preces não foram ouvidas, se bem que nunca tinha sido muito religiosa. Naquele momento só pensava em David e como lhe contar.
Nem todas as preparações do mundo dariam para me ajudar a arranjar o momento certo para lhe dizer. Simplesmente tinha de lhe dizer, sei que o mais provável era ele deixar-me. Mulherengo como era e imaturo como era, o mais provável era deixar-me como dois adolescentes e irresponsáveis que éramos.
- Amor - sorriu-me ele, dando-me um beijo apaixonado e longo.
Eu abracei-o depois.
- Temos de falar - sussurrei-lhe ao ouvido.
Ele deu-me um beijo sedutor no pescoço.
Eu concentrei-me, não me podia deixar levar, não me podia deixar levar, Não me podia... Agarrei-me ao cabelo dele, sentindo o desejo crescer em mim. Ele beijou-me o maxilar e depois os lábios. Num beijo quente encostou-me à parede e agarrou-me a cintura por baixo da camisola.
- Eu... David... - tentava dizer, por entre beijos.
Ele puxou-me as pernas e eu enrolei-as à volta do corpo dele. Não podia deixar que isto acontecesse... Tinha de lhe dizer... Num momento de consciência desenrolei as pernas e empurrei-o ligeiramente.
- Então? - perguntou, visivelmente aborrecido.
- Temos de falar, é urgente - disse eu, recuperando a respiração normal.
- Não pode ficar para depois? - perguntou ele, olhando para as calças, onde se podia notar um alto.
Abstive-me de pensar no estado excitado dele e revirei os olhos.
- Acalma-te - pedi-lhe.
Ele bufou e dirigiu-se ao sofá. Eu segui-o. Tínhamos a casa só para nós, os meus pais trabalhavam.
- Diz - disse ele, depois de se acalmar.
- David, o que eu tenho para te dizer não é fácil... - comecei eu, sem saber o que dizer.
- Diz de uma vez - disse ele, encolhendo os ombros.
Eu lancei-lhe um olhar chateado.
- Desculpa, desculpa - pediu-me, rodeando-me os ombros com o braço. - Diz amor - pediu-me.
Eu levantei-me, deixando os braços dele.
- David... Eu estou grávida... - disse-lhe, baixo.
-  O quê? Repete ouvi mal - disse ele a sorrir.
Mas a minha cara fez a dele mudar de expressão.
- David, eu estou grávida - disse mais alto.
Ele olhou com os olhos muito abertos para mim, abria e fechava a boca a olhar para mim, sem dizer nada.
Ficamos assim algum tempo.
- De quem? - foi a única coisa que ele conseguiu dizer.
- De quem David? - perguntei, senti as lágrimas começarem a escorrer, ao perceber que podia estar prestes a perder o David, ele não estava a reagir  bem.
- É meu? - perguntou, levantando-se.
- Claro que é teu... Namoramos à mais de 1 ano, que eu saiba não dormi com mais ninguém . -disse-lhe, magoada.
Ele levantou-se e fez tenções de se aproximar, mas recuou. Continuava de boca aberta a olhar para mim. Eu sentia as lágrimas escorrerem.
- Não chores - pediu-me.
Eu olhei para ele.
- Vamos passar por isto juntos - disse ele, calmamente.
Aproximou-se de mim e rodeou-me com os braços, escondi a cara no peito dele.
- Não acredito que isto nos está a acontecer... - disse-lhe, triste.
Chorei no colo dele durante a tarde toda. Decidimos ter o bebé, David era totalmente contra abortos. O desafio mais difícil ainda estava para vir, contar aos nossos pais.
*Fim do Flashback*
Aquela ausência de David pôs-me de novo a chorar, se não estava numa depressão para lá caminhava. Enchi a banheira de água quente e entrei, ficando agarrada aos joelhos por mais de uma hora, a pensar. Às vezes desejava não ter cérebro, para não conseguir pensar, para não conseguir relembrar ou me preocupar.

"Now and again we try to just stay alive"

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Capítulo III - Angel

Mensagem por Jo138 em Ter Set 03, 2013 9:05 am

Vesti-me e fui buscar um casaco de David, vestindo-o, para sentir a presença dele. Mas ao entrar no escritório vi as prendas de Natal destinadas a Wyatt. Estávamos no inicio de Dezembro e já tínhamos as prendas de Natal à algum tempo, porque o dinheiro não era muito e à medida que íamos tendo íamos comprando, não suportava pedir mais dinheiro aos pais de David que tanto nos tinham ajudado. Ao ver a bicicleta que Wyatt tanto queria ali embrulhada... Tive outro ataque de raiva. Eu não queria o Natal, não queria que chegasse. O Natal era uma porcaria, nunca iria gostar dele. Não agora sem o meu menino a sorrir ao abrir as prendas que tanto desejava e pedia.
Arranquei as meias de natal da sala, derrubei a árvore de Natal e arranquei todos os enfeites de Natal espalhados pela casa. Irritada com o mundo, com a vida. Era nestes momentos que tinha a certeza que não existia nenhum Deus, não podia existir. Se existisse pouparia o nosso anjo, ele era demasiado inocente.
*Flashback*
- Mamã! Vamos fazer a árvore de Natal! - pedia Wyatt, no último ano que fizemos a árvore.
- Wyatt, ainda é cedo! - disse eu, pacientemente, enquanto apanhava um brinquedo no meio da sala.
- Por favor, eu quero as luzinhas mamã! - pedia ele.
David chegou nesse momento.
-Papá ! Papá! - gritava ele, correndo para ele. David teve de se baixar para que Wyatt não se atirasse a ele e cai-se. Segurou-o nos braços e deu-lhe um pequeno abraço, fechando a porta de casa.
- Então pequeno? - perguntou David, sorrindo ao filho.
- A mamã está a ser má! - disse Wyatt.
Eu abri a boca, fingindo-me escandalizada.
- Ai sim, então que está ela a fazer? - perguntou David a rir-se.
- Não me deixa fazer a árvore de natal! - indignou-se Wyatt.
Eu e David rimo-nos. David aproximou-se.
- Que mãe má - disse-me, dando-me um beijo.
- Parem com isso! - queixou-se Wyatt. - Vamos fazer a árvore por favor! - pediu ele, esperneando ao colo do pai.
- Sim! Vamos fazer a árvore! - brincou David, imitando Wyatt.
-Dois contra uma, que injusto - disse-lhes, rendendo-me.
- Boa! - gritou Wyatt.
Nessa noite fizemos a árvore e Wyatt adormeceu no sofá, a olhar para as luzes, enquanto as tentava contar.
*Fim do Flashback*
Depois de tudo destruído logo me arrependi. Não o queria ter feito... David iria ficar triste. Comecei a arrumar tudo, sempre com as lágrimas nos olhos ao relembrar todos os momentos com Wyatt. Muitas das coisas não tinham remédio, pelo que tive de as deitar para o lixo, a árvore era demasiado pesada e eu não tinha forças para  a levantar. Na verdade, não me lembrava da última vez que tinha comido algo decente, sabia-me tudo a cartão e nunca tinha fome.
Sentei-me no sofá a ver desenhos animados, queria sentir que tinha Wyatt ao pé de mim, a exigir que mudasse para os desenhos animados, pois não queria ver nenhuma série em que ' os grandes dão beijinhos na boca'.
David chegou à tarde e atirou a mala, para o hall de entrada. Quando entrou na sala vi a sua cara de choque, e quando o seu olhar se cruzou com o meu já as lágrimas tinham começado a escorrer. Ele correu para mim.
- Por favor amor, não... - pedia-me ele, num tom suplicante. Rodeou-me com os braços e apertou-me contra si. Aquilo acalmou-me, deu-me a sensação de protecção que David sempre me dera e mais ninguém o conseguira. Mais uma vez aturou a minha choradeira durante todo o tempo. Quando me acalmei não se levantou, sabia que ele estava cheio de fome como o habitual quando chegava do trabalho, mas nem ousou mexer-se.
Enganava-me, eu não tinha só um anjo que tinha desaparecido. Tinha dois, e um deles estava ao meu lado. A segurar-me à vida.
Dei-lhe um abraço apertado e um beijo suave, levantando-me em seguida para lhe preparar algo para comer, ele seguiu-me sem largar a minha cintura. Depois de comer levou-me para tomar um banho consigo, para me acalmar, para, por momentos, me descontrair e aproveitar o máximo com ele. David era um anjo, mas tinha necessidades, tal como eu.
Depois do banho fomos dar uma volta, apanhar ar puro, a um sítio novo. Não me queria levar a sítios que já tínhamos partilhado com Wyatt, o que era difícil. Expirei e inspirei ar puro mais do que uma vez, porque sabia que quando voltasse a casa o ar estaria pesado e stressado. David já uma vez me tinha tentando tirar daquela casa, mas eu recusara-me a sair, não queria afastar as lembranças de Wyatt, não queria esquecer Wyatt. E para mim, afastar-me dali, era esquecê-lo.

"I said I'd never let you fall and I always meant it"

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Capítulo IV - Christmas

Mensagem por Jo138 em Qua Set 04, 2013 1:18 pm

À noite David obrigou-me a comer uma massa, levando-me de seguida para a cama, para descansar. Encostei a cabeça ao peito dele, ele fazia-me festas nas costas, gostava de estar assim, a ouvir o bater do coração dele, a saber que ele estava vivo.
- Amor, precisamos de falar sobre o natal... - disse-me ele, ocasionalmente.
- Sim? - perguntei, sem grande vontade.
- os meus pais pediram-nos para lá irmos passar o natal, com eles - disse ele, num tom de súplica.
Eu sabia que tal como ele, não queríamos passar o natal em casa, sem Wyatt. Eu encolhi os ombros não muito convencida, mas devia isso a David, ele estava muito pouco com a família, sem ser os pais. E os pais dele tinham feito imenso por nós.
*Flashback*
Cheguei à escola vermelha de choro. Os meus pais continuavam chateados comigo e a responder-me mal. Cheguei ao pé de David.
- Eve, o que se passa? - perguntou ele ao olhar para os meus olhos, rodeando-me com os braços.
- Foram os meus pais, não páram de dizer para abortar, que me querem fora de casa - desabafei.
- Isto não pode continuar, nós aceitámos isto. Eve, se os teus pais não nos querem apoiar vamos falar com os meus. Eu sei que eles te deixam ficar em nossa casa por uns tempos até arranjarmos alternativas - explicou David.
- Não, não quero isso. - disse-lhe. - Os teus pais não têm de me sustentar David e eu era incapaz de lhes pedir isso...
- Mas não és tu que pedes, sou eu - disse David, colocando-me a mão no ventre. - Este stress provocado pelos teus pais não faz bem ao bebé, por isso tenho de te tirar daquela casa! - exclamou ele. - Os meus pais vão ser avós e podes ter a certeza que vão fazer tudo para nos apoiar - explicou David.
Eu acenei, não muito convencida. Mas na verdade, duas semanas depois fui para casa de David, sem suportar mais os meus pais. Os pais de David acolheram-me e trataram-me como se fosse filha deles, quando Wyatt nasceu deram-lhe todo o amor e carinho que avós podiam dar a netos.
*Fim do Flashback*
- Nós vamos - anunciei. Senti os músculos dele descontraírem. - Quem vai lá estar? - perguntei.
- os meus tios e primos, as minhas avós, os meus pais e acho que é só - respondeu ele, prontamente.
- Só? Vai lá estar o Jordan? - perguntei, porque era o único primo dele que conhecia melhor.
- Claro! Eles vão todos adorar-te e tratar-te bem - disse David, tentando convencer-me.
Duvidava muito que fossem gostar da adolescente imatura que tinha engravidado de David, o menino da família, por ser o mais novo. Mas não disse nada, iria com ele, e tentar não chorar. Já nem pensava em sorrir, porque achava isso impossível.
David rodeou-me com os braços ainda mais, apertando-os.
- Eu amo-te - sussurrou-me ao ouvido, dando-me um beijo na bochecha.
-Eu também David... Não sei o que seria de mim sem ti - disse-lhe, com sinceridade.
Ele deu-me um beijo apaixonado e adormecemos pouco depois, sem mais energias, ou pelos menos eu, sem mais energias.

Era dia 24, véspera de Natal, David acordou-me calmamente.
- amor, está na hora de nos levantarmos - disse ele, fazendo-me festas na cara. Eu esfreguei os olhos e espreguicei-me. Levantamo-nos os dois e tomamos banho juntos, seguimos depois para as últimas compras de Natal, quer de prendas, quer de doces. Senti-me perdida e vazia ao ver todos aqueles brinquedos que Wyatt poderia ter, poderia pedir.
À hora de jantar pegamos nas prendas, deu-me um ataque de choro ao ver as prendas que seriam para Wyatt, David atirou-as logo fora, acalmando-me de seguida. Quando me acalmei dirigimo-nos a casa dos pais de David, comigo nervosa e ansiosa. David foi o caminho todo a tentar acalmar-me, e eu a mentalizar-me.
- David, não te preocupes comigo, eu esta noite vou estar bem - disse-lhe ao ver a cara preocupada dele. Ele sorriu-me rapidamente e voltou a dar atenção à estrada. Chegamos então à casa dos pais dele.
Era uma vivenda pequena e acolhedora, com um pequeno jardim bem tratado onde Benji nos esperava. Eu adorava aquele cão, um arraçado de labrador com uma excelente personalidade. Pensei em quando os pais de David souberam da minha gravidez e nos ajudaram e apoiaram, ao contrário dos meus... Que me abandonaram e expulsaram. Mas não era altura de pensar em coisas tristes, devia isso a David.
Benji correu para David a toda a velocidade e pôs-se aos saltos, reconhecendo-o.
- Para baixo rapaz, senta Benji - disse-lhe David, ao qual Benji obedeceu. David e eu fizemos-lhe umas festas e Benji lambia-nos as mãos todas. Depois David rodeou-me a cintura e dirigimo-nos à porta, com Benji atrás. Batemos e aguardamos que nos abrissem a porta.
- Benji seu rafeiro, por onde andaste? - perguntou John, o pai de David, quando Benji passou por ele e lhe deu um encontrão. Depois olhou para nós e sorriu-nos.
- David filho... - suspirou John, abraçando David. David revirou os olhos a sorrir e retribuiu o abraço.
- Oh minha filha - disse ele, depois, olhando para mim. Deu-me um abraço apertado e eu senti-me em casa. Em casa, mas sem Wyatt... Lágrimas vieram-me aos olhos, mas contive-as, sorrindo para John quando finalmente me largou.
- Quem já chegou? - perguntou David bem disposto, rodeando-me a cintura.
- Só cá está o teu irmão e a namorada, e a tua mãe, claro. - disse John fitando-me, à procura de qualquer sinal de fraqueza, de tristeza. Eu sorri ele pareceu menos preocupado. Cumprimentamos a mãe de David, o irmão que eu já conhecia e a namorada. Entre as 7h30 e as 8h30 toda a família chegou e toda cumprimentei. O jantar foi agradável. Todos pareciam adorar David, conversaram animadamente, foram dando pedaços de comida a Benji, apesar das tentativas falhadas de John de impedir. O jantar prolongou-se e eram quase onze e meia quando nos dirigimos à sala. Eu falava com o irmão e primo de David, David tentava integrar-me e inúmeras vezes me perguntava se estava bem.
Abrimos as prendas. Ouvir aquela felicidade, familiaridade, a excitação de abrir as prendas, fez-me ficar nostálgica e triste, mas fiz um esforço e fiz por estar feliz. Os cães eram um ser fabuloso e Benji especialmente, pois apercebera-se da minha tristeza e de focinho no meu colo com um ar solidário se deixou ficar para lhe dar festas. Deviam ser 4 da manhã quando finalmente saimos de casa dos pais de David, recheados de prendas. Eu sentia que David tinha adorado a noite, sentia o estado de felicidade dele. Ele merecia. Chegámos a casa e rapidamente nos dirigimos ao quarto, cansados.
- Gostaste da noite? - perguntou-me enquanto limpava a boca a uma tolha, depois de ter lavado os dentes. Eu acabei de pentear o cabelo e acenei que sim. Saímos da casa de banho me deitamo-nos.
Ele apoiou o cotovelo na cama e olhou para mim.
- Ao menos divertiste-te alguma coisa? - perguntou.
-Claro que sim! - respondi-lhe.
- Mentirosa - respondeu-me, mas lançou um breve sorriso. Rodeou-me com os braços e deitou-se por cima de mim, beijando-me. Eu sabia que ele estava feliz e precisava daquilo, e eu queria compensá-lo por tudo, por isso retribui o beijo. David seduziu-me, acariciou-me, e quando deu por mim ele estava dentro de mim e eu louca de prazer. Sem pensar ou reagir. Os movimentos contínuos dele prolongaram-se algum tempo e quando os dois atingimos o ponto mais alto, ele parou, saindo de dentro de mim e deitando-se ao meu lado, tapando-nos. Dei-lhe um beijo na cara e sussurrei-lhe um amo-te ao ouvido.
-Isto vai melhorar - disse-me - Prometo.
Eu queria acreditar que sim, mas não conseguia. Acenei-lhe e agarrei-me a ele, adormecendo pouco depois. Lembrei-me da última noite que Wyatt tinha passado em casa.
*Flashback*
- Já dorme - constatou David, quando apareceu no nosso quarto.
Eu lia um livro e acenei. David foi lavar os dentes e deitou-se ao meu lado.
- Amanhã leva-lo contigo às compras? Acho que vou trabalhar à noite - pediu David.
- Claro amor, mas não te esqueças de ir tratar da eletricidade senão qualquer dia ficamos sem luz - disse-lhe.
- Eu sei, já me disseste isso umas cem vezes hoje - disse ele, revirando os olhos.
- Assim garanto que não te esqueces - disse-lhe, sorrindo.
- Então vou deixar de dizer que te amo, pode ser que te esqueças - disse David.
- Ok então. - disse-lhe secamente, virando-me para o outro lado.
David riu-se e rodeou-me com o braço.
- Estava a brincar oh - disse-me, beijando-me o pescoço.
- Não teve piada - disse-lhe, virando-me para ele. Beijei-o e ficamos assim por breves instantes antes de ser interrompidos.
- Parem com isso - ouvimos uma voz ensonada.
Olhamos para a porta do quarto e vimos Wyatt.
- Então filho? Porque acordas-te? - perguntou David.
- Tive um pesadelo... - disse ele, envergonhado.
- Anda lá para aqui - sorri-lhe. Ele prontamente sorriu e aninhou-se no meio de mim e David.
- Até amanhã - disse-nos.
Eu e David demos-lhe um beijo na cara e assim adormecemos.
- Dorme bem filhote - desejei, sem saber que seria a última noite que disfrutaria do calor dele.
*Fim do Flashback*

"I will forget this night"

Jo138

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