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When Fire and Ice Collide

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When Fire and Ice Collide

Mensagem por Sopphs em Sab Jan 26, 2013 8:29 pm

When Fire and Ice Collide
Rating: T
Personagens Principais: Rose Weasley, Scorpius Malfoy
Sinopse: Ela era quente e explosiva. Ele era frio e reservado. Ela era fogo. Ele era água. A magia elemental julgava-se perdida há séculos. Os bruxos conseguiam controlar os elementos através de feitiços e as suas varinhas, mas estavam limitados. Contudo, aos poucos, esta magia primordial foi sendo redescoberta. Basta saber se isto foi benéfico e como influenciou a vida daqueles que a estudaram.
Géneros: Romance, Acção, Drama, Comédia


Índice
parte 1. chama
0. Reminiscência
1. Música


Última edição por Sopphs em Sab Jan 26, 2013 8:31 pm, editado 1 vez(es)
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Re: When Fire and Ice Collide

Mensagem por Sopphs em Sab Jan 26, 2013 8:30 pm

0. Reminiscência
Spoiler:

16 de Dezembro de 2012

As melhores noites da sua infância eram aquelas passadas perto da lareira dos Weasley, o seu tio relembrando ao som da rádio os tempos de glória em Hogwarts, enquanto a sua mãe entrançava-lhe o cabelo com a maior delicadeza do mundo condensada na ponta dos dedos, e o seu pai quedava-se recostado na poltrona, bebendo um copo de firewhiskey. Enquanto isso, as crianças ouviam, de olhos regalados e com um espaço entre os lábios, as histórias de Harry Potter, Ron Weasley e Hermione Granger.

Fora numa dessas noites, quando Harry contava pela enésima vez a história dos dragões no Torneio dos Três Feiticeiros, que Rose descobrira o seu fascínio pelo fogo. Já sabia a história, palavra por palavra, mas ouvir o tio falar sobre dragões, fogo e voo, causava nela uma sensação de conforto que ainda não compreendia.

Ouvia-o falar já completamente alienada, sem estar a prestar atenção, os olhos fugindo para a lareira à sua frente. A chama ardia, consumindo aos poucos os pedaços de madeira que a alimentavam. O fogo estava controlado mas era fascinante como, a qualquer momento, bastava um pequeno desvio, ele podia dispersar-se e ninguém mais teria controlo sobre ele, tornando o que era luz e vida em algo perigoso - possivelmente a morte.

Claro que Rose, na sua inocência de seis anos, por muito inteligente que fosse, não pensava nas conclusões alegóricas que podiam ser tiradas de uma mera lareira. Limitava-se a admirar a beleza do fogo, as cores que este podia adquirir, os seus movimentos graciosos, o som do crepitar da madeira sob as chamas.

A mãe acabara de fazer a trança e preparava-se agora para amarrar os cabelos vermelhos de Rose, deixando-os depois cair para o lado direito. Recuou depois um bocado no chão e deixou-se esboçar um sorriso enquanto Harry relembrava os tempos passados.

Já Rose, completamente alheia a tudo, ia rastejando para cada vez mais perto da lareira, os olhos cada vez mais esbugalhados, a mão aberta avançando em direcção ao fogo, pronta a agarrar a chama.

Um grito de mulher ecoou pela sala. Hermione saltou o mais rápido que conseguia em socorro da filha, apanhando-a por trás, verificando de imediato a mão desta. Tinha a certeza que a tinha visto colocar a mão no fogo. Contestara-o no segundo imediato em que isso acontecera. Contudo, na mão da rapariga, nem uma queimadura, nem um vestígio do que se tinha sucedido. Toda a gente levantou-se dos seus lugares e foi ver a rapariga, perplexos, olhando de canto para canto. Mesmo nas famílias mágicas, as crianças não se podiam evitar de queimar. Rose olhava para toda a comoção de adultos à sua volta com um olhar curioso, não percebendo a razão de ter, do nada, tanta gente à sua volta.

Não tivera tempo de questionar a mãe sobre o que se passara, pois poucos momentos depois, George entrou na sala de estar, as sobrancelhas erguidas perante o episódio. Depois, aproximou-se da sobrinha e lançou-a no ar, enquanto esta sorria jovialmente, colocando-a segundos depois no seu colo enquanto arranjava um lugar no sofá.

Aos poucos, o resto da sala fez um acordo silencioso de ter aquilo em conta como magia acidental. Estava na idade dela começar a ter os seus primeiros acessos mágicos e isso seria uma explicação lógica para o desaparecimento da queimadura. Contudo, eles não colocavam a hipótese - a verdadeira - de que a queimadura nunca tivera sequer existido.

Enquanto isso a ruiva permanecia alheia a tudo que acontecia à sua volta e à preocupação dos seus parentes. O seu olhar repousava, mais uma vez, sobre o crepitar do fogo, os olhos brilhando com as chamas, na sua mente passando os sonhos ingénuos de estar no meio deste, de voar rodeada deste.

1. Música
Spoiler:

Fevereiro de 2032


Os dedos dela passam delicadamente pelas teclas do piano. Inspira, fechando os olhos enquanto o faz, deixando a mente vaguear por entre memórias passadas de tempos felizes.

Expira, abrindo os olhos. Um leve sorriso esboça-se nos lábios e, neste preciso momento, as mãos carregam de forma confiante sob o teclado.
Movem-se ao sabor da nostalgia, uma melodia ecoando pela sala vazia, a chuva que bate na janela acompanhando a triste música que vai se prolongando através do tempo.

Dia após dia.

Mês após mês.

Ano após ano.

A mente cai mais uma vez em memórias passadas e a chuva vai caindo por entre elas.
Gota,

após gota,

após gota.

O mesmo ritmo. A mesma música.

1 de Setembro de 2022

"Rosie!"

Os olhos dela vão se abrindo lentamente enquanto se vira de cabeça para a almofada.

"Rosie, acorda lá!"

Fecha os olhos e abraça-se à almofada, tentando arranjar uma posição mais confortável. Do nada, começa a sentir mãos a tocar-lhe e o riso alastra-se por todo o quarto.

"Pai! Pára!" as gargalhadas vão se intercalando com as suas falas, o sorriso ocupando-lhe a cara toda, os olhos azuis levemente fechados "Não tem graça, pai!"

Ron Weasley pega na filha ao colo, tirando-a da cama enquanto esta abana com os pés e as mãos. Depois, quando acha que Rose já está suficientemente acordada, coloca-a no chão.

"Fazes a mínima ideia de que horas são?"

"Demasiado cedo para eu estar acordada?"

Os sorrisos deles ficam cada vez maiores enquanto encaram-se, as sobrancelhas de Rose exageradamente arqueadas.

"E que dia é hoje?"

"Dia? Acho que cinco da manhã ainda é considerado madrugada ..."

Levanta-se, sentando-se de seguida em cima da cama, sorrindo carinhosamente para a cara levemente enrugada do seu pai.

"Eu sei, pai." disse finalmente, o olhar desviando-se para a bagagem que estava no canto do quarto "Temos que apanhar o expresso, mas antes pequeno-almoço na Toca. Tradição, tradição, que se há-de fazer, blah blah blah, é um dos únicos dias em que conseguimos estar todos juntos, blah blah blah É a última vez que vou estar contigo até ao Natal blah blah blah. Já tenho a mala feita, só preciso de um chuveiro e a roupa é rápida de se vestir, não te preocupes."

Ron Weasley sorriu. A sua filha, aquela rapariguinha ruiva de olhos azuis e faces rosadas, que, há uns anos, enfiada entre livros e vassouras de brincar, dizia que queria casar-se com ele quando crescesse, estava prestes a entrar no comboio, a caminho do seu penúltimo ano em Hogwarts. Antes de sair do quarto, beijou-lhe a testa e despenteou-lhe (ainda mais) o cabelo.

"Amo-te muito, querida."

"Eu sei. Também te amo, pai. Agora vai acordar o Hugo, que ele só há duas horas é que deixou de ler os livros de Quidditch que temos no escritório. Isso sim vai ser um desafio."

"Hugo!"

Rose desgrenhou o cabelo castanho do irmão, atacando-o com uma energia pouco adequada para as cinco e quarenta da manhã.

"Como está o meu irmão preferido? Dormiste bem?"

Este não a respondeu, olhando-a apenas com um olhar ameaçador. Apesar do sono evidente e das olheiras, o nervosismo conseguia transparecer-lhe através dum estranho tremor de pernas, uma vez que era nesse ano que tentaria a sua sorte para entrar na equipa de Quidditch de Gryffindor como keeper.

"Preparado para sábado? Sabes que o James não vai facilitar-te a vida só porque és da família dele ..."

"Eu sei."

"... Pensando bem, ele é capaz de te dificultar ainda mais as coisas. Ele quer mesmo ganhar a taça este ano ..."

"Eu sei!"

"Não te preocupes. Eu vou tentar não te acertar com a quaffle na cara. Eu disse tentar, nada de promessas. Por isso ... não te sintas pressionado!"

"Rose Weasley, importas-te de te calar?"

Sorriu. Tinha conseguido irritar o seu irmão e agora ia ficar com bom humor para o resto da manhã. Nada a podia irritar. Até começara a assobiar alegremente enquanto esperava que os pais descessem com o pó de floo.

"Meninos, levam tudo nas vossas malas? Eu não vou voltar para trás só porque alguém esqueceu-se de trazer a vassoura! Passam o ano inteiro sem jogar Quidditch que era capaz de vos fazer bem ..."

"A Toca!"

O pequeno almoço na Toca era possivelmente uma das ocasiões mais animadas passadas entre a família Weasley-Potter. Toda a gente - sem excepção - reunia-se na casa dos avós Weasley para passarem um último momento em família antes que a maior parte dos jovens fosse para Hogwarts. Para além disso, era também um pretexto para Molly empanturrar os netos com comida o suficiente para os satisfazer até ao Natal. Mais um ano, e Molly ia também ter por lá a sua primeira bisneta a sorrir-lhe, com as mãozinhas gordas a puxarem os cabelos loiros do tio.

"Então, Jamie, preparado para o teu derradeiro pequeno-almoço na Toca?"

"Não é como se eu fosse deixar de vir cá tomar o pequeno-almoço no dia 1 de Setembro depois de sair de Hogwarts, por isso não o podes chamar de derradeiro, Rosie."

"Sabes bem que não é a mesma coisa"

James era vinte centímetros maior que a prima, tinha o cabelo castanho e curto mas extremamente desalinhado - uma vez que o mais provável seria que ele não o tivesse sequer escovado - e, pelo que se podia evidenciar nas fotos, a única diferença entre ele e o avô de mesmo nome eram as sardas que lhe cobriam a maior parte do rosto.

"Então e a minha priminha, preparada para entrar no seu sexto ano de Hogwarts? Que riquinha que ela é, tão nova, tão inocente."

"És apenas 3 meses mais velho que eu, James. Deixa-te de merdas."

"Mesmo assim ... Eu já posso aparatar, já posso fazer magia fora de Hogwarts e dentro de um ano estarei a jogar Quidditch profissional. Enquanto que tu, Rosie, tu daqui a um ano estarás enfiada em Hogwarts, no meio dos teus livros de Aritmância."

Ele tinha razão. Se ela tivesse nascido um pouco mais do que dois meses antes, estaria agora no mesmo ano que James, a preparar-se para os seus exames finais, a preparar-se para ir estudar Dragões para a Roménia com o seu tio Charlie. Contudo, esse ano valia toda a pena tendo em conta que se não fosse por esses dois meses, ela provavelmente não seria tão próxima de Albus como é.

"Ainda não percebo como é que os teus pais fizeram a magia de ter dois filhos com nem um ano de diferença."

"Percebes sim. A minha mãe saiu das Holyhead Harpies quando eu nasci e a partir daí eles estavam praticamente numa segunda lua de mel com as férias do meu pai. E o resto ... c'est l'amour, c'est l'amour."

"Ew"

Albus apareceu por detrás deles, fingindo uma cara de nojo. Apesar de ser aquele que mais se aparentava com Harry aquando os seus onze anos, Al era uma pessoa completamente distinta do seu pai mesmo que as semelhanças físicas ainda fossem significativas. Não era tão alto como James, mas suficientemente alto para ter que se baixar quando cumprimentara Rosie. Os cabelos eram de um castanho muito escuro, quase preto, contrastando com a sua pele clara, o que realçava ainda mais os seus olhos verde-esmeralda. Tinha conseguido arranjar uma maneira de o domar, deixando apenas um caracol aparecer indomado, relativamente no meio da testa. Vestia quase exclusivamente preto, usando ocasionalmente verde escuro ou um verde esmeralda semelhante ao dos olhos, e tinha apenas algumas sardas na zona do nariz. Naquele dia vestia um blazer preto, uma camisa branca por de baixo deste, e uns jeans de ganga pretos que lhe favoreciam as formas.

"Tenho saudades de quando eras aquele puto fofo que tinha medo de calhar em Slytherin. Agora pareces a personificação de tudo aquilo."

"O meu nome não é Scorpius Malfoy, Rosie."

"Duvido que ele vista tanto preto como tu." retorquiu Rosie, um leve sorriso esboçando-se no rosto.

"Vestir preto não é ser Slytherin. É uma questão de estilo pessoal e de arranjar uma maneira para que, apesar das óbvias diferenças, entre elas a beleza e o esforço para que o meu cabelo não pareça um ninho de ratos, não me chamem de James quando passo pelos corredores de Hogwarts sem estar nos mantos." Al olhou para James com algum desdém fingido, levantando as sobrancelhas enquanto o fazia.

"Devias tomar isso como um elogio." respondeu James, sorrindo abertamente enquanto tirava a varinha para despentear com magia o cabelo do irmão "Vou ver se vejo a cabeleira farta do Fred em algum lado. Arrivaderci, bitches."

E dito isto desaparatou, deixando no seu lugar um vazio. Alguns segundos depois conseguia-se ouvir uma Ginny Weasley visivelmente irritada enquanto gritava, Não aparates para tudo que é sítio só porque podes!, e um George Weasley muito divertido, rindo-se, Estás a começar a falar como a mãe!.

"Já a vestir os mantos?"

"Alguns de nós são prefeitos, sabes?"

"Sabia-te egocêntrica, mas daí a considerares-te mesmo perfeita? Rose Weasley, esperava mais de ti."

Rose riu-se secamente, esboçando depois um meio sorriso.

"Perfeição é mas é uma palavra que se usa para descrever os meus talentos para a Transfiguração. Olhai!, Albus Severus Potter, melhor aluno do seu ano ..."

"A Transfiguração!"

"Sim, porque ao resto foi o Scorpius."

O riso de Rose desvaneceu-se, o olhar a transbordar de um espírito competitivo que, honestamente, assustava bastante Albus.

"Que notas teve o Malfoy nos OWLs?"

"Nove Os. Apenas teve um Excede as Expectativas a Transfiguração."

As panelas na cozinha começaram a fumegar, a lareira começou a arder com mais força.

"Eu não percebo! Como é que ele consegue tirar um O a História da Magia! A porcaria do fantasma induz-me o sono quase de imediato! E ali está ele, Scorpius Malfoy, rei do mundo, com o seu nariz empinado e mão esquerda a escrevinhar apontamentos no seu pergaminho de seda."

"Duvido que ele tenha mesmo pergaminhos de seda ... Caxemira talvez" acrescentou Albus, tentando acalmar a prima com humor.

"Aff! Esquece"

As panelas acalmaram e o fogo que já começar a ameaçar sair da lareira acalmou-se, deixando apenas uma pequena chama para trás.

"Não te preocupes, eu também não me vou divertir muito no Expresso. Aturar a Chelsea durante a viagem inteira a chatear-me de como o meu irmão está, e agora passo a citar, um bom pedaço de homem para quem é um Gryffindor, não é a minha ideia de um serão bem passado."

"A Zabini? Boa sorte. Nunca gostei muito dela ..."

"Ela é das mais antigas amigas do Scorpius. Mais uma das coisas que vem atrelada com ser-se o melhor amigo dele, juntamente com viagens a Paris e Natais passados numa mansão cheia de mordomias e pavões." dizia isto enquanto sorria, mostrando-se não muito descontente com a sua situação "Para além disso, ela é linda."

"Este ano aonde é que foste com a família dele?" perguntou Rose, tentando desviar o assunto do facto da Chelsea Zabini ser possivelmente a rapariga mais bonita de Hogwarts.

"Japão. O Japão Muggle é algo já por si de espectacular, mas a comunidade bruxa de lá é uma das coisas mais interessantes que eu vi na vida. Nada de semelhante ao que temos aqui na Europa. Sabes que há uma lenda bruxa sobre a cor das flores de cerejeira. Segundo esta, um bruxo apaixonou-se por uma concubina muggle chamada Sakura e ..."

O resto do pequeno-almoço foi passado numa mesa enorme completamente cheia de comida. James e Fred, tentando cair nas boas graças da avó, perguntaram-lhe como é que ela conseguia fazer tão boa comida e tanta sem a ajuda de elfos domésticos. Esta ficava toda embevecida, prometendo mandar-lhes bolos e chocolates para Hogwarts para que eles não se esquecessem de como ela cozinhava melhor do que os elfos. Depois, Rose, James e Fred começaram a falar sobre tácticas de Quidditch para usar este ano, tentando falar o mais baixo possível para que Albus não conseguisse ouvir. Afinal, ele era o melhor amigo do capitão dos Slytherins. Lily intimidava Hugo sobre entrar na equipa de Quidditch e de como ela tinha entrado o ano passado.

"Mas tu ainda não jogaste nenhum jogo!"

"Eu era a beater suplente! Agora que a Collins acabou o sétimo ano eu sou o elemento surpresa!"

"Só poderias ser considerada o elemento surpresa se fosses alguma coisa de especial ..."

"Seu..."

Albus por sua vez falava com Louis e Dominique, sendo esta última a única outra Slytherin na família para além de ele mesmo.

Acabado o pequeno-almoço e depois de se despedirem dos avós, cada aluno e os seus respectivos pais dirigiram-se para King's Cross. Passada a parede que impedia os Muggles de entrar na Plataforma 9 3/4, despediram-se dos pais com abraços e beijos e promessas de escrever frequentemente, e correram em direcção dos amigos, muitos deles que já não viam há três meses, outros que já não viam há três dias.

Reunião de Prefeitos. Só de pensar que daqui a precisamente um ano, muito provavelmente estaria ali ela (e Malfoy) a presidir aquela reunião, dava-lhe arrepios na espinha e borboletas no estômago.

O rapaz que se sentava ao lado dela, Christian Millar, era o outro prefeito de Gryffindor do seu ano. Convencionalmente bonito e, por alguma razão, estupidamente atraído por ela, faria o namorado perfeito se Rose estivesse interessada. Não era o caso. Contudo, não podia deixar de se sentir aliviada por ele estar ali. As mãos deixavam de suar, as pernas paravam de tremer e o olhar parava de cair sobre todo e qualquer pormenor que não fosse a reunião em si. Odiava ocasiões formais e espaços pequenos. A claustrofobia atacava e, do nada, toda a arrogância e confiança própria desapareciam e só lhe restavam meias palavras e meios sorrisos, juntamente com uma falta de ar agonizante. Para além de sentir-se fora do seu meio, que era no ar livre entre risos e gente que gostava, tinha que fazê-lo enquanto sentia as paredes a fecharem-se em direcção a ela, o ar a esgotar-se, a porta do compartimento a desaparecer e a obrigá-la a passar as últimas horas da sua vida a morrer de asfixia.

Christian tinha reparado nisso na primeira reunião de prefeitos dos dois. Desde então, de uma forma pouco discreta para conquistar o coração desta, tentava sempre arranjar uma maneira de acabar um bocado mais cedo com as reuniões que decorressem em lugares demasiado pequenos.

O fumo começou a alastrar-se pela carruagem, juntamente com um cheiro a frutas podres. Rose sentiu uma mão na sua, a arrastá-la para saírem para o corredor. Tossindo entre as palavras, a chefe de turma deu a reunião como terminada devido ao incidente que atribui a causa a uma bomba comprada nas Gemialidades Weasley por aluno qualquer que estivesse nos corredores, avisando que os horários das rondas nocturnas seriam distribuídos pela hora do jantar juntamente com os horários escolares.

Quando já estavam lá fora, Rose não conseguira evitar o sorriso que expressava a sua gratidão. Christian fora o primeiro a largar a mão de Rose, sentindo-se embaraçado pelo contacto, enquanto que ela, tentando fazer com que a tensão que se tinha estabelecido entre os dois desaparecesse, continuava a sorrir ao dizer por entre os lábios um sussurrado "Obrigada".

"Uh ... Acho que é melhor irmos ver como estão os do primeiro ano."

"Sim, provavelmente. Aproveito e depois paro na carruagem do meu primo e vejo se encontro a Cassie." respondeu-lhe enquanto abria o seu caminho por entre os corredores, não esperando que os outros todos finalmente saíssem da sala onde se tinha dado a reunião.

No entanto, não conseguiram sair de lá tão rápido como Scorpius saíra da sala.

"Bela bomba de mau cheiro, Millar. Dos Weasleys suponho?"

Christian não respondeu e Rose tentou ignorar o comentário e sair de encontro ao primo, confirmando que estava tudo bem nas carruagens por onde passava.

Finalmente conseguira encontrar a carruagem onde estava o primo, quase na ponta do comboio.

"Bem gostas de me dificultar o trabalho, não gostas Al?" perguntou enquanto abria a porta da carruagem "Olá Zabini, passaste bem o Verão?"

Esta sorriu-lhe prontamente. Chelsea Zabini causava consenso geral em toda a escola quando o objecto de estudo era a sua beleza. Com a pele levemente escura, os olhos negros e profundos, o cabelo castanho imaculadamente esticado, e as bem delineadas pernas que se deixavam mostrar com as saias do uniforme de Hogwarts, esta causava olhares inquietos, curiosos, e, por vezes, apaixonados por onde quer que passasse. Já quanto à sua personalidade, as opiniões divergiam.

"Olá Weasley, sim, foi bom, ... porque não te sentas?" fez sinal com a cabeça para o seu lado e, apesar do primeiro olhar relutante, Rose acabou por ceder e sentar-se.

"A Cassandra está no outro compartimento" Albus disse enquanto fechava os olhos e alongava o seu corpo pelos lugares do compartimento, aproveitando o facto de só estarem lá eles três e que a única pessoa que provavelmente iria adicionar-se a eles seria Scorpius, que ainda tinha lugar junto a Rose e Chelsea.

"Eu queria ver se ia ter com ela ..."

Albus abriu os olhos por um bocado para olhar levemente para a prima.

"Porquê? Não somos companhia boa o suficiente para ti?" perguntou.

"Não é isso, estúpido" desenhou-se nos lábios um sorriso "Já não a vejo há algum tempo, é só isso"

"Ela esteve aqui até há pouco tempo" a outra rapariga no compartimento olhou para Rose, dizendo-lhe isto com a voz mais simpática que arranjara, fazendo Rose ficar internamente irritada pela simpatia de alguém com quem não simpatizava "Ela disse que vinha cá ter daqui a bocado e que só tinha ido cumprimentar alguém. Não te preocupes."

"Ah ... eu fico por aqui então."

Não demorou muito para que Albus adormecesse. A tensão no compartimento adensara e Rose não sabia o que dizer para parar com esta. O olhar desviava-se ocasionalmente para a janela, a certeza de que se alguma coisa acontecesse ela teria ali uma possível rota de saída acalmava-a. Como ela odiava comboios.

"Está tudo bem?" perguntou Chelsea.

"Sim, sim ..." tentou fingir um sorriso "Perfeito."

"Estás a olhar muito para a janela ..."

Outra das razões pela qual não conseguia deixar de não gostar da Zabini era que esta conseguia notar tudo e, mesmo não mostrando, usar isso para intimidar os outros. Pelo menos era essa a intenção que Rose deduzia dos actos dela.

Finalmente Cassandra chegara ao fim de uns longos dez minutos. Fazendo sinal para que ninguém fizesse barulho, arrastou lentamente a porta e não demorou a sentar-se em cima das pernas de Albus, fazendo toda a pressão que conseguia.

"de mais-se, mulher! Sai de cima de mim!"

A outra limitou-se a colocar-se por completo em cima das pernas do outro.

"Deixa-me em paz! Quero dormir!"

"Dormir é para a noite." retorquiu.

"Pois, diz isso à Sr.ª Ginevra Potter." Albus deu um chuto com os pés nas pernas da outra e sentou-se normalmente "A mulher às quatro e meia da manhã já estava a pé a mandar vir com o meu pai. E é por isso que não se deve casar com ruivas. Temperamentozinho mais difícil não há."

Cassie riu-se perante a cara de Rose que elevava uma das bochechas mais que as outras, o olho esquerdo com um certo tremor nervoso característico desta.

"A cor do cabelo nada tem a ver com o temperamento, Albus."

"Mas tu és a prova viva da minha afirmação!"

"Eu não tenho um temperamento difícil!"

"Tens sim."

"Cassie, não o incentives!"

"Mas ele tem razão, Rosie. Tu tens um temperamento difícil."

"E o quê que consideras um temperamento difícil?"

A conversa não teve oportunidade de chegar ao seu término, pois Scorpius Malfoy abrira as portas do compartimento naquele preciso momento, silenciando-a.

Rose via em Malfoy uma cópia de carbono das fotos do pai. Não perdendo muito tempo a explorar as feições de ambos com medo de ser apanhada a olhar, conseguia distinguir os mesmos pontos fulcrais. Os olhos cinzentos, o cabelo loiro platina, as feições rectas.

Depois de um "bom dia", ele cumprimentou todos na carruagem com um leve aceno com a cabeça, Rose respondendo com um sorriso que quase parecera genuíno. Quase.

"Saíste muito rápido da reunião, Weasley."

"Uh ... Tinha uns assuntos que tratar com a Cassie." sorriu nervosamente "Na verdade, estávamos até de saída, não é Cassie?"

Os olhos dela insistiam que ela colaborasse e, por isso, Cassandra, de forma gaguejada e improvisada, assim tentou fazê-lo.

"Sim, sim, uh ... Temos que ir ... É ..."

Noutra altura, Rose teria expressado o seu desagrado para com o improviso muito mal conseguido da sua melhor amiga, mas naquele momento só queria sair o mais rápido depressa dali e acabar com o sentimento constrangedor que a invadia.

"Ainda não percebo o teu ódio pelo Malfoy."

"Eu não odeio o Malfoy." insistiu Rose enquanto o passo se alargava ao longo dos corredores do comboio.

"Pois, não é isso que transmites. Acho que toda a gente já reparou, começando por ele. "

"Lá porque não o odeie não signifique que goste dele. Simplesmente não entramos com o pé direito e não tivemos oportunidade de desfazer esse mau começo. Só isso. E até parece que ele age de forma diferente. Agora cala-te e apressa."

"A tua competitividade não ajuda também ..."

"Desculpa? Disseste alguma coisa?"

"Nada, nada ..." reparou naquele momento que Rose olhava para dentro das carruagens cada vez que passavam por uma "De quem estamos à procura exactamente?"

"James."

"Faz sentido."

Não demorou muito até encontrarem o irmão de Albus, estando este num compartimento sozinho com o melhor amigo e primo deste, Fred Weasley. Rose conseguira distingui-los através do cabelo deste último visto por trás.

Abriu a porta sem bater, sendo apanhada pelos olhos em choque de James.

"Que é que estás aqui a fazer, mulher?" gritou e de forma apressada fez sinal para Fred esconder a caixa.

"O quê que está nessa caixa?" perguntou Cassandra.

"Nada que te interesse... Oh! Quê que aconteceu ao teu cabelo?" Fred simulou uma cara que estava na margem do nojo e do choque.

"Pronto, vai começar ... Só porque eu pintei o cabelo de cor-de-rosa não quer dizer que tens direito a falar mal do meu cabelo"

"Eu gosto." James piscou o olho e sorriu nervosamente.

"Obrigada ... Acho eu."

"James Sirius Potter e Fred Weasley digam-me o que estava nessa caixa. Já."

"Achas mesmo que te vamos dizer?"

"Eu sou prefeita, estou numa posição de autoridade."

"Tu és nossa prima! E da nossa casa! Não nos vais querer tirar pontos, pois não?"

"Diz-me o que está nessa caixa e eu digo-te o que a Chelsea Zabini disse ao Albus sobre ti."

"A Zabini sabe sequer que o James existe?" Fred riu-se antes de ser acotovelado pelo outro "Aish, estava a brincar, idiota."

"Fala tu primeiro e eu digo."

"Se não fizeres o que prometeste eu vou pedir ao Jonathan para mandar por acidente uma bludger em direcção aos teus tomates no sábado. Vá ... Ela acha-te graça."

"Acha-me graça tipo porque eu sou extremamente hilariante ou acha-me graça pelo facto de eu ser um deus grego?"

"Não me faças dizer o que ela disse sobre ti. Deixo ao teu critério. Agora diz-me o que está nessa caixa?"

James e Fred entreolharam-se, os olhos castanhos de Fred como que pedindo permissão aos de James para contar. O outro limitou-se a encolher os ombros e suspirar.

"O Robards foi se embora, o que significa ... Novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas!"

"E isso tem a ver com a caixa porque?"

"Calma, Rosie!" James trocou um sorriso malicioso com o outro "Bem, novo professor em Hogwarts significa que nós temos que dar-lhe um bom presente de boas vindas."

"Aish! Nem pensem!"

"Roooooseeee! Vá lá, faz de conta que não sabes de nada! E depois, se alguém nos apanhar, seremos castigados. Mas antes não!"

"Nem ... Ai ... James, Fred! Vocês não podem ... Ah! Esqueçam! Eu vou fazer de conta que não vi nada ... Mas é a primeira e última vez! Eu que vos apanhe mais uma vez e nem sei o que vos faço!"

Não demorou muito mais para chegarem a Hogwarts. Quando chegaram ao Salão James esperava impacientemente que o chapéu seleccionador se despachasse com tudo aquilo, aplaudindo com mais força do que costume e com uma maior rapidez. esperando que o resto das pessoas acompanhassem o seu ritmo, o seu humor deteriorando-se à medida que iam aparecendo rapazes e raparigas que confundiam o chapéu e levavam-no a demorar mais tempo.

"Quem é que pôs sal no teu sumo de abóbora hoje de manhã?" perguntou uma gryffindor do mesmo ano que ele que estava sentada à sua frente.

"Ainda não comi nada desde que saí de casa! Tenho fome, raios!"

"Pronto, aqui está a justificação para o teu mau humor."

Mais uns dez minutos e depois de um discurso da directora, finalmente apareceram os pratos na mesa e James atacou a comida como se estivesse estado desaparecido na Floresta Proibida durante meses. A outra rapariga, Eliana, limitou-se a revirar os olhos

Rose olhava distraída para a comida, com a esparguete enrolada no garfo e o olhar um pouco vazio. Olhou sobressaltada para o lado quando viu Christian sentar-se ao lado dela.

"A Cassandra não vai sentar-se aqui?" perguntou, sorrindo enquanto fazia sinal com a cabeça para a mesa dos Ravenclaw, onde a outra estava a falar com um rapaz loiro.

"Ainda vai demorar um bocado, está a falar com o namorado." pousou o garfo "Obrigada mais uma vez. Pelo que fizeste hoje de manhã."

"Não foi nada, não precisas de agradecer." corou levemente, Rose olhava para ele fixamente fazendo com que ele tentasse desviar o olhar "Não é como se eu também quisesse estar ali muito mais tempo."

Continuaram o resto do jantar em silêncio, sendo apenas interrompidos por Cassie que voltara cerca de quinze minutos depois. Os olhos dela estavam vermelhos e brilhantes e, quando Christian começou a mover-se, a voz dela quebrou um bocado quando insistiu que ele ficasse onde estava, que ela sentava-se à frente. Rose abriu a boca para perguntar algo mas fora do nada atingida por um avião de papel vindo do outro lado da mesa de Gryffindor.

Virou a cabeça para o lado, a boca aberta enquanto olhava para James que fazia sinais com as mãos para que ela abrisse o papel.

"Hoje à noite, em Hogsmeade às 23h.

- J."

Depois de ler o que estava no papel ela olhou incrédula para James e depois de volta para o papel. Tirou da bolsa um lápis e escreveu a resposta, amassando depois e atirando-a à cabeça do outro.

"Estás maluco?

a) Temos aulas amanhã (caso não saibas, hoje é quinta)

b) Às onze já passa do recolher obrigatório

c) Tenho ronda das dez e meia às onze e meia

- R."

A resposta chegou nem um minuto depois.

"Anda lá! É o meu último ano e do Fred, queremos comemorar. Onde está o teu sentido de aventura?"

- J."

Não era a primeira vez que se esgueiravam para Hogsmeade durante a noite. James e Fred, explorando Hogwarts com a ajuda do Mapa do Salteador que James tinha roubado da secretária do seu pai no segundo ano, tinham descoberto novas passagens secretas e arranjado uma maneira de as adicionar ao Mapa e desde então o passatempo preferido de ambos era sair para Hogsmeade sempre que conseguiam, sem serem descobertos.

Suspirou. Tirou a varinha do bolso e queimou o papel, olhando de seguida para James. O sorriso deste estendia-se por toda a face. Ela limitou-se a revirar os olhos e a formar com os lábios a palavra "Okay."

O clima ainda era de Verão e Rose Weasley apenas tirara umas calças de ganga, uma t-shirt dos Chudley Cannons, e um casaco de malha da mala, quando chegara da ronda às onze e meia. Cassandra já estava a dormir, tendo dito a Rose que preferia ser deixada sozinha no dormitório do que sair à noite. Contar-lhe ia tudo amanhã.

Não teve que preocupar-se com mais ninguém. Afinal, eram as únicas gryffindor do seu ano. O que era bom, pois assim, devido ao facto de só existirem elas mais quatro rapazes gryffindor, eles geralmente partilhavam os slytherins e os hufflepuffs.

Saiu silenciosamente da sala comunal, tentando não ser vista. Tinha a garantia de não ser vista por mais nenhum prefeito, pois a última ronda era a dela e do prefeito do quinto ano de Ravenclaw. Era só esperar que não houvesse nenhum professor por aqueles lados.

Também ajudava que houvesse uma passagem no sétimo andar. Depois de confirmar que ninguém estava atrás dela, moveu o quadro do cavaleiro adormecido e começou a fazer o seu caminho pelo túnel "Porquê que são sempre túneis!" que dava a Hogsmeade.

"Já posso ir-me embora? Podias ter pedido à Chelsea para te acompanhar, ela faria isso de muito agrado. Agora eu estive uma hora a pé e a falar com os alunos do primeiro ano porque a Grey e o Castle tinham a ronda deles precisamente à hora de recolher." Scorpius estava visivelmente cansado, já preparando para se levantar do banco onde estavam sentados.

"Não! Tu vais pedir-lhe desculpas."

"Ainda não percebi porquê que eu é que tenho que lhe pedir desculpas ..."

"Porque ela é teimosa demais para ser ela a pedir e porque eu estou farto de não poder estar na mesma sala que vocês os dois sem asfixiar-me com a tensão." Albus olhava de forma impaciente para uma árvore, até que viu uma porta no tronco a abrir e uns caracóis ruivos a saírem dela. "Esta é a minha deixa, vou ver como está a Lily." levantou-se sem quebrar o contacto dos olhos dele com os de Scorpius "Arruma já com isto. Não estou a pedir para ficarem amigos, mas por favor, faz com que lhe não apeteça quebrar cabeças a bonecas só de ouvir falar no teu nome."

Estavam todos num terreno perto da Casa dos Gritos. Com todosdeve-se entender quase toda a família Weasley/Potter - incluindo Hugo que tivera que ser arrastado por Lily até lá - e mais uma série de pessoas das outras casas. Tinham arranjado maneira de iluminar o lugar e divertiam-se enquanto bebiam firewhiskey.

"Uh ... Weasley, podes vir cá ter se faz favor?"

Rose olhou para todos os lados e depois acabou por sorrir nervosamente e sentar-se ao lado de Scorpius.

"Sim?"

"Eu ... Quero dizer é ... É o nosso penúltimo ano em Hogwarts e eu não queria continuar com isto porque, sinceramente, já não faz sentido nenhum." a outra curvava as sobrancelhas, as feições da face transmitindo a confusão desta "Por isso ... desculpa por ter dito que o teu cabelo parecia uma vassoura velha no primeiro ano."

O riso da outra começou baixo e disfarçado até que culminou num riso sonoro que surpreendeu quem por lá passava.

"Ainda te lembras disso?"

"Uh ... sim ..."

"Não acredito!" o sorriso desvaneceu-se "Foi o Albus que pediu-te para fazer isto, não foi?"

"Sim." respondeu quase de imediato, nem um músculo movendo-se no resto do seu rosto.

"Wow, que sinceridade... Bem me parecia... Mas é bem intencionado por isso ... Desculpas aceites. E .. eu peço desculpa por ter-te mandado pelos ares a seguir."

"O meu traseiro aceita, ao fim de anos de réplicas dos danos colaterais desse feitiço, as tuas desculpas."

"Isto não significa que eu te considere um amigo agora, okay?"

"Não era isso que eu queria também."

"Boa."

Ficaram calados durante algum tempo até que Scorpius tirara algo metálico do bolso.

"Uma harmónica?" perguntou a ruiva, olhando para as mãos dele "Sempre quis aprender a tocar uma, mas não tinha jeito nenhum. O meu pai deu-me uma no Natal quando eu tinha dez anos e eu andei a fazer barulho pela casa toda durante duas semanas até que desisti."

O outro não respondeu, limitando-se a levar o instrumento aos lábios e começar a tocar. Os olhos cinzentos estavam agora fechados e toda a tensão que estava concentrada nos músculos do rosto desaparecia agora. A melodia que ecoava agora por todo o espaço em redor. Rose olhava para ele, até que acabou por também ela fechar os olhos e recostar-se no banco, o vento da noite dançando com os seus cabelos e acariciando-lhe a cara.
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