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Meu Príncipe, Meu Monstro [18+]

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Meu Príncipe, Meu Monstro [18+]

Mensagem por Corvo em Ter Jan 29, 2013 7:36 pm

Ao olhar meu reflexo no espelho, respirei fundo, tentando permanecer firme na minha decisão.

Hoje é a última vez. Hoje é Adeus.

Meus olhos castanhos piscaram por um momento. Suspirei. Ajeitando algumas mechas de meus cabelos escuros e a barra da minha saia, consegui admitir para mim mesma que estava bonita. A auto-estima baixa sempre atrapalhava meu julgamento nessas horas, mas os olhares que recebi ao andar pela rua serviram como confirmações silenciosas de que, pelo menos nessa noite, o Patinho Feio tinha conseguido se disfarçar de Cisne.

Saindo do compacto banheiro, me deparei com o ambiente escuro do apartamento. A única luz acesa vinha do pequeno cubículo que servia como cozinha, um espaço separado da (igualmente pequena) sala apenas por um balcão de mármore. Uma pia, um fogão pequeno, uma geladeira velha. Quem olhasse aquele ambiente concluiria que nada decente ou saboroso poderia ser cozinhado ali.

Quem olhasse estaria errado.

O morador daquele diminuto apartamento virou-se na minha direção, a colher de madeira ainda em sua boca. Carregava uma panela em uma das mãos, o cheiro do brigadeiro quente se alastrando pelo ambiente e me fazendo salivar.

"Vem.", ele disse, os olhos negros como a noite fixando-se nos meus. Não era um pedido, tampouco uma permissão. Alex me dava ordens. E, apesar das minhas caretas e muxoxos, eu o obedecia.

Ele era alto. Os cabelos ondulados caíam pelas orelhas de uma maneira desordenada, mas charmosa. Ombros largos e bem esculpidos que contrastavam com seu corpo delgado, mas bem definido. Haviam músculos para serem admirados, mas nada muito exagerado ou chamativo. Na medida certa. Foram essas as palavras que surgiram em minha mente quando o vi sem roupas pela primeira vez.

A primeira de muitas vezes.

Vi seu dedo indicador traçar um caminho pela panela, saindo de lá com uma grande camada de chocolate a cobrí-lo. Alex aproximou o dedo dos meus lábios, sem nada dizer. Não que fosse necessário. Devagar, abri a boca e deixei que seu dedo brincasse com a minha língua, o sabor do brigadeiro misturando-se ao estímulo dos movimentos daquela mão. Os outros dedos logo envolveram meu queixo, acariciando meu rosto e fazendo com que eu fechasse os olhos. Deixei escapar um gemido de satisfação.

Frustrante, frustrante, frustrante. Eu gostava de ser vista como uma garota forte. Independente. No meu círculo social, até com a minha família, era assim que todos me enxergavam.

E, ainda assim, Alex mexia comigo. Não sei explicar. Nunca havia me sentido assim com namorado algum. Com homem algum. Senti a mão dele envolver minha cintura, os dedos fortes pressionando minha pele da forma mais que perfeita, enquanto ele cheirava meus cabelos, o nariz dançando perigosamente perto da minha orelha.

Sabe aquele arrepio que sobe do fim das costas até a nuca num único segundo, te deixando com medo de perder o controle? Aimeudeus. Ele sabia o que estava fazendo. Esse pensamento sempre me enchia de medo e prazer ao mesmo tempo.

"Eu gosto desse shampoo.", mesmo quando ele falava baixo, a voz era inconfundivelmente clara, bem articulada.

"Eu sei.", respondi, o dedo de Alex finalmente me deixando respirar.

"Ah, é? Usou por minha causa?"

"Não, seu bobo.", menti, quase corando.

"... que pena.", o maldito não parecia ter acreditado em mim por um momento sequer, "Se tivesse usado só pra me agradar, eu ia te recompensar muito bem."

Engoli em seco, sentindo a malícia habitual dele naquelas palavras. Drooooooga. Eu não sou assim. Sou uma garota direita. Sou uma garota de família. Sou uma garota de respeito.

E, perto dele, não conseguia parar de pensar em sexo.
Não conseguia parar de QUERER sexo.
Me sentia tão suja.
Me sentia tão viva.


"Se você quer me recompensar, me dá mais brigadeiro.", falei por fim, disfarçando o fato de estar mordendo o lábio inferior involuntariamente.

"Mmm. Não."

"Por quê?!"

"Se comer muito doce, vai ficar obesa. Quero você bonita."

"Nããão!", ri, dando um tapa de leve em seu braço. "Deixa de besteira, nem vou."

A panela acabou me sendo entregue (a criança de 5 anos dentro de mim ainda era apaixonada por doces <3), e conversamos um pouco.

"Tenho que lembrar de passar na farmácia depois.", comentei, passando a colher de madeira no fundo da panela para juntar bastante chocolate.

Alex apenas ergueu uma sobrancelha, me olhando enquanto bebia um copo d´água.

"Mamãe tá com dor de cabeça, pediu pra eu comprar remédio quando saí."

"Mmm.", ele não pareceu estar prestando atenção.

Quando o assunto era minha família, ele era sempre vago e monossilábico. A verdade (que eu demorei para aceitar) era muito simples: ele não tinha o mínimo interesse em conhecer meus pais.

Alex não queria ser meu "namorado". Não queria compromisso. Não queria ser o Príncipe Encantado com a qual toda garota de boa família sonha. Qualquer tentativa de rotular o que tínhamos era prontamente recebida com desinteresse ou frieza. Isso me machucava. Muito.

Eu queria poder tê-lo nos churrascos de família, nas festas de Natal, no Dia dos Namorados. Eu queria imaginar como as coisas seriam daqui a 1 ano. 5 anos. 10 anos.

Não sei se estou sendo egoísta... mas quero poder sonhar. Preferia que ele mentisse. Que não fosse tão cretinamente sincero. Que me iludisse só um pouquinho. Que me desse esperanças de que teríamos um futuro. Um final feliz.

Hoje é a última vez. Hoje é Adeus.

Minha mãe está certa. Não posso arriscar. Não posso ficar investindo em algo que não vai ter retorno. Como deixei as coisas chegarem nesse ponto? Como fiquei tanto tempo com alguém que nem me chama de "namorada"? Tenho que me valorizar.

As palavras da minha mãe dançam como uma gravação na minha cabeça.

Esse rapaz é um egoísta! É óbvio que ele está te usando! Onde já se viu, te enrolar assim? Uma menina linda como você! Ele é um Monstro!

Me sinto confusa. Me sinto triste. Mas cedi. Concordei. Vou fazer o que ela mandou. Vou me afastar dele. Vou esquecê-lo.

Eu não sou "uma dessas garotas". Não sou. Não sou.

E, ainda assim, aqui eu estou mais uma vez, sendo jogada na cama dele com força e amando cada momento, cada beijo, cada toque.

Alex fala coisas que eu não deveria gostar de ouvir (mas gosto). Me chama de coisas que fariam minha mãe ficar horrorizada. Me chama de coisas que deveriam fazer com que EU ficasse horrorizada.

Mas eu não fico.

Isso é tão errado. Tão sujo. Tão bom.

A "garota forte e independente" fica fora do quarto. Não recebe permissão para entrar.

Ele me domina. Faz com que eu me entregue toda, de corpo e alma. Me possui.

É aí que acabo sentindo coisas que não achei que fossem possíveis. Enlouqueço. Fico sem ar. Saio voando. Penso que vou morrer. Mas sempre volto pra Terra e me vejo ali, envolvida por aqueles braços fortes, impregnada pelo cheiro do suor dele e me sentindo... segura. Protegida.

Totalmente esgotada, fico alguns minutos sem sequer me mexer.
Alex só... me olha. De uma forma tão intensa. De uma forma tão carinhosa.

Juro que mataria alguém pra poder ler a mente dele nesses momentos. Juro.

"... que foi?", pergunto.

"Nada.", ele responde (como sempre).

Penso em perguntar se ele me ama. Se algum dia vai me amar. Sinto medo. Sinto tanto medo da resposta que as palavras morrem na minha garganta.

Tomo banho, me arrumo com pressa, evito conversar. Ajo com frieza. Ele nota e me olha de maneira inquisitiva, mas me faço de desentendida.

É mais fácil assim (pelo menos pra mim). É melhor assim (é a mentira que repito na minha mente).

Quando já estou de saída, ele pede que eu espere um minuto. Fico ali, na porta, impaciente, e me surpreendo quando uma caixa de remédio me é entregue.

"Que é isso?", pergunto, sem entender.

"Pra sua mãe. A dor de cabeça.", ele responde calmamente.

Ele lembra. Ele estava prestando atenção.

"Br... brigada. Não precisava.", minha voz falha.

"Besteira. Leva."

Sinto meu coração afundar quando o beijo. Sinto minha garganta apertar quando a porta se fecha.
Saio dali da maneira mais rápida que posso. Não consigo ligar o carro. As lágrimas começam a descer com uma violência insuportável, e meu corpo todo treme, desesperadamente, como se fosse explodir de tristeza. Dói. Dói muito.

Quero voltar. Quero voltar lá, bater na porta, abraçá-lo forte e ficar com ele pra sempre.

Não posso.
Tenho medo.
Tenho medo de ser abandonada. Tenho medo que, se eu não acabar as coisas agora, ele acabe as coisas no futuro e me deixe pior ainda.
Tenho medo de decepcionar minha mãe. Tenho medo de ser julgada. Tenho medo que falem de mim, que riam de mim. Tenho medo de escolher mal. Tenho medo de não conseguir meu Final Feliz.

Queria sair do carro e voltar lá.
Girei a chave, liguei o motor.
Nunca voltei.


***


Anos depois, aquela noite ainda se mostra muito clara e vívida na minha memória. A vida foi boa comigo. Estou casada e tenho um lindo filho. Minha mãe adora meu marido, e muitos admiram (ou invejam) nossa família feliz e bem estruturada.

Depois de mais um longo dia, coloco meu pimpolho pra dormir e vou para o meu quarto. Meu marido me espera na cama e, antes de beijá-lo, me pego refletindo sobre o meu Final Feliz.

Ele é bonito. Bem-sucedido. E me ama muito. Faz sempre questão que eu saiba ou lembre disso, ao ponto de me sufocar um pouco. Acho que existe um limite para a quantidade de "Te amo taaaanto" e "Você é tudo pra mim" que uma mulher consegue ouvir antes de ficar incomodada. Não sei. Mas ele é sincero e bondoso, e nunca me contraria. Eu sou... feliz, não sou?

Os beijos se tornam carícias, as carícias se tornam gemidos, e ele me pergunta se quero "fazer amor". Quero. Ele é atencioso. Me trata com muito cuidado, com muita gentileza. Às vezes isso me frustra, mas com paciência sempre dá pra chegar lá, né? Com um pouco de orientação e encorajamento meu marido pega o jeito e finalmente sinto o prazer tomar conta de mim.

Mais tarde, na escuridão da noite, olho o teto do quarto enquanto sinto a cabeça de meu parceiro descansar no meu ombro. Meus olhos ficam pesados, e sinto que estou caindo no sono.

E aí aquilo acontece de novo.
Aquela inevitável ironia ao qual eu já estava ficando acostumada.


Dormi com meu Príncipe.
Sonhei com meu Monstro.

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Re: Meu Príncipe, Meu Monstro [18+]

Mensagem por JuhSalvatore em Ter Jan 29, 2013 9:13 pm

Não me aguentei e vim ler.
O.O e ainda tem a coragem de ir comentar no meu livro, me dando a entender que eu escrevo minimamente bem, quando na verdade, vc poderia escrever best sellers. Agora estou realmente me sentindo ofendida.

No mínimo, incomodada. u.u

De qualquer maneira, AMEEI, sério! *-* tá mto bom

Juro que, no começo, pensei que a história ia ser toda envolvendo brigadeiro, por que pelo que eu saiba, você gosta de escrever sobre comida... well, quem não gosta, não é?

Cheguei a sentir o cheiro do brigadeiro. Desgraçado, me deixou com fome. Se eu engordar três quilos, a culpa será toda tua. ¬¬' kk'

Escreve mto bem, viu? considera isso pro futuro *-*
Só devia ter terminado com > ~~*~~*~~*~~ < em minha homenagem. kk' sqn

Anyway, é isso! ficou ótimo! ^^
Beijoos
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Re: Meu Príncipe, Meu Monstro [18+]

Mensagem por Jenn :D em Sex Fev 01, 2013 2:51 pm

Confesso que vim ler pra zuar mentalmente, por alguma razão pensei que seria uma fic gay, como algumas que eu leio no Nyah, e ou sofro de rir, ou acho sem graça e desnecessária...but...

Me surpreendi!

Você é bom.

Na verdade vc mostrou que era bom no lance do bacon na sua apresentação... ainda assim:

Parabéns!

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Re: Meu Príncipe, Meu Monstro [18+]

Mensagem por Giovanna Salvatore em Ter Fev 19, 2013 2:13 pm

O.o vou confessar que sou como a Jenn: vim ler para 'ver' se a fic era tão gay quanto as do Nyah
Mas, cara, na boa, que que cê tá fazendo aqui? Vai procurar um editora e publica tuas histórias, pq cê tem muito talento mew.
Anyway, adorei muito! Continua (ou não {?}) que vai ter uma fã eterna aqui.
Bjxxs
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Re: Meu Príncipe, Meu Monstro [18+]

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