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Samantha

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Samantha

Mensagem por LittleA em Qua Fev 13, 2013 1:22 pm

Nome: Samantha
Autora: LittleA
Shipper: Samantha/Chase, Samantha/Sean
Gênero: Romance/Drama/Amizade/Sobrenatural

Resumo: Samantha Tierson é uma rapariga vulgar que adora dançar. Com grande esforço dos pais, ela vai estudar para Manhattan e vê-se exposta a um mundo completamente diferente do que conhecia. Conhece dois irmãos que a vão tirar do sério e mudam completamente a vida dela. Uma história de amor, mistério e amizade.

Samantha Tierson


Christina Carter


Chase Dangerfield


Sean Dangerfiel


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Samantha - Introdução

Mensagem por LittleA em Qua Fev 13, 2013 6:28 pm

Introdução

"Amo-te." as palavras saíram pela minha boca, sem eu sequer pensar nelas, sem eu as autorizar. O que fui eu fazer? "Desculpa..." pedi.

"Não...Eu também te amo."

"A sério?" estúpida pergunta.

"Sim... Muito, muito, muito!"

Não consegui responder, fiquei apenas a olhá-lo como se fosse a primeira vez que o via.

"Queres namorar comigo?" perguntou para minha surpresa.

"Eu...Sim, quero!"

Ele sorriu e beijou-me apaixonadamente de uma maneira como nunca havia feito antes. Nesse momento senti-me especial. Mas depressa esse momento perfeito se dissipou. Um trovão rompeu o céu. Ambos olhamos na direcção deste que atingiu a água prolongando-se por ela de forma assustadora. O céu ficou negro em segundos e um vento gelado parecia esfaquear a minha pele. Sean agarrou-me fortemente e rodou sobre mim, como se me estivesse a proteger de algo.

"Que se passa?" perguntei assustada.
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Re: Samantha

Mensagem por LittleA em Qua Ago 28, 2013 10:06 am

Prólogo

Em Newton, Kansas, o Sol ardente caía à medida que as horas passavam, escondendo-se atrás daquela colina, onde brotavam arbustos com pequenas flores cor-de-rosa. Eu fiquei em pé a contemplar aquele espectáculo admirável, enquanto pensava que tudo aquilo se ia perder dentro de dias quando me mudasse para a cidade onde não conheço ninguém, onde tudo se passa mas nada acontece, onde as pessoas correm em vez de andar, onde o pôr-do-sol só pode ser visto do alto de uma elevação de cimento, tijolo e betão a que chamam prédio. Os meus dias de calma, pensamentos e serenidade na pequena terra onde nasci estavam prestes a acabar, agora seriam acompanhados com buzinas de automóveis, carros acelerados, ambulâncias, bombeiros, policia, pessoas stressadas… Parece que já o oiço aqui.



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Capítulo 1 – Viagem

Mensagem por LittleA em Qua Ago 28, 2013 10:07 am

Entrei no carro com a esperança de conseguir ânimo para enfrentar as dificuldades de um mundo em que eu não estava habituada a viver. Ia partir numa completa aventura, mudar radicalmente, fazer novas amizades, estudar, trabalhar por gosto, não por necessidade e arranjar apartamento, até lá contento-me com um quarto alugado.

Ainda pensativa, ganhei coragem e rodei a chave na ignição, o barulho do carro despertou-me. Respirei fundo, fechei os olhos, abri-os devagar e carreguei no acelerador.

Via os meus pais e a casa que me criaram a ficar para trás até que os perdi de vista. O caminho a percorrer era longo. A estrada de terra batida estava deserta, o sol começava a perfurar as reentrâncias das colinas – um novo dia prestes a começar.

O sol batia de cima quando parei para comer num pequeno restaurante à face da estrada. O meu estômago apertava-se e contorcia-se com falta de comida. Tinha andado cerca de 700km sem parar, mas não me sentia cansada, muito pelo contrário, sentia-me viva, desejava que aquele sentimento se prolongasse durante todo o processo de mudança.

Sentei-me numa mesa para dois, o empregado aproximou-se.

“O que deseja?”

"O que recomenda?"

“Hoje, temos esparguete 'carbonara' e lasanha.”

“Então, acho que vou pela lasanha.”

Divina lasanha…Hmm estava uma delícia!

Pedi a conta e prossegui viagem rumo a Manhattan. Nunca estive numa cidade com mais de 20000 habitantes, tinha um certo receio mas também estava empolgada para desfrutar de tudo a que tinha de me habituar.

Eram 16h quando decidi parar para descansar. Os olhos já me pesavam, a cabeça latejava, já sentia fome e não conseguia conduzir mais sem uma boa noite de sono. Parei no “Fresh Hotel” e pedi um quarto para ficar por uma noite.

Entrei no quarto e deparei-me com uma cama de casal, particularmente arranjada, uma mesinha de cabeceira que suportava um jarro de rosas brancas, uma televisão e uma cómoda ao canto do quarto. As paredes caiadas de branco e uma pequena ventoinha no tecto. A porta da casa de banho ficava do lado esquerdo.

Estendi-me na cama e adormeci.

**

No dia seguinte, acordei cedo, pronta para seguir viagem rumo a Manhattan, entrei no carro e assim fiz.

Entre paragens para descanso e pequenas refeições, finalmente vi a placa que tanto ansiava ver “MANHATTAN, WELCOME”. Thank God.
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Capítulo 2 – Manhattan

Mensagem por LittleA em Qua Ago 28, 2013 10:09 am

Parei o carro quando cheguei à avenida mais popular do Mundo, Time Square. A grandiosidade de Manhattan enchia-me corpo e alma. Nunca lá tinha estado antes e aquilo para mim era algo completamente novo. Estava a sentir o quão insignificante era perante tanta agitação e graciosidade. Aquilo era realmente espectacular, tinha visto fotos mas nada se comparava ao que podia ver por mim própria. Facilmente me esqueci da calma e serenidade do cair do sol em Newton. As luzes ofuscavam-me a mente, as pessoas andavam apresentáveis, grandes carros desciam as ruas da Time Square. Os anúncios luminosos, os tablóides, as bancas com revistas, as lojas de informática, os cinemas, os casinos, os centros comerciais, etc., enchiam os prédios de mais 40 andares, dos quais parte eram consultórios médicos, advogados, etc.

A loucura e a vida da Times Square estavam-me a subir a cabeça.

Pela primeira vez na minha vida, aos 19 anos, eu soube o que era a realidade. Até aqui tudo tinha sido perfeito na minha humilde casa com os meus pais e os meus amigos de infância com quem partilhava brincadeiras e estudos, agora precisava de estudar, investir na minha carreira, no meu futuro. Percebi hoje que sempre vivi iludida com o Mundo, sempre tudo foi fácil para mim, nunca me faltou nada. Estava na altura de encarar a realidade e ter responsabilidades. Os meus pais sempre me sustentaram os estudos agora está na altura de ser eu a fazê-lo. Queria mesmo fazê-lo, queria fazer o curso de representação, queria continuar os meus estudos na área da música e dança. Manhattan era um abrir de portas para estes sonhos.

Sempre sonhara em participar num filme de renome, num musical na Broadway, fazer parte de um grupo de dança conceituado ou gravar um disco. Fazer parte do grupo das grandes estrelas internacionais, sentir que o meu trabalho era reconhecido. Mas desde cedo percebi que só conseguimos atingir os objectivos com muito luta, força e atitude. Por isso deixei tudo para trás e decidi começar o início de uma nova etapa na minha vida.

Incrivelmente aquela agitação fazia-me sentir o sangue quente a pulsar em cada uma das minhas veias. Perante todo aquele espectáculo o meu coração batia velozmente como se quisesse agarrar tudo o que aparecesse à frente. Senti que ia conseguir ser feliz.

Então, uma lágrima caiu do meu olho cor de mel e deslizou pela minha cara, desfazendo-se nos lábios. Senti o sal da pequena gota e pensei “este sal é doce, esta lágrima é feliz”.
Sim, eu estava feliz. A minha vida estava prestes a começar.


Cheguei, finalmente, à casa que me ia acolher até eu arranjar um apartamento. Situava-se na rua paralela à Times Square, era um prédio alto e eu ia ficar no último andar. Entrei no elevador e marquei o 31. Toquei à campainha e uma rapariga, provavelmente da minha idade, abriu-me a porta.

“Samantha?!”

“Sim, sou eu.”

“Entra. Sê bem-vinda à nossa casa. Eu sou a Christina, tenho 19 anos. Estava ansiosa pela tua chegada.” – disse ela empolgada. Os seus olhos pareciam duas azeitonas pretas brilhantes, as faces eram rosadas, era praticamente da minha altura, elegante, sumptuosa, esbelta, tinha uma cara juvenil (talvez isso fosse obra da maquilhagem, mas ela era realmente bonita).

Entrei e reparei que a cozinha ficava do lado esquerdo, tal como a sala. E havia uma casa de banho à frente.

“Obrigada! Onde pouso as coisas?” – perguntei. Estava ansiosa por me instalar. Pelo que a minha mãe me disse, eu ia partilhar o quarto com a filha dos donos da casa. Supus que Christina fosse essa rapariga. – “Vou ficar no teu quarto não é?”

“É sim!”

“Não te incomoda ficares sem privacidade assim de repente?” – achei que estava a mais, se calhar ela não se ia sentir bem na minha presença e a casa é dela. Eu é que devia sair. Mas ela respondeu prontamente.

“Não. Sou filha única mas gosto de partilhar. Sempre quis que alguém me fizesse companhia quando não estou com os meus amigos.” – Reparei que ela estava a ficar cabisbaixa por estar a recordar aquilo que sempre desejou ter.

“Então, agora estou cá eu. Sabes esta mudança é difícil. É bom sabermos que as pessoas querem a nossa presença.”

“Sim. Estou mesmo contente por teres vindo. Eu não te conheço, ainda, mas acho que nos vamos dar muito bem. Pelo que me constou, andamos na mesma escola e tudo.”

“A sério? Isso é óptimo! Assim já conheço alguém e já tenho quem me introduza ao que se passa aqui.”

“Anda por aqui. Vamos pousar as tuas coisas. A tua mala parece bastante pesada e deves estar cansada.”

Seguimos por um pequeno corredor à direita da porta de entrada que dava acesso aos quartos e a mais uma casa de banho. A primeira porta à esquerda era um escritório. “Este escritório é onde eu costumo estudar.” Disse ela.

Prossegui calada, logo a seguir, também à esquerda, era o quarto dos pais e à direita a casa de banho. Ao fundo do corredor, uma porta entreaberta chamou a minha atenção. Tinha autocolantes originais e com letras bem grandes “CHRISTINA”, estava espectacular.
Aproximamo-nos e ao chegar perto da porta ela disse:

“E finalmente, o meu quarto!”

Abriu a porta devagar. Entramos e… wow… Era tão giro. Tinha duas camas cobertas com colchas azul claro e almofadas verdes. Cada cama tinha um pequeno urso de peluche. Uma das paredes estava coberta de fotografias, posters e post-it. Uma mesinha de cabeceira completava o espaço entre as duas camas. E o que me encantou logo que olhei, um baloiço azul no canto do quarto, onde, segundo Christina, “te sentas para relaxar ou ler um livro ou pensar”. Aquele quarto era realmente acolhedor. Era sensacional, vistoso, original, próprio. Eu gostei!

Pousei as malas e não consegui para de contemplar o quarto até que reparei em Christina a olhar para mim com um sorriso trocista.

“Que foi?” perguntei com um sorriso envergonhado nos lábios.

“Nada, nada” disse ela ironicamente. “É só que há coisas mais bonitas que este quarto. Não vais querer apaixonar-te já pela primeira coisa que vês, pois não?” soltou uma gargalhada.

“Oh! Não gozes. Isto é tudo novidade para mim.”

“Ok, desculpa! Mas admite…” olhei para ela com um olhar travesso e ambas nos rimos.

“Não tens fome? Já passa um bocadinho da hora de jantar mas eu ainda não jantei… queres fazer-me companhia?” O convite dela pareceu bastante bem. Estava com fome e sede, também.

“Hmmm, isso soa muito bem. Claro que vou contigo.”

“Fixe. Queres jantar aqui ou num restaurante qualquer?”

Eu adorava ir jantar a um restaurante, conhecer a cidade, mas estava cansada demais para sair de casa. Talvez no dia seguinte, ia ter muito tempo de jantar, almoçar e ir onde me apetecesse.

“Hoje, é melhor ficarmos por aqui. Ou melhor, não te prendas por mim. Vai jantar fora se assim o quiseres. Eu arranjo-me aqui. É só que… estou cansada. Desculpa.” Fiquei um bocado constrangida em desfazer-lhe os planos.

“Por mim tudo bem. Eu também fico. Podemos encomendar pizza.”

“Ok.”

“Vou encomendar. Põe-te à vontade. A casa é tua.”

“Obrigada!”

Abri a mala para tirar o meu pijama, tinha a certeza de que depois de jantar ia adormecer que nem um anjinho.

Tirei o pijama, desvendando uma moldura que a Scarllet me tinha dado no meu dia de aniversário, com uma fotografia do meu grupo de amigos. Ia ter saudades da Scar, do Tyson, da Brandy, da Leah e do Drew. Sentei–me na cama a olhar para a foto.

Christina entrou no quarto.

“Já está. Aguardemos.” Pousei a foto atrás das minhas costas. Ela não reparou. Fez um sorriso de orelha a orelha. “E então? De onde vens exactamente?”

“Kansas, da pequena cidade, Newton.”

“Hmmm. Gostas de dançar, cantar e representar, certo?”

“Sim, muito. É a minha vida.” Era mesmo, eu amava aquilo. Fazia-o por prazer, era como uma droga para mim. “Quando estou triste ou abatida o meu refúgio é a dança, é a minha arte de relaxamento. A música é mais para exprimir o que me vem à cabeça. Quanto à representação… é a minha paixão.”

O toque da campainha soou. PIZZA!!!

**

Era meia-noite quando decidimos ir para a cama, tínhamos estado a ver um bocado de televisão mas sem pronunciarmos nenhuma palavra.

Deitei-me e desejamos boa-noite mutuamente.
Adormecemos.

**

Acordei com energia para tudo. E só agora me apercebi que ainda não conheci os donos da casa, Mr. e Mrs. Carter.

Olhei para a cama de Christina e já estava vazia. Levantei-me num repente que me provocou uma tontura e dirigi-me à cozinha. Lá estava ela.

“Bom dia!” disse ela com um sorriso estampado no rosto.

A janela estava aberta deixando entrar uma pequena brisa, suficiente para fazer os caracóis cor de chocolate de Christina esvoaçarem. Christina era praticamente da minha altura e tinha um corpo definido. Calculei que fosse sair devido à camisola e aos jeans que trazia conjugados na perfeição.

“Bom dia” Saudei-a e nesse momento entraram na cozinha Mr. e Mrs. Carter.

Mr. Carter aparentava uns 50 anos, vestia um fato preto com uma camisa branca e gravata preta. Era um homem charmoso e intimidante. Parecia misterioso e culto.

Já Mrs. Carter, aparentava ter 40, era elegante e graciosa. Trazia um vestido e umas sandálias brancas. Parecia uma boneca frágil e cuidadosa, tinha um ar maternal e doce.

“Bom dia meninas” Mr. Carter aproximou-se de mim. “Sê bem-vinda. Desculpa não estarmos aqui ontem para te receber mas tivemos fora uns dias.”

“Não há problema, Mr. Carter. Obrigada por me acolherem.” Aprontei-me a responder, não queria criar má impressão.

“Mr. Carter?” Perguntou indignado.

Não era esse o seu apelido? Ai que vergonha, senti as minhas bochechas a corar.

“Não me chames isso, que horror. Trata-me por John. Por favor. Esta é a minha mulher, Elizabeth.”

“Prazer conhecer-te Samantha. Trata-me por Liza.”

“É prazer conhecê-la, também.”

Christina interrompeu.

"Já agora. Estas coisas dos nomes…" fez um olhar intrigado "Trata-me por Chris." Disse já sorridente.
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Capítulo 3 – Performing Arts School of New York

Mensagem por LittleA em Sex Ago 30, 2013 6:59 am

Após uns dias de passeios por New York, passei a amar esta cidade. As pessoas, os jardins, o Central Park, os prédios e as lojas. Habituei-me ao barulho da cidade que nunca dorme e ao tempo enevoado.

Agora o meu entusiasmo estava ao máximo.

Foi muito fácil para mim habituar-me a Chris, ela era muito parecida comigo psicologicamente, tinha os mesmos hábitos e conseguíamos ter conversas muito interessantes, criando assim um excelente ambiente entre as duas.

Levantei-me decidida a encarar com atitude um novo passo: a escola. Dirigi-me à casa de banho com intenção de me arranjar o mais rapidamente possível. Tomei um duche rápido, enrolei a toalha ao corpo, lavei os dentes e pus um pouco de perfume.

De regresso ao quarto, peguei nos primeiros jeans que vi, numa camisola roxa e vesti-me.

Olhei para fora pela janela. Estava a chover por isso decidi pegar num casaco. Nesse momento Chris começou a acordar.

“Ei rapariga, onde vais tão cedo?”

“Já não é assim tão cedo, são 10.”

“Não te perguntei as horas, perguntei onde ias. “ Acusou-me embriagada no seu péssimo humor matinal. Ri-me para dentro.

“Vou à escola, ver as instalações, a turma em que fiquei e claro, o horário.” Esclareci-a.

“Oh pois, também tenho de ir… esperas por mim? Só tenho de arranjar coragem para me levantar depois é rápido.” Disse com palavras arrastadas, ainda com a cara esborrachada na almofada. Aquela figura dava uma boa fotografia.

“Sim espero. Mas despacha-te, não tenho o dia todo. Vou tomar o pequeno-almoço, queres que te prepare algo?”

“Não, deixa estar, eu já vou.” As últimas palavras já foram pronunciadas ao levantar da cama.

Continuei a rir da perdição de Chris pela almofada, mas segui para a cozinha. Peguei num pão, que Mrs. Elizabeth – ainda não me tinha habituado a chamar-lhe Liza – deixou de manhãzinha antes de seguir para o trabalho, e traguei-o em poucas dentadas, bebi um copo de leite e regressei ao quarto.
Chris ainda estava de tolha enrolada no corpo a tentar decidir que roupa usar. Entretanto arranjei-me mais um pouco, pus um pouco de rímel, sombra clarinha e espalhei creme nas mãos. No fim do processo já Chris estava pronta.

“Podemos ir?” Perguntei ansiosa por sair daquele apartamento e ir conhecer o espaço que iria ser a minha segunda casa.

“Podemos sim. Vamos.”

**

Estacionei o carro mesmo em frente ao portão da escola. Estremeci ao ler “Performing Arts School of New York” na grande fachada mesmo por cima da porta automática de acesso ao interior do edifício. Era difícil acreditar que ia estudar na melhor escola de artes dramáticas dos Estados Unidos.

O edifício tinha poucos anos permanecendo assim moderno e renovado rodeado de um gradeamento preto e alto. Entrando o portão deparei-me com uma escadaria até às portas principais. Subi essas escadas como se fossem o caminho para o paraíso, senti uma ansiedade enorme de lá chegar, de completar o percurso.

Quando cheguei lá cima, aproximei-me das portas automáticas e estas abriram para eu passar.

Não sei exprimir o que senti naquele momento. A ansiedade parecia tomar partido do meu coração acelerando-o de uma forma incontrolável. Estaria a mentir se dissesse que essa ansiedade era incómoda. Corria adrenalina nas minhas veias onde o meu sangue quente pulsava de forma descontrolada.

Finalmente estava onde queria, aquele lugar com que eu sonhara noites e noites seguidas estava ali, à minha mercê, para eu desfrutar, aprender e crescer.

Qualquer um diria que era uma escola como as outras com notas e afazeres afixados nas paredes, cacifos de alumínio “podres”, o cheiro “daquilo” que servem na cantina, o chão quase nunca lavado, os papéis espalhados no chão, as salas de aula com cadeiras e mesas personalizadas por alunos com canetas de tinta permanente, as casas de banho com paredes cobertas de lamúrias chorosas, vinganças cruéis, boatos rebuscados, acusações fortes e assinaturas personalizadas e até as fotos embaraçosas ou ousadas ou apenas fotos de cada aluno arquivadas no “Grande Livro das Recordações”. Livro este que retrata gerações e gerações de artistas que pisaram o chão daqueles corredores, que deixaram ficar as lágrimas de suor e trabalho, que plantaram risos e brincadeiras, que fizeram com que esta escola artística não esmorecesse.

Por ali passaram caras agora conhecidas em passerelles, cinemas, publicidades, etc.

**

Chris estava ao meu lado, finalmente, pronta para me dirigir à secretaria.

“Bom dia!”

“Bom dia.” respondeu a rapariga loira sentada por trás do balcão.

“Queria saber quando é o inicio das aulas e em que turma fui colocada. Por favor.” proferi com a adrenalina a correr-me nas veias.

A rapariga olhou hesitante para mim.

“Hummm…é o primeiro ano?”

“Sim.” respondi seguramente.

“Muito bem...nome, por favor?”

“Samantha Wanda Tierson.” disse sem hesitar.

“E Christina Marie Seal Carter.” soltou as palavras quase atropelando as minhas.

A rapariga da secretaria sorriu devido à ansiedade de Chris.

“Ok meninas, encontrei. Estão as duas na turma B. Samantha, és o número 16 e Christina, tu és o 5. As aulas começam na segunda. Aqui têm o vosso horário.” Estendeu a mão com dois papéis. “O horário das aulas individuais serão divulgados no placard da escola na segunda-feira de manhã, suponho que quando chegarem isso já esteja afixado.”

“Muito obrigada. Até segunda.” Despediu-se Chris.

Despedida à qual eu acrescentei um simples "Bom dia.".
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Capítulo 4 - Chase

Mensagem por LittleA em Dom Set 01, 2013 12:46 pm

"Ok...estou demasiadamente ansiosa..." concluí.

"Eu também. É muita emoção só num dia. Finalmente consegui convencer os meus pais a deixarem-me estudar aqui."

Não disse nada. Antes de irmos para a primeira aula tínhamos de ver o horário das aulas individuais. Era fantástico podermos ter aulas individuais, podíamos treinar sozinhos com um professor que tem a atenção centrada apenas em nós. Tinha três aulas individuais: técnica corporal, arte representativa e técnica vocal. As aulas colectivas eram: inglês, dança, representação, drama-musical e história da arte e da cultura.
Finalmente, frente-a-frente com o placard dos horários. Tenho de admitir que aquela parede fez com que o meu estômago desse umas voltinhas, tantos alunos, tantos professores. Os horários preenchiam alguns dos furos do meu horário base o que era óptimo.

**

Entramos na sala onde íamos ter inglês. Imediatamente os meus olhos percorreram a sala e petrificaram num rapaz que me chamou atenção. Não percebi o que fluía no meu corpo naquele momento. Apenas sentia que o meu coração me arrastava para ele. Era impossível acontecer aquilo, eu nem o conhecia. Ele olhou-me e a sua expressão demonstrou qualquer coisa do tipo "Estranho"... Era difícil para mim desviar o olhar daquele semblante. Os meus olhos estavam completamente presos naquele rapaz com os olhos de uma cor que eu nunca havia visto antes. Eram azuis transparentes e brilhavam com a luz, como se fossem de vidro. Não conseguia movimentar os olhos, pelo que não me era permitido observar o rapaz, apenas olhavam fixamente para os seus olhos.

De repente, tudo se dissipou. Os meus olhos caíram, como se alguém os estivesse a agarrar e os atirasse para o chão. O meu coração voltou ao seu estado normal. Mas eu...eu sentia-me tonta, pronta a cair para o lado.

"Sam..." chamou Chris dando-me uma cotovelada. "Vamos? Sentar..." disse com os olhos desconfiados perante a minha ausência inexplicável.

"Hmm, sim...vamos!” Respondi calmamente.

Agora sentia-me a voltar a mim, o meu 'eu' voltava a entrar no meu corpo. Sentia-me estabilizada e já conseguia raciocinar. Mesmo assim só conseguia pensar no que tinha acabado de acontecer.

"Sam, estás bem?" perguntou-me Christina.

"Sim, não te preocupes...Vamos mas é estar atentas."

"Sim...ok..." virou a cabeça para a frente e sussurrou ainda mais baixo, algo como, "Estranho..." encolheu os ombros.

A professora fez a chamada e aí percebi que ele se chamava Chase Dangerfield.

**

"Ok, Sam...desde a aula de inglês que não falas, estás apática, estou a ficar preocupada. Importas-te de me dizer o que se passa?"

"Não é nada..."

"Conta! Já!"

"Ok...mas vais achar estúpido..."

"Conta..."

"Ok...aqui vai! Estás a ver aquele rapaz da nossa turma...o Chase?"

"O loirinho jeitoso que estava ao lado do moreninho sexy?" ficou a olhar para o nada com um ar pensativo esperando a minha resposta.

Franzi as sobrancelhas com as expressões usadas na pergunta da Chris, mas tentei abstrair-me das questões que surgiam na minha cabeça acerca da sua integridade mental.

"Sim, deve ser esse..." disse devagar.

"Ok, que tem?" perguntou entusiasmada.

"Bem...quando eu entrei na sala os meus olhos pararam nele e eu não os conseguia desviar...eu queria mas estavam presos. Não sei o que se passou."

Chris olhava para mim sem expressão com os olhos fixados em mim. Esteve assim uns segundos e do nada...

"AHAHAHAH" riu alto...alto não...aos berros!

"Chiu!" ordenei.

"Desculpa...estás a gozar comigo certo?"

"Oh, eu disse que ias achar estúpido!"

"Estúpido? Não...Surreal! Por amor de Deus...Ele só é giro, por isso é que petrificas-te nele."

"A sério Chris...acredi..."

"Samantha...esquece isso!" interrompeu-me Chris. Olhei para ela e virei costas.

"Ei, espera onde vais?"

"Vou para a aula." respondi um quanto aborrecida.

"Fogo, Sam... Não vais ficar chateada pois não?"

"Não!" respondi secamente deixando Chris para trás!

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Capítulo 5- Sean

Mensagem por LittleA em Qua Set 04, 2013 3:19 pm

Saí da aula de história da arte e da cultura e dirigi-me aos cacifos. Precisava de pousar os livros, já estava na minha hora de almoço. Tinha 2 horas para almoçar. Provavelmente ainda ia dar uma volta pelos arredores da escola.

Ia distraída a pensar no que tinha acontecido na aula de Inglês. Aquele rapaz não me saía da cabeça. Era quase impossível deixar de pensar nele. Mas o que é que se estava a passar comigo? Estaria eu a ficar maluca?

Estava inebriada nos meus pensamentos quando cheguei perto dos cacifos. Lembrei-me que tinha de pegar na chave para o abrir. Sim Samantha, és mesmo trenga, claro, a chave!
Remexi na minha carteira com afinco em busca das chaves perdidas no meio da confusão de uma mala de mulher que mais se assemelhava a um buraco negro, onde tudo entrava mas depois desaparecia. Estava a debater-me para encontra-las sem deixar cair os livros que agarrava no braço esquerdo.

"Olá...Bem vinda!"

Ergui o olhar ainda atarefada na busca das chaves perdidas na carteira.

"Oh, olá!...hmmm...obrigada!" voltei a olhar para a mala.

"Fogo, onde está o raio da chave?" murmurei.

"Precisas de ajuda?" perguntou o rapaz que me tinha cumprimentado.

"Não, obrigada! Não encontro as chaves." Acabei por desistir. Suspirei e bufei uma mecha de cabelo que me caíra à frente dos olhos.

"Eu seguro nos livros enquanto procuras." Ofereceu-se.

"Ok, obrigada." E passei-lhe os livros para a mão. Rebusquei mais um pouco, agora com ambos os braços livres para procurar. "Ah! Encontrei-as! Obrigada mesmo!"

"De nada. Sempre às ordens! Então..." continuou enquanto eu guardava os livros no cacifo. "Como te chamas?" perguntou o rapaz que ainda continuava ali.

"Samantha. Samantha Tierson. E tu?"

"Sean Dangerfield."

"Dangerfield? Já ouvi isso algures." Apercebi-me.

"Provavelmente. Deves ter conhecido o meu irmão Chase."

Chase...Chase Dangerfield...Ah...o rapaz da aula de inglês...Meu Deus!

"É isso...Chase Dangerfield. O Chase é teu irmão?"

"É. Porquê?" perguntou erguendo uma sobrancelha.

"Nada..." Será que ele me podia dizer o que é que o irmão dele me fez para eu ficar tão colada nele durante aquele tempo que me pareceu infinito, sentindo que estava a ser observada por todos os lados?

"Então, queres ir dar uma volta?" perguntou interrompendo os meus pensamentos sobre o seu irmão. Olhei finalmente para ele com atenção. Olhei para os seus olhos, iguais aos de Chase, um azul mar profundo que captaram logo a minha atenção fazendo desviar-me de Chase. Não fiquei presa, os meus olhos deambularam por todo o seu corpo escultural, perfeitamente definido. Apercebi-me que ele seria um pouco mais velho que Chase.

"Sim, claro. Porque não?" respondi confiante da minha resposta.

**

"Então...vieste do Kansas para seguir o teu sonho... É preciso ter coragem!"

"Não foi fácil! O pior foi deixar a minha família." disse ficando com os olhos em lágrimas. Rapidamente ele abraçou-me e aconchegou-me nos seus braços.

"Não fiques assim. Não foi para sempre. Daqui a pouco tempo vais voltar a estar com eles."

"Sim, tens razão." Disse entre soluços enxugando as lágrimas com os punhos cerrados. "Mas agora, mudando de assunto, fala-me de ti, da tua família, dos teus objectivos."

"Ok...então… minha família é apenas o meu irmão, ele..."

"E os teus pais?" interrompi-o.

"Morreram num acidente quando eu tinha 5 anos e o meu irmão 3."

"Ei...desculpa...lamento." disse envergonhada.

"Tudo bem. Não há problema."

Ficámos ambos em silêncio. Continuávamos sentados, encostados à árvore. Eu conhecia-o há cerca de 1 hora mas já estava deitada nos seus braços. E sentia-me bem, perfeitamente bem e segura.

"Continua...ias falar do teu irmão." incentivei. Por incrível que pareça enquanto estava com Sean, não sentia necessidade de falar, apenas ele me interessava e Chase, que me havia captado a atenção logo de manhã, passava assim para segundo plano no meu consciente e inconsciente.

"O meu irmão...Não há muito para dizer sobre ele." concluiu após uns breves momentos de raciocínio.

"Mas dás-te bem com ele?" perguntei.

"Nem por isso, ele é bastante diferente de mim. É convencido e acha que o mundo é todo dele. Sinceramente, às vezes não o percebo. Tem aquela mania...Tipo acha que tem as raparigas todas para ele. Como se acha giro e sexy, elas acham que está ali uma grande coisa, mas é só fachada." Não sei porquê, mas acreditei automaticamente no que ele disse.

A minha imagem de Chase fora completamente destruída após estas palavras de Sean. De um momento para o outro Chase deixou de invadir o meu pensamento e agora sentia repulsa e nojo dele. Afinal era apenas um igual a todos os outros. Como é que me pude enganar por um olhar?
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Capítulo 6 - Aula de dança

Mensagem por LittleA em Sab Set 07, 2013 10:40 am

Já estou em aulas há mais de uma semana. Sean mostrou-se muito prestável em apresentar-me toda a escola e os professores. Nunca pensei que o edifício fosse tão grande, com imensos blocos e departamentos. A Chris anda a sair com um rapaz do último ano, acho que é da turma do Sean. Os pais dela saíram do país em trabalho e voltam daqui a duas semanas. Tenho imensas saudades da minha família. Estou a pensar ir a Newton no próximo fim-de-semana, mas os trabalhos da escola já se acumulam em cima da minha secretária. Não tenho tido tempo para os adiantar. Tenho andado a ensaiar, principalmente com a professora de técnica corporal. O Chase tem sido cada vez mais uma desilusão. Cada vez que me vê com o irmão começa a implicar e a agir de forma indecente para com ele. Não o percebo, a sério que não. Nas aulas de dança parece ter necessidade de demonstrar todas as suas capacidades como se fosse um galã qualquer de uma novela rasca que passa na televisão pública.

Vi Sean ao longe. Dirigia-se para mim sempre com um sorriso estampado no rosto.

"Bom dia, miúda mais linda da escola." disse agarrando-me pela cintura e puxando-me para si.

"Bom dia, interesseiro!" Ele deu-me um beijo na bochecha.

"Porque é que quando eu tento ser simpático tu me insultas?"

"Não sei...talvez porque é engraçado." respondi saindo do seu abraço e pondo-me lado a lado com ele.

"Então...deixa ver se me lembro..." disse enquanto caminhávamos não sei para onde.

"Se te lembras de quê?" questionei interessada.

"Hmmm...Da aula que tens agora!" respondeu depois de ponderar um pouco.

"Sabes qual é?"

"Dança!"

"Certo...Como é que tu sabes? Decoraste o meu horário?"

"Talvez...boa memória fotográfica." respondeu com um sorriso de orelha a orelha.

Fiquei realmente impressionada com a certeza da sua resposta.

"Queres que te leve à sala?" perguntou.

"Se não te importares...eu não sei onde estou..." realmente não sabia. Aquele corredor não era estranho mas eles eram todos iguais... Qual deles, seria este?

"Que falta de orientação...és mesmo mulher!"

"Olha lá..." ripostei parando de andar e encarando-o. "O que é que tu tens contra as mulheres?"

"Eu? Nada... Elas até são bem interessantes." insinuou perverso.

"Porco!" Acusei em tom de brincadeira.

"OK como queiras... Olha para trás!" ordenou.

"Porquê?"

"Olha!"

Eu virei a cabeça desconfiada. Quando finalmente li o que estava escrito na porta para onde Sean me mandou olhar, percebi que afinal não estávamos perdidos.

"Lê!"

"Sala de Dança." afirmei. Ele riu-se divertido.

"Estás entregue!"

"Mas eu sou alguma encomenda?" perguntei dando-lhe um leve murro no ombro.

"Não! Mas tens um bom 'pacote'!" A minha boca abriu-se em
sinal de espanto!

"Estúpido!"

"Como queiras! Até já!" disse ele saindo da minha beira para ambos irmos para as aulas. Sorri. Eu adorava estar com Sean e entrar nas suas brincadeiras.

Entrei na sala. Após umas palavras e uma remessa de teoria, a professora decidiu passar à minha parte favorita, a prática!

“Hoje vou pôr a vossa competitividade à prova. Samantha aproxima-te por favor.” Pediu a professora Brennan.

Dei dois passos à frente ficando lado a lado com a professora.

“Escolhe um companheiro com quem queiras competir. Alguém que aches que está a tua altura. Não sejas fraca, não escolhas alguém que sabes que podes superar. Escolhe alguém que te dê luta. Alguém que te faça querer ganhar.”

Comecei a eliminar os meus colegas de turma um a um, até que sobrou um, Chase, ninguém me daria mais o prazer de ganhar...

“Chase Dangerfield.” Disse bruscamente. Oh, sim eu queria ganhar-lhe. Ele não era o melhor e eu podia provar isso ali mesmo.

Encarei-o e ele lançou-me um olhar como quem diz “não sabes no que te meteste”.

“Muito bem. Chase. Dois passos à frente por favor.”

Ele deu os dois passos sem deixar de olhar para mim com aquele olhar provocador que o caracterizava.

“A ideia é vocês fazerem uma ‘battle’. Cada um escolherá uma música. As duas músicas vão alternando e vocês só dançam enquanto ouvirem a vossa escolhida. Ou seja, Samantha escolhe a tua música.” Pediu a professora.

“Calypso dance.” Disse sem hesitar. A minha música preferida. A música que eu andava a ensaiar com a minha professora de Técnica Corporal.

“Ok… Chase, a tua”

“Beat control.” Respondeu com convicção.

“Começa a Samantha, quando a música trocar a Samantha pára e o Chase replica e assim sucessivamente. Entendido?”

“Sim!” Dissemos os dois em conjunto.

“Hoje já só temos tempo para este par. Para a próxima aula faremos mais. Vamos começar. Samantha…”

A batida inicial da música encheu-me logo o espírito. Sempre que dançava esquecia-me de tudo o resto, era como se me transportasse para outro mundo. A dança era o meu refúgio, o meu vício, a minha alma, o meu corpo, a minha vida. Era pela dança que eu continuava a lutar, ou pelo menos, era a dança o meu apoio para não desistir.

Senti a música e deixei-a apoderar-se do meu corpo, fazendo com que este obedecesse a movimentos sublimes, elegantes, fluidos, de carácter confiante e de atitude.

Enquanto a música me possuía, lembrei-me que o meu objectivo era ganhar e mostrar aquele rapaz irritante que não é o melhor.

A minha música parou e começou a dele. Os passos dele tinham consistência, não hesitava em nada, era como se tudo estivesse já pensado.

Fizemos o jogo até ao fim. Sentia que tinha perdido. Ele era muito melhor que eu!

"Muito bem. Ambos se portaram lindamente! Notei aí uma pequena vontade de ganhar por parte da Samantha. Mas isso é bom. Apesar de ter sido excelente...o Chase bateu, mais uma vez, todas as expectativas. Mas ambos têm de continuar a trabalhar com afinco! Ok...por hoje chega. Arrumem as coisas e saiam!"

Enquanto trocava de sapatilhas, Chase veio ter comigo.

"Então? Corajosa para me escolheres a mim, não?"

"Cala-te Chase!"

"Oh...não te fiz mal nenhum! Tens companhia para um pequeno lanche?"

"Tenho! Porquê? Estás-te a oferecer para me arranjares uma?"

"Eu podia..."

"Deixa estar! Vou bem acompanhada. Ninguém me vai comer pelo caminho!"

"Claro...o meu maninho protege-te... Vê lá se ele não morde."

"És tão parvo!" peguei nas minhas coisas e saí porta fora, completamente fora de mim!
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Capítulo 7 - Estranha

Mensagem por LittleA em Qui Set 12, 2013 12:39 pm


Porquê é que ele mexia tanto comigo? Era insuportável, mal educado e intrometido. Ai, irritava-me tanto!

Quando dei por mim, andava rapidamente com passos largos sempre a encarar o chão.

"Ei, ei, ei... Acalma-te lá!" Não desviei o olhar do chão, mas sabia perfeitamente quem era. Sean pôs as suas mãos nos meus ombros fazendo-me parar. "O que é que se passou?"

Suspirei, fechei os olhos. Quando os abri novamente ergui a cabeça para olhar Sean.

"Nada..." respondi baixinho.

"Sam...vá lá..." pediu.

"A sério Sean, não foi nada. Já estou bem." Disse tentando mostrar um sorriso.

"Ok...só contas se quiseres. Se precisares de mim, já sabes!"

"Sim, eu sei." Dei-lhe um beijo na bochecha.

"Tens aula a seguir?" perguntou-me.

"Tenho, mas não sei se vou. É inglês e..." calei-me antes de dizer aquilo em que tinha pensado.

"E..." incentivou.

"E...nada." respondi. Ele ergueu uma sobrancelha desconfiado. "Ok...pronto...e, não quero estar com o teu irmão!" esclareci desistindo de ocultar esse facto.

"Eu vi logo...foi ele não foi? Vai ouvir das boas!"

"Vês porque é que eu não te queria dizer?"

"Ele anda insuportável e não tem o direito de implicar contigo!"

"Mas eu não quero que lhe digas nada, ignora."

"Não sei se consigo..."

"Por favor." pedi.

"Ok... Mas só porque tu pediste!"

"És um amor!" sorri.

"Eu sei! Então...se não vais à aula...o que vais fazer?"

"Não sei! O tempo está mau. Não tenho compras para fazer. E não vou ficar aqui na escola, nem por nada. Se calhar vou para casa."

"Já?"

"A não ser que tenhas uma ideia melhor..."

"Até tenho!"

"O quê?"

"Já vais ver. Anda!" disse enquanto me arrastava para a saída.

Saímos da escola. Ele meteu a mão ao bolso e tirou as chaves do carro, carregou no botão com o polegar. Ele tinha um carro de fazer inveja a qualquer um, e estimava-o de tal maneira que o mantinha sempre limpo, com o prateado escuro metalizado a brilhar com os pequenos raios de sol que iam rompendo as nuvens de vez em quando. Entramos no carro em silêncio, não sabia para onde ele me levava mas também não perguntei. Não me interessava onde ia, só queria ir com ele. Eu confiava nele, nunca me tinha dado razões para não o fazer. Sentia-me segura e despreocupada. Mas a minha mãe sempre me avisara que andar de boleia podia não ser seguro. Apesar de tudo, eu sabia que ele era incapaz de me magoar e que, naquele caso, não tinha razões para ter medo. Olhava para as minhas pernas, ele já tinha ligado o carro, mas este ainda não se encontrava em andamento. Senti-me observada. A sua mão pousou na minha face e rodou-a, obrigando-me a encará-lo.

"Então miúda? Estás bem?" perguntou com um olhar preocupado.

"Sim, estou."

"Tens a certeza?"

"Sim." disse sorrindo, fazendo-o sorrir também. "Vamos lá?" Perguntei recebendo como resposta o barulho do acelerar do motor.

Enquanto ele guiava, os seus olhos deambulavam entre a estrada e eu. Eu apenas me limitava a olhar para ele, contemplando a sua beleza e perfeição. Ele era mesmo bonito, o seu sorriso derretia-me de cada vez que aparecia. Sean fazia-me sentir especial.

"Ok...onde estamos?" perguntei quando ele estacionou o carro em frente a um prédio.

"Em minha casa." sorriu.

"Porque é que viemos para aqui?"

"Para estarmos juntos fora da escola...é que não me apetecia nada ficar sozinho." respondeu fazendo beicinho.

"Mas também podíamos ter ido para minha casa."

"Não..."

"Porquê?"

"A Chris também não foi à aula de inglês, foi para casa com o Patrick. Não me parece que quisesses ir para lá."

"Como é que sabes que ela..."

"Ela disse-me que ia levar o carro e pediu-me que te levasse para casa quando acabassem as aulas." disse sem me deixara terminar a pergunta.

"Ah, ok..."

"Vamos ficar aqui, ou vamos subir?"

"Perguntas-me a mim? Tu é que me trouxeste para aqui." acusei.

"Sempre resmungona... Sai do carro. Vamos lá!" mandou enquanto se ria.

Ambos saímos, bati a porta e ele já se encontrava em frente do carro à minha espera para avançar. Alcancei-o e ele deu-me a mão, puxando-me em direcção ao prédio. Ele nunca me tinha dado a mão e quando o fez não sei o que senti. Uma energia eléctrica percorreu o meu corpo sem cessar e fez-me estremecer. Sean olhou para mim e eu estava a sorrir. Sorria e não sabia porquê. O dedo dele fez uma pequena carícia na minha mão e de seguida agarrou-a mais convincentemente. Eu não sabia o que era aquilo que estava a sentir, só sabia que gostava. Largou-a apenas quando chegamos à porta do seu apartamento. Introduziu a chave na ranhura e abriu a porta. Ao fazê-lo, ouviu-se o barulho de um espanta espíritos. Tilintou fugazmente até a porta se voltar a fechar. A sua casa era acolhedora, estava limpa e arrumada. A decoração e a mobília correspondiam à modernidade e à personalidade do Sean. Mostrou-me cada parte da casa, a cozinha, a sala, o escritório, a casa de banho e finalmente entramos no quarto.

"E finalmente, o meu quarto." disse estendendo o braço como se me apresentasse a alguém.

Nas paredes havia fotografias dele com pessoas que eu não conhecia e com o irmão. Por cima da sua cama tinha um enorme quadro abstracto que parecia retratar uma espécie de dimensão pós-vida em tons de branco, azul, e preto. Sentou-se em cima da cama e esticou o braço para me alcançar e puxar para junto dele.

"E então? Gostas?" perguntou orgulhoso.

"Sim." respondi. Mas reparei em algo estranho. Apenas havia um quarto com uma cama...então...onde dormia Chase? "Mas..."

"Sim..."

"E o teu irmão?"

"Ah, pois... Ele mora no apartamento mesmo à frente do meu, reparaste?"

"Sim, eu vi que havia outra porta em frente a esta. Mas...porque é que não moram no mesmo?"

"Não há espaço!" riu e eu ri-me também.

A sua mão voltou a encontrar a minha e os nossos dedos entrelaçaram-se. Olhei-o e ele olhava para mim com um leve sorriso nos lábios.

"O que foi?" perguntei.

"És linda, sabias?" perguntou sem responder à minha pergunta. Imediatamente eu corei, as minhas bochechas ficaram quentes, nem quero imaginar a cor com que estariam. Baixei o olhar envergonhada.

"Sou nada..." disse baixinho, quase murmurando.

"És sim." discordou. Lentamente, a sua mão subiu até à minha cara. Ele pousou-a junto à minha orelha. Olhei-o, aconcheguei-me na sua mão, sentindo o calor que emanava e continuei a encará-lo. Ele aproximou-se lentamente de mim.

Já conseguia sentir a sua respiração perto de mim o que me acalmava e fazia querer abraçá-lo. Aproximei-me também fechando os olhos. Senti os seus lábios tocarem os meus de forma leve e depois afastando-se ligeiramente. Do nada, surgiu uma vontade urgente de o continuar a beijar e assim o fiz. A minha mão agarrou os seus cabelos e puxei-o para mim. Pousei os meus lábios nos seus suavemente mas desta vez não se separaram. Ambos entreabrimos a boca, experimentei a sua saliva fresca e depois a sua língua. Beijávamo-nos apaixonadamente. Apaixonadamente? Eu estava apaixonada? Sim...Estava, não conseguia negá-lo. O que estava a sentir naquele momento era demasiado forte para não lhe chamar paixão. Mas será que eu queria? Sim, queria. Mas algo me fez parar, e parei. Sean olhou-me com um sorriso.

"Porque parás-te?" perguntou.

"Não sei."

"Não queres?"

"Não...Quer dizer...Sim quero!"

"Não gostaste?"

"Gostei!" disse suspirando.

"Então...Qual é o problema?" perguntou carinhosamente mexendo numa pequena mecha do meu cabelo.

"Não sei..." disse sentindo-me estranha.

"Queres que pare?"

"Desculpa... é que... eu não sei o que se está a passar comigo. Não me estou a sentir muito bem."

"Não faz mal..." disse com um sorriso. "Queres que te leve a casa?"

"Sim é melhor, obrigada. Deve ser só cansaço." expliquei.

Fomos em silêncio até ao carro. Esse silêncio manteve-se até minha casa. Ele parou o carro.

"Queres que te leve à porta?" perguntou.

"Não, obrigada. Eu estou bem."

Ele olhou-me e deu-me um beijo na bochecha. Sorri. Desviei o olhar e abri a porta do carro para sair. Mas alguma coisa não me deixou. Instintivamente voltei-me outra vez para Sean e beijei-o. Quando me apercebi do que tinha acabado de fazer afastei-me dele.

"Desculpa." pedi. Rapidamente saí do carro entrando a correr em casa.
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Re: Samantha

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