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A retaliação do príncipe

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A retaliação do príncipe

Mensagem por Anonymus_fulano em Dom Maio 05, 2013 3:19 pm


Gêneros: Drama
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Sinopse: Algumas cicatrizes que ficam na alma de algumas pessoas são provenientes de feridas tão profundas que elas não conseguem esquecer.

Inclusive quem a fez.

Para essas pessoa a vida pode lhe recompensar com absolutamente tudo, riqueza, poder e beleza, mas seu alma somente se sentira em paz quando um dos mais velhos desejos for saciado.

A vingança.

Prologo - Vitoria na cidade do pecado.
Spoiler:

O sol fazia a pista de pouso parecer se destorcer. O barulho alto anunciava que mais um avião estava fazendo sua aterrissagem. Neste caso era um jato particular de porte pequeno.

Suas rodas iam de encontro à pista e a borracha do trem de pouso se desgastava fazendo fumaça ao primeiro contato. A partir dai o pequeno avião aumentava o seu atrito com o ar, fazendo ainda mais barulho para frear. Alguns segundos depois, já com uma velocidade bem reduzida, começa seu desfile até a área de desembarque para aviões não comerciais. O metal pintado de branco refletia o sol que ardia por toda sua superfície. Assemelhava-se a exposição de uma joia tamanha aquela cena chamaria a atenção se tivesse espectadores diferentes a equipe de pouso, que já estava mais que costumada aquele tipo de exposição.

Quando a aeronave pousou completamente, sua porta se abriu virando uma escada para desembarque. A figura que aparecera em seguida poderia facilmente estar estampando a capa de uma revista de economia. Era jovem, aparentava ter cerca de 30 anos. Um terno totalmente negro e excepcionalmente bem alinhado, com um corte que com certeza era sob medida o moldava do torso aos pés. Tinha cabelos longos para um homem de sua idade, até o pescoço e estavam penteados para trás com algum produto fixador que o fazia brilhar também ao sol. Por fim óculos escuros adornavam sua face branca e com a barba bem feita. Não eram grandes como os que ditavam a moda. Eram simples, porém, como tudo que aparentava ser posse daquele homem, brilhavam ao sol de tão polidos.

Um carro negro e de aparecia cara, provavelmente importando, estacional quase que imediatamente após a figura colocar os pés em solo. Um senhor de bem mais idade saiu da parte do motorista e ficou esperando ao lado da porta de trás. Tentava conter o suor constantemente limpando sua testa. Estava com um uniforme negro e luvas brancas. Pelo sol e pela idade poderia se sentir pena daquela figura.

O homem que sairá do jatinho apenas fizera um sinal com a cabeça para o motorista e entrou no banco de trás do veiculo. Logo em siga seu condutor assumira o volante.

– Boa tarde doutor Gadelha, para onde vamos?

– Para casa dos meus pais. A do subúrbio.

O motor do carro se iniciou fazendo um barulho surdo. Era quase imperceptível no seu interior, apenas prova de que aquele não era um carro ordinário. Em seguida começou a se deslocar pela pista sumindo a vista de todos após alguns segundos.

O passageiro no banco de trás relaxava um pouco desabotoando seu terno e soltando um pouco seu corpo no estofado de couro. Logo a paisagem da praia tomou conta da janela em que estava sentado perto. O sol continuava a arder la fora. Milhares de pessoas lotavam a orla, a cena lembrava muito a de um formigueiro.

Essa cidade não mudou nada...

Um barulho de algo vibrando começará a ecoar do terno daquele que fora chamado de Doutor Gadelha. Após procurar um pouco o mesmo retirou seu celular.

Yasmim Gadelha piscava no visor do mesmo. Uma foto de uma linda mulher vinha acima.

– Alo?

– Oi Irmão. Já chegou e nem ia me ligar? – Uma voz doce sai do aparelho.

– Desculpe irmã, estava resolvendo algumas coisas que precisava ver assim que descesse do voo – Mentiu.

– Imagina irmão, estou implicando com você.

A face de seria daquele homem exprimiu um breve sorriso sincero.

– E então, fez boa viagem? – A voz doce questionara.

– Sim. Uma vez que se tem o próprio jato as viagens ficam bem tranquilas.

– Seu bobo! Você entendeu o que eu perguntei. Fico feliz de ter chego bem. Vai ficar aqui em casa certo?

– Por enquanto não minha irmã. Estou indo para a casa dos nossos pais no subúrbio.

O telefone ficou mudo por uns instantes.

– Ok... Uma escolha estranha para os seus padrões atuais de moradia.

– Não diga isso minha irmã. Nossa antiga casa é perfeitamente confortável. E não esqueça que reformamos ela há alguns anos. Estou voltando as raízes. Pretendo visitar meu velhos amigo...

O silêncio tomou novamente a linha.

– Ainda isso? Ela... Eles...

– Fique tranquila minha irmã. Realmente só pretendo revê-los, nada mais. Já faz tantos anos.

– Ok. Então se cuide. E venha me visitar amanhã, assim conversamos melhor.

– Vou sim, almoço com você. Beijos

O engraçado é ela saber. E agir assim. Melhor que ela não se envolva. Ele pensava.

O telefone tocará novamente ainda na mão do seu dono. O visor mostrava a inscrição Número não identificado.

– Sim?

– Este número é seguro?

– Sim.

– Acredito que tenha acabado de chegar de viagem então serei breve. O resumo das informações que consegui levantar estão em uma pasta que tomei a liberdade de colocar no porta documentos da porta do carro que foi lhe buscar. As investigações continuam, mas acredito que não teremos grandes novidades, seus investigados são bem, como me expressar, comuns.

– Sim, são. Porém como lhe disse, quero saber daquilo que os olhos não podem ver. Continue as investigações e não os subestime. Vou analisar o material e qualquer duvida entro em contato.

O telefone fora desligado.

Eu vou me vingar desta cidade. Através daqueles que me fizeram me tornar o que sou hoje, por mais que tenha que de certa forma agradecer aos mesmos... Foi doloroso. Todos vão pagar na mesma intensidade que me machucaram, que machucaram a memoria dos meus pais, a honra da minha irmã e meu coração...

Capítulo 1 - Primeiro movimento
Spoiler:

Há um sentimento que é despertado em algumas pessoas quando vêem algum objeto que relembra os seus desejos internos.

Alguns uma caixinha de música pode relembrar sua paixão pela dança, para outros um mapa acende o desejo de conhecer o mundo.

Para Evan Gadelha os largos arranha-céus o despertava para um sentimento que era difícil de ser descrito. Um misto de fúria e motivação que ardiam como se seus órgãos internos estivessem em brasas. O que sabia é que amava aquela sensação, sentia como se pudesse destruir o mundo a sua volta com um estalar de dedos, transformando tudo ao seu redor em cinzas e destroços incandescentes.

E era exatamente o que queria fazer com a vida de algumas pessoas.

Os prédios que o inspirava passavam refletidos ao redor de seu carro negro. O centro da cidade do Rio de Janeiro é abarrotado deles. Evan estava se dirigindo a um deles, aparentava ter sido erguido a pouco tempo.

Lá estava a sede de uma empresada chamada COMYX, especializada em investimentos de alto risco. Seu negócio consistia na administração e análise de tendências de investimentos com dinheiro que seus clientes lhe confiavam através de um algoritmo que automaticamente movimentava o dinheiro dependendo da tendência que as iniciativas apresentavam. Por exemplo, se as ações de uma empresa apresentassem estabilidade, e os analistas naquele dia informavam que devido a uma notícia que analisaram, a empresa ia sofrer queda no mercado, as ações eram vendidas e aplicadas em outra iniciativa que estivesse em alta no momento. Com isso ele garantia o mínimo de riscos e perdas de dinheiro, com um retorno altíssimo para o investidor. A empresa fora criada por dois sócios: Alan Bragança e Christopher Gadelha, pai de Evan.

Apesar deste fato, Evan não era mais dono da empresa que herdou após a morte do pai. Ele decidiu vender sua parte e se mudar para a Inglaterra, onde concluiu seus estudos e fez carreira.

Aqueles que trabalharam de perto com Evan o descrevem como um animal louco. Não por ser rude ou mal educado. Mas por ser movido basicamente pelo instinto. Ele sempre sabe exatamente qual o próximo passo a ser feito, é como se fosse um lobo rodeando sua vítima. E quando ataca é com tamanha fúria e certeza que seu objetivo é quase sempre alcançado. Evan é uma máquina dos negócios moldado pelo pai desde o berço. Tal educação lhe proporcionava tanta vantagem que não encontrava rivais no meio do caminho.

O animal louco em questão agora se encontrava subindo os elevadores de um dos do prédios que admirava minutos atrás. Uma pequena onda de adrenalina correu por todo seu corpo. Ficou alerta e um pequeno sorriso de canto de boca surgiu. Os número dos andares acendiam no painel do elevador mostrando a rota até o 37º andar.

As portas se abriram e Evan não podia deixar de pensar quantas vezes já esteve nessa situação. Chegando à empresa de um cliente ou alvo novo. Já estava nessa vida há bastante tempo. Não importava o que lhe esperava atrás da porta do elevador; fosse um hall grande e bem iluminado ou um par de secretárias simpáticas, em todas as vezes desde que decidiu que era assim que iria ganhar a vida ele sempre pensava:

“É hora do jogo.”

E desta vez a frase não poderia cair melhor. Não era um grande cliente que iria ver, ainda mais no Brasil. Já visitara escritórios muito maiores no exterior e pessoas com muito mais poder. Mas dessa vez, essa visita seria indispensável para o que tinha em mente. Não havia nenhuma complexidade no que iria fazer, não haviam riscos absurdos envolvidos, mas não poderia falhar.

Havia outro motivo para levar esse tipo de encontro como um jogo. Para ele era exatamente isso. Dois oponentes que precisam duelar e onde só um realmente sai campeão. Cada um tem sua tática, seu modo de jogar, suas armas. Desde que fazia o primeiro contato com a pessoa, tudo contava e era calculado pela mente de Evan. O tom de sua voz, seu aperto de mão, iria sorrir? Buscava nas palavras de seu adversário uma brecha em que poderia dar um golpe fatal. Ou um deslize que poderia ser usados mais tarde. E como todo bom jogo, aquilo trazia prazer quando bem executado.

Desta vez uma ante-sala era o que se mostrou para Evan após a abertura das portas do elevador. Era simples, clara e bem iluminada. Algumas plantas espalhadas no local e móveis que provavelmente eram absurdamente caros para um consumidor comum. Uma bancada maior do que o habitual, feita de madeira e barras de metal polido praticamente escondia a recepcionista muito bem arrumada atrás dela. Acima, o letreiro laranja exibia a palavra COMYX. Evan chegou mais perto da imponente mesa para se apresentar.

Um doce boa tarde saiu dos lábios vermelhos e sedosos da recepcionista. Seus olhos castanhos olhavam fixamente para o homem a sua frente sem deixar de demonstrar ternura em suas feições e seu sorriso curto.

– Boa tarde. Eu sou Evan Gadelha. Tenho uma hora com Adolfo Almada. - Evan dizia enquanto analisava que aquele exagero de mesa e das composições da sala era somente para ostentar imponência aos possíveis visitantes e empregados.

– Vou anunciá-lo senhor Gadelha. Enquanto isso pode se sentar. Posso lhe oferecer algo para beber? - A recepcionista disse novamente olhando com firmeza para Evan.

– Não, muito obrigado... - Evan parecia procurar algo no peito esquerdo da recepcionista. - Desculpe, seu nome?

– É Beth, senhor.

– Muito obrigado Beth, vou apenas esperar. - Um sorriso sincero e moderado apareceu no rosto de Evan.

A recepcionista corou um pouco, parecia que Evan conseguiu tirar por alguns instantes sua concentração. Ela fez alguns movimentos exagerados na tentativa de relembrar o ramal de Adolfo mas, fora um lapso momentâneo e em instantes todo o profissionalismo estava de volto.

Evan se sentou e pegou uma revista qualquer para folhear enquanto esperava. Mas só lhe deu tempo de ler uma página, minutos depois Adolfo Almada saíra pela larga porta de vidro fosco ao lado da mesa da secretaria. Com um largo sorriso o homem que já demonstrava seus sinais de uma idade mais avançada vinha receber Evan. Estava vestindo um terno azulado, a gravata cinza dava o toque final em sua vestimenta. Não era muito alto e tinha cabelos muito grisalhos. Rugas já se mostravam abaixo de seus olhos castanhos quase negros.

– Senhor Gadelha. Bem vindo de volta a COMYX - Um firme aperto de mão era dado entre os dois cavalheiros.

Evan apenas acenou com a cabeça. Suas feições eram sérias agora e decidiu que não queria falar muito.

Será rápido e direto.

– Por aqui por favor, temos uma sala reservada lá dentro para conversamos. - Adolfo fazia sinal para Evan o seguir.

O interior daquele andar da COMYX era reservada a salas de reuniões, então poucas pessoas trabalhando podiam ser vistas, apesar de haver um lugar reservado para algumas mesas. Portas imponentes de madeira criavam junto com as paredes um pequeno labirinto. O destino dos dois se revelou a sala de número 10. No interior algo que realmente surpreendeu Evan. Ao invés de uma longa mesa e cadeiras enfileiradas ao redor dela em precisão milimétrica, ele avistou uma pequena mesa com duas cadeiras. Num canto haviam uma variedade de biscoitos e bebidas. Uma pequena estante de lado direito com livros sobre economia e investimentos. A parede ao fundo era uma janela que ia do teto ao chão, a visão do lado de fora era completa.

– É aqui que fazemos negócios senhor Gadelha. Sente-se por favor. - Adolfo fazia sinal para uma cadeira enquanto se sentava na outro que ficava a frente da janela. Uma imagem de algum tipo de "Deus" não pode deixar de passar na mente de Evan.

Esperto.

A conversa fora iniciada por Adolfo.

– Fez boa viagem? Soube que chegou recentemente.

– Excelente viagem, obrigado. Sempre bom retornar as raízes.

Os dois trocaram mais algumas perguntas e respostas sociais quando Adolfo decidiu instigar seu convidado e ir para o assunto que os reunia ali naquela sala.

– Sim, soube também que faz alguns anos que você não vem ao Rio. Devo supor que a nossa empresa é o motivo principal desta vinda?

Evan percebeu que era hora de expor um pouco mais suas intenções.

– Sim e não ao mesmo tempo. Digamos que o passado dessa empresa inclusive, é o que me traz de volta.

Adolfo se estremeceu por dentro após ouvir essa frase. Desde que fora informado que teria uma reunião com o filho do ex dono da companhia estava tentando entender o porquê. Evan percebeu o pequeno desconforto do seu anfitrião e era isso que esperava.

– Senhor Almada, serei breve, tenho outros lugares a visitar ainda hoje. Minha visita aqui hoje é por que gostaria de firmar um acordo com a COMYX.

O desconforto de Adolfo cresceu. Só podia pensar em uma coisa, o filho de Christopher Gadelha quer o império de volta. Fora alertado por seus superiores que a qualquer sinal disto deveria confiar em seus instintos e encerrar a reunião.

– Senhor Gadelha, me desculpe mas... - Antes que pudesse terminar Evan o interrompeu com a voz baixa e decidida.

– Qual a maior quantia que vocês lidam atualmente em investimentos?

– Senhor Gadelha, me desculpe mas esses dados são confidenciais, não estou... - Adolfo foi interrompido mais uma vez.

– Senhor Almada, eu sei qual é esse número, não viria despreparado para o que quero propor. Encare isso como uma pergunta retrógada e por favor me responda.

Adolfo engoliu seco a resposta, mas seus anos de experiência não o deixaram demonstrar todo o nervosismo que estava com aquela situação.

– Nossa maior conta de investimento lida com 6 milhões de dólares.

– Certo, estou aqui porque quero expandir ainda mais meus negócios e preciso de capital rápido. E nada melhor do que confiar no trabalho de seu velho pai para isso. Gostaria de propor um acordo de parceria. Não, eu não quero entrar como cliente. Gostaria de multiplicar meu investimento de um bilhão de euros rápido.

O número atravessou como uma bala os tímpanos do senhor de terno azulado. Internamente era como se todos os seus músculos lutasse para ficar no lugar e não deixasse que seus osso e órgãos internos caíssem pelo chão. Simplesmente não sabia o que responder. E Evan percebeu que nada precisava ser dito.

– Agradeço pelo seu tempo e da COMYX, senhor Almada. Gostaria que levasse minha proposta aos seus superiores e marcássemos uma nova reunião.

Adolfo agradeceu, apertou a mão de Evan sem dizer uma única palavra. Observou o homem com seus 30 anos sair pela porta e se sentou novamente, agora virado para a janela. Pensou em todas as palavras que forma ditas. Sua expressão era inteligível. Até que um sorriso passou pelo seu rosto. Talvez fosse sua grande chance, poderia ganhar um grande bônus e finalmente passar as férias nas Bahamas com a mulher e os filhos. Rapidamente o êxtase acordou seu corpo, ele foi até o telefone e chamou a recepcionista.

– Beth, me ligue com a matriz no 40º por favor.

Evan tinha esse poder. Não importava o que era dito em uma reunião, o quão tenso ou quão prazeroso um encontro de negócios podia ser. Ele articulava cada frase, cada silaba, para que a última palavra fosse sempre dele. Causasse o impacto que fosse.

Não havia mais o que fazer ali, estava em seu carro quando o telefone tocou. Uma olhada para o visor revelou que era sua irmã. Uma voz ecoou do aparelho assim que pressionou a tela de toque para atender, não o deixando falar a saudação inicial.

– Você está atrasado – A voz doce de Yasmim falava num tom de brincadeira.

– Ah, oi para você também minha irmã. Eu sei, mas não tire a mesa ainda, só vou passar em casa para trocar de roupa e buscar o presente da minha sobrinha.

O outro lado da linha ficou alguns segundos em silêncio até por fim questionar.

– Não é nada exagerado certo?

Evan não conseguiu resistir a dar um sorriso.

– Vou mimar minha sobrinha um pouco, mas fique tranquila.

– Ai meu Deus Evan, só não exagere muito por favor, estou ensinando a Eva que as coisas nessa vida tem que vir com algum trabalho e merecimento. – Disse num tom mais sério.

– Ok, mas deixa-me babar um pouco na minha sobrinha que não vejo faz dois anos.

– Ok meu irmão, venha logo então. E ah, eu nem botei a mesa ainda porque eu sei quando se trata de eventos familiares você não é muito bom com horários. Beijos.

– É, você me conhece minha irmã – ele deu uma pequena risada – Até daqui a pouco. Beijos. – Finalizou encerrando a chamada.

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Evan entrava pela larga rua com seu carro negro enquanto as árvores dos dois lados faziam desenhos com a sombra por todo o percurso. Parou na entrada de uma casa de cor clara e um largo jardim. Deu duas buzinadas para avisar que havia chegado e logo em seguida desligou o carro e desceu. Uma pequena garotinha abria a porta em pleno frenesi. Parou assim que teve a visão de Evan ficando de cócoras e abrindo os braços pedindo um abraço.

– Tiioo Evvaann!!! – Soltava um grito que se misturava a seu largo sorriso.

A garotinha de longos cabelos morenos saiu correndo para atender o pedido de abraço. Assim que os corpos se encontraram, Evan a levantou em um abraço rodopiando junto a sobrinha.

– Minha princesinha! Quanto tempo!

Agora na porta, uma mulher observava a cena de braços cruzados e um sorriso na face.

Diversos homens achariam que aquela mulher não poderia ser uma mãe já, talvez devido ao tamanho de sua beleza. Os cabelos negros, longos e ondulados pareciam ser desenhado em contraste da sua pele clara, porém num tom um pouco mais moreno. Olhos pequenos e bem desenhados admiravam a cena do irmão e sua filha num momento de carinho. Sua pinta acima dos lábios se movia a medida que o seu sorriso se armava. Vestia um longo vestido de verão, branco e florido, num corte diferente do usual. Uma das alças era maior que a outra. Abaixo vestia uma peça menos usual ainda. Uma blusa de malha carmim com o lado esquerdo sem manga alguma e o lado direito indo até seu punho.

Ela decidiu não interromper ainda, mudou de posição agora se apoiando na moldura da porta e segurando o ante braço com a mão esquerda. A cena a sua frente a maravilhava, sentia-se tão bem por ver as duas das pessoas que mais amava no mundo juntas.

– Ei! Quero ver você conseguir fazer o mesmo comigo! – Gritou de onde estava, brincando com o irmão.

Evan parou, colocou a sobrinha no chão e sorriu para sua irmã. Foi até seu encontro e os dois se permitiram um longo abraço.

– Estava com saudades de você também. – Ele dizia encerrando o abraço.

– Eu também meu irmão. Entre, vamos almoçar.

– Sim vamos, mas antes... – Evan foi em direção ao carro. Apertou um botão no chaveiro em suas mãos e a mala se abriu. Chegou na mala e puxou uma grande caixa embrulhada que mal conseguia carregar.

Eva estava sentada no chão do jardim a essa hora e acompanhava com os olhos os movimentos do tio. Nesta hora seus olhinhos brilharam com a ideia que poderia ser um presente para ela. Evan com certa dificuldade deixou o embrulho ao lado dela.

– Para você minha princesinha.

A garotinha voou em cima do presente com tamanha alegria que Evan teve que segurar para que ele não tombasse. Começou a rasgar o papel da maneira que podia, com as mãos, com uma pedrinha, às vezes até mordia. Quando conseguiu tornar a caixa embaixo do embrulho visível começou a correr em círculos e a gritar – É um castelo! É um castelo! Olha mãe, ganhei um castelo!

– Só que ele precisa ser montado, me ajuda a tarde a fazer isso? – Evan perguntava se divertindo com a atitude da sobrinha.

– É claro tio!

Yasmim chegara mais perto neste momento para verificar se realmente não havia visto errado. O tio acabara de lhe comprar um castelo?

– Ok pessoal, depois nós focamos no castelo. Agora vamos entrar, lavar as mãos e comer. – Dizia isso dando tapinhas no bumbum de Eva para que ela entrasse.

Todos seguiram em direção a porta. No caminho Yasmim sussurrou no ouvido do irmão. – Um castelo? Sério mesmo? Essa é sua ideia de não exagerar?

Evan a olhou e novamente sorriu.

– Relaxe um pouco, estou só mimando um pouco minha princesinha.

==================

O almoço passara bem. A mesa posta por Yasmim era farta para somente três comerem. Nas pausas entre a mastigação do frango marinado na cerveja, eles trocavam risadas e histórias.

Evan contava como era sua vida e os costumes na Inglaterra e Eva escutava tudo admirada, como se o tio viesse de um planeta diferente. Ele explicava sobre o frio, neve e inclusive os castelos e jardins que podia visitar de vez em quando. Eva, por sua vez, contava das suas atividades na escolinha. Os amigos e desenhos que adorava fazer. E finalizando a troca de experiências, Yasmim relembrava algumas historias de quando ela tinha a idade da filha e por alto de como estava seu trabalho já que a filha não iria entender muito dos problemas que passara na coleção nova que estava montando.

Yasmim se tornara uma estilista consagrada na cena nacional. Sua fama inclusive transpassara um pouco para a cena internacional também. Tinha diversas lojas espalhadas pela América do sul e a do norte e apesar de sempre ficar de olho na administração da sua marca, “Flores da alma”, sua dedicação e paixão verdadeira eram na parte de design das roupas que vendia e apresentava em desfiles. Apesar de tudo Yasmim diminui um pouco o ritmo do trabalho nos últimos anos para se dedicar a criação de sua filha.

– E o Jonathan, minha irmã?

– Ele está embarcado, volta daqui uma semana.

– É tio. Papai ta navegando! – A garotinha dizia animada, ainda mastigando a comida.

– Ei mocinha, nada de falar de boca cheia, mastiga primeiro. – Yasmim dizia apontando o garfo para ela num tom de repreensão.

Evan não pode deixar de sorrir e deu mais uma garfada em sua comida.

Jonathan era o marido de Yasmim e pai de Eva. Trabalhava numa grande petroleira brasileira. E apesar do pouco contato entre ele e Evan, era uma pessoa de quem ele gostava e agradecia por ter se casado com sua irmã. Tudo em que sempre pensava quando imaginava eles dois é que a irmã merecia alguém calmo e centrado como Jonathan depois de tanto sofrimento.

Horas depois de terminarem a refeição e descansarem um pouco na sala da casa assistindo a programação local chegara a hora em que Eva tanto estava esperando naquele dia, a montagem do castelo. Ela e o tio foram para a parte de trás da casa onde ficou decidido que a construção ficaria. Os dois abriam a grande caixa e enquanto Evan lia às instruções, a menininha agrupava todas as peças que eram semelhantes. Houve uma hora em que Evan parou um pouco de ler para observar de rabo de olho o trabalho da sobrinha e mesmo tão nova ela demonstrava uma característica que mexia com ele. Ele conseguia ver esculpido o olhar de determinação do pai quando trabalhava.

A montagem divertiu a ambos, entre o encaixe de uma peça e outra e puxões de orelha por parte de Eva, porque o tio colocou uma das torres no local errado eles se implicavam, riam e corriam um atrás do outro. Yasmim que via tudo um pouco mais afastada aproveitou para tirar fotos dos dois. Esse era um momento raro.

Ao fim do dia, o trabalho fora concluído. Junto com o crepúsculo, o castelo estava erguido. E por mais que fosse de brinquedo acabou criando uma cena bonita de se admirar.

– Trabalho concluído meus construtores! E ficou lindo! – Yasmim disse chegando mais perto dos dois.

– Posso brincar nele agora mãe? Por favor?! Por favor?!

– Ok mais só um pouco. Já está escurecendo e pelo que eu me lembre a senhorita não fez o dever para amanhã.

– Eeeeeeeeeee! Obrigado mãe! – Eva gritava animada e correndo para entrar no seu castelo novo.

– Vou aproveitar e ter a conversa de adultos com seu tio lá dentro. Qualquer coisa nos chame. – Ela e Evan se dirigiam agora para dentro de casa.

– Ela cresceu rápido... – Evan não pode deixar de falar enquanto olhava a sobrinha.

Os dois se sentaram no bar que ficava ao lado da escada para o segundo andar. Yasmim tirou dois copos de wisky, colocou algumas pedras de gelo e com uma garrafa com o liquido amarronzado serviu os dois. Agora podiam conversar sem se preocupar com o que a garota iria escutar. Eram os dois irmãos um na frente do outro novamente.

Yasmim contou o quanto estava difícil conciliar tudo, a carreira e a filha. Com Jonathan embarcando de 15 em 15 dias as coisas só pioravam. Mas sua felicidade sempre aparecia para lhe dar forças quando via a filha em momentos como o de hoje. Os dois começaram a reviver algumas historias do passado. Eles fizeram faculdade na mesma instituição e apesar da diferença de idade entre os dois, passaram por dois anos tendo aulas e frequentando quase os mesmos círculos de amizade.

Enquanto as historias se desenrolavam, Evan não conseguia deixar de olhar para o pescoço de sua irmã. A ponta de uma cicatriz podia ser vista saindo da gola da blusa que usava e isso parecia trazer uma grande tristeza a ele. Sua irmã pôde perceber isso e decidiu tomar coragem de questionar as coisas que queria desde que soube que Evan estava voltando.

– Você vai reencontrar a trindade?

Evan se surpreendeu um pouco com a pergunta, mas já imaginara que ela viria. A fúria cega que sempre sentia quando escutava esse termo estava começando a brotar.

– Não sei, estou decidindo isso ainda. – Ele mentira.

– Você ainda tem aqueles pensamentos de anos atrás, meu irmão?

Agora Evan olhava diretamente nos olhos de Yasmim. As feições de preocupação estavam começando a se desenhar em seu rosto. Ele girou o liquido em seu copo, bebeu um gole e respondeu olhando para o lado oposto.

– Não. Fique tranquila.

– Certo... Mesmo assim, eu preciso te contar sobre a Azálea. Ela se casou, meu irmão. E tem um filho.

As palavras da irmã fizeram Evan estremecer internamente, iria demorar um tempo para entender a real implicação daquela noticia. Yasmim continuara.

– Por favor meu irmão, eu te peço para esquecer tudo que aconteceu. Desculpe mas eu precisava te questionar. Desde que você falou que ia voltar a negócios. Negócios?! Caramba Evan! Que possíveis negócios você poderia ter aqui no Brasil!

Evan deu uma risada. Havia uma coisa que tinha certeza sobre a irmã e que sempre se provava verdadeira para ele em algumas situações que pode ver as atitudes dela. Por mais que ele próprio se considerasse um exímio negociador e que praticamente soubesse “ler” os pensamentos de todos, sua irmã herdara o talento de seu pai e era muito melhor nisso do que ele. Ela talvez fosse a única pessoa no mundo que ele não poderia mentir. É uma pena que a irmã talvez não tenha ciência dos seus “poderes” e também não seja tão engajada na parte de negócios como ele.

– Não se preocupe minha irmã. Meus negócios aqui são realmente negócios e só.

Os dois ficaram em silencio por alguns segundos. Ambos sabiam que isso era uma mentira.
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Re: A retaliação do príncipe

Mensagem por MaryAnn BWay em Dom Maio 05, 2013 3:32 pm

Heyyyyyyy Anonymus!!!

Very very happy pela postagem (já é a trigésima vez que falo isto hauahauahu)
Como já deixei muitos comentários na outra postagem (no outro site haha), passo aqui só pra dizer que estou mega orgulhosa!!!!!!!!!!!

DEMAAIS!!!!!! Esta história será épica!!!!!!!!!!

Muitos beijos e sucesso!!!!!!!
MaryAnn Wink
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