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*** A Casa di Arcuri ***

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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Ter Maio 28, 2013 9:27 am

*** AVISO ***


Como no último capítulo eu quis deixar em suspense quem era o Diego até ao fim, não coloquei imagens dele e da Gianna durante a noite, portanto vou meter agora ^^







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Jess Silver

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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Ter Maio 28, 2013 9:51 am

Capítulo 8



La Matinna Dopo



(A Manhã Seguinte)





Sentia algo muito macio e fresco a roçar-me na pele, mas não consegui descobrir do que se tratava até abrir os olhos, o que fiz com hesitação, porque o quarto estava demasiado iluminado e a luz feria-me um pouco os olhos. Protegi-os com a mão e voltei-me na cama, tentando perceber onde me encontrava – e o porquê de ter aquela enorme dor de cabeça, que quase a fazia explodir – mas assim que me virei deparei-me com um homem adormecido ao meu lado.

Um homem que tinha a mão no meu peito e a perna a envolver a minha.




Engoli em seco e contive o guincho de surpresa que quis soltar. Quem era ele e o que fazia ali?! Pestanejei, tentando focar a visão e organizar as ideias, e então as primeiras imagens da noite anterior começaram a furar a névoa de confusão que enchia a minha mente, e comecei a lembrar-me do que tinha acontecido.

«Oh sim… agora já sei onde estou…» pensei, estremecendo ao relembrar a sessão de sexo alucinante que tinha tido.

Voltei a relaxar na cama e fechei os olhos, enquanto mais e mais imagens me inundavam a cabeça. Não conseguia acreditar em tudo aquilo… nem sequer fazia o meu género, ficar com o primeiro homem que me interpelava num bar, mas desta vez não tinha conseguido controlar-me… e ainda bem que assim fora.

Se Michell não fosse comprometido e tão feliz ao lado de Antoni iria roer-se de inveja por eu ter ficado com aquele partido imperdível.

Mas não podia passar o resto do dia na cama, por mais que quisesse, pelo que tentei escapar-me lentamente de debaixo do corpo dele – uma missão mal sucedida – e ainda mal tinha conseguido afastar a sua mão quando ele começou a mexer-se e a ruga entre as suas sobrancelhas grossas e negras se aprofundou. Ele franziu a testa e mordeu o lábio antes de abrir lentamente os olhos, e quando o fez senti-me novamente a derreter.





De olhos fechados ele não tinha metade do poder de atracão que tinha quando os abria.

- Hum… bom-dia… – balbuciou, passando a mão pela cara e esfregando os olhos.

- Bom-dia… eu já estava de saída… - respondi, e consegui finalmente sair de debaixo dele.

- OK… e, já agora, foi ótimo conhecer-te. – murmurou, antes de enterrar o rosto na almofada.

- Igualmente. Adeus, Diego.

- Adeus, Gianna. – sussurrou, com o som abafado pela almofada.

Peguei rapidamente na minha roupa, espalhada pelo quarto, e vesti-me o mais depressa que pude enquanto me dirigia à saída. A dor de cabeça piorou com os movimentos bruscos, e quando desci no elevador senti-me até com algumas náuseas, mas já sabia que só precisava de um bom café para recuperar. Saí do hotel – com os olhos quase a derreter perante a forte luz do sol matinal – e dirigi-me à rua. Parei no primeiro café por que passei e sentei-me numa das mesas da esplanada. O empregado apareceu pouco depois para me entregar a carta do menu, mas pedi-lhe apenas que me trouxesse um café bem forte e um bolo qualquer, e ele assentiu com a cabeça e tornou a ir-se embora.

Claro que toda a gente me olhava de lado naquela altura: ainda nem deviam passar das dez da manhã e eu estava num estado deplorável, ainda com o vestido da noite anterior, com o cabelo despenteado e a maquilhagem borrada. Precisava de voltar para o meu hotel e tomar um bom banho, vestir roupa lavada e preparar-me para voltar à vida real e deixar a fantasia da noite anterior para trás das costas.

Paguei o pequeno-almoço depois de o tomar e chamei um táxi para me levar ao hotel onde estava hospedada com Antoni e Michell (ao menos ainda conseguia lembrar-me do nome do hotel, por isso o taxista não teve dificuldade em levar-me até lá), e quando entrei para o elevador e subi até ao piso da nossa suite, já estava mais lúcida e já me doía menos a cabeça.

Como não tinha chave para abrir a porta limitei-me a bater, mas como ninguém abriu acabei por me encostar à ombreira da porta e fiquei à espera. Continuei a bater, mas não recebi qualquer sinal do interior, pelo que me rendi e me deixei escorregar, apoiada na parede, até chegar ao chão. Sentei-me lá, com as pernas cruzadas e a cabeça apoiada na parede, e preparei-me para esperar que Michell ou Antoni me viessem ajudar.

O que só aconteceu mais de uma hora depois, quando ouvi as vozes dos dois a chegar do fundo do corredor, da zona dos elevadores. Eles vinham a chegar ao quarto, e assim que me viram apressaram o passo e vieram ajudar-me a levantar.

- Gia! Estás bem?! – exclamou Antoni, perplexo com o meu estado.

- Estou… mas cansei-me de esperar em pé para que vocês chegassem… - expliquei, amparando-me nele para me levantar.

- Estás aqui há muito tempo? Nós fomos ver o Palazzo Vecchio, por isso é que nos demorámos… nem sabes o que perdeste! – explicou Michell, enquanto abria a porta da suite e nos deixava entrar.

Segui para o meu quarto já a despir-me, e Antoni e Michell seguiram-me para terem a certeza de que eu estava mesmo bem e não ia desmaiar ou algo parecido.

- Com que então tiveste uma noite bem agitada, hein? – disse Antoni, sem esconder a provocação da voz.

- Pois tive. – respondi, lançando-lhe um olhar malicioso.

- Ele era tão sexy… credo, quando o vi nem parecia real… – confessou Michell, que recebeu um olhar de censura da parte de Antoni. – Oh, amore mio, sabes bem que só tenho olhos para ti…

- OK, OK malta, façam lá o que tiverem de fazer no vosso quarto, porque eu preciso de tomar banho e trocar de roupa, vá! – ripostei, quando os vi começar a beijar-se mais intensamente.

- Pronto, está bem… ficas bem, de certeza? Não vais adormecer na banheira nem nada? – insistiu Michell, preocupado comigo.

- Não, vou só mesmo tomar um duche rápido, não se preocupem. Até já. – respondi, e segui para a casa de banho privativa do meu quarto.

Despachei-me a tomar banho – nunca gostei dos champôs e sabonetes dos hotéis, mas tinha de me contentar com aqueles porque, caso contrário, não conseguiria tomar banho – e quando saí enrolei o corpo numa das toalhas que estavam penduradas no expositor e voltei ao quarto, já a sentir-me muito melhor. Escolhi uma das minhas roupas mais confortáveis e mais elegantes – não me tinha esquecido do que tinha de fazer durante a tarde – e dei um jeito ao cabelo antes de seguir para o quarto de Antoni e Michell.

Quando entrei eles estavam a ver qualquer coisa no IMac de Antoni, mas levantaram imediatamente os olhos para saberem o que eu queria.

- Vamos almoçar? Estou a morrer de fome. – sugeri, apontando para a saída.

- Claro, vamos lá… onde é que te apetece ir?

- Não sei… podem ser vocês a escolher desta vez. – respondi, e os dois sorriram-me em jeito de agradecimento.

Voltámos a sair da suite e a descer para a rua, e fomos almoçar a um bonito restaurante à beira da estrada, que nos serviu um risotto absolutamente delicioso. E depois da refeição fomos dar um passeio a pé pela cidade, ver todos os monumentos e lugares importantes que eu ainda não tivera oportunidade de explorar, e só a meio da tarde decidi que não podia adiar durante mais tempo o que tinha de fazer.

- Malta… tenho mesmo de ir a casa do Giancarlo Arcuri. – revelei, chamando a atenção de ambos quando estávamos a atravessar a Ponte de Santa Trinità.

- E sabes onde a casa dele fica? – inquiriu Michell, de sobrolho franzido pela preocupação.

- Sei. Consegui arranjar a morada entretanto… e tenho de lá ir.

- Queres que vamos contigo? – ofereceu-se Antoni, com um sorriso inundado de amizade e carinho.

- Não é preciso, mas obrigada… isto é algo que tenho de fazer sozinha.

- OK… nós vamos estar no hotel à tua espera, está bem? Desta vez não te deixamos à espera no corredor. – despediu-se Michell, com uma gargalhada abafada no final.

Abracei os dois ao mesmo tempo, dando-lhes um beijo rápido, e segui para a praça de táxis mais próxima, para chamar algum que me pudesse levar à morada que tinha escrito naquele post-it, que ainda estava no fundo da minha mala de ombro.

A viagem até casa dos Arcuri não durou mais de quinze minutos, mas quando me vi a ser afastada do centro agitado da cidade e a seguir para as redondezas, comecei a sentir-me nervosa. As ruas apertadas e movimentadas deram lugar a paisagens de cortar a respiração, de campos cobertos de vinha até perder de vista, e cada casa era separada das restantes por imensos metros. Finalmente, quando estava já prestes a perguntar ao motorista se ainda faltava muito, ele começou a abrandar e parou em frente aos enormes portões de ferro forjado de uma mansão vitoriana que parecia um pequeno palácio.

O meu estômago contorceu-se perante aquela visão. Aquela é que era a casa dos Arcuri?!

- Chegámos, signorina. Esta é a Casa di Arcuri. – anunciou o taxista, num tom que deixava claro que estava na hora de eu sair do carro.

Pestanejei, voltando à realidade, e concordei com um aceno de cabeça. Paguei-lhe a viagem e abri a porta do táxi, voltando a ficar estupefacta perante a visão daquele casarão maravilhoso diante de mim.

Avancei pelos longos metros que separavam os portões do alpendre, todo em madeira branca, e quando subi os quatro degraus e cheguei à porta principal, senti subitamente o nervosismo a rebentar dentro de mim.

O que é que eu estava a fazer?!

Era óbvio que este era um mundo completamente diferente do meu, diferente de tudo a que eu estava habituada, e depois de bater à porta seria tarde de mais para dar meia-volta e fugir, voltar ao passado e esquecer que tinha feito isto. Mas estava tão perto… já tinha chegado tão perto…

«Não te acobardes agora, Gianna. Não fizeste todos estes quilómetros para agora desistires!» ralhou a minha consciência, e deu-me alento para inspirar fundo e levantar a mão, para bater à porta.

Mas não precisei de o fazer, porque esta se abriu de repente diante de mim, e do outro lado surgiu um rapaz.

Era mais novo do que eu, mas não muito de certeza. Tinha uma pele perfeita, clara e sem qualquer borbulha ou sinal, e embora não se pudesse considerar propriamente musculado, também não era franzino. Tinha os ombros largos e a testa alta e lisa, o cabelo preto despenteado e sexy, os olhos azuis-claros envoltos em pestanas longas e negras, umas sobrancelhas grossas e expressivas e uns lábios carnudos e sorridentes. Era muito bonito, sem qualquer dúvida, mas havia algo naquelas feições que me perturbou de imediato, embora não tenha entendido o porquê.

- Quem és tu? – perguntou, num tom desconfiado.

Engoli em seco, sentindo que tinha chegado o derradeiro momento, e que já não podia mesmo acobardar-me e evitar o que estava prestes a descobrir.

- Chamo-me Gianna Brunnesci… e sou filha de Giancarlo Arcuri.






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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Ter Maio 28, 2013 1:20 pm

Capítulo 3



Bugie


(Mentiras)




Quando aquelas palavras saíram dos lábios da minha mãe, pensei que tivesse percebido mal, e o meu cérebro recusou-se a assimilar de imediato a verdade. Porque não podia simplesmente ser verdade, certo?

- Mãe... o que estás a dizer? - gaguejei, com a ruga de tensão a aprofundar-se entre as minhas sobrancelhas.

A minha mãe limpou as lágrimas que lhe desciam pela cara, mas quando falou tinha a voz a tremer de dor e hesitação.

- Eu não suportaria contar-te isto quando ainda tivesses oportunidade de olhar para ele e o confrontar com a verdade... ele esforçou-se tanto, toda a tua vida, para não descobrires que não era o teu verdadeiro pai... eu não podia trai-lo e contar-te, entendes?

- Não! Não entendo! - ripostei, e levantei-me bruscamente da mesa.

O que é que ela estava a dizer?! O que raio vinha a ser aquilo?!

- O meu pai era o Adolfo! Sempre foi e sempre será, mesmo que já não esteja aqui! - vociferei, cerrando as mãos em punhos para tentar que elas parassem de tremer.

Michell lançou-me um olhar censurador quando deu a mão à minha mãe e tentou consolá-la, já que ela agora chorava sem parar, mas eu não conseguia conter a indignação e confusão que explodiam dentro de mim.

- Mãe, é bom que me expliques imediatamente o que se está a passar, porque eu não estou a entender nada!

- Eu queria ter-te dito antes... eu sei que merecias saber mais cedo, mas... o Adolfo pediu-me tanto, Gia, pediu-me tanto para esquecer a verdade... ele amava-te como se fosses mesmo sangue do seu sangue, sempre amou... e nunca te tratou de maneira diferente, nunca sequer pensou em ti como se não fosses filha dele...

- Mas não sou... - balbuciei, e senti o meu coração a ficar apertado pela dor.

Aquilo não podia ser verdade... toda a minha vida eu acreditara que aquele homem que via todos os dias, que me sorria e me abraçava, me dava tanto carinho, me ensinava tudo o que sabia, me tentava fazer feliz de todas as maneiras possíveis, sempre acreditara que ele era o meu pai... e agora, depois da sua morte, descobria que não era verdade...

«Não pode ser... eu não consigo lidar com isto...».

- Signora Rosana, talvez seja melhor explicar-nos a verdade... do princípio. - pediu Michell, num tom mais calmo e compreensivo que o meu, ao ver que eu não estava em condições de falar decentemente.

Comecei a andar de um lado para o outro em frente a eles, tentando libertar a frustração e a raiva que aumentavam dentro de mim, mas as lágrimas começaram a rolar-me pela cara e tudo o que conseguia fazer era olhar para a minha mãe, que também chorava, e tentar não sentir aquela enorme vontade de lhe virar costas.

Ela mentira-me durante vinte e três anos!

- Tens razão, Michell... eu já escondi a verdade durante demasiado tempo... e está na hora de contar tudo à Gianna. Ela merece saber o que realmente aconteceu... com o seu verdadeiro pai.

Assenti com a cabeça, concordando com ela, e limpei furiosamente as minhas lágrimas, antes de erguer bem a cabeça e cravar os olhos nos dela.

- Estou pronta. Começa!

A minha mãe soluçou e também enxugou os seus olhos antes de aclarar a voz para começar.

- Eu tinha vinte e um anos e tinha acabado de sair de casa dos teus avós... estava ansiosa por viver a vida, por me divertir, por ser livre para fazer tudo o que não tinha feito até aí... então mudei-me com duas amigas para um pequeno apartamento em Florença, e vivemos aí durante alguns meses... mas logo ao início eu conheci a pessoa que mudaria a minha vida para sempre... o teu pai.

Arrepiei-me ao ouvi-la dizer aquilo, porque a voz da minha mãe estava inundada de mágoa, mas não deixei que a sua dor amainasse a minha curiosidade, e forcei-a a continuar.

- Eu não o conhecia de lado nenhum... nós conhecemo-nos numa discoteca, numa noite... dançámos e sentimos uma conexão imediata um pelo outro... passámos alguns dias juntos, ao todo uma semana, acho eu... mas depois ele desapareceu, sem mais nem menos.

- Não ficaste com o contacto dele? Com algum meio de falares com ele para lhe dizeres que estavas grávida dele?!

- Não, Gianna, porque eu não sabia que estava grávida! Os primeiros três meses da gravidez foram estranhos e muito fora do normal... nada dava a indicar que eu estava grávida de ti. Nada, acredita. Eu só descobri quando finalmente deixei de ter o período e fui ao médico... e então eles disseram-me a verdade.

- E tens a certeza de que o meu pai é esse homem? - insisti, sem conseguir esconder a fúria da voz.

- Claro que tenho! Eu não sou nenhuma galdéria, Gianna, e não te admito que me trates assim! - revoltou-se, lançando-me um olhar ofendido e colérico. - Eu sei perfeitamente quem é o teu pai, mas não podia fazer nada para o avisar de que estava grávida de ti!

Baixei o olhar para as mãos e respirei fundo, esforçando-me por recuperar a calma e a compostura.

- E o que aconteceu de seguida? A Signora Rosana... nunca pensou em desistir da gravidez? - perguntou Michell, que sabia perfeitamente que eu jamais teria coragem de colocar a questão daquela maneira.

Estremeci quando o ouvi dizer aquilo, mas ainda assim levantei os olhos para ver a reação da minha mãe, que parecia mais horrorizada do que nunca.

- Claro que não! Eu não podia acabar com a gravidez... nem sequer ponderei nessa hipótese, e acredita que houve imensa gente a aconselhar-me a fazê-lo... - soluçou, mas quando voltou a olhar para mim, percebi que estava a falar do fundo do coração, e não consegui continuar furiosa com ela.

Porque mesmo que tudo e todos estivessem contra ela, e todos os fatores se unissem para a deixar numa terrível situação, ela não desistira de mim. E eu não podia agora magoá-la como estava a magoar, não depois de tudo o que ela passara por mim.

- Então levaste a gravidez até ao fim e tiveste-me. - concluí, e as lágrimas voltaram a descer-me pela cara.

- Sim... e amei-te tanto, minha pequenina, tanto, tanto... desde o primeiro momento em que te senti na minha barriga que soube que nunca poderia desfazer-me de ti... e quando nasceste soube que essa tinha sido a melhor decisão da minha vida.

- Eu entendo, Mãe, mas... esse homem, o meu verdadeiro pai, ele tem o direito de saber que eu existo. Tu devias ter arranjado maneira de lhe revelar a verdade, por mais difícil que fosse.

- Eu não o quis fazer. Tenta compreender, Gianna... eu devia ser apenas mais uma de muitas mulheres com quem ele ficava ocasionalmente... achas mesmo que um homem deste género quereria assentar com uma rapariguinha qualquer e criar um filho com ela? Não, eu tinha a certeza de que não... por isso criei-te sozinha... ou, pelo menos, até conhecer o Adolfo.

E ao falar nele a minha mãe chorou ainda mais, mas um sorriso de gratidão e amor aflorou-lhe aos lábios. Ela sofria sempre quando se lembrava dele, mas o sentimento tão forte que tinham partilhado nunca chegaria a morrer nem a definhar, passasse o tempo que passasse.

- Ele aceitou criar-me como sua filha, mesmo que eu não o fosse?

- Aceitou. Eu contei-lhe toda a história e ele, tão apaixonado por mim como estava, nem hesitou em assumir-se como teu pai. E pediu-me apenas para que nunca te contasse a verdade... pelo menos até à sua morte. - concluiu a minha mãe, e limpou definitivamente as lágrimas.

Limpei também as minhas, parando definitivamente de chorar, e troquei um olhar rápido com Michell, que me apoiou sem precisar de dizer nada em voz alta, antes de voltar a encarar a minha mãe.

- Eu não vou voltar a atacar-te, Mãe. Desculpa pela maneira como reagi... mas isto é muito mais do que eu estava à espera de ouvir...

- Claro que é, querida, e eu compreendo, acredita que compreendo... tenho vindo a preparar-me para este momento desde que o teu p... o Adolfo morreu, e... acho que compreendi que nem mil anos de preparação teriam sido suficientes.

Concordei com um breve aceno de cabeça, e então soube o que tinha de fazer. Foi apenas numa fração de segundo que tomei a decisão, e assim que o fiz, soube que estava certa. Porque a minha mãe tinha uma intenção ao revelar-me tudo isto hoje.

Ela queria, finalmente, que eu descobrisse a verdade sobre mim. Então eu iria fazê-lo.

- Mãe... eu preciso de conhecer o meu verdadeiro pai.

Ela arrepiou-se ao ouvir isto, e hesitou imenso em responder. Durante o que me pareceu a mais longa das eternidades, nenhum de nós se atreveu a dizer nada, enquanto a minha mãe reunia forças e coragem e se preparava para enfrentar a verdade. Mas quando o fez tinha já a cabeça erguida e os ânimos restabelecidos, preparada para encarar o que aí viesse.

- Tens razão, Gianna. Eu não posso impedir-te de o fazer durante mais tempo.

- Obrigada por compreender... então preciso que me digas se há algo de que te lembres sobre ele.

A minha mãe respirou fundo, e então as palavras libertaram-se dos seus lábios, e soaram a uma maldição.

- Sim, eu lembro-me do seu nome. Nunca mais me poderei esquecer dele, não é? O teu pai... é o Giancarlo Arcuri.








Minha genteeee, peço desculpa pelo incómodo, mas devido a alterações que tive de fazer no capítulo, a formatação ficou tão terrível que tive de escrever de novo, mas tá aqui pra quem quiser ler
a única alteração feita é na idade da mãe da Gianna quando a teve: deixa de ser 19 anos e passa a ser 21, taah?
brigada pelo apoio e por continuarem a ler Smile


Última edição por Jess Silver em Dom Jun 30, 2013 6:05 am, editado 1 vez(es)
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Lys em Ter Maio 28, 2013 7:08 pm

UAU!
Okay, mais um capítulo magnífico, minha flor, parabéns, sua escrita fica melhor cada dia mais!
AAWWWNTTTS, GUILHERME LEICAM APARECEU!
Ele é tipo um mini-Ian, não é, Jess? KKKK'
Uooou, a Gianna vai conhecer o papai, my God.
Ai, que descrição perfeita da casa!
Por falar nisso, o casal da fic vai ser Gianna/Diego, ou ela vai se envolver com os outros também? #sortuda
Cada vez mais ansiosa para saber mais sobre a família Arcuri.
Jess, come on, foi maldade parar aí!
Quando você posta mais? Vou estar esperando.
E desculpe pela minha demora a ler a sua história, mas eu estava terminando aquele cap da minha fic, e não fiquei muito na net.
Aguardando por mais, sua linda
Beeeijos Wink
Spoiler:
Já postei em I Can't Stay, viu? Smile
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Qua Maio 29, 2013 5:13 pm

Lys escreveu:UAU!
Okay, mais um capítulo magnífico, minha flor, parabéns, sua escrita fica melhor cada dia mais!
AAWWWNTTTS, GUILHERME LEICAM APARECEU!
Ele é tipo um mini-Ian, não é, Jess? KKKK'
Uooou, a Gianna vai conhecer o papai, my God.
Ai, que descrição perfeita da casa!
Por falar nisso, o casal da fic vai ser Gianna/Diego, ou ela vai se envolver com os outros também? #sortuda
Cada vez mais ansiosa para saber mais sobre a família Arcuri.
Jess, come on, foi maldade parar aí!
Quando você posta mais? Vou estar esperando.
E desculpe pela minha demora a ler a sua história, mas eu estava terminando aquele cap da minha fic, e não fiquei muito na net.
Aguardando por mais, sua linda
Beeeijos Wink
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mais um comentário que me deixa babada de orgulho e felicidade, minha Lys!
haushhauusha quanta felicidade que o Guilherme apareceu né?? e ele vai ser tão importante ao longo da história! o único problema realmente é que não há muitas imagens gif dele :/ mas eu cá dou um jeito de resolver o assunto Wink
quanto à casa, ela é realmente muito grande e muito luxuosa, e será ainda melhor discrita nos próximos capítulos. e quanto à Gianna/Diego.... não vou contar xD (quê, achou mesmo que ia revelar todos os meus trunfos agora? na na ni na não! mas logo logo se vai ver como esses dois se vão arranjar, e me parece que você vai amar Wink)
Vou postar agorinha, me desculpa pela tremenda demora, e vou ler seu capítulo logo de seguida!
obrigada por todo o apoio minha flor, e espero que continue gostando! beijoo
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Qua Maio 29, 2013 5:21 pm

Capítulo 9



La Casa di Arcuri


(A Casa dos Arcuri)



Os olhos do rapaz semicerraram-se de confusão. Eu já previa esta reação, mas mantive a calma e a confiança e não deixei que ele me abalasse de imediato.

- És o quê? – gaguejou, ainda sem querer acreditar no que tinha ouvido.

- Sou filha do Giancarlo Arcuri.

- Não… isso não é possível… – insistiu, abanando a cabeça em negação.

- Eu sei que pode ser confuso ao início, mas… se me deixares explicar…

- O que se passa, Tiago? – perguntou uma voz desconhecida, que vinha de dentro da casa.

O rapaz afastou finalmente os olhos dos meus e voltou-se para olhar para dentro do casarão.

- Está aqui uma rapariga a dizer que é filha do meu pai!

Arrepiei-me quando ele disse aquilo e senti-me a ficar sem ar por uns instantes. O choque paralisou-me, e não fui capaz de fazer ou dizer nada antes de ele tornar a olhar para mim, e assim que o fez surgiu um homem ao seu lado, bastante mais velho que ele.

Mas não o suficiente para ser meu pai…



- Ela disse o quê? – inquiriu ele, fitando-me com os olhos semicerrados de desconfiança.

- Eu… eu chamo-me Gianna… e descobri há pouco tempo que sou filha do Giancarlo Arcuri… – gaguejei, agora realmente intimidada pela maneira como eles me olhavam.

O rapaz mais novo tornou a negar com a cabeça, recusando-se a aceitar o que eu dizia, mas o homem mais velho apenas se mostrou irritado com a situação.

Reparei nesse instante como eles eram tão parecidos. O homem tinha a mesma cor de cabelos, olhos e até o mesmo tom de pele. Usava um fato preto e tinha o cabelo mais aprumado que o do rapaz. Engoli em seco e comecei a sentir as minhas mãos a tremer.





- Tens a certeza disso? – insistiu, ainda sem desviar aqueles poderosos olhos azuis dos meus.

- Sim. – murmurei, e soei mais determinada do que me sentia na verdade.

- Mas não pode ser… - sussurrou o rapaz, agora com uma expressão quase atormentada no rosto. – Tio, não pode ser, pois não?!

Tio!” exclamou a minha consciência, e um assomo de alívio inundou-me as veias. Então aquele homem era tio dele… o que significava que, se o rapaz tinha dito que era filho do Giancarlo, tal como eu…

Aqueles dois eram meus familiares. O meu tio e o meu meio-irmão.

- Entra. Esta não é uma conversa para se ter à porta de casa. – ordenou o mais velho, e desviou-se para me dar passagem para dentro da mansão.



Hesitei um pouco, sem saber se devia aceitar o convite ou não, mas a pressão dos olhos de ambos em mim fez-me dar o primeiro passo e ultrapassar o limite da porta.

O interior da mansão era ainda mais luxuoso do que o exterior. Meu Deus, eles deviam ser tão ricos…

A divisão inicial era um gigantesco hall de entrada com teto, chão e paredes de mármore branco, e em que os tons predominantes na decoração eram o prateado e o bege muito claro. Tudo parecia resplandecer e brilhar, quase como um canto do céu à entrada do casarão. Tiago, o meu suposto meio-irmão, passou à minha frente nesse instante e fez-me sinal para que o seguisse, enquanto o nosso tio fechava a porta e nos acompanhava.

Fui guiada para uma enorme sala de estar, ainda mais luxuosa e requintada do que o hall de entrada. Aqui não havia quase nada branco, e ao passar de uma divisão para a outra, senti que me teletransportavam do céu para o meio de um bosque no pico do outono. Os castanhos, laranjas, vermelhos e dourados eram os tons que mais se notavam na decoração que acompanhava o mobiliário castanho-chocolate. O homem mais velho foi instalar-se confortavelmente numa das poltronas da sala, cruzou a perna e os braços, e fixou novamente os olhos nos meus. Já Tiago preferiu manter-se de pé, ao lado do cadeirão, de braços cruzados e sem desviar de mim aquele olhar penetrante de curiosidade e estranheza.

Eu nunca me tinha sentido tão desconfortável na vida inteira.

- Tiago, vai chamar o teu irmão, por favor. - pediu o nosso tio, ao que o rapaz concordou com um aceno de cabeça.

«Eu tenho outro irmão?!» exclamei para comigo, sem me atrever a perguntar nada em voz alta.

- Por favor, senta-te. Não vais ficar aí de pé à espera. - pediu o homem, com um súbito sorriso afável e compreensível.

Decidi aceitar o seu pedido para não parecer mal-educada, e sentei-me no sofá mais afastado de onde ele estava, e que ficava de frente para a poltrona.

- Primeiro, e antes de passarmos para o assunto que te trouxe até aqui... sabes o meu nome?

- Não... - revelei, corando de vergonha.

- Não faz mal. Chamo-me Matteo Arcuri, e sou irmão do Giancarlo. Aquele que tu dizes que é o teu pai.

- É mesmo... foi a minha mãe que me revelou. - confessei, esforçando-me por soar mais confiante e deixar de lado aquela expressão amedrontada.

Se queria que eles acreditassem em mim e me levassem a sério, tinha de me mostrar mais determinada. Eles tinham de ver que eu não era nenhuma mosca-morta e que não me sentia insegura da missão que me trouxera até aqui.

- E posso saber como se chama a tua mãe? - pediu Matteo, semicerrando os olhos de curiosidade, mas ainda sem deixar cair o sorriso.

- Claro... chama-se Rosana Brunnesci.

E assim que disse o seu nome, os olhos do meu tio arregalaram-se de choque, como se eu tivesse dito a última coisa com que ele contava. E foi aí que percebi que todas as peças do puzzle começavam a unir-se, porque era impossível que ele não soubesse de quem eu estava a falar, para ter reagido daquela maneira.

- O senhor conhece a minha mãe, não conhece?

- Conheço. - respondeu, e estremeci ao notar o tom quase furioso da sua voz. - Conheço muito bem.

- Por favor, conte-me... preciso de entender o que se está a passar...

Ele respirou fundo, como se ganhasse coragem, e quando falou, aquilo que disse apanhou-me completamente de surpresa.

- Eu conheço a tua mãe porque alertei diversas vezes o meu irmão para não continuar envolvido com ela, e para não trair a Emilia, a minha cunhada, com ela. Foi por causa da tua mãe que eu e o Giancarlo estivemos quatro anos sem nos falarmos.






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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Lys em Sex Maio 31, 2013 8:18 am

WOW! Capítulo I-N-C-R-I-V-E-L
Você está de parabéns, Jess, sua linda!
A reação do Tiago e do Matteo foi ÓTIMA, e exatamente do jeito que qualquer família reagiria, a diferença é que essa família deve ter MUITOS mistérios!
Estou louca para saber mais sobre esta famílai, especialmente sobre o Giancarlo, que o chefão daí!
Desculpa a demora para ler, Jess, é que ontem eu viajei para a cidade da minha tia, porque ela tinha acabado de fazer uma cirurgia, e a gente foi visitar ela, mas eu consegui dar uma usada rápida na internet, e ler seu cap, eu só não tive muito tempo para comentar, já que eu tenho um irmão mto chato que acha que tudo é dele -.-
O que será que o Diego é dela, hein? To mto curiosa!
Posta mais, Jess, pretty pleeease ownn
Mto ansiosa aqui, e aguardando por mais
Beeeijos Wink
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Sex Maio 31, 2013 4:28 pm

Lys escreveu:WOW! Capítulo I-N-C-R-I-V-E-L
Você está de parabéns, Jess, sua linda!
A reação do Tiago e do Matteo foi ÓTIMA, e exatamente do jeito que qualquer família reagiria, a diferença é que essa família deve ter MUITOS mistérios!
Estou louca para saber mais sobre esta famílai, especialmente sobre o Giancarlo, que o chefão daí!
Desculpa a demora para ler, Jess, é que ontem eu viajei para a cidade da minha tia, porque ela tinha acabado de fazer uma cirurgia, e a gente foi visitar ela, mas eu consegui dar uma usada rápida na internet, e ler seu cap, eu só não tive muito tempo para comentar, já que eu tenho um irmão mto chato que acha que tudo é dele -.-
O que será que o Diego é dela, hein? To mto curiosa!
Posta mais, Jess, pretty pleeease ownn
Mto ansiosa aqui, e aguardando por mais
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Qué isso querida, pede desculpa por nada, para mim já é uma grande honra ter seus minutinhos pra ler minhas historietas. ainda bem que pode vir e comentar, e não tenha pressa, o capítulo não vai fugir e você pode comentar quando der jeito. É os irmãos sempre são assim, querem tudo pra eles, enfim -.-
obrigada mais uma vez pelos elogios. Essa família é muito poderosa sim e cheiinha de grana, então ainda os torna mais importantes e magníficos. O Matteo e o Tiago são mesmo potentes logo de inicio hein? eu chego até a ficar com pena da Gianna e do que ela vai passar nos próximos capítulos kkkk
a relação do Diego à Gianna será revelada já no próximo capitulo, que eu vou postar agora
Espero que goste Wink
beijooos e muito obrigada pelo apoio!
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Sab Jun 01, 2013 7:24 am

Capítulo 10



Il Figli di mio Padre

(Os Filhos do meu Pai)



Assim que ele disse aquilo senti que o ambiente entre nós tinha ficado tão mais tenso que, subitamente, me pareceu muito mais difícil respirar naquela sala. Mexi-me desconfortavelmente no sofá e desviei os olhos dos seus, enquanto tentava processar toda a informação que me estava a ser dada.

Giancarlo tinha traído a mulher (supostamente era aquela Emilia que Matteo referira) com a minha mãe, uma rapariga qualquer que conhecera num bar numa noite... abanei a cabeça em negação, sem querer acreditar que esta era a minha verdadeira história de vida.

Será que podia ficar pior?

«Claro que pode» lamentou-se a minha consciência, e a confirmação veio logo de seguida.

Ouvimos passos nas escadas, e quando olhei por cima do ombro, para a porta que dava acesso ao elegante hall de entrada, vi Tiago e outro rapaz entrar e dirigir-se para nós. O outro rapaz era mais velho que Tiago e parecia ter mais a minha idade. Tiago sentou-se no sofá mais próximo à poltrona que Matteo ocupava e fez sinal ao outro para fazer o mesmo, mas ele não conseguia afastar os olhos arregalados de espanto do meu rosto.




Reparei que, ao contrário de Matteo e Tiago, não tinha o cabelo preto e liso, mas sim castanho-claro, com alguns laivos dourados, e uns jeitos ondulados, que lhe ficava extremamente bem e condizia com os poderosos olhos azuis-claros, que pareciam ser uma característica constante naquela família. «Exceto em ti» alertou a minha consciência, relembrando-me dos meus olhos castanho-esverdeados.

- Ragazzi, esta jovem chama-se Gianna Brunnesci, e a sua presença na nossa casa é muito importante, pelo que vos peço calma quando começar a explicar-vos a história dela. Não quero que ninguém se exalte, estamos entendidos? - avisou Matteo, lançando um olhar censurador e sério aos rapazes.

Ambos assentiram solenemente com as cabeças antes de tornarem a olhar para mim.

- Disseste que eras filha do nosso pai... ah, a propósito, este é o meu irmão Tomazzo. E o meu nome completo é Santiago. - informou-me o mais novo dos dois, ainda sem apagar completamente a nota de irritação da voz.

- Humm... - respondi, sentindo-me imediatamente idiota a seguir, mas sem saber o que mais havia de dizer naquela situação.

- Quantos anos tens, Gianna? - perguntou Tomazzo, fixando aquele par de olhos semicerrados nos meus.

- 23. - murmurei, corando até à raiz dos cabelos pelo olhar que eles me dedicaram de seguida.

- Mas, Tio, isso quer dizer... - começou Santiago, mas Matteo fez-lhe sinal para se calar.

- Vamos esperar que o Giancarlo chegue antes de começarmos com maiores trocas de informação. Tudo o que precisam de saber por agora é que esta rapariga é realmente quem diz ser. Eu próprio conheci a mãe dela... e posso confirmar a sua versão da história.

- O Tio conheceu a rameira com que o Pai traiu a nossa mãe?! - exclamou Tomazzo, com os olhos arregalados de indignação.

- Tomazzo! - repreendeu-o Matteo, chocado com a falta de educação do sobrinho.

- Hei, vê lá como falas da minha mãe! - explodi subitamente, antes de ter tido tempo de me conter e pensar bem no que estava a dizer.

E como resultado recebi três pares de olhos arregalados, chocados e irritados, mas não deixei que me deitassem abaixo nem me fizessem pedir desculpa, porque não estava a errar ao defender a minha mãe. Por muito que ela tivesse errado, ninguém tinha o direito de lhe chamar rameira nem qualquer outra forma de insulto, e se eles pretendiam continuar a atacá-la, então eu preferia falar com Giancarlo quando estivesse sozinha com ele noutra ocasião.

- A minha mãe não é rameira nenhuma. Que eu saiba uma traição não acontece com a intervenção de apenas uma das partes; para ter havido realmente traição, e para eu estar aqui hoje, o vosso... o nosso pai também teve a sua quota-parte de culpa. - revoltei-me, acabando por cruzar os braços, sem nunca baixar a cabeça.

Senti a onda de indignação da parte deles que me envolveu, mas nenhum se atreveu a dizer nada, porque sabiam que eu tinha razão naquele ponto.

- Seja como for, tu não devias existir. - concluiu Tomazzo, com os olhos a flamejar de raiva.

Senti o meu estômago a revolver-se quando o ouvi dizer aquilo, mas consegui conter-me para não explodir novamente, já que isso não abonaria nada a meu favor, e reparei antes no ar distinto dele, nas calças de ganga e casaco caqui que usava. Tinha a minha idade mas, tal como Matteo e Santiago, emanava aquilo que parecia ser, quase sem sombra de dúvida, uma aura de realeza e Poder, que adejava no ar à sua volta como um halo, sem necessitar de brilho para o fazer cintilar.

Eles eram lindíssimos, ricos e poderosos. Onde é que eu me tinha vindo enfiar?!

- Onde anda o Pai? - perguntou subitamente Santiago, como se quisesse aliviar o ambiente quase irrespirável da sala.

- Deve estar quase a chegar. Teve de ir ao banco tratar de uns assuntos da empresa mas está quase de volta... por isso é que vos digo que devemos esperar por ele. - respondeu Matteo que, durante todo o tempo, ainda não desviara os olhos do meu rosto.

- Eu... eu vim cá para falar com ele, e para lhe poder dizer que descobri a verdade... não o sabia até há três dias atrás. - expliquei, lutando contra os soluços que ameaçavam denunciar o meu nervosismo crescente.

- Vais mesmo tentar convencer-nos de que a tua mãe te escondeu a verdade durante todo este tempo? Cá para mim lembraste-te foi de vir exigir a tua parte da riqueza da família. - sibilou Tomazzo, com um tom inegável de ódio na voz.

Foi aí que percebi que, definitivamente, não conseguiria nunca dar-me bem com aquele anormal de cocozinho.

- Eu não vim atrás do vosso dinheiro! - vociferei, cerrando as mãos em punhos. - Nem sequer sabia que vocês eram assim tão ricos, mas basta ver pela casa para perceber.

- O quê? Nem sequer fazias ideia da nossa posição social? - insistiu Santiago, que parecia realmente estupefacto com isso.

- Não!

- Mas sabes ao menos o negócio da família... certo? - inquiriu Matteo, agora tão surpreendido como os sobrinhos.

- Não... - revelei, corando novamente de embaraço.

Tomazzo e Santiago trocaram um olhar demorado antes de voltarem a encarar-me.

- Nunca ouviste falar nas Empresas Arcuri? Construção Civil, Arquitetura Moderna e Obras de Arte, blá, blá, blá? - perguntou Tomazzo, e pareceu-me que a raiva estava a começar a desaparecer, porque o seu espanto e curiosidade conseguiam sobrepôr-se.

- Não... vocês estão ligados à construção de edifícios artísticos?

- Não é bem isso. É mais... como é que hei-de explicar... somos proprietários de metade dos edifícios no centro de Florença, e administramos muitos edifícios de escritórios de várias empresas. Também construímos seguindo novas prespetivas arquitetónicas da arte moderna... pronto, estamos ligados ao meio da construção civil. - resumiu Matteo, com floreados das mãos para tentar exprimir-se melhor.

- Eu não fazia ideia... - confessei, e nem precisei de me esforçar para os convencer de que falava verdade.

- Então se não vieste mesmo atrás do nosso dinheiro... só quiseste conhecer o nosso pai? - concluiu Santiago, ainda hesitante em acreditar realmente nisso.

Vi pelo olhar de Tomazzo que ele ainda estava mais reticente do que o irmão em acreditar.

- Sim. Quando a minha mãe me contou a verdade eu soube que tinha de vir conhecê-lo... para poder resolver esta questão e poder seguir em frente com a minha vida. - concluí.

E nesse instante ouvimos tocar à campainha, e um arrepio geral contagiou-nos a todos. Senti o meu nervosismo a aumentar subitamente para uma escala ainda mais elevada, e Santiago levantou-se quase de um salto do sofá. A porta principal da casa foi aberta para quem estivesse a entrar (provavelmente por algum criado, apesar de eu ainda não ter visto nenhuns) e ouviram-se passos firmes e decididos a atravessar o hall de entrada na direção da sala de estar.

- Deve ser o Pai. - anunciou Santiago, e Tomazzo concordou com um aceno de cabeça.

Levantei-me então lentamente do sofá quando ouvi os passos a abrandar, e quando me virei para encarar quem tinha chegado, senti que o meu próprio coração deixava de bater no meu peito, porque assim que reconheci o seu rosto, e principalmente os seus olhos (que naquele momento se arregalavam de espanto e assombro) percebi que o meu dia ia atingir um novo patamar na categoria de "inacreditável".

Arfei, sem saber como reagir, mas não consegui impedir que o homem que entrara avançasse mais para mim.

- Gianna?! - exclamou Diego, o homem com quem eu tinha passado a noite anterior.

- Ah, Diego, ainda bem que já chegaste! - exclamou Tomazzo, avançando para se ir colocar ao lado do irmão. - Espera... já conhecias a Gianna?

- Conhecemo-nos ontem à noite... - balbuciei, sem saber como raio ia sair daquela situação, e sem fazer ideia do que é que ele estava ali a fazer.

Mas ao olhar para ele, lado a lado com Tomazzo, percebi de imediato, embora me tivesse recusado a aceitar.



- Gianna, este é o nosso irmão mais velho, Diego Arcuri. Diego, esta é a nossa meia-irmã... Gianna Brunnesci.

E aí o coração caiu-me aos pés. «Oh meu Deus... eu fui para a cama com o meu irmão!».












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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Lys em Sab Jun 01, 2013 8:33 pm

Tenho algo que descreve perfeitamente minha reação sobre esse cap:

Meu Deus! Ela dormiu mesmo com o irmão dela, ou ela só está confundindo um pouco as coisas? Seja qual for a resposta, OMG!
Capítulo C-H-O-C-A-N-T-E!
KKKK', ri pacas com a parte da Gianna não saber nada sobre a família!
Não culpo muito os Arcuri por estarem meio irritados com a situação, eu provavelmente reagiria da mesma forma se eu soubesse que meu pai teve outro filho com outra mulher enquanto estava com minha mãe... (se bem que eles já estão separados, então seria só choque de hora...)
Cada vez mais ansiosa para a chegada do Giancarlo, tenho certeza de que ele vai chegar na casa LIKE A BOSS!
Quando você posta mais, querida? Quero muito saber o que acontece quando o Giancarlo aparecer!
Capítulo ótimo, floor, arrasando como sempre Very Happy
Na espera de mais.
Beeeeeeeijos Wink

PS: Quanto à minha história, eu provavelmente postarei próxima semana, já que a única coisa que escrevi do capítulo dois foi 'Capítulo dois', kkkkkkk'. Não sei que dia, mas posto próxima semana, conto com seu comentário Smile
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Dom Jun 02, 2013 10:21 am

Lys escreveu:Tenho algo que descreve perfeitamente minha reação sobre esse cap:

Meu Deus! Ela dormiu mesmo com o irmão dela, ou ela só está confundindo um pouco as coisas? Seja qual for a resposta, OMG!
Capítulo C-H-O-C-A-N-T-E!
KKKK', ri pacas com a parte da Gianna não saber nada sobre a família!
Não culpo muito os Arcuri por estarem meio irritados com a situação, eu provavelmente reagiria da mesma forma se eu soubesse que meu pai teve outro filho com outra mulher enquanto estava com minha mãe... (se bem que eles já estão separados, então seria só choque de hora...)
Cada vez mais ansiosa para a chegada do Giancarlo, tenho certeza de que ele vai chegar na casa LIKE A BOSS!
Quando você posta mais, querida? Quero muito saber o que acontece quando o Giancarlo aparecer!
Capítulo ótimo, floor, arrasando como sempre Very Happy
Na espera de mais.
Beeeeeeeijos Wink

PS: Quanto à minha história, eu provavelmente postarei próxima semana, já que a única coisa que escrevi do capítulo dois foi 'Capítulo dois', kkkkkkk'. Não sei que dia, mas posto próxima semana, conto com seu comentário Smile


ahahhahhhhhah Lys, eu rachei de rir aqui com o gif do OMGOMGOMG hahhahaha, era exatamente a reação que eu esperava! obrigada por todos os elogios minha flor, sabe que sempre me deixam mais feliz e entusiasmada pra escrever!
não, a Gianna não está a confundir as coisas, o Diego é mesmo meio-irmão dela (não interessa se é filho de mãe diferente, é filho do mesmo pai, é sangue do mesmo sangue na mesma, logo ela não devia ter ido pra cama com ele kkkkkk) mas pronto, como é interpretado pelo Ian ela até tem desculpa xD
é mesmo, a reação dos Arcuri está a ser perfeitamente propositada porque eles não faziam ideia da existência desta Gianna, e ainda por cima sendo ricos e poderosos e populares, o Tomazzo pensou logo que ela só iria atrás do dinheiro da família, mas não, ela nem fazia ideia do que eles eram kkkk
o Giancarlo vai chegar mesmooooo like a boss, não se preocupe, e já não falta muito Wink
vou postar não tarda nada!
obrigada por continuar me acompanhando flor, me deixa mesmo muito feliz!

P.S: aaai por favor, espero que tenha um graaaaande surto de inspiração, porque eu quero ler o resto da sua história e não posso esperar uma semana inteira Lys! tou muito emocionada pra saber o que vai acontecer de seguida, portanto não demora se não quer me matar do coração, por favor!
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Dom Jun 02, 2013 5:15 pm

Capítulo 11



Leggere Tra Le Righe

(Ler nas Entrelinhas)




«Não, não, não... isto não me pode estar a acontecer...» gemeu a minha consciência, desesperada por encontrar um meio de me salvar daquela situação.

Mas não havia nenhum. Porque, por pior que fosse, a verdade estava bem nítida entre todos eles. Diego era quase inacreditavelmente parecido com Tomazzo, Santiago e Matteo, e eu não conseguia acreditar que não notara as parecenças mais cedo. Agora que estavam todos na mesma sala era demasiado óbvio que só podiam ser parentes diretos.

Não consegui desviar os olhos dos de Diego, enquanto sentia que o nervosismo e o horror aumentavam desmedidamente dentro de mim, e desejei com todas as forças que ele não revelasse nada sobre a noite anterior, porque isso daria definitivamente cabo de qualquer possibilidade que eu ainda tivesse de cair nas boas graças dos restantes Arcuri.

- Como é que se conheceram mesmo? - perguntou Matteo, cruzando os braços sobre o peito largo e musculado.

«Oh meu Deus, oh por favor, por favor...» repetiu a vozinha estridente e horrorizada no fundo da minha mente, mas tudo o que eu conseguia fazer era olhar para aquele par de grandes olhos azuis-claros, mais profundos que um oceano, e nenhuma palavra conseguia sair dos meus lábios.

- Foi ontem à noite, tal como vos disse... - começou Diego, e pareceu-me incrivelmente calmo naquele momento. - Eu fui a um bar no centro de Florença e a Gianna estava lá com uns amigos... foi com uma das amigas dela que eu passei a noite no hotel.

O arrepio de espanto desceu-me pela coluna, expandindo-se a cada célula do meu corpo. Ele tinha mesmo acabado de inventar aquilo? E conseguira mentir aos irmãos e ao tio com um à-vontade tão surpreendente? Sem pestanejar, sem se ir abaixo, sem deixar que a voz revelasse, por uma milésima fração de segundo, que fora comigo que passara a noite no hotel, e não com uma amiga minha imaginária?!

- A sério? Mas que coincidência... o mundo é mesmo pequeno, não é? - disse Santiago, e a sua inocência no meio de toda a situação ter-me-ia dado vontade de rir, se não me sentisse tão paralisada de medo como naquele momento.

- É mesmo. - confirmou Diego, e então semicerrou os olhos de desconfiança. - Mas disseram que ela era o quê? Nossa irmã?

- Sim. Parece que o pai tem algo a contar-nos quando chegar. - sibilou Tomazzo, ainda a olhar-me de soslaio e com aversão.

Corei até à raiz dos cabelos com o olhar que Diego cravou no meu, mas obriguei-me a manter-me direita e a não me desfazer em pó como sentia tanta vontade naquele instante. Agora tinha a certeza de que a situação não podia ficar pior.

- Ontem não aproveitaste para dizer ao meu irmão que eras filha do nosso pai? - provocou Tomazzo, num tom inundado de sarcasmo.

- Eu não sabia quem ele era. Aliás, eu mal falei com ele... ele estava obviamente interessado na minha amiga e não em mim. - menti, e senti-me profundamente grata por a minha voz também não ter falhado para revelar a minha mentira.

O olhar que Diego me lançou era profundo de reconhecimento e conspiração. Ele conseguira perceber o esforço temendo que eu precisara de fazer para mentir com a mesma naturalidade que ele usava.

- Bem, vê-se mesmo que não sabes quem somos. Qualquer pessoa que passe pelo Diego Arcuri na rua sabe reconhecê-lo de imediato. - gozou Tomazzo, mas Diego lançou-lhe um olhar de censura e o irmão calou-se.




- Eu não estou a perceber nada disto, têm de me explicar mais devagar... mas afinal estás aqui há quanto tempo?

- Há cerca de meia hora. - disse Matteo, antes que eu tivesse tempo de abrir a boca.

- E veio falar com o Pai, mas ele ainda não chegou e o Tio quer que esperemos por ele antes de começarmos a fazer mais perguntas à Gianna. - concluiu Santiago.

- É sim, tudo o que sabemos até agora é o nome da mãe dela: Rosana Brunnesci.

Diego pestanejou, cada vez mais confuso, e a ruga entre as suas sobrancelhas aprofundou-se ainda mais.

- Não fazias ideia de que eras nossa irmã? - perguntou, mas só eu consegui perceber que, por detrás daquela falsa inocência da pergunta, se escondia outra mais intensa: "Não sabias mesmo quem eu era antes de deixares que eu te levasse para a cama?".

- Não. - confessei, e não havia como duvidar da seriedade da minha voz.

Ele assentiu com a cabeça e virou-se para Tomazzo, à sua direita.

- E tu podias parar de a tratar desta maneira. É óbvio que ela não veio atrás do nosso dinheiro, porque se assim fosse teria trazido documentação do tribunal para exigir a sua parte da herança do nosso Pai. Tudo o que ela quis foi conhecê-lo, e a culpa do que aconteceu há vinte e três anos atrás não foi dela, portanto podes parar de a atacar como se fosse.

Tomazzo foi apanhado de surpresa por aquela defesa tão intensa à minha posição, mas não ficou mais chocado do que eu, porque não era realmente possível.

Diego estava a defender-me?!

- Eu tenho de concordar com o vosso irmão. Tommo, devias acalmar-te e esperar que o vosso Pai explique o que se passou. Agora, Gianna, queres tomar alguma coisa, ou...? - sugeriu Matteo.

- Sim, provavelmente ela quer um refresco. Afinal de contas, está um dia horrivelmente abafado lá fora. Gianna, eu vou à cozinha preparar um para mim, queres acompanhar-me, por favor? - pediu Diego, e percebi de imediato que era a sua deixa para me tirar dali.



- Claro, estou cheia de sede... - menti, e avancei rapidamente atrás dele.

Ele só não me arrastou pelo braço para fora da sala de estar porque isso daria imenso nas vistas, mas assim que passámos da porta, ao fundo da enorme divisão, e passámos para um longo corredor que parecia não ter fim, ele envolveu-me o antebraço com a sua mão grande e forte e puxou-me para a cozinha, que felizmente estava vazia, e fechou de imediato a porta, antes de me encostar à parede e se aproximar tanto de mim que, por momentos, achei que me tornaria a beijar, e essa ideia arrepiou-me profundamente.

- O que raio pensas que estás a fazer?! - rosnou baixinho, com os olhos a flamejar.

- Eu não sabia que tu eras meu irmão! Não fazia ideia, juro! - tentei desculpar-me, lutando para me soltar das suas mãos, que agora me agarravam fortemente pelos ombros.

- Como é que isso é possível?!

- A minha mãe não sabia quase nada sobre o vosso Pai, só o nome dele! Não me disse que ele tinha um irmão nem filhos... eu vim completamente "às escuras" à vossa procura! E claro que não ia perguntar ao primeiro rapaz que conheci quando cheguei a uma nova cidade se ele por acaso é meu irmão ou não! - revoltei-me, agora com a irritação a dar lugar ao espanto.

Diego praguejou e desviou os olhos dos meus, mas não me soltou. As nossas respirações estavam aceleradas e descompassadas com as batidas do coração, e eu só conseguia pensar nas suas mãos, a agarrar-me com força pelos ombros, e na maneira como, na noite anterior, tinham tocado em cada centímetro do meu corpo, levando-me quase à loucura enquanto os lábios esmagavam os meus e...

- Isto não é possível... - sussurrou Diego, e tornou a olhar para mim, trazendo-me de volta à realidade e afastando-me da fantasia que estava a ter com ele. - Isto não pode ser possível...

- Acredita que também não quero que seja... mas agora é tarde demais para evitar o que aconteceu...

- Não, eu não estou arrependido de ter dormido contigo! - explicou de imediato, e os seus olhos desceram para o meu peito, o que me fez corar imenso. - Acredita, se há coisa de que não me arrependo nas últimas 24 horas, foi de ir falar contigo naquele bar...

- Ai não?

- Não. - Os seus olhos voltaram a fixar-se nos meus, e senti-me a arrepiar novamente. - Tu foste mesmo boa ontem à noite. Na verdade, és ótima na cama, por isso a única coisa de que tenho pena, no meio de toda esta história, é de que sejas minha irmã.

Engoli em seco e tornei a pensar que aquela situação não podia tornar-se ainda mais desconfortável.

- Diego... por favor não contes nada sobre nós a ninguém... o teu irmão ainda me olharia mais de lado se imaginasse o que aconteceu entre nós e...

- Claro que não vou contar a ninguém. Não te preocupes. - murmurou, e soltou-me finalmente. - Já chegam os escândalos que a nossa família passou nos últimos tempos. E eu sou bom a guardar segredos, por isso este será apenas mais um deles.

Ele baixou as mãos dos meus ombros, mas manteve-se à mesma distância de mim, e então disse as palavras que tornaram aquele momento simplesmente inesquecível para mim. Vivesse o tempo que vivesse, jamais seria capaz de me esquecer do poder dos seus olhos naquele instante, em que o tempo pareceu parar à nossa volta.

- Confias em mim, Gianna?

- Confio. - respondi, sem hesitar por um segundo apenas.

- Ainda bem. Porque se vamos mesmo passar a ser irmãos... temos de confiar um no outro. - sussurrou, e vi finalmente um sorriso a despontar nos seus lábios.

Arfei, extasiada por aquele sorriso, e antes que pudéssemos conter-nos ou impedir que aquilo acontecesse, Diego puxou o meu rosto para o seu e beijou-me de um jeito tudo menos fraternal. Os seus lábios carnudos e macios cobriram os meus e a língua entrou na minha boca e atiçou a minha, enquanto eu lhe envolvia o pescoço com os braços e correspondia ao seu beijo, completamente arrasada pelo desejo e sem me reger pela lógica.

Mas tão depressa como começou, o beijo parou e Diego tornou a afastar-se de mim.

- E esta é a última vez que faremos isto. - concluiu, e eu apressei-me a concordar.

Por muito que gostasse de mudar a situação, não podia continuar a olhá-lo da mesma maneira que até aí. Diego era meu meio-irmão e eu não podia tornar a desejá-lo ou a sentir-me excitada de cada vez que o via.

- Então... estás pronta para voltar à sala e enfrentar as reações do Tommo e dos outros?
- Não... mas nada me afastará da decisão de conhecer o Giancarlo, por isso, se tiver de suportar as bocas maldosas do teu irmão, é o que farei. - declarei, erguendo bem a cabeça e lançando o cabelo para trás das costas.

O sorriso que rasgou os lábios de Diego estava inundado de entusiasmo e provocação.

- É assim mesmo que se fala. Mas não te esqueças de que ele também é teu irmão agora...

- Eu sei... mas é demasiada coisa para assimilar ao mesmo tempo.

- Eu compreendo... bem, venha daí esse refresco. - respondeu, virando-me costas para se dirigir ao frigorífico.

Tirou para fora um frasco de limonada e encheu dois copos de vidro amarelo com ela. Passou-me um para as mãos e dedicou-me um novo sorriso de incentivo.




- Diego... eu juro que não quis destabilizar a vossa família. A única coisa que eu queria era conhecer o Giancarlo e poder dizer-lhe que era sua filha... ele nunca fez ideia de que eu tinha nascido porque a minha mãe perdeu todo e qualquer contacto com ele e nunca pode dizer-lhe a verdade... e eu só queria acertar as coisas neste ponto.

- Eu entendo... se estivesse na tua situação teria feito a mesma coisa. - murmurou, enquanto levava o copo aos lábios e bebi dois goles.

- Então... não estás mesmo contra esta situação?

- Não. Tu tens todo o direito a querer conhecer o teu Pai... e isto não é algo que me espante realmente.

Ao ouvi-lo dizer aquilo senti-me novamente inundada pelo espanto.

- Porque não?

Diego demorou algum tempo a responder, mas quando o fez notei-lhe uma raiva tão profunda na voz que me arrepiou.

- Porque eu já sabia que o meu Pai tinha traído a minha mãe, alguns anos depois de eu nascer. Toda a gente na família sabe, exceto o Tomazzo e o Santiago. Eles não faziam ideia, por isso é que reagiram daquela maneira.

- E tu sabias que o Giancarlo tinha outro filho?!

- Não. Essa parte não. - respondeu, e tornou a levar o copo aos lábios. - Mas não é tão difícil de aceitar como para os meus irmãos, porque já é algo de que eu estava mais ou menos à espera. Só não imaginava que fosse com a rapariga com que dormi na noite anterior, mas... - encolheu os ombros com um sorriso irónico. - O mundo é uma caixinha de surpresas, não é?

Assenti com a cabeça e tentei digerir tudo o que ele me estava a dizer, mas não tive realmente tempo de o fazer, porque começámos a ouvir vozes alvoraçadas na sala de estar, e Diego voltou à postura séria e preocupada de antes.

- O que é que se passa? - perguntei, aproximando-me mais dele.

- É o Giancarlo. Já chegou, de certeza. - sussurrou Diego, tirando-me o copo de limonada das mãos e pousando-o, juntamente com o seu, na bancada da cozinha, antes de tornar a olhar para mim. - Prepara-te, Gianna. É agora ou nunca. Se decidires vir comigo, não podes voltar atrás.

Fixei bem os seus olhos, sem me atrever a pestanejar sequer, e assenti solenemente com a cabeça. Fosse de que maneira fosse, já era tarde demais para voltar à minha vida calma e às rotinas do passado. Eu já estava demasiado ligada àquela família.

- Então vamos a isto. - murmurou Diego, pegando-me na mão e começando a puxar-me para a sala de estar, onde me esperava o encontro com o meu Pai.



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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Lys em Qua Jun 05, 2013 12:17 pm

Flooor, desculpa a demora para ler sua fic, eu fiquei mto ocupada ultimamente, mto trabalho para fazer, mas aqui estou eu
Primeiro de tudo, ótimo capítulo. Cada palavra escrita me fascinou.
Segundo, WOW! Fiquei em choque com o beijo da Gianna e do Diego. Será que sou uma pessoa muito louca se eu dizer que gostei desse beijo entre os meio-irmãos?
kkkk', o Santiago é tão inocente, dá vontade de pegar no colo #efazeroutrascoisas Twisted Evil
OMG, o Giancarlo chegou! O próximo cap promete!
Jess, eu queria fazer um comentário ENORME para você, mas meus braços estão completamente doídos, especialmente meus dedos, e não consigo digitar muito. Mesmo assim, estou na metade do capítulo dois de I Can't Stay, e se não der pra postar hj de noite, tento postar quinta de noite, e também não der certo, no fim de semana o cap já vai estar aqui.
Beeeeeijoos, linda Wink
PS: Talvez eu demore um pouco para ler os caps porque tenho umas coisas para fazer, e próxima semana vai ter prova todo dia, ou seja, tenho que estudar mto. Mas prometo que leio ownn
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Qua Jun 05, 2013 12:40 pm

Lys escreveu:Flooor, desculpa a demora para ler sua fic, eu fiquei mto ocupada ultimamente, mto trabalho para fazer, mas aqui estou eu
Primeiro de tudo, ótimo capítulo. Cada palavra escrita me fascinou.
Segundo, WOW! Fiquei em choque com o beijo da Gianna e do Diego. Será que sou uma pessoa muito louca se eu dizer que gostei desse beijo entre os meio-irmãos?
kkkk', o Santiago é tão inocente, dá vontade de pegar no colo #efazeroutrascoisas Twisted Evil
OMG, o Giancarlo chegou! O próximo cap promete!
Jess, eu queria fazer um comentário ENORME para você, mas meus braços estão completamente doídos, especialmente meus dedos, e não consigo digitar muito. Mesmo assim, estou na metade do capítulo dois de I Can't Stay, e se não der pra postar hj de noite, tento postar quinta de noite, e também não der certo, no fim de semana o cap já vai estar aqui.
Beeeeeijoos, linda Wink
PS: Talvez eu demore um pouco para ler os caps porque tenho umas coisas para fazer, e próxima semana vai ter prova todo dia, ou seja, tenho que estudar mto. Mas prometo que leio  ownn

ora essa querida, não faz mal ter demorado, eu sei como por vezes nossa vida pode ser tão agitada e não dá tempo pra nada do que a gente gosta, mas o importante é que veio, leu e gostou, e isso me deixa muito feliz!
Quanto ao próximo capítulo, não precisa se preocupar se não tiver muito tempo pra ler porque eu também ainda nem o escrevi nem sei quando vou conseguir escrever, mas assim que der eu posto e espero mesmo que goste!
e por favor acabe o próximo capítulo da sua história porque essa sim, tou muito ansiosa pra ler!
beijoos flor e obrigada por passar por cá Smile


Última edição por Jess Silver em Dom Jun 16, 2013 11:01 am, editado 1 vez(es)
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por JuhSalvatore em Sex Jun 07, 2013 11:11 pm

Jess, finalmente li tudo! \o/
eu disse que leria, era só questão de tempo s2
pra começar, tenho que te fazer um elogio: depois de tu ter posto Franz Ferdinand no teu capítulo, quase tive um surto psicótico de alegria. Cara, nossa *-*

Agora sim: que livro é esse, meu deus?
Chegou a me dar dor no coração saber que eles são irmãos, sério
e o que é nosso casal mais shippado do planeta? liiiindos meus gays, amei demais eles!

MASOQ gente? vão acabar as pegações Dianna - ou seria Giego? - mesmo? Mas gente, eu até shippava eles previously!
E a Gia vai conseguir se conter quando é do DIEGO que a gente se refere?

More, sério, tá perfeitão! amei demais cada momento, de verdade, e to morrendo ainda mais pra saber o que vai acontecer nas próximas situações.

OH FUCK, GIANCARLO?

Beijoos Jess,obrigada pela história incrível e fico esperando pacienciosamente pela próxima.
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Sab Jun 08, 2013 10:15 am

JuhSalvatore escreveu:Jess, finalmente li tudo! \o/
eu disse que leria, era só questão de tempo s2
pra começar, tenho que te fazer um elogio: depois de tu ter posto Franz Ferdinand no teu capítulo, quase tive um surto psicótico de alegria. Cara, nossa *-*

Agora sim: que livro é esse, meu deus?
Chegou a me dar dor no coração saber que eles são irmãos, sério
e o que é nosso casal mais shippado do planeta? liiiindos meus gays, amei demais eles!

MASOQ gente? vão acabar as pegações Dianna - ou seria Giego? - mesmo? Mas gente, eu até shippava eles previously!
E a Gia vai conseguir se conter quando é do DIEGO que a gente se refere?

More, sério, tá perfeitão! amei demais cada momento, de verdade, e to morrendo ainda mais pra saber o que vai acontecer nas próximas situações.

OH FUCK, GIANCARLO?

Beijoos Jess,obrigada pela história incrível e fico esperando pacienciosamente pela próxima.


aaiiii Juh, que alegria te ter aqui lendo minha história! *-*
Obrigada mesmo por ter vindo, me deixa tão feliz! Agora já tenho duas leitoras! cheers cheers cheers
Franz Ferdinand foi uma boa maneira de apimentar o capítulo sim kkkkk eu achei que a letra da música se adequava bastante bem ao que tava acontecendo, então decidi pôr ela...
Quanto ao casalinho gay mais badalado dessa história, tou vendo que tu e a Lys são mesmo fãs desses dois garotos kkk eles ficam muito lindos juntos né?? prometo que não vou desmanchar esse casal, dê lá por onde der!
Mas quanto à Gianna e Diego, lamento imenso mas não posso garantir nada, afinal de contas eles são irmãos! Mas prometo sim que a relação deles não vai ser a de irmãos normais e muita coisa ainda vai acontecer pelo meio!
Obrigada pelo apoio Juh, sério mesmo, me deu gostinho pra continuar escrevendo de novo! eu ainda não acabei o novo capítulo mas vou tentar que fique pronto dentro das próximas horas pra poder postar e saciar tua ansiedade e da linda Lys também!
brigadaaa por tudo fofaa I love you
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Sab Jun 08, 2013 11:47 am

Capítulo 12



Giancarlo Arcuri: Tutta la Verità

(Giancarlo Arcuri: Toda a Verdade)




Respirei fundo, enchendo-me de coragem, e deixei que Diego me levasse novamente para a sala de estar, onde o resto dos homens da família estavam reunidos, mas assim que passei da porta e que os meus olhos se cruzaram com os do único que ainda não tinha visto antes, senti um arrepio a descer-me pela coluna, e senti que a voz congelava na minha garganta.

Como era suposto que eu reagisse naquele momento? Como era suposto olhar para ele, falar com ele, ou mesmo respirar na presença daquele homem a quem eu estava ligada, sem nunca o ter sabido, mas que agora que estava cara a cara com ele, se tornava inegável?

Porque, por mais inacreditável que fosse, eu era parecida com ele.

E Giancarlo também chegou a essa conclusão, exatamente ao mesmo tempo que eu.

Ele estava a usar um fato cinzento-escuro, com uma camisa branca simples por baixo, e não tinha gravata. Na mão esquerda trazia uma pasta de pele preta, que lhe dava um ar de homem importante, rico e influente, e que traduzia na perfeição o que ele tinha ido fazer: tratar de negócios. Sim, quem olhasse para ele de imediato via apenas um homem alto, com um corpo bem trabalhado, porte elegante e distinto. Um homem de negócios capaz de hipnotizar qualquer mulher.

Mas eu via muito mais do que isso: eu via aqueles olhos, tão iguais aos de Matteo, Diego, Tomazzo e Santiago, a brilhar de nervosismo e incredulidade; eu via aquela boca, de lábios carnudos, entreaberta num esgar de espanto e assombro; eu via aquela ruga que começava lentamente a aprofundar-se entre as suas sobrancelhas, sinal de que ele estava cada vez mais espantado com o que via acontecer diante de si, e entendi que me tinha reconhecido imediatamente.

«Não é assim tão difícil de perceber. Toda a gente diz que eu sou a cara chapada da minha mãe. Claro que ele a reconheceu em mim» explicou a minha consciência.

- Ainda bem que já chegaste, Gian. Temos de falar. - anunciou Matteo, e a sua voz trouxe-nos a todos de volta à realidade e ao momento do presente, e quebrou o silêncio mortificado e gelado que caíra sobre nós.

Giancarlo estremeceu ao ouvir aquilo, e Tomazzo cerrou as mãos em punhos. Santiago respirou fundo, como se reunisse coragem para se manter calmo, e Diego aproximou-se mais de mim e encostou-me a mão ao fundo das costas, como se me quisesse transmitir calma para eu enfrentar a situação. Então Giancarlo afastou finalmente os olhos dos meus e fixou-os no do irmão, e pareceu-me mais nervoso do que nunca.

- Eu não faço ideia de como isto é possível... juro que...

- Nós sabemos disso. - interrompeu-o Tomazzo, fulminando-o com o olhar mais gélido que eu alguma vez tinha visto em alguém. - Para além de teres traído a nossa mãe, ainda tiveste a lata de o fazer sem te importares se engravidavas a mulher com quem passavas a noite.

Giancarlo arfou, em choque ao ouvir o que o filho tinha dito, e Santiago olhou para o irmão como se não acreditasse na ousadia dele por falar assim com o pai. Mas Tomazzo tremia da cabeça aos pés, e parecia a ponto de se lançar para cima do pai e o esmurrar até soltar toda a raiva que lhe fervia nas veias.

- Tommo, tem calma. O teu Pai tem direito a explicar-se quanto ao que aconteceu e a...

- Não, não tem, Tio! Ele traiu a minha Mãe! - rosnou Tomazzo, apontando furiosamente para Giancarlo, que apenas abanava a cabeça em desacordo.

- Sabem que mais? Acho que devíamos deixar o Pai falar com a Gianna a sós.

O silêncio voltou a imperar depois desta sugestão de Diego, porque toda a gente olhou para ele sem saber como reagir. Diego encolheu os ombros, como se tentasse desdramatizar a situação, e deu-me um pequeno empurrão em frente, como se me incentivasse a aproximar-me mais de Giancarlo.

- Ela fez uma longa viagem para vir conhecer o Pai, portanto vamos deixar os nossos dramas familiares para mais tarde, e dar-lhe a oportunidade de fazer o que a trouxe até aqui. Podemos acusar o nosso Pai do que fez mais tarde, OK? Principalmente quando a Gianna já cá não estiver para nos ouvir a falar desta maneira uns com os outros e pensar que somos uns selvagens. - disse Diego, cruzando os braços no final.

Hesitei em seguir o seu conselho, mas quando me virei para Tomazzo e Santiago, percebi que ele tinha razão: era melhor eu despachar o assunto e sair desta casa antes que os ânimos se exaltassem ainda mais.

- Pois, é... é melhor fazer isso... - balbuciei, e reuni coragem para tornar a enfrentar o olhar arregalado de Giancarlo.

Esperei que ele dissesse alguma coisa, mas só ao fim de quase um minuto em silêncio é que ele conseguiu assentir com a cabeça e indicar-me que o seguisse, apontando para uma porta à sua direita. Concordei com ele, cerrando os lábios para tentar conter a ansiedade e o medo que me inundavam, e lancei um último olhar a Diego, desesperada pelo apoio dele, e ele dedicou-me um breve sorriso, lembrando-me da nossa conversa na cozinha e dando-me forças para encarar o destino que tinha escolhido para mim mesma.

Assim, deixei Matteo, Tomazzo, Santiago e Diego na sala e segui com Giancarlo para a tal porta, que dava acesso a um longo corredor com várias outras portas e um lance de escadas em caracol ao fundo. Giancarlo não disse uma única palavra enquanto seguia à minha frente, até à outra porta envidraçada e branca, no outro extremo do corredor, e que, se eu não estivesse errada e perdida (o que seria perfeitamente normal, já que estava na maior casa que já tivera a honra de pisar na minha vida) daria acesso às traseiras da mansão.

Não me atrevi a abrir nenhuma das portas desse corredor e mal espreitei para o cimo do lance de escadas, para saber o que estaria lá em cima: limitei-me a seguir Giancarlo até ele chegar às portas envidraçadas e as abrir, revelando um alpendre simples e bonito do outro lado.

O pórtico era todo em madeira clara, e tinha uma mesinha com quatro cadeiras a rodeá-la (também tudo em madeira), sem nada mais. Descendo dos quatro degraus, que ligavam o alpendre à erva macia e bem aparada lá em baixo, chegava-se à zona do jardim das traseiras, cuja área era quase tão grande como a do piso inferior da mansão, porque abrangia um grande jardim de relva bem aparada e viçosa, cercado por uma sebe de arbustos muito bem arranjados, que delimitava o perímetro do casarão. No jardim havia uma grande piscina, com a água a brilhar ao sol daquele fim de tarde que cobria tudo do seu brilho dourado do crepúsculo, e ao fundo um jacuzzi, adjacente à área da piscina, que estava desligado naquele momento, pelo que a água não borbulhava nem cintilava. Para se descer para a piscina havia um grande escorrega amarelo ou as simples escadas laterais. No jardim havia ainda cinco espreguiçadeiras de madeira, dispostas em redor da piscina e do jacuzzi, e uma zona com um minibar para quem precisasse de uma bebida a meio de uma tarde bem passada. Canteiros com flores e arbustos floridos decoravam o ambiente e davam-lhe uma harmonia de lar caseiro e abastado que tornava o ambiente ainda mais agradável e acolhedor.




Eu teria passado ainda mais tempo a admirar o jardim se Giancarlo não tivesse tossicado, para me chamar a atenção, e não tivesse apontando para uma das cadeiras junto à mesa.

- Hummm... senta-te, Gianna, por favor.

Assenti com a cabeça e fiz o que ele me pedia, e Giancarlo sentou-se logo na cadeira ao lado da minha. Durante uns breves minutos não dissemos nada, apenas a encarar-nos num silêncio constrangido, mas finalmente ele arranjou ânimo para iniciar a conversa.

- Bem... eu quero que saibas que não estava mesmo a contar com isto... e não fazia ideia de que... tu fosses real e existisses, e...

- Eu sei. - só me apercebi tarde demais de que lhe tinha cortado a palavra, e desculpei-me com um aceno rápido de mão. - Desculpe, continue...

- Não, não faz mal... - Giancarlo esboçou um sorriso embaraçado. - Podes falar à-vontade... afinal de contas, foste tu que me encontraste, e não o contrário...

Concordei com ele, mas demorei algum tempo a reunir as energias necessárias para continuar a conversa, porque me sentia cada vez mais desconfortável por estar junto dele.

- Eu sou filha da Rosana Brunnesci. E, até há três dias atrás, achava que o meu pai se chamava Adolfo Chimmero. - comecei, e Giancarlo anuiu com a cabeça, mostrando-me que podia continuar. - Eu sempre cresci com os dois e nunca desconfiei de que o Adolfo não fosse meu pai, porque sempre olhei para ele dessa maneira e ele sempre me amou como se eu fosse sangue do seu sangue. Ele era um bom homem. Verdadeiramente bom. Não era perfeito, tal como ninguém é perfeito, mas foi o melhor que eu podia desejar.

- Estás a falar como se fosse passado...

- Porque ele morreu há alguns meses, num incêndio na fábrica em que trabalhava... e ele fez a minha Mãe prometer que só me contaria a verdade depois de ele morrer. Portanto, como eu fiz anos há três dias atrás, ela decidiu contar-me toda a verdade nessa altura.

Giancarlo franziu ainda mais a testa, mas pareceu perceber tudo o que eu tinha dito.



- O senhor lembra-se da minha Mãe?

- Claro que lembro. - soltou um longo suspiro e passou a mão pelo cabelo. - Como é que podia esquecer-me dela?

- Não sei... quer dizer, pela maneira como ela falou ao contar a história, pareceu-me que tinha sido apenas mais uma das muitas mulheres com quem você podia ter estado naquela altura, e...

- Mas não foi. - interrompeu-me Giancarlo, lançando-me um olhar sério. - Eu não sou o mulherengo que a tua Mãe pensa.

- Então? Não é verdade que traiu a sua mulher com a minha Mãe? - insisti, semicerrando os olhos de censura.

- É... mas foi apenas com ela. - ele respirou fundo e acalmou-se antes de continuar. - Eu e a Emilia casámos muito cedo. Eu amava-a, sim, e ela... bem, ela estava perdidamente apaixonada por mim. Era a mulher mais bonita que eu alguma vez tinha visto, e queria ficar comigo para sempre, portanto eu pedi-a em casamento e fomos felizes durante os primeiros tempos. Tivemos o Diego, e tudo corria bem... até que eu cheguei a um ponto em que já não sabia se aquilo era o suficiente para a minha vida.

Não o interrompi, apesar de ele ter parado de falar por uns instantes, e pareceu-me que se perdia nos seus pensamentos e nas recordações do seu passado.

- Eu tinha vivido como um bon vivant durante toda a minha vida. Mulheres, álcool, festas, dinheiro, diversão... uma vida de luxo a que poucos têm acesso. Mas nós somos os Arcuri, logo, temos direito a tudo. E de repente via-me, aos 27 anos, casado com a única mulher que poderia ter até ao fim da minha vida, e já com um filho para criar... aquilo foi demais para mim. Comecei a beber, a passar cada vez mais tempo fora de casa, a sair demasiado com o meu grupo de amigos, que ainda eram quase todos solteiros e mantinham o mesmo estilo de vida de antes... e eles começaram a fazer-me a cabeça e a desviar-me do bom caminho que tinha criado ao lado da Emilia...

- Então o amor que sentia por ela foi diminuindo?

- Não! Nada disso... eu ainda a amava tanto como no início, a diferença era que já não me satisfazia apenas por estar com ela e ter uma vida caseira e "de pés assentes na terra". Eu magoei-a muito nesses tempos, muito mais do que devia ser permitido magoar alguém... e foi então que conheci a Rosana.

Quando chegou a essa parte parou de falar, e senti que o nervosismo e a dor aumentavam dentro de mim.

- Conhecemo-nos num bar, numa noite qualquer, e eu já estava bem "alegre" nessa altura. Os meus amigos estavam comigo, estávamos todos a divertir-nos. Só rolavam bebidas e mais bebidas entre os nossos dedos, o dinheiro nunca acabava, e as mulheres quase lutavam para ver quem ficava connosco... e ali estava a tua mãe, no meio da pista de dança, jovem e livre e linda de morrer... e, a partir do momento em que a vi, deixei de pensar no que era certo e errado, e cometi o maior erro da minha vida.

- A minha Mãe contou-me que a vossa "aventura" durou uma semana.

- Pois foi. Uma semana inteira em que me distraí dos assuntos familiares, da vida que tinha em casa com a minha mulher e filho, dos negócios da minha empresa, e em que tudo o que quis saber foi da Rosana. Até que tive de ir a Amesterdão, tratar de uns assuntos relacionados com o trabalho, e tive de a deixar aqui... mas quando voltei ela já se tinha ido embora.

- Então ainda pensava em voltar para ela quando regressou a Florença?

- Sim, eu... ainda não tinha voltado a ter juízo. Mas quando voltei a casa e vi o estado em que a Emilia e o Diego estavam... bem, foi o "balde de água fria" de que precisava. Foi a gota de água e o que me fez abrir os olhos, e perceber que estava a desperdiçar a oportunidade de fazer a minha família feliz.

- Chegou a contar à Emilia aquilo que tinha acontecido com a Rosana?

- Sim. Ela ficou tão magoada comigo... tão desiludida pelo que eu lhe tinha feito... mas acabou por me perdoar. Perdoou-me e deixou-me voltar para ela, desde que eu lhe prometesse que nunca mais ia fazer nada daquele género. E eu mantive a minha promessa.

- Então nunca mais esteve com ninguém além da minha Mãe...

- Não. - concluiu, com um sorriso triste. - E esse deslize não apenas fez com que eu quase perdesse a minha mulher e o meu filho... como também fez com que o meu irmão me virasse as costas durante quatro anos.

- Ele contou-me quando eu aqui cheguei... disse-me que tinha estado quatro anos sem lhe falar por você ter traído a Emilia com a minha Mãe... e parecia mesmo furioso por saber quem eu era e porque é que estava aqui... - murmurei, desviando o olhar do seu no fim.

- Mas não tinha de te tratar mal. Aliás, nenhum deles tinha! Tu não tens culpa nenhuma do que aconteceu... o único culpado no meio de toda esta situação sou eu! Eu é que devia ter tido juízo e não me envolver com a tua mãe... - insistiu, pegando-me nas mãos e apertando-as entre as suas. - A culpa é minha, Gianna... nem a tua mãe nem tu têm de ser culpabilizadas pelos meus erros.

- Eu sei disso... mas eu também não devia ter aparecido aqui desta maneira... o que é que eu pensava que iria acontecer? Ser recebida com beijos e abraços pela família que nem queria que eu existisse?

- Eles reagiram da maneira mais natural e previsível, mas tu tens todo o direito a vir aqui à minha procura...

E foi então, quando o ouvi dizer aquilo e vi aquele estranho brilho nos seus olhos, que me dei conta de algo que ainda não tinha entendido até aí.

- Mas... o senhor não está furioso por eu aqui estar? E por ter exposto o seu segredo aos seus filhos?

- Não. - e para meu choque, o sorriso aumentou nos seus lábios. - Não mesmo. Porque agora que sei que existes... e que és minha filha... nada do que ninguém diga vai alterar a situação. Quando eu não sabia que eras real não podia olhar para ti desta maneira, mas agora que sei que existes, e que estás aqui diante de mim... Gianna, eu tenho uma filha!

Estremeci perante a sua inesperada demonstração de alegria, e ele apertou-me mais as mãos, com os olhos inundados de lágrimas.

- A Rosana não podia ter-me contado mais cedo, eu sei, mas quem me dera que pudesse...

- Giancarlo, eu sei que está em choque e entusiasmado por tudo isto, mas... não está mesmo a pensar em passar a tratar-me como a sua filhinha adorada, pois não? - reclamei, soltando as mãos das suas.

Ele lançou-me um olhar confuso, apanhado de surpresa pela minha mudança de atitude.

- Eu... eu não entendo...

- Eu vim aqui para o conhecer, para saber quem é o meu pai biológico, mas agora que sei que tem uma família inteira já construída, e uma posição importante na sociedade, e tantas coisas em que pensar e se preocupar... eu não pertenço a este mundo, nem vou obrigá-lo a aceitar-me aqui, porque...

- Não digas isso! Gianna, eu não vou deixar que me escapes por entre os dedos agora que descobri quem eras! Por favor não faças isso... - pediu, e vi uma sombra de mágoa endurecer-lhe o olhar.

Engoli em seco e senti que os meus próprios olhos se enchiam de lágrimas. Não queria chorar, mas depois de tudo o que tinha passado na última hora - todas as reações e acusações de Matteo, Santiago, Tomazzo e Diego - estava tudo a levar a melhor sobre mim agora, e não sabia quanto mais conseguiria aguentar sem chorar e sem ceder às minhas emoções, que me consumiam cada vez mais intensamente.

O meu pai, aquele completo estranho que estava diante de mim, parecia tão feliz por me conhecer e tão ansioso por me incluir na sua vida, por me tornar parte integrante da sua família... mas como é que eu podia aceitá-lo? Ele tinha três filhos e um irmão, uma casa enorme, um negócio de família para gerir... onde é que eu me enquadrava em tudo isso?!

- Gianna, dá-me uma oportunidade... acabei de te receber na minha vida, não me obrigues a deixar-te ir embora sem mais nem menos... dá-me a hipótese de compensar o tempo que nunca pude passar contigo... dá-me a oportunidade de ser o pai que nunca pude ser para ti. - pediu Giancarlo, pegando-me novamente nas mãos e acarinhando-a entre as suas, enquanto me dedicava um sorriso e um olhar inundados de bondade e carinho.

E então, ao ver as emoções que emanavam dele e que passavam para mim através dos tremores de nervosismo que lhe desciam pelos braços e passavam para os meus, percebi que a minha decisão já tinha sido tomada há muito tempo, e eu apenas ainda não tivera coragem para a admitir. Porque, afinal de contas, não tinha feito toda esta viagem para agora dar meia-volta e regressar à minha vidinha pacata em Teramo e esquecer aquilo que tinha descoberto aqui. Não podia simplesmente fazer isso.

Porque eu tinha vindo para conhecer o meu verdadeiro pai, e agora que o encontrara, já não conseguiria virar-lhe costas.

- Ficas aqui comigo? Só por uns dias, por agora... e depois, se quiseres ficar durante mais tempo, eu arranjo maneira de trazer a tua mãe para cá e instalá-la aqui perto... para poderes continuar perto dela. Não penses que quero afastar-te da Rosana... tudo o que quero agora é ter-te por perto de mim.

- Está bem... - concluí, e sorri-lhe pela primeira vez. - Eu fico.









Genteeee, peço mil desculpas pelo capítulo ter ficado GIGANTE, mas não consegui mesmo dividir. Espero que aguentem ler até ao fim! Beijoos
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Qua Jun 12, 2013 6:44 am

Meus queridos, quando quiserem que poste mais qualquer coisa é só dizer
beijoos
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Lys em Sab Jun 15, 2013 11:29 pm

OMG. OMG. OMG.
Como eu pude sobreviver tanto tempo longe dessa maravilha? Que capítulo PERFECT!
Teve TUDO! Drama, mistério, revelações, OMG, ficou muito bom!
Jess, você está me viciando nesta história, logo logo estarei dependente, kkkk'
Gostei da personalidade do Giancarlo, ele não é um canalha qualquer que abandonaria a filha. Eu até simpatizei com a história dele, deu vontade de pegar no colo
ownn
E a Gia, compreensiva como sempre. Essa garota tem um coração de ouro, hein?
Jess, mil desculpas por ter demorado tanto para ler. Mas agora que estou de férias terei mais tempo para ler sua história, e atualizar a minha. Espero por novos capítulos em breve, hein? Wink
Beeeijos, linda.

PS: Já atualizei em I Can't Stay. Porém, só uma parte do capítulo. O resto eu só vou postar amanhã. Xero, floor.
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Dom Jun 16, 2013 7:51 am

aaaaaaahh Lys, já tava com saudades de você e dos seus comentários flor, achei que tinha acontecido algo pra ter sumido tanto tempo, mas finalmente voltou!!!
Mais uma vez obrigada pelo comment tão fofo, gostei mesmo, e fico feliz que tenha gostado do desenvolvimento da história também!
Seria muito cliché que o Giancarlo fosse mais um babaca que nem quereria saber da filha quando a visse, né? Por isso eu pensei em criar um pai-ausente que estivesse ansioso por ser presente, então acho que até vai funcionar. Se você gostou, tenho a certeza que resultou então ^^
A Gianna tem mesmo um coração de ouro! E agora nos próximos capítulos isso ainda se vai notar mais!

Vou postar já já e depois ler a sua parte da história!
Beijooos querida e obrigada por ter voltado!
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Dom Jun 16, 2013 9:33 am



Capítulo 13
 
Cambio di Programma


(Mudança de Planos)


- Tem a certeza de que isto é boa ideia? - insisti, pela milésima vez, lançando a Giancarlo um olhar hesitante e inundado de receio.
- Tenho. Além disso, ainda sou eu que mando nesta casa. - vangloriou-se, pousando-me a mão no ombro com firmeza e guiando-me em frente.
Inspirei fundo, reunindo coragem para o que me esperava, e deixei-me guiar por Giancarlo de regresso à enorme sala de estar da mansão, onde o resto da família nos esperava. Assim que passámos pela porta todas as conversas pararam subitamente, o que ainda me deixou mais constrangida, mas Giancarlo apressou-se a desfazer aquele silêncio sufocante que caíra sobre nós, acompanhado pelos olhares penetrantes de curiosidade e expectativa de Matteo, Diego, Tomazzo e Santiago.
- Matteo, Ragazzi... eu e a Gianna resolvemos tudo.
O espanto foi demasiado evidente nos rostos dos quatro homens, e foi então que percebi que eles tinham pensado que corresse mal, e que Giancarlo negasse o óbvio ou nem sequer me deixasse explicar aquilo que sabia. Deviam ter pensando que ele não quereria assumir-me como sua filha e que me mandaria voltar para casa sem mais oportunidades. Logo, verem que ele vinha ao meu lado, com a mão no meu ombro e um sorriso firme e confiante no rosto, deixou-os realmente incrédulos.
- Então... é mesmo verdade? A Gianna é mesmo sua filha, Pai? - concluiu Santiago, pestanejando e com a testa cada vez mais franzida.
- Sim. - declarou Giancarlo, e ao olhar para mim o seu sorriso aumentou. - E vai ficar a viver connosco.
Arfei, porque não esperava que ele largasse a bomba daquela maneira, e ao ouvir as exclamações de choque do outros homens, percebi que os tinha deixado ainda mais surpreendidos do que a mim.
- Ela vai... o quê?! - gaguejou Tomazzo, num misto de fúria e incredulidade.
- É realmente o que ouviste, Tommo. A Gianna é vossa irmã, e eu só o soube agora, mas não pensem que lhe vou virar costas. O responsável por esta situação sou eu, por isso vou arcar com as consequências dos meus atos, tal como sempre vos ensinei a fazer. - explicou, sem deixar que os olhares revoltados dos filhos o detivessem.
Mas eu estava mais concentrada na reação de Diego, e vi-o cerrar as mãos em punhos e lançar um olhar gélido ao pai. Porém, quando percebeu que eu o tinha apanhado, a sua expressão suavizou-se um pouco e ele assentiu com a cabeça, como se se rendesse à situação. Desviei o olhar do seu, porque agora nada do que ele dissesse alteraria o facto de que eu tinha visto o olhar revoltado com que ele ficara ao saber da novidade: mesmo que Diego tentasse convencer-me de que não havia problema com a minha mudança cá para casa, eu já sabia a verdade.
«E não o podes censurar por isso» avisou a minha consciência. Ele tinha todo o direito a reagir desta maneira. Se eu estivesse na sua situação, provavelmente reagiria da mesma forma, se uma irmã que acabava de conhecer se mudasse de repente para minha casa, com a total permissão sorridente do meu pai.
- E achas mesmo que vai ficar tudo bem, com a tua filha bastarda a viver debaixo do mesmo teto que nós?! - rosnou Tomazzo, dando um passo em frente.
Santiago pegou-lhe no braço e impediu-o de continuar, e Tomazzo por pouco não o desfez em cinzas só com o olhar.
- Ragazzi, tenham calma... o vosso Pai tem razão. Está na hora de assumir a responsabilidade pelos erros do passado. - anunciou Matteo, que lançava ao irmão um olhar de acusação tão forte que, se fosse dirigido a mim, me faria encolher de medo.
Giancarlo parou de sorrir e a sua mão desceu lentamente do meu ombro.
- Tens razão, Irmão. E é por isso que vamos acolher a Gianna em nossa casa.
- Durante quanto tempo? - perguntou Diego, cruzando os braços.
- Todo o que ela quiser ficar. - disse Giancarlo, novamente mais animado.
- Pois, bem, eu ainda preciso de falar com a minha Mãe e... decidir algumas coisas... eu não vim sozinha para cá...
- Não? - perguntaram todos em coro, espantados.
- Não. Vim com os meus dois melhores amigos, o Michell e o Antoni, que estão hospedados no mesmo hotel que eu. - expliquei, recuando um passo. - E antes de me mudar para aqui tenho de falar com eles, está bem?
- Claro. Mas quando quiseres voltar as portas desta casa vão estar abertas para ti. - disse Giancarlo, sorrindo-me novamente.
- Obrigada... então acho que me vou embora agora. - respondi.
- Adeus. - despediu-se Tomazzo, secamente.
- Espera, Gianna... eu acompanho-te à porta... - disse Diego, e correu para junto de mim.
Despedi-me de Santiago, Giancarlo e Matteo (agora já todos lado a lado) com um breve sorriso e um aceno de mão, e voltei-lhes costas para seguir Diego para a saída. Porém, assim que me abriu a porta principal da casa e eu passei por ela, Diego pegou-me na mão e fez-me virar novamente de frente para si.
- Gianna, espera...
- Eu vi a maneira como olhaste para o teu Pai quando ele informou que eu me ia mudar para cá, portanto não há mais nada para dizer. Podes dizer-lhe quando estiverem a sós que não venho morar para cá, OK?
- Cala-te. - ordenou, tapando-me a boca com a mão e aproximando-se ainda mais de mim, e o seu toque foi capaz de me lançar uma descarga elétrica pelo corpo todo. - Eu fui apanhado de surpresa... não pensei que o meu Pai fosse reagir com tanto à-vontade à situação, é apenas isso... mas não tenho nada contra a tua vinda cá para casa.
Semicerrei os olhos de desconfiança, e então ele destapou-me a boca e deixou-me falar.
- Não tens mesmo?
- Não. Podes vir. E tens mesmo de vir, senão ele vai perseguir-te até ao fim do mundo. Agora que sabe que existes e te aceitou na sua vida, já não te vai deixar escapar-lhe por entre os dedos.
Engoli em seco e desviei os olhos dos seus, mas Diego ainda não me tinha libertado para que eu pudesse ir embora.
- Eu não sei onde tinha a cabeça quando aceitei ficar... então e a minha Mãe? E a minha vida com ela? Não posso simplesmente mudar-me para cá de um minuto para o outro e...
- Tira umas férias da tua antiga vida. - interrompeu-me Diego, com um sorriso provocante. - Vais ver que vais gostar tanto de aqui estar connosco que nem vais pensar em voltar.
- As coisas não são assim tão simples...
- Eu sei que não, mas... nós também precisamos de uma oportunidade. - pediu, e aí voltei a olhá-lo diretamente nos olhos. - Eu acabei de descobrir que tenho uma irmã! E até o Santiago já se está a entusiasmar com a ideia...
- Só o Tomazzo é que não.
- O Tommo também vai passar a encarar melhor a situação, não te preocupes... mas por favor, Gianna, vem morar connosco... vamos unir finalmente toda a família. Pode ser?
Quis arranjar forças dentro de mim para rejeitar o seu pedido, mas ele estava a olhar tão fixa e intensamente para mim, e tinha as mãos a tremer enquanto pegava nas minhas, e eu não consegui simplesmente recusar. Sim, isto era uma loucura - principalmente tendo em conta que eu tinha ido para a cama com ele e agora me ia mudar para debaixo do seu teto - mas não conseguia invocar esse argumento para deitar abaixo a sua determinação. Se Diego garantia que correria mesmo tudo bem... então talvez eu devesse aceitar.
«Como te sentirias se deitasses tudo isto a perder? Se todo o esforço e tudo o que passaste para cá chegar fosse agora inútil? Não podes virar costas ao destino que escolheste, Gianna, por isso tens de erguer a cabeça e aceitar as consequências» declarou a minha consciência, e eu sabia que ela tinha toda a razão.
- Está bem, eu fico... amanhã mudo-me para cá, sim?


O sorriso que rasgou os lábios de Diego arrepiou-me até ao mais profundo do meu ser, e tornei a esquecer-me, por uns segundos, de que ele era mesmo meu irmão.
- Obrigado, Gianna. Vais ver que vais adorar viver connosco. - sorriu, e largou-me as mãos.
- Veremos... agora tenho de ir. Obrigada por tudo, Diego.
- Eu vou estar sempre aqui. Prometo. - sorriu, piscando-me o olho.
Retribuí-lhe o sorriso e nesse instante surgiu um táxi ao fundo da rua. Bastou-me um rápido olhar para Diego para perceber que tinha sido ele a chamá-lo antes, e agradeci-lhe em voz baixa antes de descer os degraus do alpendre e me dirigir à viatura. Indiquei a morada do hotel ao motorista e recostei-me no banco, suspirando bem fundo e olhando uma última vez para o casarão, antes do táxi acelerar pela rua e este ficar para trás. Diego ficou no alpendre a ver-me afastar-me cada vez mais, e só quando eu já tinha quase atingido o fundo da rua é que ele voltou para dentro de casa e fechou a porta.
Fechei os olhos nessa altura, respirando fundo várias vezes para manter a calma, e durante toda a viagem até ao hotel só consegui pensar em tudo o que tinha vivido na última hora. Quando o táxi parou em frente à fachada do edifício, paguei a viagem e saí, corri para dentro do hotel, subi no elevador até ao piso do meu quarto, e avancei pelo corredor com mais confiança do que sentira dentro do táxi. Ao chegar junto à porta, inspirei uma última vez e abri-a, sem hesitar, para encontrar Antoni e Michell à minha espera na saleta de entrada. E assim que me viram, ambos se levantaram de imediato e avançaram para mim, para me envolverem nos seus braços e apertarem com carinho.
- Oh Dio mio, vocês não fazem ideia do que aconteceu... - balbuciei, e comecei finalmente a chorar.





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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Lys em Dom Jun 16, 2013 10:52 am

WOW! Adorei o fato da Gianna agora morar com eles! Confusões estão a vista, disto tenho certeza.
A reação do Tomazzo foi esperada, afinal, não deve ser fácil para ele.
Gostei do Giancarlo, e gostei ainda mais do Diego pedindo que a Gianna morasse com eles; se bem que estou meio confusa com a relação que ocorre entre esses dois. Mas tudo bem, está perfeita de qualquer jeito Wink
Ownts, o Michell e o Antoni voltaram a aparecer! E o abraço no final foi mtoo lindo. Precisamos de cenas com o Michell conhecendo a família da Gia. Talvez não aconteça, mas ia ser mto legal Very Happy
Ótimo cap, Jess. Como sempre, sua escrita arrasa Wink
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Dom Jun 16, 2013 10:56 am

Lys escreveu:WOW! Adorei o fato da Gianna agora morar com eles! Confusões estão a vista, disto tenho certeza.
A reação do Tomazzo foi esperada, afinal, não deve ser fácil para ele.
Gostei do Giancarlo, e gostei ainda mais do Diego pedindo que a Gianna morasse com eles; se bem que estou meio confusa com a relação que ocorre entre esses dois. Mas tudo bem, está perfeita de qualquer jeito Wink
Ownts, o Michell e o Antoni voltaram a aparecer! E o abraço no final foi mtoo lindo. Precisamos de cenas com o Michell conhecendo a família da Gia. Talvez não aconteça, mas ia ser mto legal Very Happy
Ótimo cap, Jess. Como sempre, sua escrita arrasa Wink
Aguardando por mais aqui, ;*


Que rapidez a ler, Lys! Mil obrigados mesmooo!
O Tomazzo é aquele garoto que vai dar problema kkkk mas talvez (só talvez) ele mude com o avançar da história
O Giancarlo está ansiosíssimo pra ter a filhota a morar com ele, e o Diego está dividido entre se sentir feliz pela Gianna se mudar lá pra casa ou se sentir revoltado pela ação do pai. Felizmente pra Gianna ele já gosta tanto dela que não quer que ela suma de vez das vidas deles, daí ele lhe pedir pra ficar lá em casa com eles.
O Michell e o Antoni são tão fofos,né? E pode estar descansada, claaaro que eles tinham que conhecer os Arcuri, e não vai demorar pra acontecer. Vai ser muito divertido, tou já avisando kkkkk
Obrigada mais uma vez pelos elogios, querida! Daqui a pouco tempo posto já a próxima parte
brigada pelo apoioo e mil beijos!
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Dom Jun 16, 2013 11:43 am

Capítulo 14 - Parte 1


La Mia Nuova Famiglia


(A Minha Nova Família)






- Tens a certeza de que estás preparada para isto? - repetiu Michell, sem esconder a preocupação que o inundava.

- Tenho. Vá lá, não é o fim do mundo... é só uma mudança temporária de casa. - respondi, embora o meu estômago se tenha revolvido ao ouvir-me dizer isto.

Respirei bem fundo, olhando para a enorme mansão diante de mim, enquanto Michell me pegava na mão direita e Antoni na esquerda, e sentir a presença deles ao meu lado foi tudo o que precisei para me sentir melhor naquele momento.

Depois de ter chegado ao nosso quarto de hotel tinha-lhes contado tudo sobre Giancarlo e o resto dos homens da minha família, e no final eles tinham-me aconselhado a ir em frente, uma vez que já tinha chegado tão longe que não podia agora voltar atrás. Michell e Antoni eram ótimos a confrontar-me com a verdade quando eu precisava mesmo de a ouvir e não tinha coragem de admitir certas coisas para mim. Felizmente tinha-os ao meu lado para me "darem na cabeça" quando era preciso.

Depois de falar com eles tinha ligado à minha Mãe e passara quase duas horas ao telefone com ela, a contar-lhe tudo o que se tinha passado comigo, e entre muitas lágrimas, ela lá aceitara que eu me mudasse para a casa dos Arcuri e até me incentivou a desenvolver a relação com o meu Pai, porque sabia o quanto isso me faria bem. Eu também sabia o quanto lhe custava que eu não regressasse tão depressa a casa, mas ver o esforço que ela fez para me deixar seguir o meu caminho de felicidade fez-me amá-la ainda mais. A única parte menos fácil de aceitar foi quando lhe contei que Giancarlo estava a pensar em arranjar uma maneira de a trazer para Florença, ao que a minha Mãe respondeu de imediato que não queria e não iria abandonar a sua vida e o seu mundo em Teramo para se mudar para perto do ex-namorado. Tive de me conformar com esta ideia, e pouco depois despedi-me dela, visto já serem altas horas da noite, e deitei-me com Michell e Antoni na cama do quarto deles, onde dormi profundamente e sem sobressaltos por ter os meus amigos ao meu lado.

Mas hoje, assim que acordei, decidi que tinha mesmo de seguir em frente com a missão que impusera a mim mesma, pelo que me escapei sorrateiramente do quarto dos rapazes e me dirigi ao meu quarto, para tomar um duche rápido e trocar de roupa. Escolhi uns calções curtinhos brancos e um top azul-claro justo ao corpo, passei a escova pelo cabelo e alguma maquilhagem no rosto, e estava a acabar de apertar as sandálias brancas quando Michell e Antoni apareceram à porta do quarto, ainda com ar ensonado, os cabelos despenteados e revoltos por terem acabado de sair da cama, e em tronco nu, já que dormiam sempre apenas com umas calças de fato de treino que serviam de calças de pijama. Pareceram surpreendidos por me ver já completamente pronta para sair.

- Gia... o que é tudo isto? - perguntou Antoni, passando a mão pela cara para afastar os cabelos mais rebeldes que lhe caíam para os olhos.

- Estou a despachar-me para o pequeno-almoço. Estou esfomeada. Vocês também deviam despachar-se para virem comigo, sabem?

- Está bem, então dá-nos só uns minutos para tomarmos banho e nos vestirmos. - pediu Michell, virando-se de seguida para Antoni. - Queres ir tu primeiro tomar duche ou posso ir eu?

- Acho que se formos os dois demoramos menos tempo... - sorriu Antoni, com os olhos a faiscar perversamente e uma expressão que transmitia claramente "ou talvez demoremos ainda mais se não nos limitarmos apenas a tomar banho..."

- OK, ragazzi, vá lá, não se demorem, estou mesmo a morrer de fome! - insisti, cruzando os braços e fazendo beicinho.

- Está bem, está bem! Andiamo, amore. - sussurrou Michell, pegando na mão de Antoni e puxando-o para fora do quarto.

Sorri, pensando mais uma vez em como eles ficavam tão bem e tão felizes juntos, e decidi que, para ocupar o tempo enquanto esperava que eles ficassem prontos, podia ir começando a arrumar a minha mala, que levaria para casa dos Arcuri. Ontem, ao falar com a minha Mãe ao telefone, tínhamos combinado que ela mandaria entregar o resto das minhas coisas na casa de Giancarlo daí a uns dias, e eu só esperava que não demorasse, porque já não tinha muita roupa arranjada para poder usar nos próximos dias. Não trouxera muita bagagem porque, obviamente, não contava em ficar permanentemente, mas agora desejava ter trazido mais algumas roupas e acessórios.

Consegui acabar de reunir os meus pertences quando Antoni e Michell voltaram a entrar no meu quarto, já arranjados e prontos a sair.





- Ah, já arrumaste as tuas coisas... - comentou Michell, e não conseguiu esconder parte do desânimo que a ideia lhe provocou.

Foi quando me apercebi de que ele não estava assim tão entusiasmado pela minha mudança para casa dos Arcuri. E foi também quando decidi que tinha o antídoto perfeito para o aborrecimento dele.

- Sabes que mais? Hoje não vou sozinha para casa do Giancarlo. Vocês vão lá deixar-me.

E assim que disse isto os olhos de ambos brilharam de entusiasmo, e só lhes faltou dar saltos de alegria.

- A sério?! Vais mesmo deixar-nos conhecer a tua outra parte da família?

- Vou. Vocês são os meus melhores amigos e eu não tenho coragem de ir para lá sozinha, por isso ajudem-me a levar a mala, vamos tomar o pequeno-almoço num café qualquer, e depois chamamos um táxi para irmos para a Casa di Arcuri, OK? - decidi, falando suficientemente depressa para não lhes dar a possibilidade de me interromperem.

- Podes crer que sim! - exclamou Michell, com um sorriso de orelha a orelha.

- Conta connosco. - respondeu Antoni, piscando-me o olho.

«Eu conto. Sempre

Eles ajudaram-me a levar a minha bagagem para fora do quarto de hotel, e quando descemos até à receção informámos a bonita rapariga que estava atrás do balcão de que eu já não ficaria ali hospedada mais tempo, mas que Antoni e Michell continuariam no quarto que estavam a dividir comigo até aí. A rececionista disse logo que não havia problema e deixou-nos seguir caminho.

Fomos então tomar o pequeno-almoço a um bonito café com esplanada para a Piazza di Santa Trinità, e comemos a conversar sobre a minha nova família e aquilo que me esperava quando passasse a morar com eles. Michell defendia que eu teria de ter sempre o autocontrolo em alta para suportar as bocas maldosas que Tomazzo certamente continuaria a mandar-me, mas Antoni mostrou-se mais positivo e tentou mesmo tranquilizar-me e convencer-me de que correria tudo bem e que eu não me arrependeria desta decisão.

Uma parte de mim queria pensar como ele, mas a outra ainda achava que nem tudo seria um mar de rosas.

Porém, quando terminámos a refeição, estava na hora de enfrentar o destino, pelo que chamámos um táxi e seguimos para casa de Giancarlo. Durante toda a viagem eu mal consegui que as pernas parassem de me tremer freneticamente, mas Michell e Antoni estavam demasiado distraídos para notarem esse pormenor, já que olhavam para as paisagens no exterior do táxi como se estivessem a ver o Paraíso.

E foi então que a viatura estacionou em frente à grande mansão, e o nervosismo rebentou dentro de mim.

- É agora. - anunciou Michell, e abriu a porta do seu lado do carro, para de seguida me estender a mão e ajudar a sair.

Antoni saiu pelo outro lado e ajudou o taxista a tirar a minha bagagem do porta-bagagens. Depois pagou a viagem e ficámos a ver a viatura afastar-se rapidamente pela rua fora, até sair do nosso campo de visão, e só nesse momento nos voltámos para a casa diante de mim.


- Tens a certeza de que estás preparada para isto? - repetiu Michell, sem esconder a preocupação que o inundava.

- Tenho. Vá lá, não é o fim do mundo... é só uma mudança temporária de casa. - respondi, embora o meu estômago se tenha revolvido ao ouvir-me dizer isto.

Respirei bem fundo, olhando para a enorme mansão à minha frente, enquanto Michell me pegava na mão direita e Antoni na esquerda, e sentir a presença deles ao meu lado foi tudo o que precisei para me sentir melhor naquele momento.

Avançámos para a casa e, quando toquei à campainha da enorme porta principal, foi uma empregada (que eu nunca tinha visto) quem nos veio receber. Assim que me viu, rodeada pelos dois homens, franziu a testa e pareceu algo confusa e hesitante em nos deixar entrar.

- O meu nome é Gianna Brunnesci... sou a filha do Giancarlo. - apresentei-me, com um sorriso que esperei que parecesse reconfortante e simpático.

E assim que ouviu o meu nome a senhora, que já devia estar na casa dos sessenta anos, arregalou os olhos de espanto.

- Ah sim, Signorina Gianna! Seja bem-vinda, entre, entre, o seu Pai está à sua espera no escritório!

- Obrigada... - murmurei, com outro sorriso, mas quando avancei reparei que a empregada tinha ficado a olhar para Antoni e Michell, que ainda não se tinham mexido.

- E estes meninos quem são?

- Eu chamo-me Michell Chianto e este é o meu namorado, Antoni Baldi, e somos amigos da Gianna. - sorriu Michell, naquela sua voz cantante e alegre de quando se apresentava a alguém.

A empregada tornou a olhar para mim, confusa.

- Não se preocupe, eles estão comigo e certamente não haverá problema em deixá-los entrar.

- Bem, se a menina o diz... deixe ficar aqui a sua bagagem, já recebi ordens para a levar para o seu novo quarto. Vá ter com o Signor Giancarlo, vá lá, ele não gosta que o façam esperar muito tempo. - apressou-nos, acenando para o corredor do fundo.

Antoni e Michell pousaram as malas no chão e de seguida avançaram ao meu lado para dentro de casa, e à medida que andavam pareciam cada vez mais deslumbrados com o luxo da mansão.

- Dio mio, esta gente é mesmo rica... - sussurrou Michell, com os olhos arregalados para todo o lado. - Mudaste-te para um autêntico palácio, Gia!

- Vamos lá ver se isso ainda não se torna uma desvantagem... - murmurei tão baixinho que ele mal me ouviu.

Mas não chegámos a conseguir alcançar o escritório onde Giancarlo me aguardava, porque assim que entrámos na sala de estar nos deparámos com Diego, que estava de pé junto à lareira, com um copo de algo que se parecia imenso com whisky numa das mãos.



Assim que Michell e Antoni o viram, sorveram o ar como se estivessem a olhar para um fantasma.

- Gianna... - balbuciou Diego, surpreendido por me ver com aqueles dois desconhecidos.

- Olá, irmão. - sussurrei, e peguei nas mãos de Michell e Antoni para os acalmar e tentar quebrar a tensão que subitamente se instalara na divisão. - Diego, estes são os meus melhores amigos, Michell Chianto e Antoni Baldi. Rapazes... este é o meu irmão, Diego Arcuri.

- Pois, nós lembramo-nos... - suspirou Michell, ainda sem saber como lidar com tudo isto. - O rapaz da discoteca...

- Sim, esse mesmo. - riu-se Diego, e de seguida, para meu profundo choque (já que achava que ele trataria mal Antoni e Michell e reagiria mal por eu os ter trazido cá para casa), virou-se para servir mais dois copos de whisky e avançou com eles na nossa direção. - São servidos? - perguntou, com um sorriso incandescente, que me arrepiou quando se fixou nos meus olhos.




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Re: *** A Casa di Arcuri ***

Mensagem por Jess Silver em Sab Jun 29, 2013 6:31 pm

Genteeeeee, mil desculpas pela demora pra postar, eu amanhã tentarei pôr a próxima parte, taaah? beijoos!
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Re: *** A Casa di Arcuri ***

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